Embora estivesse alerta, Henrique não conseguia evitar sentir pena.
Ele pensava que, contanto que mantivesse distância e não repetisse os erros, tudo ficaria bem.
Mas ele não imaginava que o alvo de Beatriz, desde o início, não era ele, mas sim a sua empresa.
Usando a compaixão de Henrique, ela se aproximou aos poucos, roubando planos comerciais e recursos de clientes.
Ela também criava mal-entendidos propositais diante de Clarice, sugerindo intimidade com Henrique.
Clarice começou a ficar infeliz; via Henrique próximo de Beatriz, via Beatriz com uma pulseira idêntica à sua e via a perda de clientes. Seu coração encheu-se de mágoa e insegurança.
Ela confrontou Henrique, mas ele achou que ela estava sendo irracional: "Clarice, você está imaginando coisas. Eu e a Beatriz somos apenas amigos comuns, ela é muito sofrida e eu só estou dando uma mãozinha." Ele esqueceu que, na vida passada, fora exatamente assim que ferira o coração de Clarice, vez após vez, por causa de Beatriz.
As ações de Beatriz tornaram-se mais rápidas.
Ela uniu-se aos rivais de Henrique, vazou segredos comerciais essenciais e criou um esquema de investimento falso que mergulhou a empresa em uma crise sem precedentes.
Com a perda de clientes, quebra de caixa e demissão de funcionários, a empresa logo ficou à beira da falência.
Em meio ao caos, Clarice o procurou com os olhos vermelhos: "Henrique, vamos terminar."
"Clarice, pare com isso!", disse Henrique, irritado. "A empresa está em apuros, não tenho paciência para explicar."
"Eu não estou fazendo cena," disse Clarice com a voz embargada. "Eu vi você com a Beatriz, vi a empresa ficar assim... eu cansei."
Henrique quis explicar, mas ao ver o olhar decepcionado dela e o desastre à sua frente, percebeu que não tinha como se defender. Clarice deu as costas e partiu com passos decididos. Ao vê-la desaparecer na esquina, Henrique sentiu como se seu coração tivesse sido arrancado.
A empresa finalmente faliu. Henrique, antes cheio de vida, ficou sem nada. Em seu momento mais miserável, Beatriz o encontrou. Ela não tinha mais a fragilidade de antes, apenas um sorriso sinistro: "Henrique, você perdeu."
"Por quê?", rugiu Henrique. "O que eu fiz para você? Por que me destruiu?"
"O que você fez?", Beatriz riu. "Você e a Clarice se uniram na vida passada para me destruir e arruinar minha reputação. Nesta vida, estou apenas pegando de volta o que mereço!"
Henrique estremeceu, olhando para ela em choque: "Você também renasceu com memórias?"
"Exato," disse Beatriz sorrindo. "Eu queria ver você ser abandonado por todos e ficar sem nada, exatamente como eu vivi na outra vida!"
Tudo fora uma armadilha! Ela sabia desde o início que ele renascera; aproximou-se dele apenas por vingança! Henrique desmoronou completamente. Achou que seu esforço mudaria o destino, mas caíra na armadilha passo a passo. Perdeu a empresa, perdeu seu amor, perdeu tudo.
Beatriz não lhe deu tempo de reagir. Ela já havia planejado tudo. Em uma noite escura, Henrique foi sequestrado pelos homens de Beatriz e levado a um armazém abandonado.
"Adeus, Henrique." Beatriz olhou para ele com frieza. "Desta vez, ninguém virá te salvar."
Com o som de um disparo, Henrique caiu em uma poça de sangue. No último instante de consciência, a imagem que passou por sua mente foi a de Clarice em sua festa de quinze anos, com seu vestido rosa, sorrindo de forma radiante.
Ele falhara em mudar o final. Na vida passada, ele a decepcionou e pagou com a vida para se redimir. Nesta vida, ele deu tudo de si para amá-la e protegê-la, mas não escapou das mãos do destino, sendo consumido pelo ódio. Talvez alguns destinos já estejam traçados desde o início. Por mais que se lute, não há escapatória.
Longe dali, em outro país, Clarice, ao saber da morte de Henrique, apenas silenciou por muito tempo e soltou um suspiro leve.
Ela não sabia da renascença dele, nem das conspirações ocultas; sabia apenas que aquele rapaz que um dia a buscou com todas as forças e a mimou tanto, partira para sempre.
Ela secou as lágrimas e seguiu com sua nova vida.
Apenas em certas noites silenciosas, ao ver o luar, lembrava-se ocasionalmente do rapaz que corava ao lhe entregar um lenço e de sua promessa de "fazê-la feliz", sentindo uma leve pontada de melancolia.
Aquele renascimento, no fim, foi apenas uma ilusão passageira, deixando para trás apenas um lamento irreparável.
(Fim)