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《Sete Dias Para Esquecer Você》Capítulo 1

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Capítulo 1

Clarice sempre foi possessiva e obstinada, uma mulher de temperamento forte e impetuoso.

Sendo a única filha da influente família Silveira no Rio de Janeiro, ela foi mimada pelos pais ao ponto de acreditar que qualquer coisa que desejasse deveria ser sua, custasse o que custasse.

Aos quinze anos, em um baile de gala, ela fixou os olhos em Henrique e declarou diante de todos:

"Esse homem me pertence. Quem ousar tocá-lo, será destruído."

Ela cumpriu a promessa. Casou-se com ele por amor e usou toda a influência e riqueza dos Silveira para colocá-lo no topo do mundo corporativo.

Após o casamento, ela o vigiava de perto, não permitindo que nenhuma mulher se aproximasse a menos de meio metro dele.

Henrique tornou-se conhecido em todo o Rio como o marido submisso.

Se Clarice dizia "leste", ele não ousava ir para o "oeste"; se ela o proibia de falar com outras mulheres, ele chegava ao ponto de pedir que seu assistente buscasse relatórios com funcionárias, sem ousar quebrar as regras dela por um segundo sequer.

Mais tarde, Clarice adoeceu com uma insuficiência cardiorrespiratória crônica. Henrique percorreu o mundo atrás de um doador de coração para ela.

Contudo, quando finalmente encontraram um coração compatível, ele entregou a chance de vida dela para outra mulher: Beatriz.

"Clarice, o estado da Beatriz piorou de repente. Ela não podia mais esperar... Eu dei o coração para ela."

Toda a alta sociedade do Rio esperava que ela causasse um escândalo.

Como Clarice, conhecida por sua vingança implacável e por tratar Henrique como sua propriedade privada, suportaria ver o marido entregar sua única salvação para outra mulher?

Mas ela apenas ergueu os olhos, observando o rosto bonito e culpado de Henrique com uma calma desconcertante.

Não houve histeria, não houve objetos quebrados, nem mesmo o franzir de uma sobrancelha. Ela apenas respondeu baixinho: "Tudo bem. Eu entendi."

Henrique ficou paralisado. Ele não esperava essa reação, e sua culpa cresceu instantaneamente.

Ele deu um passo à frente, acariciando o rosto dela com uma ternura ansiosa: "Clarice, não fique brava. Já ordenei que contatem hospitais no exterior. Prometo que encontraremos outro doador rápido. Você vai ficar bem."

Clarice olhou para a preocupação nos olhos dele e esboçou um sorriso amargo, permanecendo em silêncio.

Na verdade, não era mais necessário. O sistema em sua mente acabara de avisar: restavam apenas sete dias até sua morte.

Henrique, notando o silêncio dela, hesitou antes de continuar: "Beatriz sabe que você está triste. Ela pediu que preparassem um chá de ervas especial da terra dela para fortalecer seus pulmões e coração. Ela quer que você se recupere."

A um sinal dele, uma empregada trouxe uma tigela com o remédio. O cheiro forte fez a garganta de Clarice apertar; uma coceira familiar surgiu, mas ela reprimiu a tosse com esforço.

A voz do sistema ecoou novamente:

[Detectadas substâncias estimulantes na mistura. Isso acelerará a falência dos órgãos.]

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Clarice tocou a borda morna da tigela e perguntou mentalmente: "Isso vai acelerar o processo da minha morte?"

[Sim. Há uma alta probabilidade de encurtar o tempo de vida restante.]

Sem hesitar, Clarice ergueu a tigela e bebeu o líquido amargo de uma só vez.

O remédio desceu queimando pela garganta, mas a dor física não era nada comparada ao vazio gélido em seu peito.

Ao ver a atitude decidida dela, a culpa de Henrique diminuiu um pouco, mas logo ele demonstrou certo constrangimento.

"Clarice, há um assunto urgente na empresa. Preciso fazer hora extra e volto mais tarde para ficar com você."

Clarice sabia que não era trabalho. Ele ia apenas para o hospital ficar ao lado de Beatriz.

Ela assentiu levemente. "Tudo bem. Pode ir."

Henrique ficou completamente atônito e deixou escapar: "Você me deixa ir?"

A Clarice de antes jamais permitiria que ele saísse em um momento como esse.

Ela teria vontade de trancá-lo em casa ou exigiria acompanhá-lo, vigiando cada passo seu.

Clarice sorriu suavemente.

"Eu posso prender o seu corpo, mas como eu poderia prender o seu coração?"

As palavras foram ditas com leveza, mas atingiram Henrique como um golpe pesado, fazendo seu peito apertar em uma ansiedade súbita e inexplicável.

Antes que ele pudesse dizer algo, Clarice se levantou com esforço do sofá e caminhou em direção ao quarto no segundo andar.

Suas costas pareciam frágeis demais. Passo a passo, como se caminhasse sobre lâminas, ela seguiu firme, sem olhar para trás.

