Gustavo não a apressou. Apenas sentou-se ao piano e começou a tocar uma melodia extremamente simples, quase desajeitada — uma variação de "Brilha, Brilha, Estrelinha".
Seus dedos eram longos; conforme tocavam as teclas, as notas saltavam. Embora a execução fosse rudimentar, trazia uma serenidade gentil inesperada.
Alice parou na porta do jardim de inverno, ouvindo em silêncio.
Aquela melodia simples era como uma pluma, roçando levemente um canto de seu coração que estava selado há muito tempo.
Ela caminhou devagar e parou ao lado de Gustavo.
Ele parou de tocar e olhou para ela com um olhar suave e encorajador, sem qualquer pressão.
Alice encarou as teclas nítidas por muito tempo. Então, estendeu a mão direita, ainda com algumas bandagens e juntas levemente tortas, pairando sobre o teclado com um leve tremor.
"— Quer tentar?" Gustavo perguntou baixo.
Alice não respondeu, apenas comprimiu os lábios. Então, muito, muito lentamente, pressionou o dedo indicador.
"— Dó..."
Uma nota única, um pouco abafada e sem muita doçura, soou no jardim silencioso.
O dedo de Alice recuou bruscamente, como se tivesse se queimado.
Gustavo não se mexeu, apenas observou-a em silêncio.
Alice respirou fundo e estendeu a mão novamente.
Desta vez, tentou alternar o indicador e o médio, pressionando algumas teclas vizinhas de forma extremamente lenta e desajeitada.
As notas eram intermitentes, sem ritmo, até um pouco estridentes.
Suor brotou em sua testa; seus dedos tremiam pelo esforço e suas bochechas pálidas ganharam um tom levemente avermelhado pela concentração e por uma excitação quase imperceptível.
Mas ela não parou.
Apenas seguiu a dedilhação mais simples de sua memória, nota por nota, tropeçando enquanto tentava montar a melodia de "Brilha, Brilha, Estrelinha".
Quando errava, parava, franzia a testa e tentava de novo.
Quando os dedos ficavam rígidos e desobedientes, ela os movia um pouco e continuava.
O sol movia-se lentamente, projetando manchas quentes sobre ela.
Seu perfil parecia suave e focado sob a luz; os cílios longos criavam uma pequena sombra sob as pálpebras.
Gustavo permaneceu sentado ao lado o tempo todo, com o olhar terno sobre ela. Sem pressa, sem instruções, apenas companhia.
Depois de algum tempo, uma versão extremamente simples, pouco fluida e com notas erradas de "Brilha, Brilha, Estrelinha" começou a fluir de seus dedos.
Embora rudimentar, embora infantil, ela conseguiu.
Da primeira à última nota.
Alice parou os dedos, olhando fixamente para as teclas e depois para suas mãos ainda marcadas por cicatrizes, como se não acreditasse que aquela melodia descompassada saíra dessas mãos.
"— Plapláp... plapláp... plapláp."
Palmas leves vieram de trás.
Alice virou-se e viu Arthur parado na porta do jardim de inverno.
Ele vestia roupas confortáveis cinza-escuro, encostado no batente, olhando para ela com os olhos levemente avermelhados, mas com os cantos da boca esforçando-se para sorrir, aplaudindo-a com força e em silêncio.
Gustavo também sorriu; era um sorriso leve, mas como o sol rompendo uma camada de gelo, o calor chegava aos seus olhos. Ele também ergueu as mãos e seguiu Arthur, aplaudindo seriamente, batida por batida.
Os aplausos não eram calorosos, mas carregavam uma força pesada e silenciosa.
Alice olhou para o irmão, depois para Gustavo e, por fim, seu olhar voltou para as próprias mãos abertas sobre o piano.
Depois de um longo tempo, ela disse com a voz baixíssima, quase um sussurro:
"— Irmão, Gustavo,"
"— Eu quero... recomeçar a estudar música."
Sua voz ainda era muito baixa, mas trazia uma firmeza nítida e inédita.
"— Não vou mais tocar violino," ela pausou, o olhar percorrendo o piano. "Talvez eu possa estudar composição, ou... piano."
Capítulo 29
Arthur aproximou-se a passos largos e bagunçou o cabelo dela com força, a voz embargada: "Isso! Estude! Pode estudar o que quiser! O seu irmão vai contratar os melhores professores! Posso até comprar o Golden Hall para você fazer os seus concertos!"
Gustavo também se levantou e caminhou até ela. De forma natural, estendeu a mão e segurou gentilmente aquelas mãos marcadas por cicatrizes, que acabavam de criar um pequeno milagre.
As mãos dele eram quentes e secas, envolvendo firmemente as pontas dos dedos frios dela.
"— Tudo bem." Ele olhou nos olhos dela, a voz estável e poderosa, trazendo uma promessa reconfortante: "Eu acompanho você."
O sol estava perfeito, atravessando o jardim de inverno e envolvendo as três silhuetas em um calor acolhedor. No ar, pequenas partículas de poeira pareciam dançar nos feixes de luz; tudo estava repleto de uma esperança silenciosa, como um renascimento.
