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《Renascendo da Traição》Capítulo 9

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O amor nasceu desse convívio.

Diferente de como fora com Lucas, desta vez ela teve um pedido formal.

Em uma tarde ensolarada, ele empurrava a cadeira de rodas dela pelo parque. Cisnes nadavam no lago e os salgueiros brotavam. Ele parou subitamente, ajoelhou-se diante dela e tirou uma pequena caixa do bolso.

Dentro havia um anel de prata simples, com o novo nome dela gravado na parte interna.

— Alícia — ele a chamou pelo novo nome, com um olhar terno e sério —, sei que você passou por muitas coisas ruins e talvez não acredite mais no amor ou tenha medo de se ferir novamente.

— Mas eu ainda quero te perguntar: você aceita me dar uma chance de caminhar ao seu lado no resto da estrada? Não é longa, talvez apenas alguns anos, mas farei o meu melhor para que seja um pouco mais calorosa.

Olhando naqueles olhos límpidos, ela percebeu que toda a insegurança, medo e dúvida haviam desaparecido naquele instante.

O verdadeiro amor não a fazia sentir-se instável, mas sim em paz.

Ela estendeu a mão e disse suavemente: — Sim.

Casaram-se logo em seguida, sem festa, apenas com uma foto no cartório. Na imagem, ambos sorriam, com luz nos olhos.

Mais tarde, encontraram a pequena no abrigo. Ela tinha apenas dois anos na época, era miúda e encolhida num canto, sem chorar ou fazer barulho, apenas observando as outras crianças. Ela a viu e, em um instante, sentiu que via a si mesma anos atrás.

Eduardo segurou sua mão: — Vamos levá-la para casa.

Assim, tiveram um lar.

Os dias passavam tranquilos e acolhedores. O estado de Eduardo oscilava; nos dias bons, ensinava a menina a desenhar e acompanhava Alícia ao trabalho na rádio; nos dias ruins, esquecia muitas coisas, inclusive quem elas eram.

Mas ele nunca esqueceu de amá-las.

Até que, há dois anos, a vida de Eduardo chegou ao fim.

Era uma noite de verão muito tranquila, com o som das cigarras lá fora. Ele estava na cama do hospital, muito magro, mas com o olhar ainda límpido. Tirou um desenho debaixo do travesseiro e entregou a ela.

No desenho, havia duas borboletas rompendo o casulo, uma azul e uma branca, voando em direção ao sol.

— As borboletas que rompem o casulo ganham asas lindas — ele disse suavemente, com a voz quase sumindo. — Elas podem voar para o céu, para os campos abertos. Depois que eu partir, não se prenda novamente naquela camada grossa do casulo; voe em direção a algo mais belo.

Ela segurou a mão dele e assentiu com força.

— Você ficará bem, não ficará? — ele perguntou.

— Ficarei. — ela respondeu.

Ele fechou os olhos satisfeito, com um leve sorriso nos lábios.

Ela não chorou. Quando a tristeza atinge o limite, talvez as lágrimas não saiam; apenas a alma sofre e estremece.

Mas ela guardou as palavras dele.

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Ela iria voar.

Capítulo 13

— Mamãe, já terminei de falar.

A voz da pequena trouxe Alícia de volta à realidade. Ela olhou para a filha e sorriu com ternura: — O papai deve estar muito feliz por ter te ouvido.

Alícia também sussurrou algumas novidades. Sobre a transferência no trabalho, as mudanças na rádio e... sobre ter reencontrado alguém do passado.

— Mas eu estou bem, Eduardo. Não se preocupe. Eu e a pequena ficaremos bem.

Após terminar a homenagem, Alícia preparou-se para partir. No entanto, ao se virar, deu de cara com Lucas Valentim.

Ele vestia um moletom cinza, calças pretas e segurava um buquê de crisântemos brancos. O cabelo não estava estilizado com gel como de costume; os fios caíam macios sobre a testa. Ele parecia limpo e revigorado, não como o homem de negócios implacável de anos, mas como o jovem estudante de outrora.

Lembrava muito aquele garoto no beco, com o canto da boca sangrando após uma briga, mas com o olhar ainda obstinado.

Instintivamente, Alícia recuou para proteger a filha, encarando-o com vigilância:

— O que você está fazendo aqui!

Lucas apressou-se em explicar: — Eu só queria te ver, não tenho más intenções!

Alícia respondeu friamente: — Já me viu. Agora pode ir embora.

Lucas permaneceu imóvel, seu olhar pousando na menina com uma expressão melancólica:

— Se o nosso filho estivesse vivo, teria quase a mesma idade dela, não é?

A pequena observava-o com curiosidade: — Mamãe, como esse tio sabe o meu nome? Ele é seu amigo?

Alícia acariciou a cabeça da filha, suavizando o tom: — Apenas um conhecido.

O coração de Lucas ardeu em amargura. Ele agachou-se, tentando soar o mais gentil possível: — Olá, pequena. Eu sou um... velho amigo da sua mãe.

