Um pânico sem motivo, como uma serpente gelada, enrolou-se silenciosamente em seu coração.
"— A irmã... será que ela me odeia e por isso não quer me salvar?" Na cama, o choro de Bianca surgiu no momento oportuno. "Ela deve estar me culpando... me culpando por ter recuperado o carinho do irmão e do Diego... ela quer que eu morra... não é? Irmão, Diego, eu vou... vou morrer mesmo?"
"— Cale a boca! Bianca, não diga bobagens!" Bernardo a interrompeu asperamente, forçando-se a manter a calma, embora a ansiedade na voz fosse impossível de esconder. "Alice não é esse tipo de pessoa! Ela só está agindo por pirraça, escondida em algum lugar! Vou procurá-la agora mesmo! Vou trazê-la de volta pessoalmente!"
Dito isso, ele fez menção de sair apressado.
"— Espere!" Diego o segurou. Apesar da confusão mental, ainda restava um fio de lucidez. "Acalme-se primeiro! Para onde ela poderia fugir? As mãos dela ainda não curaram e ela não tem dinheiro... vamos perguntar ao pessoal do hospital primeiro!"
Os dois correram imediatamente para o posto de enfermagem.
A enfermeira de plantão, olhando para os dois jovens senhores que haviam retornado com expressões sombrias, respondeu formalmente: "A Srta. Alice? Ela recebeu alta há três dias."
"— Quem assinou a alta? Ela mesma?" Bernardo perguntou com urgência.
"— Não." A enfermeira balançou a cabeça, tentando recordar. "Um homem veio buscá-la. Muito alto, atraente, com uma presença muito forte. Ele disse ser o irmão biológico da Srta. Alice. Como a documentação estava completa, liberamos a alta."
Irmão biológico?
Bernardo e Diego trocaram olhares; ambos viram choque e um pressentimento sinistro nos olhos do outro.
"— As câmeras! Verifiquem as câmeras agora!" Bernardo quase rugiu.
Na sala de segurança do hospital, as imagens foram recuperadas.
O tempo voltou para três dias atrás.
Na tela, Alice aparecia vestindo a roupa larga de hospital, por cima de um casaco velho que não lhe servia bem. Seu rosto estava tão pálido que parecia transparente. Sua mão direita estava envolta em bandagens grossas, pendendo inerte ao lado do corpo, e a esquerda também estava imobilizada, tornando seus movimentos lentos.
Um homem a amparava.
Ele era extremamente alto, vestindo um sobretudo preto de corte impecável. As linhas de seu perfil eram frias e afiadas, com uma aura de distanciamento e autoridade de quem ocupa posições elevadas há muito tempo.
Ele apoiava Alice com extrema cautela, em movimentos de uma gentileza que contrastava com sua aparência austera.
Eles caminharam lentamente pelo corredor, em direção ao elevador e atravessaram o portão principal da internação.
Do início ao fim, Alice não olhou para trás. Nem uma única vez.
Por fim, o homem abriu a porta do carro para ela, protegendo o topo com a mão para que ela não batesse a cabeça. Assim que ela se acomodou, ele fechou a porta e deu a volta até o banco do motorista.
O sedã preto partiu suavemente, desaparecendo do alcance das câmeras.
Bernardo fixou o olhar na silhueta magra e frágil de Alice na tela, e especialmente naquelas mãos envoltas em bandagens brancas que pareciam ferir os olhos. Seu coração parecia ser apertado por uma mão invisível, trazendo uma pontada de dor aguda e desconhecida.
Aquela era... a Alice?
A irmã que sempre fora vibrante, que pulava em seus braços para fazer manha e pedir carinho?
Como ela pôde... se transformar em alguém tão sem vida?
Não, foi ele — foram eles — que a deixaram assim.
Essa percepção, carregada de um gosto de sangue, invadiu sua mente de surpresa, fazendo-o perder o fôlego por um instante.
"— Vamos voltar para casa!" Bernardo virou-se bruscamente, com a voz rouca. "Ela deve ter voltado para pegar as coisas dela!"
Os dois dirigiram em alta velocidade de volta à mansão.
Ao entrarem no quarto de Alice, a cena diante deles os fez estancar no lugar.
O quarto continuava organizado, mas exalava a frieza de um lugar abandonado.
O guarda-roupa estava mais da metade vazio; os vestidos e casacos que ela costumava usar haviam sumido.
Seu violino, que ela guardava como um tesouro e que a acompanhava desde os sete anos, havia desaparecido junto com o estojo.
Na penteadeira, todos os seus frascos e cosméticos foram retirados.
Nas gavetas da escrivaninha, seus CDs colecionados, partituras e pequenos enfeites também não deixaram rastro.
Era como se aquela pessoa nunca tivesse vivido ali por vinte anos.
Apenas sobre o criado-mudo restava um porta-retratos.
Bernardo aproximou-se e o pegou.
Era uma foto de alguns anos atrás, tirada no jardim da casa.
