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《Onde a Neve Nunca Derrete》Capítulo 21

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Ele nem tinha mais o direito de ser lembrado.

Bernardo começou a rir baixo; o riso ecoava no quarto vazio e escuro, bizarro e desolado.

Ele levantou-se cambaleando, foi até a mesa e acendeu a luminária.

A luz amarelada iluminou um porta-retrato antigo sobre a mesa.

Ali estava uma foto de Alice aos treze ou quatorze anos, com rabo de cavalo e uniforme escolar, sorrindo para a câmera com os olhos em formato de lua. Fora tirada na formatura do ensino fundamental; ele lembrava que desmarcara uma reunião para ir à cerimônia, e ela pulara em seus braços segurando o certificado, pedindo um prêmio.

Como era bom.

Como tudo era bom naquela época.

Mas tudo o que era bom fora destruído por suas próprias mãos.

Com a mão trêmula, ele pegou uma caneta e abriu uma folha de papel branco.

A ponta da caneta pairou sobre o papel por muito tempo. A tinta acumulou-se e caiu, formando uma pequena mancha, como uma ferida preta que não cicatrizava.

Finalmente, ele escreveu. A caligrafia estava desordenada e torta, como se ele usasse toda a sua força:

Alice:

O seu irmão te devolve a vida.

Na próxima vida, deixe-me ser o seu irmão mais novo, para que você possa mandar em mim para sempre.

Sem saudação, sem assinatura, apenas essas duas frases curtas.

Ele largou a caneta e retirou um frasco de remédio do fundo da gaveta.

Eram os soníferos que o médico lhe receitara e que ele nunca tomara corretamente.

Ele abriu a tampa e despejou todos os comprimidos brancos na palma da mão, uma mão cheia.

Sem hesitação, acompanhado por meio copo de água já gelada que estava sobre a mesa, ele ergueu a cabeça e engoliu todos.

Os comprimidos grudavam na garganta; ele esforçou-se para engolir, tossindo algumas vezes.

Então, pegou o coelho de pelúcia velho, abraçou-o com força contra o peito e escorregou pela beira da cama até sentar-se no chão.

O efeito do remédio foi rápido.

A consciência começou a nublar, o corpo ficou pesado e a respiração tornou-se gradualmente difícil.

A escuridão veio como uma maré, de forma gentil e irresistível, engolindo-o.

No momento exato antes de perder a consciência por completo, ele pareceu voltar a muitos anos atrás, em uma tarde ensolarada. A pequena Alice veio correndo e entregou o coelho de pelúcia em seus braços, olhando para ele com o rostinho erguido e olhos brilhantes: "Irmão! Feliz aniversário! Você é a pessoa que eu mais amo!"

"— Alice..."

"— Eu errei..."

"— Eu te devolvi o dedo..."

"— A vida... também é sua..."

Ele murmurava inconscientemente, a voz ficando cada vez mais baixa, até tornar-se inaudível.

Na manhã seguinte, a diarista que vinha limpar pontualmente encontrou Bernardo inconsciente. Apavorada, ligou imediatamente para a emergência.

A ambulância o levou às pressas para o hospital para lavagem estomacal e ressuscitação.

Ele foi trazido de volta da linha da morte, mas permanecia em coma, mantido por aparelhos na Unidade de Terapia Intensiva.

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Diego não foi ao hospital acompanhar o resgate de Bernardo, nem buscou mais notícias sobre a família Rocha ou sobre Alice.

Ele deixou a Suíça, não voltou para a família dele, nem foi para qualquer lugar familiar.

Ele comprou uma passagem só de ida para Viena.

Naquela cidade famosa mundialmente pela música, em uma rua comum perto do Golden Hall, ele encontrou uma floricultura que estava contratando.

A dona da loja era uma senhora austríaca gordinha e de sorriso amável.

"— Sei podar, sei trocar a água, posso acordar cedo e não tenho medo de sujeira." Diego disse em alemão fluente, com o tom calmo. "O pagamento pode ser quanto a senhora quiser."

A senhora o observou; o jovem oriental vestia-se bem e tinha um ar distinto, mas entre as sobrancelhas havia uma melancolia que não se dissipava, e seu olhar era vazio, como se tivesse perdido algo extremamente importante.

"— Desilusão amorosa?" Perguntou a senhora, entregando-lhe uma xícara de café quente, com um olhar compreensivo.

Diego aceitou o café, sentindo o calor através da cerâmica. Ficou em silêncio por um instante e assentiu.

"— Pode-se dizer que sim." Ele forçou um sorriso que parecia mais um choro. "Na verdade, é pior."

Capítulo 32

A senhora não perguntou muito, apenas deu um tapinha em seu ombro: "Fique, meu filho. As flores podem curar tudo."

Diego estabeleceu-se na floricultura.

Ele falava pouco, mas trabalhava com extrema seriedade e dedicação, podando galhos, trocando a água e limpando a loja com meticulosidade.

Nas horas vagas, sentava-se em um pequeno banco na porta da loja e observava o templo musical resplandecente do outro lado da rua — o Golden Hall. Ficava olhando por muito tempo, com o olhar vazio, sem que se soubesse o que pensava.

