Diego permaneceu parado, apertando o guarda-chuva com força. A água acumulada na superfície formava fios que caíam incessantemente. Ele estava encharcado e gelado até os ossos, mas a mão que segurava o cabo estava terrivelmente quente.
Ele olhou para a direção onde o carro sumira e depois para aquele guarda-chuva preto e comum em suas mãos.
Então, ele curvou-se bruscamente e, com a mão que não segurava o guarda-chuva, cobriu o rosto com força.
Um líquido quente, misturado à chuva fria, jorrou entre seus dedos.
Como uma criança perdida, como um mendigo que perdera tudo, ele se agachou à beira da estrada naquela chuva outonal estrangeira e gelada, abraçando o único objeto que carregava um vestígio dela, e chorou copiosamente.
O som do pranto foi engolido pela chuva, quebrado e desesperado.
Capítulo 30
No país, o Grupo Rocha declarou oficialmente falência e liquidação.
Bernardo vendeu o que restava dos imóveis da família e todos os objetos de valor em seu nome para quitar parte das dívidas. Com o pouco dinheiro que sobrou, fundou uma fundação chamada "Alice".
O foco principal da fundação era apoiar pessoas injustamente presas a reiniciarem suas vidas após serem inocentadas, além de ajudar jovens que, por acidente ou doença, sofreram danos nas mãos e não puderam continuar seus sonhos musicais.
Ele mudou-se da mansão vazia e fria dos Rocha e alugou um apartamento simples de um quarto na cidade.
No quarto, havia apenas uma coisa trazida da mansão: um velho coelho de pelúcia desbotado, com as orelhas descosturadas.
Aquele fora o presente que Alice, aos seis anos, escondera debaixo do travesseiro dele no dia de seu aniversário, usando as economias que guardara por muito tempo.
Na barriga do boneco, com pontos tortos, estava bordada uma pequena frase:
"Irmão, feliz aniversário! A Alice te ama para sempre."
Naquela época, Alice era apenas uma menininha doce que sempre o seguia, chamando-o de "irmão" com voz cristalina, vendo-o como a pessoa mais incrível do mundo.
Bernardo dormia abraçado àquele coelho velho todas as noites.
Apenas assim ele conseguia fechar os olhos por um momento, conseguindo agarrar um rastro de calor já ilusório em meio ao remorso e à escuridão infinita.
Ele começou a ter alucinações auditivas.
Sempre no silêncio da noite, ouvia o som vago de um violino vindo do quarto ao lado. Às vezes era a alegre "Primavera", às vezes a melancólica "Amantes Borboletas", todas músicas que ele ensinara pessoalmente a ela quando era pequena.
Ele acordava sobressaltado e corria para o quarto ao lado, que estava vazio, restando apenas as paredes frias.
Ele foi a um psicólogo e foi diagnosticado com depressão severa e transtorno de estresse pós-traumático grave.
O médico receitou medicamentos e o orientou a tomá-los pontualmente, a conversar mais com as pessoas e a tentar começar uma nova vida.
Bernardo aceitou o frasco, agradeceu e saiu.
Nova vida?
A vida dele terminara três anos antes, no momento em que escolhera acreditar em Bianca e enviar Alice para a prisão.
Tudo o que aconteceu depois foi apenas uma extensão do inferno.
E agora, ele vivia apenas como uma casca carregando remorso e dor infinitos, usando o resto de seus dias para pagar por um crime que jamais seria quitado.
Uma semana depois, Arthur tomou a iniciativa de se encontrar com Bernardo e Diego.
O garçom serviu o chá e retirou-se silenciosamente, fechando a porta.
Restavam apenas os três na sala privativa; o ar estava tão parado que se podia ouvir a respiração.
Arthur não fez rodeios. Apenas usou a ponta dos dedos para empurrar uma pasta de veludo para o centro da mesa.
"— Vejam, Gustavo e Alice vão se casar. Este é o convite."
A frase foi como um trovão caindo do céu azul, explodindo nos ouvidos dos dois.
A mão de Diego, segurando o convite, tremia violentamente, fazendo o papel farfalhar.
Uma corrente imensa de dor surda misturada a um ciúme agudo atingiu suas entranhas.
Bernardo ficou ainda mais atordoado, como se não tivesse ouvido.
Arthur observava friamente o estado desolado dos dois, sem qualquer emoção no rosto.
"— Este convite foi entregue a vocês em consideração aos vinte anos de história, apenas como um comunicado."
"— Não é um convite para comparecer, é uma notificação."
"— Além disso, a Alice me pediu para lhes dizer o seguinte:"
"— Ela deixou o passado para trás."
"— Não odeia, mas também não perdoa."
"— Por favor, de agora em diante, saiam definitivamente da vida dela."
"— Esta é a última misericórdia dela," Arthur pronunciou as últimas palavras lentamente enquanto observava as pupilas deles se contraírem.
