Capítulo 1
A vovó foi empurrada da escada por um cuidador na casa de repouso. Em um acesso de fúria, Jade levou o culpado ao tribunal.
No entanto, antes mesmo da primeira audiência, alguém desligou o oxigênio de sua avó.
A pessoa que deu a ordem foi o homem que ela amou por dez anos, seu marido e herdeiro do Grupo Albuquerque: Henrique.
Do lado de fora da UTI.
Jade agarrava o jaleco branco do médico, sua voz carregada de um súplica desesperada: "Doutor, eu imploro, salvem a minha avó!"
Os médicos olharam na direção de Henrique. Ao verem sua indiferença, desviaram o olhar um após o outro:
"Sra. Albuquerque, sem a ordem do Sr. Henrique, nós... não podemos administrar a medicação."
Observando a respiração da idosa tornar-se cada vez mais curta, Henrique estendeu um termo de desistência de processo com seus dedos bem definidos:
"Jade, a Yasmin estava em surto, foi uma crise de transtorno bipolar que a fez perder o controle e empurrar a vovó da escada. Foi um acidente. Ela é jovem, não pode ir para a cadeia por causa de alguém que já está prestes a morrer."
"Assine isso logo. Eu tenho os melhores recursos médicos e garanto que sua avó ficará bem."
Jade, com os olhos vermelhos, golpeou a mão dele, fazendo os papéis voarem pelo chão:
"Se ela está doente, que vá se tratar! Por que foi trabalhar como cuidadora na casa de repouso para perseguir a minha avó? Ela já estava frágil, e essa queda quase tirou a vida dela!"
"Henrique, ela cometeu um crime! Protegê-la desse jeito te faz ser tão criminoso quanto ela. Com que direito você me pede para perdoá-la?"
Jade tremia de tanta raiva.
A vovó foi a única pessoa que a tratou bem durante os primeiros vinte anos sombrios de sua vida.
Ela não conseguia entender. Henrique sabia perfeitamente o quanto a avó era importante para ela; por que ele interviria para limpar o nome de Yasmin?
Além disso, ela tinha visto as gravações das câmeras. Yasmin parecia lúcida, nada parecida com alguém em surto!
Mas não importava o quanto ela explicasse, Henrique não se dava ao trabalho de olhar para ela.
Ao ver Jade desabada no chão frio, Henrique a ajudou a se levantar: "Jade, seja obediente. Não lute contra mim. Restam apenas três minutos."
"Sua teimosia já causou a morte dos seus próprios pais no passado. Agora quer causar a morte da sua avó também?"
As palavras de Henrique foram como uma lâmina banhada em gelo, cravando-se profundamente no coração dela.
O corpo dela paralisou, e inúmeras imagens do passado flashes diante de seus olhos.
Dez anos atrás, Henrique se apaixonou à primeira vista por ela, que trabalhava em um bar na época.
Para convencê-la a aceitá-lo, Henrique fez coisas absurdas que ela guardou para a vida toda.
Ao saber que um amigo de infância dele, bêbado, tinha tentado tocar a mão dela, ele ordenou que quebrassem a mão do sujeito:
"Ninguém toca no que é meu."
Sabendo que ela era orgulhosa, ele cortou todos os seus cartões de crédito e passou a pegar o ônibus todos os dias para buscá-la no trabalho, protegendo-a em seus braços:
"Eu não sabia que sua rotina era tão difícil. De agora em diante, eu vou te proteger."
Até que, em um momento de delírio durante o sono, ele soube que o pai biológico dela tinha tentado invadir o banheiro enquanto ela tomava banho.
Ele ficou possesso. Correu até a casa da família dela e lutou com o homem. Mesmo sendo esfaqueado três vezes, ele segurava o abdômen sangrento e gritava:
"De hoje em diante, ninguém mais vai maltratá-la!"
Naquele dia, ela decidiu que ele seria o homem de sua vida.
Com a origem dela, casar-se com um Albuquerque era quase impossível.
Mas Henrique rompeu com a família por ela. Os dois viveram em um apartamento alugado, dividindo o mesmo macarrão instantâneo, e ele nunca disse que se arrependia.
Até que a influente família de Yasmin apareceu com um teste de DNA, dizendo que Jade era a verdadeira herdeira que tinha sido trocada por uma babá.
Ela pensou que finalmente estaria à altura dele.
Mas a benevolência do destino parou por aí.
Logo após o casamento, os pais biológicos de Jade morreram em um acidente de carro. Apenas Yasmin, que eles protegeram nos braços, sobreviveu.
Pouco tempo depois, Yasmin mostrou um registro de transferência bancária e, tremendo de choro diante de Henrique, disse:
"Foi minha irmã. Ela estava ressentida porque eu ainda morava na casa e recebia o carinho dos pais. Ela contratou alguém para causar o acidente!"
