Xavier permanecia imóvel, com a mente em total confusão.
Wanessa, vendo que ele demorava a responder, ficou com os olhos marejados de constrangimento.
— Xavier, se você acha difícil, finja que eu não disse nada. Eu só... não queria ver você passar vergonha.
A mãe de Xavier apressou-se em segurar a mão de Wanessa, com um olhar afetuoso.
— Wanessa, você é uma boa menina. Se o nosso Xavier conseguir se casar com você, será a sorte dele.
Ela virou-se para o filho com um tom que não admitia discussão.
— Xavier, está decidido. Você e a Wanessa se casam, e diremos que houve um mal-entendido antes. Não podemos deixar os convidados irem embora de estômago vazio.
Xavier olhou para Wanessa, e seus lábios tremeram.
Ele sabia claramente que quem ele sempre amou foi Nancy.
Tanto na vida passada quanto nesta.
Mas e a Wanessa?
Na vida passada, ela o acompanhou por cinquenta e três anos, deu a ele três filhos, levou um tiro por ele e nunca o abandonou em seus momentos mais perigosos.
Ela foi sua parceira, sua esposa e a mãe de seus filhos.
O que ele devia a Wanessa não era menos do que devia a Nancy.
A mãe insistiu: — Xavier, diga alguma coisa! Seu pai está esperando lá no restaurante!
Xavier fechou os olhos e respirou fundo.
— Tudo bem — ouviu a si mesmo dizer.
Ele trouxe para fora todos os itens de casamento que havia comprado para Nancy.
Wanessa pegou a veste nupcial e entrou no quarto interno; em pouco tempo, estava pronta.
No momento em que ela abriu a porta, os olhos da mãe de Xavier brilharam. Ela segurou a mão da moça, avaliando-a de cima a baixo com um sorriso radiante.
— Linda, realmente linda. Esta roupa ficou melhor em você do que na sua irmã.
Wanessa baixou a cabeça corada e lançou um olhar furtivo para Xavier.
Xavier, parado à porta, olhou para o traje vermelho e teve um momento de distração.
Ele lembrou que aquelas roupas foram compradas originalmente para Nancy.
Mas ela não as queria mais.
Os três seguiram juntos para o restaurante.
Pelo caminho, a mãe ia na frente segurando a mão de Wanessa, conversando e rindo.
Xavier vinha atrás, apertando na mão aquela chave com o cordão vermelho, sentindo o metal machucar sua palma.
O restaurante estava lotado.
O pai de Xavier recepcionava os convidados na porta; ao ver os três se aproximarem, ele paralisou.
Quando percebeu o traje de noiva em Wanessa, seu sorriso congelou no rosto.
O Senhor Alberto também saiu do reservado para recebê-los e, ao ver a filha mais nova vestida de noiva, sua expressão mudou drasticamente.
— O que está acontecendo? Por que a noiva mudou? Onde está a Nancy?
Xavier abriu a boca, mas as palavras não saíram.
A mãe de Xavier adiantou-se para contornar a situação, dizendo com um sorriso: — Compadre, é o seguinte. A Nancy recebeu um aviso urgente do exército e partiu de madrugada. Então, a Wanessa, sentindo pena da irmã, ofereceu-se para realizar o banquete no lugar dela. Não poderíamos deixar todos virem à toa, não é verdade?
O rosto do Senhor Alberto escureceu enquanto olhava para Wanessa.
Wanessa baixou os olhos e disse baixinho: — Pai, a irmã saiu com pressa e não deu tempo de avisar a todos. Eu fiquei com medo de que os parentes rissem do Xavier, por isso... por isso pensei em substituí-la.
Antes que o pai pudesse falar, Dona Luciana aproximou-se, segurando a mão de Xavier com um sorriso: — Ora, Xavier, você é mesmo um rapaz de sorte. A Wanessa não perde em nada para a Nancy. Casando-se com ela, você continua sendo genro da família.
O Senhor Alberto silenciou por alguns segundos e assentiu, aceitando a situação.
No reservado, os parentes começaram a cochichar.
— Por que a filha mais velha fugiu de repente?
— Quem sabe? Ouvi dizer que ela não quis ceder a vaga e eles brigaram.
— Mas não poderiam empurrar a irmã para tapar o buraco...
— Chega, não diga mais nada, hoje é um dia de festa.
Xavier ouvia tudo aquilo sem mudar a expressão.
Wanessa, ao lado dele, puxou levemente sua manga e sussurrou: — Xavier, não pense demais. Minha irmã se foi, mas eu estou aqui.
Ele olhou para ela e forçou um sorriso.
10
O banquete começou.
A mãe de Xavier, segurando a mão de Wanessa, ia de mesa em mesa brindando, chamando-a carinhosamente de "minha nora" a todo momento.
Wanessa, com o rosto corado, seguia docemente, brindando e cumprimentando a todos conforme necessário.