Enquanto isso, em um banco de madeira comum à beira da estrada arborizada que levava ao centro de reabilitação, nos arredores da mansão dos Valente, surgiu um "frequentador assíduo".
Diego, após receber alta, não retornou ao seu país.
Ele alugou um apartamento simples em uma pequena cidade a poucos quilômetros da mansão.
Todos os dias, ele caminhava até aquela estrada e sentava-se naquele banco fixo, permanecendo ali o dia inteiro.
Ele não ousava se aproximar da mansão, não ousava incomodar e, menos ainda, ousava permitir que Alice o visse.
Ele era apenas como a sombra mais silenciosa, guardando obstinadamente aquele lugar, apenas para vislumbrá-la de longe no trajeto diário dela para o centro de reabilitação.
Ele a via sendo cuidadosamente amparada por Gustavo ao entrar e sair do carro.
Via-a cerrando levemente os olhos sob o sol.
Via a suavidade extrema e quase invisível em seu perfil quando ela ocasionalmente conversava baixo com Gustavo.
Ela parecia estar com um aspecto melhor do que antes; embora continuasse magra, aquela aura de morte sombria parecia estar se dissipando lentamente.
Isso bastava.
Diego pensava.
Parecia que isso era tudo o que lhe restava fazer.
Como um fantasma em busca de redenção, uma sombra humilde, observando de longe ela melhorar aos poucos, observando-a ser cuidada adequadamente por outra pessoa, observando-a caminhar lentamente para um futuro brilhante onde ele não existia.
E então, na calada da noite, lamberia sozinho as feridas que jamais cicatrizariam, revivendo repetidamente o passado que ele mesmo destruíra.
Alice sabia que ele estava lá.
Certa vez, quando o carro passou, ela pareceu, sem querer, lançar um olhar na direção do banco.
O olhar era calmo, sem qualquer emoção, como se olhasse para as árvores à beira da estrada ou para o próprio banco.
Gustavo também percebeu e, em certa ocasião, perguntou-lhe baixo: "Quer que eu peça para alguém retirá-lo?"
Alice balançou a cabeça, com o olhar fixo na paisagem que passava pela janela, a voz plana: "Se ele quer ser uma sombra, o problema é dele. Não tem nada a ver comigo."
Ela realmente não se importava mais.
O ódio é uma emoção forte; a indiferença é o verdadeiro fim.
No outono suíço, o tempo mudava num piscar de olhos.
Naquela tarde, o céu anteriormente limpo escureceu de repente e, em pouco tempo, uma chuva fria e fina começou a cair.
Diego não trouxera guarda-chuva, mas não saiu dali.
Ele permaneceu sentado no banco, permitindo que a chuva gelada molhasse seu cabelo e seu casaco. Logo, ele estava completamente encharcado; seu rosto ficou pálido pelo frio e os lábios arroxeados, mas ele continuava sentado obstinadamente, com o olhar fixo na direção da mansão, como se cumprisse um ritual de autopunição.
A chuva apertou.
O carro de Alice, retornando do centro de reabilitação, passou novamente por aquela estrada.
O motorista viu Diego sob a chuva e reduziu levemente a velocidade.
No banco traseiro, Alice também o viu.
Gustavo olhou para ela, mas não disse nada.
O carro passou lentamente.
Diego viu o veículo familiar e seu coração se contraiu bruscamente, seguido por um amargor infinito. Ele baixou a cabeça, não querendo que ela o visse naquele estado deplorável, mesmo sabendo que ela provavelmente nem olharia.
No entanto, após percorrer mais de dez metros, o carro parou lentamente.
Diego hesitou e ergueu a cabeça.
O vidro traseiro baixou devagar.
O rosto de Alice apareceu por trás da cortina de chuva. Sua expressão continuava sem alterações, olhando para ele com um olhar calmo, como se olhasse para um estranho.
Então, ela inclinou-se levemente, pegou um guarda-chuva preto de cabo longo e estendeu o braço pela janela, oferecendo-o na direção dele.
A chuva molhou instantaneamente uma pequena parte do pulso dela.
"— Pegue." A voz dela atravessou o som da chuva, nítida, plana e sem emoção.
Diego olhou para ela atônito, depois para o guarda-chuva, como se não entendesse o que estava acontecendo.
O motorista deu uma buzinada.
Diego despertou do transe e quase tropeçou ao se levantar do banco. Com as pernas dormentes por estar sentado há tanto tempo, ele cambaleou pela chuva até o carro e, com as mãos trêmulas, aceitou o objeto.
No cabo do guarda-chuva, ainda restava o calor suave e frio das pontas dos dedos dela.
"— Não morra aqui." Alice olhou para ele, as gotas de chuva escorrendo por seu rosto pálido e delicado. Sua voz soava um pouco etérea em meio ao temporal, mas cada palavra era clara: "Dá azar."
Dito isso, ela recolheu o braço, o vidro subiu lentamente e isolou o interior do exterior.
O carro deu partida novamente, entrando na névoa da chuva e desaparecendo rapidamente.