Ora um colar exclusivo, que ele viajava para outra cidade apenas para arrematar em leilão.
Ora novecentas e noventa e nove rosas deslumbrantes, enviadas por transporte aéreo, simbolizando um amor perfeito.
Mas não importava o que fosse, Clara jogava tudo no lixo, sem qualquer hesitação.
Após vários dias sem progresso, Ricardo admitiu sentir-se frustrado com as rejeições, mas refletiu se seus presentes não estavam tocando o coração dela.
Então, ele desapareceu por dois dias. Quando reapareceu embaixo do prédio de Clara, trazia um álbum de fotos cheio de sinceridade.
Ele havia voltado para casa e reunido fotos de todos os anos que passaram juntos.
Da juventude inocente até a vida adulta, o homem e a mulher apareciam sorrindo lado a lado em fotos que transbordavam doçura e felicidade.
Ricardo acariciava lentamente aquele álbum pesado, sentindo o coração amolecer completamente.
Ele pensou que esse presente precioso certamente despertaria o amor de Clara por ele.
Ficou parado esperando no vento frio por três horas.
A silhueta de Clara apareceu.
Contudo, o sorriso no rosto de Ricardo desapareceu por completo.
Pois ao lado da mulher havia a figura de um homem. Eles caminhavam muito próximos, além da distância social comum.
De repente, um carro veio na direção deles, e o homem puxou o pulso de Clara.
Ricardo viu tudo claramente.
Clara, que nunca costumava ter envolvimentos excessivos com o sexo oposto, não demonstrou nenhuma resistência; pelo contrário, sorriu para o desconhecido.
Aquele sorriso, que Ricardo não via há tanto tempo, foi extremamente doloroso.
A temperatura do álbum ficou gélida, e segurá-lo nas mãos fazia até as bordas parecerem cortantes.
Ele respirou fundo e deu alguns passos à frente para puxar Clara para perto de si.
Ele sabia que estava usando força demais, mas aquilo já era o resultado de seu autocontrole.
Só Deus sabia que, ao ver Clara acompanhada de outro homem, o ciúme e o desejo de posse inundaram seu corpo a ponto de parecer que ia explodir.
“Clara, tenho um presente para você.” Ele disse com a voz contida.
Ele pensou que, após ter sumido por dois dias sem dizer nada, ela certamente perguntaria por onde ele andara.
Mas jamais imaginou que a primeira frase de Clara para ele seria: “Você não tinha ido embora? Por que ainda está aqui?”
Ao ouvir isso, Ricardo mal conseguiu manter o sorriso; os músculos de seu rosto estavam rígidos enquanto ele forçava uma risada seca: “Esposa, como eu poderia ir embora?”
Ele se esforçou para ignorar o homem incômodo e colocou o álbum diante dos olhos de Clara, dizendo sinceramente: “Clara, eu não sumi por querer, eu só estava pensando em como te reconquistar, em como demonstrar o meu amor mais profundo por você.”
“Eu voltei para a nossa casa e procurei as fotos que guardei todos esses anos... Estão todas aqui, fiz este álbum com minhas próprias mãos para você.”
“Você lembra desta? Foi quando você aceitou meu pedido, logo que começamos a namorar. Eu estava tão feliz; tiramos nossa primeira Polaroid quando beijei seu rosto.”
“Esta aqui... foi o nosso primeiro Dia dos Namorados. Ainda lembro que você mesma fez o bolo. Estava uma delícia, especialmente quando você me dava na boca, parecia doce como mel.”
Ricardo folheava as fotos apressadamente, uma após a outra, mas diante do silêncio cruel de Clara, sua velocidade aumentava enquanto sua voz diminuía.
Por fim, envolto em desespero, ele finalmente perguntou: “Clara, você não gostou?”
Clara piscou os olhos rapidamente, sem que Ricardo visse, para afastar a névoa que se formava.
Na verdade, como não se sentir tocada? Dez anos não são um tempo que se apaga com uma simples frase.
Mas era justamente por isso que Clara não se permitiria amolecer.
Ela estendeu a mão, pegou o álbum e, sob o olhar de esperança de Ricardo, jogou-o sem piedade na beira da estrada.
Havia chovido um pouco antes, e havia poças de água suja acumuladas no caminho.
Assim que o álbum caiu na água, respingou sujeira; as fotos ficaram completamente ensopadas, e os casais felizes ali retratados tornaram-se irreconhecíveis.
“O que você está fazendo?! Clara?!!!”
Ricardo gritou com os olhos vermelhos de fúria.
Ele correu para tentar resgatá-lo com as mãos, mas já era tarde.
Fotos guardadas com sinceridade por dez anos, montadas em um álbum durante a noite, a motivação de uma viagem de avião para entregá-las pessoalmente...
Cada gota de sinceridade foi destruída pelo gesto casual de Clara.
