— Ela usava um vestido de alta-costura cor champanhe, com o cabelo preso em um coque sofisticado. Linda e graciosa como um cisne.
— Todos os convidados estavam hipnotizados por ela, exceto Lucas.
— Ele estava concentrado em descascar uma tangerina, oferecendo o gomo mais doce para a boca de Alícia.
A ouvinte na linha perguntou: — Mas isso não é bom? O rapaz ainda se importava muito com ela naquela época.
— Sim, na época — Alícia disse suavemente. — Depois, os mais velhos tentaram aproximar os dois e deram um jeito de afastar Alícia.
— Lucas não cedeu e chegou a dizer seriamente para Jade: "Nesta vida, eu só amo a Alícia. Desista".
— Alícia, voltando apressada e ouvindo aquilo, finalmente sentiu o coração descansar.
— Porque desde o primeiro momento em que viu Jade, a insegurança a envolveu como espinhos.
— Lucas tinha talento para música desde pequeno, tocava bem violino na escola, mas o hobby foi deixado de lado quando precisaram lutar pela sobrevivência.
— Com a carreira estável, ele sentiu falta de algo e retomou esse interesse, ouvindo óperas e estudando música clássica.
— Alícia não entendia nada daquilo. Mas para tentar acompanhá-lo, esforçava-se para memorizar a vida de Bach e Mozart. No entanto, faltava-lhe o talento e a paixão natural.
— Lucas dizia "não tem problema", mas Alícia via o desapontamento nos olhos dele.
— E Jade Menezes, por coincidência, preenchia esse vazio.
Alícia fez uma pausa, lendo as mensagens na tela:
[Eu entendo! A sintonia intelectual é importante demais!]
[Mas o rapaz foi cruel, ela deu a vida por ele...]
[Então a desconexão foi intelectual?]
— Eles se "encontraram por acaso" na ópera — continuou Alícia, enfatizando o acaso com ironia.
— Sentada ao lado dele, Jade captou com precisão o fervor nos olhos de Lucas pela música.
— No intervalo, ela iniciou a conversa: "A música do período barroco é a mais fascinante. 'A Arte da Fuga' sempre traz novas percepções, como se lavasse a alma das impurezas do mundo".
— Lucas já estava se levantando, mas parou no instante em que ouviu aquilo, com um brilho de surpresa nos olhos: "Você também gosta de Bach?"
— Jade assentiu: "A música dele sempre cria uma conexão com o meu interior".
— Naquele momento, os olhos de Lucas se iluminaram, como se tivesse encontrado uma alma gêmea.
— Uma vez aberta a caixa de diálogo, ela não se fechou mais. Alícia ficou ali, ao lado, como uma completa estranha, incapaz de dizer uma palavra.
— Ao final, Jade sugeriu de forma natural trocar contatos: "Se não pudermos ser parceiros, seremos amigos confidentes".
— Ela se comportou de forma impecável e franca. Lucas olhou para Alícia e, por fim, recusou educadamente.
— Jade não ficou zangada, pelo contrário, sorriu e desejou que eles "ficassem juntos até a velhice".
A ouvinte interrompeu: — Até aqui, essa Jade parece uma mulher muito digna, não parece alguém que destruiria um relacionamento.
Alícia sorriu friamente: — Porque essa é a Jade sob a perspectiva de Lucas.
— Mas as histórias deste mundo raramente escapam dos clichês.
— Alguém que parece gentil e generosa na superfície pode ter uma face cruel e assustadora.
— Não se sabe se foi destino ou planejado, mas depois disso, em cada evento musical, Lucas sempre "encontrava" Jade. Com a frequência, eles acabaram trocando contatos.
— Alícia não era cega. Após o primeiro encontro, esforçou-se ainda mais para aprender o que não lhe interessava, chegando a se matricular em cursos de apreciação musical, mas nunca alcançaria Jade, que crescera naquele meio.
— A beleza, a elegância e o conhecimento da outra a faziam sentir-se como um patinho feio em um ninho de cisnes.
— Enquanto Alícia era consumida pela insegurança, Lucas ia cedendo passo a passo.
— O olhar dele para Jade começou a ter um brilho diferente e as conversas privadas tornaram-se frequentes.
— Alícia disse claramente a ele que aquilo estava cruzando a linha. Mas Lucas sempre a abraçava e a acalmava: "É só uma amiga, não pense bobagens, meu coração é só seu".
— Uma, duas vezes, Alícia escolheu acreditar. Mas com a repetição, Lucas perdeu a paciência, chegando a rugir: "Dá para parar de ser tão paranoica? Eu daria minha vida por você, o que mais você quer para confiar em mim?"
As mensagens na rádio explodiram:
[Essa fala dele foi um golpe baixo!]
[Esse tipo de chantagem emocional de "eu morreria por você" é sufocante.]
[Sinto que vai piorar muito, força locutora!]
