— Enlouquecida pela dor e pelo ódio, ela disse a Lucas: "Eu não vou tirar esse bebê nem que eu morra. Vou deixá-lo existir, para que ele seja um tormento na vida de vocês para sempre!"
Mas ela subestimou a crueldade de um homem que mudou de ideia. Ao ver que ela não obedeceria, ele ordenou que a amarrassem e a levassem para o hospital particular da família Valentim.
Sendo empurrada para a sala de cirurgia, Alícia lutava desesperadamente, gritando detalhes de cada momento em que se amaram, com o rosto banhado em lágrimas. Ela viu um vislumbre de hesitação nos olhos de Lucas, mas, no fim, ele apenas virou o rosto:
— A Jade é uma pessoa pura, não pode carregar uma mancha por minha causa. Este bebê... não pode ficar.
Ainda mais cruel foi o fato de que aquela mulher "pura" já havia subornado os médicos. A cirurgia de três horas tornou-se um suplício longo e agonizante. Ao ser retirada da sala, Alícia tinha apenas um sopro de vida.
Ela encarou Lucas com ódio mortal. Ele, ao ver Jade se aproximar, jogou um cartão preto sobre a maca, sem qualquer vestígio de culpa:
— Trinta milhões. Considere como sua compensação. Depois... continuarei cuidando de você como antes.
Ele ainda disse muitas outras coisas, mas Alícia já não ouvia mais nada. A dor e o ódio avassaladores a engoliram. Quanto maior fora o amor, maior era o desejo de arrastá-lo com ela para o inferno.
No estúdio, a ouvinte que estava na linha começou a chorar:
— Que horror... era o próprio sangue dele! Como ele pôde...
Outra pessoa perguntou, soluçando: — Ele esqueceu tudo o que ela sacrificou por ele?
Alícia Vidigal respirou fundo, pressionando a mão inconscientemente contra o ventre. Ali já houve uma vida, interrompida pelas mãos da pessoa que ela mais amou.
— Então, antes mesmo de receber alta, Alícia contatou os maiores jornais. Se Lucas dizia que Jade era sua alma gêmea, ela faria com que esse "casal perfeito" fosse pregado para sempre no pilar da infâmia!
Mas, menos de uma hora após a publicação, todas as notícias foram apagadas da internet. Em seguida, uma onda de reportagens surgiu em coro, celebrando Lucas e Jade como o "par ideal".
Lucas ligou para ela, com tom indiferente:
— Não perca seu tempo. Diante do poder absoluto, você não pode fazer nada.
Alícia não acreditou. Ela gravou um vídeo durante a noite, relatando cada detalhe com sangue e lágrimas, e postou na rede. Mas logo, sob uma manipulação massiva da opinião pública, ela foi transformada na "mulher louca e obsessiva que tentava dar o golpe do baú".
Enquanto isso, Lucas levava Jade para desfilar o romance pelo mundo. O beijo em frente à Ópera de Sydney, o dueto às margens do Lago Baikal, as declarações de amor em grandes teatros... cada imagem declarava: eles eram almas gêmeas destinadas.
Sob tamanha pressão, Alícia caiu em depressão profunda. No estágio mais grave, ela mal conseguia segurar os talheres. Jade frequentemente "suspirava" ao pé de seu ouvido: "Alguém como você nunca seria amada de verdade, sabia?"
— Talvez... você devesse fazer como o seu pai, e se libertar logo.
Finalmente, no dia do noivado de Lucas e Jade, Alícia cortou os pulsos diante dele, cometendo suicídio.
Capítulo 8
No momento em que as palavras cessaram, o estúdio mergulhou em um silêncio sepulcral.
Lucas Valentim levantou a cabeça bruscamente, as mãos enterradas nos cabelos. Soluços contidos não puderam mais ser controlados e escaparam de sua garganta de forma estilhaçada.
Alícia Vidigal observou aquele rosto pálido e distorcido no monitor e falou devagar, com uma voz que transparecia libertação:
— Ela queria morrer, mas também queria vingança. No fim... essa vingança só trouxe tristeza.
— No momento do suicídio, Lucas realmente correu em pânico em direção a ela.
— Mas, logo no dia seguinte, após ela estar fora de perigo, ele assumiu sua face mais gélida.
— Ele apertou o queixo dela e disse cada palavra como se estivesse injetando gelo: "Alícia, como você se tornou tão perversa? Tinha que deixar uma cicatriz no coração da Jade?!"
— Desde o dia da traição, Alícia tentara inúmeras vezes mostrar a verdadeira face de Jade, mas ele nunca acreditou.
— Desta vez, ela não quis mais falar. Apenas deixou as lágrimas caírem e esboçou um sorriso de escárnio: "Se não morri desta vez, haverá uma próxima. Quero que vocês vivam a vida inteira... sob a minha sombra."
— Lucas explodiu de fúria, exigindo que ela pedisse perdão, caso contrário, deveria ir embora imediatamente.