Na foto, Alice, com cerca de dezessete anos, estava no centro, usando um lindo vestido floral, com uma mão segurando carinhosamente o braço de Bernardo e a outra fazendo um sinal de "V" brincalhão. Seu sorriso era tão radiante que chegava a ofuscar.
Diego estava do outro lado dela, olhando-a de soslaio com um olhar tão doce que parecia transbordar ternura.
Uma cena que fora tão perfeita.
Mas agora, o rosto de Alice na foto fora riscado com um marcador preto, de forma violenta e caótica.
Traços brutais cobriam seu sorriso radiante, deixando apenas uma mancha escura e gritante.
Os dedos de Bernardo tremeram violentamente, quase deixando o porta-retratos cair.
Ele desviou o olhar e viu, ao lado do porta-retratos, um pequeno bilhete.
Ao pegá-lo, viu apenas uma linha. A caligrafia estava um pouco torta e fraca, denunciando que quem escreveu estava debilitado, mas os traços carregavam uma força decisiva:
"Encontrei meu irmão biológico e tenho um novo noivo. Nesta vida, nunca mais nos veremos."
— Alice
Capítulo 11
"— Nunca mais... nos veremos?" Bernardo segurava aquele papel leve, com as mãos tremendo tanto que amassava as bordas. Aquelas palavras eram como pregos em brasa perfurando seus olhos.
Diego estava parado no centro do quarto vazio, olhando ao redor.
Aquele lugar costumava ser preenchido pela aura de Alice, suas risadas, as notas hesitantes de quando praticava violino, sua doçura ao fazer manha... agora, não restava nada.
Um pânico enorme e sem precedentes, como uma maré gelada, o submergiu instantaneamente.
Ela se foi.
Não foi por pirraça, não foi um acesso de raiva momentâneo.
Ela partiu de verdade, levando tudo o que lhe pertencia, cortando todos os laços e... sem intenção de voltar.
"— Não... não pode ser..." Diego balançou a cabeça inconscientemente, recusando-se a aceitar. "Alice... ela só está brava, ela precisa de tempo... quando a raiva passar, ela vai voltar..."
"— Voltar?" Bernardo bateu o papel na mesa com força, produzindo um baque seco. Ele olhou para Diego com olhos injetados, a voz distorcida pelo esforço de conter as emoções. "Olhe para este quarto! Ela levou tudo! Não deixou nem uma foto! Ela trocou de número! Ela escreveu 'nunca mais nos veremos'! Diego, me diga, com ela agindo assim, parece que ela vai voltar?!"
Diego ficou atônito com o grito, abriu a boca, mas nenhum som saiu.
Sim, aquilo não parecia uma fuga por raiva. Era claramente... um adeus definitivo.
"— Irmão! Diego!"
A voz de Bianca, em tom de choro, veio do andar de baixo. Logo, amparada por um empregado, ela apareceu na porta do quarto. Ao ver o quarto vazio e as expressões sombrias dos dois homens, ela primeiro paralisou e, em seguida, compreendendo o que houve, as lágrimas jorraram.
"— A irmã... a irmã foi embora de verdade? Ela não quer mais esta família? Nem a mim?" Ela chorava copiosamente, com o corpo vacilante. "Ela sabe muito bem como eu estou... como ela pode ser tão cruel... ela me odeia, ela quer que eu morra! Irmão, Diego, me salvem, eu não quero morrer!"
Ela gritava e, em meio à agitação emocional, começou a tossir violentamente, o rosto adquirindo um tom avermelhado anormal.
"— Bianca! Não se agite!" Bernardo correu para ampará-la e gritou para o empregado: "O que está esperando? Chame o médico!"
O médico da família chegou rápido e medicou Bianca; ela se acalmou aos poucos, mas continuava soluçando, agarrada à mão de Bernardo como se fosse sua única tábua de salvação.
"— Sr. Rocha, Sr. Diego," o médico chamou os dois para o lado com expressão grave. "A Srta. Bianca não pode mais sofrer abalos emocionais. O quadro dela... está se deteriorando mais rápido do que prevíamos. Precisamos encontrar o doador de pulmão o quanto antes; quanto mais cedo a cirurgia for feita, melhor. A janela ideal... talvez seja de apenas um mês. Se demorar mais, mesmo que encontremos um doador, as chances de sucesso cairão drasticamente e o corpo dela pode não aguentar."
Um mês.
Apenas um mês.
O coração de Bernardo afundou pesadamente.
"— Procurem! Continuem procurando! Usem todos os contatos, não importa o método ou o custo, vocês têm que encontrar a Alice para mim!" Ele rugiu para seus subordinados, com as veias da testa saltadas.
A força da família de Diego também foi mobilizada simultaneamente.
Dois dias depois, um relatório detalhado foi colocado diante de Bernardo e Diego.
Na primeira página do relatório, havia uma foto flagrante. O homem na foto era exatamente aquele que buscou Alice no hospital.