Henrique ficou parado, observando-a desaparecer na escada. A inquietação crescia, mas aquele desconforto não foi suficiente para superar sua preocupação com Beatriz.

Ele hesitou por alguns segundos, mas deu meia-volta e saiu rapidamente de casa.

No momento em que a porta se fechou, Clarice não aguentou mais. Apoiou-se no batente da porta do quarto e começou a tossir violentamente. Sangue escarlate escorreu pelo canto de sua boca, manchando o tapete de lã branca.

Em sua mente, o anúncio frio do sistema ecoou novamente:

[A deterioração física da hospedeira acelerou. Contagem regressiva de vida atualizada: 5 dias.]

Clarice limpou o sangue sem expressão.

Ninguém sabia que ela não pertencia a este mundo.

Ela era uma viajante que habitava o corpo de uma personagem secundária destinada ao sofrimento. Sua única missão era salvar Henrique, o personagem masculino melancólico e sombrio.

Sua tarefa era impedir que ele conhecesse a protagonista original, Beatriz, evitando que ele fosse traído e terminasse na miséria, morrendo sozinho nas ruas.

Por essa missão, ela montou armadilhas em todos os momentos em que eles deveriam se encontrar, reescrevendo a trama por anos.

No entanto, sua vigilância rigorosa irritou os leitores fora do livro. Insatisfeitos com o desvio da história, eles exigiram uma punição para a "personagem secundária inconveniente".

Assim, o autor corrigiu a trama e a amaldiçoou com uma doença terminal.

Enquanto ela lutava pela vida em uma sala de emergência, Beatriz caiu nos braços de Henrique. A história original começou a se vingar com fúria, e todos os esforços de Clarice foram em vão.

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O irônico era que Beatriz sofria exatamente da mesma doença que ela.

E Henrique, retornando ao roteiro original, entregava toda a sua ternura e as chances de sobrevivência para Beatriz.

Os remédios importados feitos sob medida para Clarice? Ele os deu a Beatriz sem hesitar.

A mansão na montanha, perfeita para o seu repouso? Ele a cedeu para a recuperação de Beatriz.

E agora, ele entregava o coração que salvaria a vida dela de bandeja.

Clarice encostou-se no batente, fechou os olhos e lembrou-se do que o sistema dissera uma vez:

[Ao completar a missão, você ganhará a chance de renascer em seu mundo real, além de recompensas materiais infinitas.]

Mas, naquele momento, ela apenas sussurrou em sua mente:

"Missão abortada. Eu não quero mais as recompensas."

Ela estava exausta. Não queria mais salvar ninguém.

O destino de Henrique, a partir de agora, não tinha mais nada a ver com ela.

Capítulo 2

[Mas, hospedeira, se desistir, seu corpo no mundo original morrerá completamente. Não haverá chance de sobrevivência.]

A voz mecânica do sistema perdeu a frieza habitual, soando quase urgente.

Clarice, ainda encostada na porta com vestígios de sangue nos dedos, respondeu com uma voz desprovida de qualquer emoção.

"Se eu não receber o transplante, eu conseguiria viver?"

O sistema permaneceu em silêncio por um longo tempo antes de responder:

[Não. A falência de seus órgãos está em estágio terminal. Sem o transplante, você não passará do quinto dia.]

"Então, qual é a diferença?"

Clarice deu uma risada curta, com os olhos transbordando um cansaço infinito.

"Não importa se eu desisto ou não, o resultado é o fracasso. Vou morrer de qualquer jeito. A única diferença é em qual mundo eu vou deixar de existir."

Ela cuidou de Henrique por anos, desgastou-se para mudar o rumo da história, mas não pôde vencer o destino traçado. No fim, terminou doente e com sua chance de vida roubada. Essa missão não valia mais o esforço.

[Desistência confirmada. Este sistema não interferirá mais na trama. Tempo restante de vida: 5 dias.]

Após o aviso, o sistema mergulhou em um silêncio absoluto.

Clarice escorregou lentamente até o chão frio, com as costas apoiadas na porta, e passou a noite em claro.

Henrique não voltou para casa.

Foi a primeira vez que ele passou a noite fora.

Antigamente, mesmo que estivesse em reuniões até a madrugada ou em viagens de negócios, ele dava um jeito de voltar. Nem que fosse apenas para sentar por dez minutos do lado de fora do quarto dela, apenas para que ela não se sentisse sozinha.

Quando o barulho na entrada finalmente soou pela manhã, Clarice estava à mesa tomando uma sopa morna.

Henrique entrou trazendo consigo o cheiro de desinfetante hospitalar e o frio da manhã. Seus olhos estavam injetados e com olheiras profundas de cansaço.

Ao encontrar o olhar vazio de Clarice, um lampejo de culpa cruzou seu rosto.

"Houve uma emergência na empresa ontem à noite. Ficou tarde demais, então acabei descansando no escritório."

Ele falou primeiro, com um tom suave e uma gentileza forçada.

Era assim que ele sempre a acalmava, mas seu olhar esquivo tornava as palavras vazias.

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