Em uma mesa, um parente elogiou: — O velho Rocha arrumou uma nora ótima, bonita e sensata.
Outro completou: — Pois é, muito melhor do que aquela que fugiu.
Xavier segurava o copo, bebendo um atrás do outro.
O Senhor Alberto aproximou-se com seu copo e deu um tapinha no ombro dele.
— Xavier, entrego a Wanessa a você. Não se esqueça do que prometeu no quartel.
Xavier levantou a cabeça, com o olhar um tanto vago: — O quê?
O Senhor Alberto fechou a cara: — Você disse que ajudaria a família dela a conseguir transferência para o serviço ativo. Agora que é marido dela, deve levar isso ainda mais a sério.
Xavier encarou o copo por dois segundos e forçou um sorriso: — Não se preocupe, tio. Não esquecerei.
O Senhor Alberto assentiu satisfeito e retirou-se.
Quando o banquete terminou, já estava escuro.
Xavier estava completamente bêbado e foi carregado até o novo quarto.
Wanessa ajudou-o a entrar, deitou-o na cama, tirou seus sapatos e foi buscar um copo de água morna.
— Xavier, beba um pouco de água.
Deitado, ele olhava para ela de forma confusa.
As sombras das luzes oscilavam, e o rosto de Wanessa tornava-se um borrão luminoso diante de seus olhos.
Ele estendeu a mão e a puxou.
— Nanny... — chamou com a voz rouca.
Wanessa congelou.
Xavier a puxou para seus braços, envolvendo sua cintura e enterrando o rosto na curva do pescoço dela.
— Nanny... não vá... não me deixe...
Ele virou o corpo, pressionando-a contra a cama.
Wanessa não o afastou.
Ela mordeu o lábio, enquanto lágrimas escorriam silenciosamente pelo travesseiro.
Durante a noite, ele chamou o nome de Nancy vinte e três vezes.
Ao amanhecer, Wanessa sentou-se na cama e, de costas para Xavier, vestiu-se em silêncio.
Xavier virou-se e tateou o lugar ao lado, encontrando-o vazio.
Abriu os olhos, observando as costas de Wanessa, enquanto a mente aos poucos clareava da ressaca.
Ele lembrava de algumas coisas da noite anterior, mas outras estavam nubladas.
Apenas recordava que estivera chamando um nome o tempo todo.
Ele se sentou, abriu a boca para dizer algo, mas Wanessa virou-se para ele, com o rosto cheio de timidez.
— Xavier, você foi tão intenso ontem à noite, não parava de chamar meu nome.
Xavier paralisou por um segundo, e logo relaxou.
Ele acariciou o cabelo dela com um tom de carinho.
— Sinto muito por ter sido difícil para você.
Wanessa balançou a cabeça e encostou-se no peito dele.
Xavier abraçou-a e, após um momento de silêncio, falou:
— Wani, ainda tenho três dias de licença antes de voltar para o quartel. Vou solicitar o acompanhamento familiar o quanto antes para que você possa ir logo.
Wanessa assentiu com os olhos marejados.
— Eu esperarei por você.
Nos três dias seguintes, Xavier foi totalmente atencioso com Wanessa.
Pela manhã, preparava um café quente; ao meio-dia, acompanhava-a para escolher roupas novas; à noite, levava-a para jantar no restaurante estatal.
Quando ela dizia que queria ver o nascer do sol, ele dirigia a moto por quilômetros para levá-la ao topo da montanha.
Quando ela dizia que tinha medo do escuro, ele mantinha a luz acesa todas as noites e cantava baixinho para ela dormir.
Três dias depois, Xavier retornou ao quartel.
Sua primeira atitude foi entregar o relatório solicitando que Wanessa o acompanhasse em seis meses.
Ao assinar, o comandante hesitou, mas acabou perguntando: — Capitão Rocha, para onde a Nancy foi designada?
O comandante olhou para ele com indiferença.
— Ela e o parceiro dela foram para o Norte em uma missão especial. Provavelmente será difícil vê-la novamente no futuro.
Xavier paralisou.
De repente, ele lembrou: a missão que ele e Wanessa realizaram na vida passada não era justamente no Norte?
E quem era o parceiro dela agora?
O coração de Xavier afundou violentamente.
Ele quis perguntar, mas temeu que a insistência despertasse suspeitas do superior.
Ao sair do escritório, ele parou no corredor e acendeu um cigarro.
Entre as nuvens de fumaça, lembrou-se dos anos em que trabalhou com Wanessa na vida passada.
Fingiam ser marido e mulher, viviam juntos, enfrentavam a vida e a morte.
Com o tempo, o que era falso tornou-se verdadeiro.
Agora, Nancy iria para o mesmo lugar, fazer a mesma missão com seu parceiro.
Xavier deu uma tragada profunda e acabou tossindo com a fumaça.
Lembrou-se da manhã em que Nancy partiu, sem olhar para trás.