Alícia respirou e continuou a narração:
— Embora com o coração partido, Alícia escolheu confiar. Mas ela jamais imaginaria que Jade Menezes a procuraria pessoalmente.
— Naquele dia, Jade removeu todos os disfarces. Com um olhar de desprezo, analisou Alícia de cima a baixo e zombou: "Filha de um assassino e ainda por cima deficiente, como tem coragem de se agarrar ao Lucas?"
— Ela pegou o celular e mostrou um vídeo: "Para falar a verdade, ele já se apaixonou por mim. Da última vez, ele não viajou a negócios para Viena; ele foi me acompanhar na ópera e nós até andamos de mãos dadas".
— No vídeo, alguns amigos estrangeiros perguntavam se eram um casal, e Lucas não negou.
— Alícia não aguentou. Confrontou Lucas em uma briga terrível e terminou o relacionamento.
— Lucas, sempre tão orgulhoso, ajoelhou-se diante dela com os olhos vermelhos, apontando uma faca para a própria mão: "Alícia, naquele dia eu só não soltei a mão dela para não ser indelicado na frente dos outros!"
— "Acredite em mim, eu nunca fiz nada para te trair! Se você não acredita, eu corto esta mão agora mesmo!"
— O sangue pingou no chão e queimou o coração de Alícia como fogo.
— Ela sabia que, uma vez que a confiança é quebrada, é difícil restaurá-la. Mas lembrando de tudo o que viveram, ela não conseguia se desprender.
— O mais importante era que, naquele momento, ela já estava grávida.
Essa frase foi como uma bomba no estúdio. As mensagens passavam tão rápido que eram ilegíveis:
[Meu Deus! Ela estava grávida!]
[Se o rapaz soubesse do bebê, seria diferente?]
O olhar de Alícia passou por Lucas. A cabeça dele estava ainda mais baixa, e o som de um choro reprimido ecoava no estúdio.
Ela desviou o olhar e continuou:
— Então, no final, ela escolheu acreditar mais uma vez.
— Lucas a abraçou apertado, prometendo entre soluços que apagaria o contato de Jade e não falaria mais com ela.
— Alícia acreditou.
— Mas ela jamais imaginaria...
Alícia respirou fundo antes de dizer as próximas palavras:
— Que Lucas, no dia em que a pediria em casamento, iria para a cama com Jade Menezes.
Capítulo 7
A mensagem fora enviada por Jade Menezes.
Quando Alícia entrou no quarto, os dois estavam entrelaçados na cama. No dedo de Jade, brilhava o anel que Lucas Valentim havia preparado para o pedido de casamento.
Flagrado no ato, Lucas agiu com uma calma estarrecedora. Ele puxou o lençol para cobrir Jade, protegendo-a com o próprio corpo, e disse com uma voz tão fria quanto o gelo:
— Alícia, a esta altura, não quero mais te enganar, nem enganar a mim mesmo.
— Eu amo a Jade. Ela é a minha alma gêmea — ninguém se compara a ela.
Alícia sentiu como se tivesse sido atingida por um golpe devastador; seus ouvidos zumbiam: — E eu? O que eu sou para você?
Lucas silenciou por um longo tempo. Um tempo tão vasto que Alícia chegou a pensar que ele faria como antes: bagunçaria seu cabelo e diria "é brincadeira". Mas ele apenas comprimiu os lábios e soltou as palavras gélidas:
— Talvez o que eu sentia por você... fosse apenas gratidão. Eu era muito imaturo na juventude e confundi dependência com amor.
Cada sílaba era como uma agulha envenenada perfurando a parte mais sensível de seu coração. Alícia sentiu a visão escurecer; a dor era tamanha que mal conseguia se manter de pé. As palavras travaram em sua garganta.
Lucas continuou, como se estivesse organizando um assunto de negócios:
— De agora em diante, viveremos como irmãos. O bebê... encontrarei um tempo para te acompanhar e resolver isso.
— Além disso, te darei uma compensação financeira suficiente para o resto da sua vida...
Ele disse muito, mas em nenhum momento pronunciou um "sinto muito". Enquanto isso, Jade permanecia encolhida nos braços dele, como um pássaro assustado, mas seu olhar passava por cima do ombro de Lucas e pousava no rosto de Alícia.
Era um olhar de escárnio profundo, que parecia dizer: "Veja, eu te avisei. Alguém como você jamais poderia competir comigo."
A voz de Alícia Vidigal no microfone finalmente deixou escapar um tremor:
— Alícia não conseguia aceitar.
— Foi ele quem se ajoelhou implorando para que ela não fosse embora, jurando que a amaria para sempre... mas o seu "para sempre" durou apenas dois curtos anos.
— Aquelas memórias doces transformaram-se instantaneamente em lâminas enferrujadas, raspando seus ossos e bebendo seu sangue em uma tortura lenta.