A menina piscou os olhos e disse subitamente: — Tio, você parece muito triste.

Lucas congelou. Os olhos da criança eram puros demais; ela enxergou através de sua máscara num instante. Ele tentou sorrir, mas a expressão resultante foi mais dolorosa que um pranto.

Alícia puxou a filha para trás de si. Seu olhar caiu sobre o buquê de crisântemos:

— Lucas Valentim, você não é bem-vindo aqui.

— Eu só... — a voz de Lucas embargou.

Ele olhou para a foto na lápide. Aquele homem, Eduardo Rios, sorria de forma tão pacífica e limpa, como se nunca tivesse sido contaminado pelo mundo. Por fim, seus olhos pararam sobre o prato de bolo de osmanto.

Num instante, os olhos de Lucas ficaram vermelhos. Ele se lembrou de que, há muitos anos, havia uma velha árvore de osmanto no condomínio onde moravam. Sempre que as flores desabrochavam, a mãe dele colhia algumas para fazer bolo. Ele não gostava de doces e achava o aroma do osmanto forte demais, por isso quase não comia.

Mas a Alícia do passado adorava. Ela insistia em aprender com a mãe dele, passando tardes inteiras na cozinha e ficando com o rosto coberto de farinha. Quando terminava, corria até ele com os bolinhos fumegantes: "Lucas, experimenta! Desta vez coloquei menos açúcar!"

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Ele franzia a testa, dava uma mordidinha e dizia: "Ainda está doce". Mas ela não se zangava, apenas sorria: "Então você come os salgados e eu fico com os doces".

Lucas lembrava-se claramente de que, nos dias de floração máxima, ela o arrastava para sacudir a árvore. As flores douradas caíam como chuva sobre o cabelo e os ombros dela. Ela rodopiava naquela chuva de pétalas, com uma risada cristalina como sinos de vento.

Na época, ele dizia: "Que bobeira". E ela respondia: "Você não entende, isso se chama romance".

Agora, essas lembranças pareciam pertencer a outra vida. Recobrando os sentidos, Lucas aproximou-se e colocou os crisântemos ao lado da lápide.

— Este é o pai dela?

Alícia olhou para a filha e franziu levemente o cenho: — Vamos conversar em outro lugar.

Ela levou a pequena para casa, pediu a uma vizinha que cuidasse dela por um momento e encontrou-se com Lucas em uma cafeteria próxima. Lucas escolheu um lugar calmo perto da janela e pegou o menu: — Eu lembro que você adorava...

— Americano, sem açúcar e sem leite — Alícia interrompeu-o, sem expressão. — Diga logo o que quer. Se você aparecer novamente na frente da minha filha ou no túmulo do meu marido, eu chamarei a polícia.

Ao ouvir o tom gélido, Lucas sentiu uma dor aguda. Ele abaixou o menu, com a voz difícil: — Eu não tenho a intenção de te ameaçar, só queria conversar de verdade.

Ele hesitou, olhando para os pedestres apressados lá fora, e perguntou baixo:

— Aquele Eduardo Rios... ele te tratou bem?

O tom de Alícia tornou-se sombrio: — Se você conseguiu encontrar minha rádio e sabe o nome da minha filha, já deve ter investigado tudo o que vivi nestes anos!

Lucas cerrou os punhos inconscientemente: — Eu só estava desesperado para saber se você estava bem. Não imaginei que você teria se casado com ele.

Ele levantou a cabeça, com emoções complexas nos olhos: — Eu pensei que você...

Capítulo 14

— Pensou que eu nunca mais acreditaria no amor, não é?

Alícia sorriu ao ver a hesitação de Lucas. Havia naquele sorriso um senso de libertação misturado a um leve escárnio.

— O fato é que eu apenas deixei de acreditar em certas pessoas.

Ela deu um pequeno gole no café.

— Antigamente, eu não concordava com essa história de "alma gêmea", achava que era apenas uma desculpa sua para se cansar de mim. Somente após conhecer o Eduardo é que entendi que almas gêmeas realmente existem.

Sua voz estava perfeitamente calma, mas as palavras agiram como uma lâmina cravada no coração de Lucas. O corpo dele começou a tremer incontrolavelmente:

— Foi essa a sensação que você teve quando ouviu aquelas palavras naquela época?

Ele lembrou-se de oito anos atrás, quando disse que Jade era sua alma gêmea. Naquele momento, ela empalideceu e não conseguiu dizer uma palavra. Agora ele entendia. Ser negado em todo o seu valor pela pessoa mais importante dói assim.

Sua alma parecia ter sido transportada para o corpo da Alícia do passado, mas ele sentia que essa dor pungente não chegava a ser um milésimo do que ela suportou. Pois ele não a feriu apenas uma vez. Ele traiu, abandonou, forçou-a a perder o filho, expulsou-a de casa e assistiu enquanto ela era espancada quase até a morte... Como ele ousava falar em dor?

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