Ele enlouqueceu?
Ela guardou todos os sorrisos falsos, observou-o seriamente e franziu ainda mais a testa: "Gustavo, o que você quer dizer com isso? Pode, por favor, considerar a minha proposta?"
Gustavo não respondeu imediatamente. Apenas afrouxou a gravata, levantou-se sem aviso, deu dois passos à frente e inclinou-se sobre ela: "O que quero dizer é que hoje é nossa noite de núpcias. A Senhora Cavalcante não sabe o que deve fazer?"
Melissa arregalou os olhos. Quando tentou se levantar bruscamente, uma mão pressionou seu ombro, e a voz dele soou plana: "Já pensou em como quer viver sua vida? Estarei à altura de qualquer coisa."
"Gustavo, acalme-se. Eu não disse 'cada um vive sua vida' para te provocar ou para inventar algum jogo novo. Estou sinceramente trocando ideias com você. Se você não concorda com isso, então tudo bem, eu desisto. Vou apenas trabalhar, voltar para casa e não ir a lugar nenhum, desde que eu possa me mudar. Pode ser?"
As belas sobrancelhas dele se franziram levemente: "Por que quer se mudar?"
"Porque..." As palavras chegaram à ponta da língua, mas ela não conseguiu dizê-las.
Porque ela tinha medo de enlouquecer, se não morresse antes.
Casar com alguém que não a ama é, por si só, uma aposta de alto risco.
Na vida passada, ela perdeu tudo. Nesta vida, ela não queria mais apostar.
"Melissa, eu sou seu marido. Não vou deixar você viver como viúva, muito menos deixar que a depressão te faça pular de um prédio. Mesmo que seja para morrer, eu estarei com você. Do que você tem medo?"
Melissa esqueceu o que ia dizer. Ficou apenas olhando para ele, estupefata. Por um momento, sentiu como se nunca tivesse conhecido o homem à sua frente.
Gustavo retirou a mão e a colocou no bolso da calça, dizendo calmamente: "Tenho um compromisso e preciso sair. Seu quarto é no segundo andar."
Até o som da porta se fechando soar, ela ainda não havia se recuperado do choque. Será que Gustavo Cavalcante batera a cabeça ao sair hoje?
Melissa sentiu um calafrio, pegou sua mala e subiu tremendo para o escritório no segundo andar.
Deitada na pequena cama, ela rolava de um lado para o outro sem conseguir dormir.
Ele não sentia uma repulsa extrema por ela? Como pôde dizer algo tão insano quanto morrer ao lado dela? Será que nesta vida ele decidira usar um método mais sutil para torturá-la e se vingar?
Sim, isso combinava com a personalidade dele de nunca deixar uma dívida sem cobrança.
Quanto mais Melissa pensava, mais irritada ficava. Por fim, cobriu a cabeça com o cobertor e tentou dormir.
Um dia, ela encontraria uma forma de escapar.
...
No hospital, o cheiro de desinfetante preenchia todo o quarto.
Sophia Ramos estava deitada na cama, com um sorriso que se alargava aos poucos. Gustavo cancelara o casamento por causa dela; certamente ela era muito importante para ele.
Se ela esperasse pacientemente, um dia ele se apaixonaria por ela.
Nesse momento, a porta do quarto se abriu.
Sophia olhou para quem entrava e fez um esforço para se sentar um pouco mais. Além da surpresa, sentiu uma pitada de alegria: "Gu... está tão tarde, por que veio?"
Gustavo lançou-lhe um olhar indiferente e disse com voz fria: "Você deveria saber que tipo de pessoa eu mais odeio."
"Que... que tipo?" Ela não entendeu.
"Antes de forjar uma situação para culpar alguém, você não verifica se há câmeras de segurança ao redor?" A expressão dele não mudou, como se estivesse apenas relatando algo banal.
Mas essa simples frase fez Sophia empalidecer de terror: "Gu, me deixe explicar, eu só não queria que a Melissa casasse com você, não tive outra intenção, eu..."
"Não me importa qual era o seu objetivo. Se houver uma próxima vez, arque com as consequências." Após falar friamente, ele se virou para sair, mas foi chamado.
Capítulo 16: Não quero mais amar você
"Gustavo, você por acaso esqueceu como a garota feia morreu? Sim, desta vez eu armei para a Melissa, mas a morte daquela menina foi culpa dela! Nós já tínhamos escapado de lá, mas se ela não fosse tão obstinada, se não tivesse se recusado a ouvir os conselhos de todos e insistido em voltar para buscar não sei o quê, aquela menina não teria sido atropelada e morta para salvá-la... Gustavo, por que você insiste em se casar com uma mulher egoísta como ela?"
Gustavo desviou o olhar e a encarou friamente: "E você sabe por que eu te mantive ao meu lado por tanto tempo?"
Sem esperar por uma resposta, ele saiu do quarto.