Foi como um golpe de martelo na nuca de Ricardo; ele ficou atordoado e com o coração despedaçado ao mesmo tempo, não resistindo a estender as mãos para segurar os ombros de Clara.
Ele precisava perguntar como ela podia ser tão fria, tão cruel, ignorando completamente os dez anos deles?!
Mas suas mãos pegaram o vácuo.
O homem desconhecido colocou Clara atrás de si, em posição de protetor.
Em seguida, Ricardo ouviu o desconhecido perguntar, franzindo a testa: “Quem é você?”
“Não é da sua conta!”
“Uma pessoa sem importância.”
As vozes de Ricardo, carregada de fúria, e de Clara, em um tom gélido de indiferença, se sobrepuseram.
A respiração de Ricardo tornou-se subitamente pesada; ele desferiu um soco na árvore ao lado, e sua raiva subiu como se tivessem despejado óleo nas chamas: “Clara, o que significa isso?!”
“Quem é ele? Por que você está tão próxima dele? Foi por causa dele que você decidiu ir para o exterior tão decididamente?”
Estimulado pelo ciúme, a racionalidade de Ricardo desapareceu por completo, e ele passou a usar as suposições mais repugnantes contra Clara.
“Clara, será que você já estava me traindo há muito tempo, envolvida com esse homem? Me fazendo de idiota o tempo todo?”
“E eu aqui, sentindo culpa, tentando de todas as formas te reconquistar por causa do meu erro! Com razão você ficou indiferente; afinal, já tinha um amante desde a época do intercâmbio!”
Clara gritou para que ele calasse a boca.
Seu olhar tornou-se subitamente frio: “Ricardo, não projete nos outros a sua própria sujeira.”
Ricardo, porém, acreditou que Clara estava apenas reagindo com fúria por ter sido descoberta. Ele soltou uma gargalhada e virou-se para o desconhecido com escárnio: “Não me diga que você é um encostado? A Clara precisa se expor por aí para atrair capital para o projeto dela, enquanto você fica em casa aquecendo a cama para ela?”
“Olhando para esse seu porte magrelo, será que você consegue satisfazê-la na cama? Você sabe onde ficam os pontos sensíveis dela? Sabe quantas vezes ela dormiu comigo? Sabe quanto tempo leva para saciá-la em uma noite?”
“Seus pais sabem que você veio estudar no exterior para vender o corpo a uma mulher casada para sobreviver?”
Em contraste com o descontrole de Ricardo, o desconhecido mantinha uma expressão sombria e uma autoridade natural.
Por ser dois centímetros mais alto que Ricardo, ele o encarava com um desdém superior: “Alguém que é incapaz de ser fiel e ainda sofre de delírios?”
O longo sobretudo preto realçava os ombros do homem, retos como lâminas, e o colarinho da camisa estava abotoado até o topo, conferindo-lhe um ar reservado e nobre.
Ricardo percebeu com choque que a aura do homem não era inferior à sua; na verdade, parecia estar um nível acima.
“Quem é você?” Ricardo começou a perder o chão.
O homem semicerrou as pálpebras, notando o rosto de Clara empalidecido pelo vento frio. Primeiro, ele ajustou o casaco dela para protegê-la e só então respondeu a Ricardo, sem pressa.
“Eduardo.”
Ricardo arregalou os olhos em choque, repetindo: “Eduardo?!”
Eduardo.
Se Ricardo era o herdeiro invejado de um círculo de elite local, a existência de Eduardo representava uma nobreza de clã inalcançável.
Ele crescera no exterior, mas não faltavam boatos sobre ele em seu país de origem — ou melhor, lendas.
Sua inteligência excepcional era sua característica menos relevante; o mais assustador era que, aos quinze anos, ele fundara sua própria empresa e, em apenas um ano, a tornara líder de mercado internacional.
Atualmente, ele ainda mantinha o status de estudante, mas seus ativos eram incontáveis, sendo, sem dúvida, um dos homens mais ricos do mundo.
“Você está tentando enganar quem?”
As palavras escaparam da boca de Ricardo; ele se recusava a acreditar que Clara pudesse ter qualquer ligação com Eduardo.
A ideia de Clara ter encontrado alguém cem vezes mais talentoso que ele, contra quem não teria a menor chance de vencer, causava-lhe um aperto insuportável no peito.
Eduardo não perdeu tempo provando nada. Em vez disso, lançou um olhar gélido de advertência a Ricardo: “Lave essa boca.”
“A Clara não é como você, que trai sem perceber e é arrogante além da conta.”
“Eu a persigo há muito tempo.” Eduardo lançou uma bomba que abriu um buraco no peito de Ricardo: “Felizmente, você colheu o que plantou e me deu essa oportunidade.”
Provocado ao limite, Ricardo perdeu o controle e desferiu um soco: “A Clara só pode ser minha! Ela nunca vai ficar com você!”
No entanto, Eduardo praticava boxe há anos; os movimentos desajeitados de Ricardo não passavam de brincadeira de criança aos seus olhos.