— Alícia preferiu moer os dentes a ceder, amaldiçoando-o para que tivesse um fim terrível.
— Talvez atingido em seu último vestígio de culpa oculta, Lucas levantou a mão e deu um tapa violento no rosto dela!
— "Quem você pensa que é? Tudo o que você comeu e vestiu nestes últimos dois anos veio de mim! Quero ver por quanto tempo seu orgulho dura sem dinheiro!"
— Naquela tarde, Alícia foi expulsa do hospital.
— Lucas foi implacável: não lhe deu um centavo e ainda confiscou seu celular.
— Nevava naquele dia. Vestindo apenas a camisola fina do hospital, arrastando o corpo ainda debilitado, ela caminhou descalça pela rua. Os pedestres a viam apenas como uma louca; ninguém parou por ela.
— Por um instante, ela quis se jogar na frente dos carros... mas o ódio a manteve fixa neste mundo.
— Ela caminhou vinte quilômetros até voltar ao antigo ringue clandestino. O dono, por consideração aos velhos tempos, a acolheu, prometendo deixá-la lutar apenas quando estivesse recuperada.
— Mas, no terceiro dia, ela foi forçada a subir no ringue. Alguém exigira vê-la lutar contra um ex-boxeador profissional.
— Somente ao subir no ringue Alícia viu que o homem sentado na área VIP, abraçado a Jade, era Lucas Valentim.
— O olhar que ele lançou era frio, como se observasse um objeto, um... escravo deplorável.
— Alícia paralisou. O oponente aproveitou a brecha e a derrubou com violência, desferindo golpes como martelos de ferro.
— No primeiro soco, ela ouviu o estalo de seus ossos quebrando.
— No segundo, o sangue jorrou de sua boca. Antes que a visão ficasse turva, viu Lucas cobrir delicadamente os olhos de Jade.
— Terceiro soco, quarto soco... ela caiu em uma poça de sangue, incapaz de se mover.
— Lucas aproximou-se dela, jogou um maço de notas e disse sem qualquer calor na voz: "Já aprendeu a lição?"
— Jade, encostada nele, fingiu piedade e sussurrou: "Alícia, para que isso? Peça-me desculpas e eu esquecerei o que houve no noivado."
— Naquele momento, Alícia finalmente enxergou a verdade. Aquele jovem que um dia a colocara no centro de seu universo estava morto há muito tempo.
— Sem qualquer esperança, ela fechou os olhos e disse com a voz rouca: "Sinto muito... eu aprendi a lição."
Alícia Vidigal soltou um longo suspiro, como se tivesse retirado um peso de mil toneladas. Ela olhou para Lucas. Ele estava quase desfalecido de tanto chorar, apoiando-se na mesa para conseguir sentar.
— Bem, a história termina aqui.
Sua voz era calma como a água, refletindo a serenidade de quem já atravessou tempestades.
A ouvinte ainda soluçava: — Ela sofreu demais... será que o rapaz se arrependerá quando souber da morte dela? Ele vai enlouquecer?
Alícia baixou a cabeça, os dedos acariciando a cicatriz pálida no pulso, e balançou a cabeça:
— Eu não sei. Mas acho... que não.
— Foi ele quem virou as costas primeiro. Se não há mais amor, por que haveria arrependimento?
— Como eu não me arrependeria?!
Lucas levantou-se bruscamente, batendo na mesa! A cadeira raspou o chão com um ruído estridente. Ele encarou Alícia com os olhos vermelhos e fixos:
— Aquilo de alma gêmea... era tudo mentira! Lucas amou apenas a Alícia do início ao fim!
— Ele apenas se deixou cegar pela novidade... e só quando perdeu tudo é que acordou!
O coração de Alícia apertou; ela ia sinalizar para o diretor cortar o sinal, mas Lucas tropeçou em sua direção e agarrou o pulso dela. Com os olhos injetados e lágrimas caindo, ele implorou de forma desconexa:
— Alícia... eu tenho... tenho algo para te dizer...
Alícia olhou nos olhos dele e lembrou-se da cena na estação de metrô ontem de manhã, quando ele a chamou. Naquela hora, o barulho era muito alto e ela não ouviu. Agora, porém, ela entendeu as palavras que ele não terminara.
Ele dissera: "Alícia, eu me arrependi."
Capítulo 9
— Alícia, eu realmente me arrependi.
Lucas repetiu, cada palavra parecendo ser moída de dentro de seu peito. Seus dedos apertavam o pulso de Alícia, e seus olhos queimavam com um súplica quase desesperada.
Alícia estava preparada, mas seu coração ainda sentiu um solavanco, e sua respiração parou por um instante. Porém, os oito anos passados transformaram seu coração em um bloco de gelo; aquela pontada de dor logo afundou na frieza absoluta.
Ela soltou o braço dele com frieza e pressionou o botão vermelho de encerramento no painel.