Diante daquela amiga de infância que ele nunca tinha olhado seriamente, Henrique a afastou bruscamente:
"Impossível! A Jade jamais faria isso. Se você falar bobagem de novo, eu mando acabar com você."
No entanto, Yasmin logo escreveu uma declaração abrindo mão da herança e tentou o suicídio para provar sua "inocência".
Desde o dia em que Henrique salvou Yasmin, tudo mudou.
...
Jade engoliu o gosto metálico de sangue que subia à garganta e olhou para o homem à sua frente:
"Por quê?"
"Henrique, a vovó sempre foi tão boa para você. Por que você está ajudando uma estranha a humilhá-la?"
Encarando os olhos injetados dela, Henrique apenas pronunciou friamente: "Porque é isso que você deve à Yasmin."
Jade riu sem som, com lágrimas escorrendo.
No primeiro dia em que Yasmin saiu da casa dos pais, ela foi sequestrada por um grupo de marginais.
Quando a encontraram, ela estava com as roupas rasgadas e a mente perturbada.
Mais tarde, foi diagnosticada com transtorno bipolar.
Aproveitando um momento de lucidez, Henrique quis levá-la para casa para cuidar dela, mas Yasmin disse entre lágrimas:
"Minha irmã me odeia, eu tenho medo de voltar. Papai e mamãe se foram, agora só resta a vovó na casa de repouso. Eu vou trabalhar lá como cuidadora para ficar ao lado dela e cumprir meu dever."
Foi essa frase que conquistou definitivamente o coração de Henrique.
A partir de então, ele passava na casa de repouso todos os dias para ver Yasmin, e os dois ficaram cada vez mais próximos.
Até que, desta vez, Yasmin empurrou a vovó, e ele a obrigava a assinar o perdão.
Vendo-a paralisada, Henrique fez um sinal e as imagens da UTI apareceram na tela.
A vovó estava deitada na cama, com a testa envolta em gaze espessa e a pele exposta cheia de hematomas roxos.
A máscara de oxigênio transparente cobria seu rosto. A cada respiração fraca, uma leve névoa se formava no plástico e se dissipava lentamente.
Tudo dizia a Jade que sua avó estava lutando para viver.
Ao ver no monitor o corpo magro da idosa começar a ter espasmos violentos pela dificuldade de respirar, Jade fechou os olhos com força:
"Eu assino."
Sua mão tremia enquanto a caneta deslizava pelo papel.
O nome que antes era tão familiar parecia ter drenado todas as suas forças.
Ao terminar o último traço, ela praticamente jogou a caneta longe:
"Agora salvem a minha avó!"
Henrique ia dizer algo, mas seu celular vibrou.
Do outro lado da linha, ouviu-se o grito agudo de Yasmin. Ele imediatamente se levantou para sair.
Sem a ordem dele, os médicos não ousavam entrar para o socorro. Jade, em um impulso, correu e agarrou o braço dele:
"Henrique, mande eles salvarem a minha avó!"
Mas Henrique, ouvindo os gritos no telefone, sequer olhou para ela. Ele a empurrou com força, como se estivesse tocando em algo sujo:
"Não comece. A Yasmin teve outra crise, preciso ir até lá agora!"
Jade estava no hospital há três dias e três noites sem dormir; seu corpo estava exausto.
Com o empurrão, ela cambaleou e bateu forte contra a parede.
Instantaneamente, uma dor aguda atingiu seu tornozelo e ela caiu sentada no chão.
Olhando para as costas do homem que se afastava, ela não queria mais continuar com aquilo.
Henrique... ela também não o queria mais.
Após os apelos insistentes de Jade, os médicos finalmente iniciaram o socorro.
Ela foi se acalmando gradualmente. Com as mãos trêmulas, pegou o celular na bolsa e discou aquele número desconhecido que guardava há muito tempo, mas que nunca teve coragem de chamar.
Assim que a ligação foi atendida, sua voz estava embargada, mas carregava uma determinação de quem não tinha mais nada a perder:
"Aquele acordo que você mencionou... eu aceito."
Capítulo 2
Houve um silêncio de dois segundos do outro lado da linha, seguido pela voz levemente surpresa de um homem:
"Tem certeza?"
Os nós dos dedos de Jade ficaram brancos ao apertar o aparelho:
"Aceito a colaboração, mas tenho uma condição."
"Quero cada centavo das propriedades que pertenciam à minha família de volta."
Após a morte de seus pais biológicos, ela entregou toda a herança para Henrique administrar.
Agora que ia embora, precisava recuperar tudo.
"Feito," o homem respondeu prontamente. "Mas a transferência de ativos exige burocracia. Preciso de quinze dias."
Ao desligar, Jade se levantou com dificuldade, mantendo os olhos fixos naquelas portas fechadas.