Todos os dias, antes de fechar a loja, ele escolhia o buquê de girassóis mais fresco e viçoso, embrulhava-o com cuidado e caminhava até a entrada principal do Golden Hall, deixando-o naquele banco fixo que já fora ocupado por inúmeros turistas.

No primeiro dia, no segundo... todos os dias era assim.

O amarelo dourado e radiante dos girassóis permanecia brilhante e chamativo sob o crepúsculo, como pequenos sóis.

A dona da floricultura finalmente não conteve a curiosidade e, quando ele saía mais uma vez com os girassóis nos braços, chamou-o.

"— Diego," a senhora apontou para as flores e depois para o Golden Hall, "todos os dias são girassóis. Para quem são? Sua namorada se apresenta lá dentro?"

O braço de Diego apertou levemente o buquê. Ele virou a cabeça e olhou para o telhado do Golden Hall brilhando sob o pôr do sol; seu olhar tornou-se extremamente distante, como se atravessasse o tempo e visse, há muito tempo, uma menina segurando um violino, com um sorriso mais radiante que a luz do sol, olhando para cima e dizendo com tom de esperança: "Diego, quando eu fizer dezoito anos, meu maior desejo é estar com você no Golden Hall de Viena; eu toco e você ouve!"

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Ele balançou a cabeça, a voz muito baixa, dispersando-se no vento da tarde.

"— Não," disse ele. "São para alguém... que eu nunca mais serei digno de ter."

A senhora pareceu entender em parte, suspirou baixinho e não perguntou mais nada.

Os dias passavam um a um.

Diego era como uma sombra silenciosa, vivendo na capital da música, mas isolado dela.

Ele ouvia os artistas de rua tocarem, ouvia a música sinfônica que ecoava vagamente do Golden Hall, com uma expressão plácida e sem ondas. Apenas no fundo de seus olhos, ocasionalmente, passava um rastro de dor profunda que ninguém poderia compreender.

Até que, um mês depois, ele viu um anúncio de recrutamento em um jornal velho na floricultura — a organização Médicos Sem Fronteiras precisava urgentemente de pessoal com formação médica para ir a uma região assolada pela guerra e com condições médicas extremamente precárias.

Diego fixou o olhar naquele anúncio por muito, muito tempo.

Depois, dobrou silenciosamente o jornal e o colocou de volta no lugar.

No dia seguinte, ele se despediu da dona da floricultura.

A senhora não fez perguntas, apenas lhe deu um abraço caloroso e colocou em sua mão um pequeno saco de biscoitos caseiros.

"— Cuide-se, meu filho. Que o Senhor o proteja," disse ela.

Diego agradeceu, colocou sua mochila simples nas costas e deixou a floricultura, deixando Viena.

Antes de partir, foi pela última vez ao correio.

Comprou um envelope e um selo simples, sentou-se na cadeira num canto do correio e abriu uma folha de papel em branco.

A ponta da caneta pairou por muito tempo; a tinta formou uma pequena mancha no papel.

O que ele deveria escrever?

Escrever um arrependimento infinito? Escrever um amor tardio? Escrever que desejava usar o resto da vida para pagar por seus erros?

Não, tudo isso era leve demais, e tarde demais.

Ele profanara a palavra "amor"; ele não era digno.

Por fim, ele apenas escreveu no papel, com toda a sua força e de forma impecável, duas palavras:

Me desculpe.

Então, ele retirou do compartimento mais interno de sua carteira uma foto muito bem preservada, com as bordas já um pouco gastas.

Na foto estava Alice, aos dezoito anos.

Ela vestia um vestido branco, abraçava seu amado violino e estava sob o sol, sorrindo radiante para a câmera, com os olhos cheios de luz estelar.

Fora ele quem tirara aquela foto no dia do aniversário de dezoito anos dela.

Ela dissera que aquela era sua foto favorita.

Ele observou a foto por muito tempo, como se quisesse gravar aquele sorriso para sempre no fundo de sua alma.

Depois, colocou a foto cuidadosamente no envelope junto com o papel onde escreveu apenas as duas palavras; selou-o e, no campo do destinatário, escreveu solenemente o endereço da mansão dos Valente.

Ele não escreveu o remetente.

No momento em que depositou o envelope na caixa de correio, sentiu uma dor aguda que quase o sufocou, espalhando-se do coração para todo o corpo.

Ele sabia que aquela carta seria como uma pedra jogada no oceano, que possivelmente nunca seria lida.

Ele também sabia que aquele era o último e único acerto de contas que poderia dar a ela.

Me desculpe.

Por todo o dano, injustiça e abandono que um dia lhe causei.

Pela promessa do Golden Hall que nunca pôde ser realizada.

Por aquele Diego que foi completamente deixado para trás por você, e que finalmente decidiu deixar-se ir, desaparecendo para sempre de sua vida.

A carta caiu no fundo da caixa de correio, produzindo um som leve.

Diego virou-se, de costas para a caixa de correio e de costas para aquele templo dourado da música, integrando-se ao fluxo incessante de pessoas nas ruas de Viena.

O sol estava perfeito, iluminando esta bela cidade e iluminando todos aqueles futuros cheios de esperança que não tinham mais nada a ver com ele.

E ele caminharia em direção à fumaça, ao sangue e ao lugar de eterna redenção.

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FIM DA HISTÓRIA

 

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