Clarice, do seu canto, assistia a tudo com calma.
"Sistema, quanto tempo falta para a reparação?", perguntou mentalmente.
[Progresso da reparação: 70%. Estimativa: mais 30 minutos. Por favor, continue ganhando tempo.]
Clarice assentiu em silêncio. Henrique e Lucas continuavam o massacre mútuo.
Os seguranças ou eram derrubados por Henrique, ou caíam feridos no meio do caos entre os dois.
A resistência de Henrique começou a falhar; o sangue escorria de suas inúmeras feridas, deixando-o tonto.
Em um momento de distração, Lucas aproveitou a brecha e desferiu um soco violento no peito de Henrique.
Henrique soltou um gemido sufocado, cuspiu sangue e cambaleou para trás, batendo com força contra a parede.
"Henrique, você já era!"
Lucas deu um sorriso sinistro, aproximando-se passo a passo. "Hoje, vou fazer você pagar por tudo o que fez!"
Henrique tentava se levantar, mas o corpo não respondia. Ele olhou para Lucas e depois para Clarice no canto, com um olhar de absoluto desespero e arrependimento.
"Clarice...", chamou com a voz rouca, estendendo a mão para ela.
Clarice o observava com o mesmo olhar sereno, sem qualquer resposta.
Lucas ergueu o punho para desferir o golpe final na cabeça de Henrique.
Nesse momento crítico, Clarice falou: "Lucas, você acha que venceria se o matasse?"
Lucas parou o movimento e olhou para ela, erguendo as sobrancelhas. "Ah? A grande Clarice tem alguma opinião brilhante?"
"O que você ganha vencendo-o?", Clarice continuou calmamente. "Tudo o que você perdeu não voltará. Você dedicou toda a sua vida à vingança para, no fim, não ter nada além de um vazio."
"Cale a boca!" Lucas rugiu. "Se não fosse por vocês, eu não estaria assim! Eu vou matá-lo!"
"Matá-lo não mudará nada," disse Clarice com serenidade. "Além disso, você acha que consegue matá-lo hoje?"
Suas palavras conseguiram atrair toda a atenção de Lucas.
Ele a encarou com olhos sombrios. "Clarice, não ache que só porque está viva pode se meter onde não é chamada! Depois que eu acabar com o Henrique, você será a próxima!"
"É mesmo?", Clarice deu um leve sorriso. "Pode tentar."
Capítulo 14
[Progresso da reparação: 85%. Estimativa: 15 minutos. Continue.]
Assim que o aviso do sistema soou, Henrique teve um surto de energia. Aproveitando a distração de Lucas, ele o atingiu com um soco certeiro no rosto.
Lucas, pego de surpresa, recuou alguns passos com a boca sangrando.
"Lucas, o seu adversário sou eu!"
Henrique rugiu e avançou novamente. A luta recomeçou em meio a uma confusão total.
No canto, Clarice sentia que o colapso do mundo se agravava. As rachaduras nas paredes aumentavam e o chão sob seus pés tremia levemente.
"Sistema, pode acelerar a reparação?", perguntou.
[O processo de reparação não pode ser acelerado. A hospedeira deve persistir.]
Sem alternativa, Clarice continuou assistindo ao embate. Henrique e Lucas estavam exaustos, cobertos de cicatrizes.
Lucas olhou para Henrique com ódio mortal: "Henrique, vamos acabar com isso hoje!"
Ele sacou uma faca curta e avançou. Henrique não conseguiu esquivar a tempo e sofreu um corte profundo no braço.
De repente, Henrique virou-se para Clarice com um olhar maníaco: "Clarice, venha comigo! Vou tirar você daqui!"
Ignorando a luta com Lucas, ele correu, agarrou o pulso de Clarice com força e começou a puxá-la para fora.
"Henrique, me solte!" Clarice lutava, mas ele a segurava com uma determinação cega.
"Não vou soltar!", gritou ele. "Desta vez, nunca mais soltarei sua mão!"
Lucas, ao ver a cena, rugiu: "Henrique, pare agora!"
Ele e os seguranças restantes correram atrás deles. Henrique levou Clarice até a garagem, colocou-a em um carro esportivo, assumiu o volante e arrancou em alta velocidade.
O carro voava pelas ruas. A velocidade era assustadora.
"Henrique, você enlouqueceu! Pare o carro!", gritou Clarice, vendo as imagens passarem como vultos lá fora.
Henrique não ouvia. Ele olhava para ela com olhos obcecados: "Clarice, não tenha medo, eu vou te proteger. Assim que despistarmos o Lucas, vamos para um lugar onde ninguém nos conheça e começaremos de novo."
"Eu não vou a lugar nenhum com você," disse ela friamente. "Tudo entre nós já terminou."
"Não terminou!", Henrique gritou. "Enquanto você estiver viva, não terminou! Eu sei que você ainda está brava, mas com o tempo você me perdoará."
Clarice parou de falar; sabia que não adiantava argumentar com um louco. Ela apenas consultou o sistema mentalmente: "Como está o progresso?"
[Progresso: 95%. Estimativa: 10 minutos.]
Clarice sentiu um alívio. Só mais dez minutos e ela poderia partir.
O carro parou em frente a outra mansão de Henrique. Ele a arrastou para dentro, trancou a porta e ativou o sistema de segurança.
"De hoje em diante, você morará aqui e não sairá para lugar nenhum."