Não odeia, nem perdoa.
Sair definitivamente.
A última misericórdia.
Cada palavra era como um prego temperado no gelo, pregando a alma de Bernardo e Diego na coluna da infâmia, matando qualquer última ilusão irrealista.
O rosto de Diego estava assustadoramente pálido. Ele encarou Arthur, a voz rouca e quase quebrada: "Ela... realmente... disse isso?"
Arthur retribuiu o olhar sem hesitar, com os olhos frios e firmes.
"— Sim."
"— Ela disse também," Arthur fez uma pausa, lembrando-se da expressão de total desapego e leve cansaço da irmã ao dizer aquilo, "que se vocês ainda sentem que devem algo, não apareçam mais na frente dela. Esse é o melhor ressarcimento que podem oferecer."
Dito isso, ele não lhes dirigiu mais nenhum olhar. Pegou o casaco no encosto da cadeira e caminhou direto para a porta.
"— Sr. Valente!" Bernardo levantou-se bruscamente, derrubando a cadeira com o movimento súbito, produzindo um som estridente.
Seus olhos estavam vermelhos e a voz trêmula: "Eu... eu queria vê-la uma última vez... só uma vez... eu..."
"— Não é necessário." Arthur parou, sem se virar, a voz dura como ferro. "Bernardo, guarde um pouco de dignidade para você e para ela."
"— Dignidade..." Bernardo murmurou a palavra, como se ouvisse a maior piada do mundo, e começou a rir baixo, uma risada lúgubre e desesperada. "Onde eu ainda teria dignidade..."
Arthur não deu mais atenção, abriu a porta e saiu.
A pesada porta da sala fechou-se lentamente, isolando os dois homens condenados à "pena de morte" em um desespero silencioso.
Bernardo desabou de volta na cadeira, ainda apertando o convite dourado. As pontas dos dedos estavam brancas pela força, quase rasgando o papel fino.
Ele fixou o olhar no sorriso de Alice na foto; lágrimas caíram pesadamente sem aviso, molhando um canto do convite.
Ele errou.
Ele errou de forma absurda.
Ele pensara que cortar o próprio dedo, arrepender-se dia e noite e usar o resto da vida para compensar talvez pudesse render um rastro de piedade, talvez pudesse permitir que ele olhasse para ela de longe.
Mas a verdade era que ela já tinha ido para muito longe, para uma margem que ele jamais alcançaria.
Ela nem sequer queria mais lhe dar o seu ódio.
Ela lhe dera a última misericórdia — a indiferença total e o desejo de que "vivesse bem".
Mas uma vida sem ela era mais torturante do que a morte.
Capítulo 31
Diego permaneceu em silêncio.
Ele não chorou, mas seu rosto estava sem um pingo de cor, como uma estátua sem alma. Ele estendeu a mão lentamente e retirou o convite das mãos trêmulas de Bernardo.
Seus movimentos eram lentos, carregados de uma solenidade de despedida.
Ele observou detalhadamente a pessoa na foto, desenhando com o olhar as feições de Alice com desejo e ganância. Aquele sorriso gentil era como um ferro em brasa marcado em seu peito.
Então, muito levemente, ele acariciou a bochecha dela na foto com a polpa do dedo, um movimento tão terno como se tocasse um tesouro frágil.
Por fim, ele colocou o convite de volta na mesa e levantou-se devagar.
Lançou um olhar para o Bernardo à sua frente, que parecia ter tido a vida sugada, e não disse nada. Apenas endireitou as costas que o remorso curvara e, passo a passo, saiu da sala.
Cada passo era pesado, como se caminhasse sobre lâminas.
Ele sabia que era hora de partir.
Desaparecer completamente do mundo dela.
A noite em que Bernardo recebeu o convite foi especialmente longa e fria.
Ele voltou para o apartamento de um quarto onde estava o coelho de pelúcia. Não acendeu a luz, apenas sentou-se no chão frio, encostado na beira da cama. Nas mãos, apertava o convite que fora molhado pelas lágrimas e depois secara, ficando amarrotado.
Lá fora, os neons da cidade brilhavam; as luzes passavam pela janela, iluminando e escurecendo seu rosto.
"— Deixar para trás... não odiar... nem perdoar..."
"— Sair definitivamente..."
"— A última misericórdia..."
As palavras de Arthur e o sorriso suave e pacífico de Alice ecoavam e piscavam alternadamente em sua mente.
Misericórdia...
Sim, ela era misericordiosa.
Ela não o perseguiu até o fim, nem mandou que quebrassem suas pernas quando ele implorou de joelhos.
Mas era justamente essa misericórdia, esse desapego e indiferença total que doíam mais do que o ódio ou a vingança.
O ódio provava que ela ainda se importava.
A indiferença significava que ele, junto com seus vinte anos de absurdos e remorsos, não causava mais nem uma ondulação no coração dela.