A porta do quarto de hospital se fechou novamente. Sophia cerrou os punhos, seu corpo tremendo incontrolavelmente.
Naquele acidente anos atrás, os sobreviventes se espalharam. Apenas as três estavam juntas; além dela, uma morreu e a outra desapareceu.
Ela sabia que o suporte de Gustavo era uma forma de compensação da família Cavalcante.
Gustavo podia tolerar um erro dela, mas jamais permitiria um segundo.
No entanto, ela não desistiria. Jamais aceitaria a derrota!
A cidade parecia ter adormecido sob o vento cortante de outono, com poucos pedestres nas ruas.
O sedã preto cortava a estrada em alta velocidade. Gustavo apoiava a mão casualmente no volante, pensativo.
Em sua mente, ecoavam as palavras de Melissa que ele ouvira pelas câmeras de segurança pouco antes.
Acordar todos os dias sozinha em uma casa gelada? Ficar doente e com febre até perder os sentidos e só ser encontrada pela faxineira? Ter um marido, mas viver como se fosse viúva? Por fim, a depressão e o salto do prédio?
Cada uma dessas acusações, carregadas de dor, era como um espinho cravado em seu peito, causando uma dor inexplicável.
Quando foi que ele a tratou dessa forma?
Gustavo chegara a esquecer quando exatamente começara a detestá-la.
Teria sido quando ela apareceu diante dele, cautelosa, com as ações do avô e pediu em voz baixa para que se casassem? Ou quando ouviu de Sophia que Melissa fora a responsável pela morte da garota feia...
Ou talvez, ele simplesmente não soubesse por que a odiava.
Gustavo franziu o cenho, sentindo uma irritação súbita.
Ao retornar à mansão, percebeu que o quarto no segundo andar estava vazio. Havia apenas um fio de luz saindo da fresta da porta do escritório.
As luzes do escritório estavam todas acesas, tão brilhantes que chegavam a arder os olhos.
Melissa estava encolhida em um pequeno divã, com o cobertor cobrindo a cabeça completamente. Gustavo aproximou-se e liberou o rosto dela; ao ver sua face corada pelo abafamento, os cantos de seus lábios se curvaram levemente sem que ele percebesse.
Depois de algum tempo, ele desviou o olhar e levantou-se para apagar a luz principal. A pessoa no divã moveu-se inquieta, parecendo prestes a acordar.
Gustavo acendeu uma pequena luminária de luz âmbar sobre a mesa. Quando ia sair, ouviu-a murmurar algo. Ao chegar mais perto, percebeu que ela chamava o nome dele.
Melissa estava tendo um pesadelo. Ela fora jogada em um abismo sem fim, frio e úmido, onde seus gritos não recebiam resposta.
Estava com medo, sentindo que ia morrer.
"Gustavo... eu não quero mais amar você. Dói tanto, é tão difícil..." Ela começou a chorar baixinho, parecendo uma gatinha abandonada na beira da estrada, tremendo de frio.
Só então Gustavo percebeu que ela estava queimando em febre.
Ele franziu o cenho e deu tapinhas leves em sua bochecha: "Melissa, vou te levar ao hospital."
Ela balançou a cabeça, o rosto coberto de lágrimas: "Não... é horrível ir ao hospital sozinha. O Gustavo me odeia tanto, ele não se importaria se eu morresse."
As sobrancelhas de Gustavo se uniram ainda mais. Ele tentou pegar o celular para chamar um médico, mas ao menor movimento, Melissa o abraçou com força, chorando ainda mais alto: "Não vá! Não me deixe sozinha!"
Capítulo 17: Remédio para resfriado
"Eu não vou embora." Ele soltou um suspiro inaudível. Quando ia acomodá-la na cama, Melissa se enroscou nele e, de forma desajeitada, selou seus lábios nos dele.
Era como se emoções acumuladas por muito tempo explodissem em um instante, buscando desesperadamente uma saída.
Ela não sabia o que estava fazendo; apenas buscava instintivamente um apoio, alguém que a tirasse daquele abismo frio e úmido.
Gustavo foi derrubado por ela, e seu olhar escureceu.
Em um instante, ele assumiu o controle, segurando a nuca dela e invadindo cada espaço de sua boca.
A temperatura do quarto antes frio subiu rapidamente.
Melissa sentia-se como se estivesse sendo desembrulhada camada por camada. Suas partes mais íntimas foram tocadas com suavidade.
Isso fez com que seu corpo, já febril, parecesse estar fervendo, ávido por uma liberação.
Então, toda a sua consciência fragmentada foi dilacerada em um segundo.
Ela gritou de dor e mordeu o ombro dele com força.
O homem sobre ela hesitou por um instante, beijando sua testa suada.
Não se sabe quanto tempo passou até que os pequenos soluços se tornassem fragmentados.
No escritório, apenas a pequena luminária âmbar permanecia acesa, oscilante e fraca.