Henrique a olhava de forma possessiva. "Vou cuidar bem de você até que me perdoe."
Ele dispensou todos os empregados; a enorme mansão ficou apenas para os dois. Clarice olhou para o vazio da casa, sentindo-se exausta. Não imaginava que acabaria em um novo cárcere.
"Henrique, me solte. O sistema logo me levará daqui, você não pode me segurar," disse ela.
"Sistema?", Henrique hesitou e depois riu. "Clarice, você deve estar muito assustada. Não pense bobagens, não existe sistema nenhum. Você não vai me deixar."
Ela o ignorou, sentou-se em um sofá e esperou a contagem final.
O coração de Henrique doeu ao ver a indiferença dela. Ele queria compensar tudo, recuperar o que perdera. Ele foi para a cozinha para preparar algo para ela. Lembrava-se de que Clarice adorava sua costelinha agridoce.
Ao vê-lo entrar na cozinha, Clarice aproveitou para tentar achar uma saída, mas todas as portas e janelas estavam lacradas.
Nesse momento, uma janela foi estilhaçada e Lucas invadiu o local com seus homens.
"Henrique, apareça!", gritou Lucas.
Clarice assustou-se; não esperava que Lucas os encontrasse tão rápido. Lucas viu Clarice e seus olhos brilharam. Ele correu, agarrou o pulso dela, puxou-a para si e encostou a faca em seu pescoço.
"Henrique, apareça! Senão eu a mato!", berrou Lucas.
Henrique saiu correndo da cozinha. Ao ver Clarice como refém, seus olhos ficaram vermelhos: "Lucas, solte-a! O seu problema é comigo!"
"Com você?", Lucas riu. "Henrique, você matou a Beatriz, agora sentirá a dor de perder quem ama! Hoje, vou matá-la para vingar a Beatriz!"
Clarice, presa entre os dois, sentia-se profundamente entediada com aquela situação. A história estava em colapso total e ela só queria ir embora.
"Lucas, não faça nenhuma besteira!", Henrique aproximava-se com olhar feroz. "Se tocar nela, eu farei você desejar nunca ter nascido!"
"É mesmo?", Lucas sorriu e pressionou a lâmina contra o pescoço dela. "Acha que tenho medo de você? Hoje, vamos todos para o inferno!"
Clarice sentiu a lâmina cortar levemente a pele; uma pontada de dor surgiu.
[Reparação: 100%. Mundo reparado. Missão concluída. Iniciando transferência. Contagem: 10, 9, 8...]
A voz do sistema finalmente trouxe alívio.
"Henrique, Lucas, parem com isso," disse Clarice com voz calma. "Eu estou indo embora agora. Resolvam seus problemas entre vocês."
"Indo embora? Para onde?", Henrique e Lucas perguntaram ao mesmo tempo, confusos.
Nesse instante, Lucas teve um surto de fúria e golpeou com a faca em direção ao peito de Clarice.
"Não!", Henrique gritou, lançando-se à frente dela para protegê-la.
O som da lâmina penetrando a carne ecoou. A faca atingiu em cheio o coração de Henrique.
Capítulo 15
Henrique olhou para a faca em seu peito e depois para Clarice, esboçando um sorriso amargo: "Clarice... desta vez... finalmente... eu te protegi..."
O corpo dele desabou nos braços dela.
Clarice, instintivamente, o segurou. Sentindo o calor dele desaparecer aos poucos, seu coração se encheu de sentimentos conflitantes. Ela o odiara, o culpara, mas vê-lo morrer para salvá-la a deixou sem saber como reagir por um momento.
"Henrique," chamou ela baixinho.
Henrique abriu os olhos com dificuldade, olhando-a com remorso e devoção: "Clarice, me perdoe... se houver... uma próxima vida... eu vou te amar direito... nunca mais... te decepcionarei..."
Dito isso, sua cabeça pendeu e ele parou de respirar.
[Contagem: 3, 2, 1. Iniciando transferência.]
Com a voz do sistema, Clarice desapareceu instantaneamente da mansão.
Quando abriu os olhos novamente, estava em seu próprio mundo.
A sopa de costelinha ainda fervia na cozinha, perfumando a casa. Seus pais estavam ao seu redor, angustiados: "Minha filha, você voltou? Está bem? Se machucou?"
Clarice balançou a cabeça e sorriu para confortá-los: "Pai, mãe, estou bem. O sistema me protegeu."
"Que bom, que bom," disse a mãe, abraçando-a com os olhos marejados. "Nunca mais vá a um lugar assim, foi assustador demais."
"Tudo bem, eu prometo," respondeu Clarice carinhosamente.
Mentalmente, ela perguntou: "Sistema, como ficou aquele mundo?"
[A reparação foi concluída, mas o mundo daquela história entrou em colapso total e não pôde ser mantido. Henrique e Lucas morreram, e todas as linhas narrativas foram encerradas.]
[Missão concluída. Recompensa concedida: seus pais terão saúde permanente, livres de doenças ou acidentes.]
Clarice assentiu e não perguntou mais nada. Tudo daquele mundo havia terminado.
Nos dias seguintes, Clarice deixou o passado para trás e dedicou-se inteiramente à sua vida. Ela cuidava dos negócios da família com os pais e, nas horas vagas, viajavam e cozinhavam juntos. Levavam uma vida simples e feliz.