Xavier segurou a mão de Wanessa e assentiu sorrindo: — Não se preocupe, Dona Luciana, é o meu dever.
Nancy sentava-se ao lado de Xavier, em silêncio, como se fosse uma estranha.
Na vida passada foi assim: o banquete era nominalmente para celebrar o noivado de Xavier e Nancy, mas na prática era uma comemoração pela vaga conquistada por Wanessa.
Mas, infelizmente para eles, nesta vida, enquanto ela não ligasse pessoalmente para Dona Valéria, ninguém poderia tomar sua vaga.
Após algumas rodadas de bebida, os amigos militares de Xavier começaram a brincar.
— Dona Luciana, fique tranquila! Se alguém ousar mexer com a pequena Wanessa, eu serei o primeiro a não aceitar!
— Vamos, um brinde à nossa irmãzinha!
Wanessa, com o rosto corado, lançou um olhar de socorro para Xavier.
Xavier imediatamente interveio: — Ela ainda é jovem, não pode beber. Eu bebo por ela.
Os amigos riram e o fizeram beber. Logo em seguida, focaram em Nancy.
— Cunhada, um brinde a você! Agora o Xavier está em suas mãos!
— É isso aí, a cunhada tem que beber! Hoje a alegria é em dobro, você não pode recusar!
Nancy não conseguiu recusar e, por instinto, olhou para Xavier.
Xavier encostou-se no encosto da cadeira, girando o copo na mão, e deu um sorriso para ela: — Nanny, pode beber tranquila. Se ficar bêbada, não tem problema, eu te carrego para casa no ombro.
Sentindo um nó no peito, Nancy apenas ergueu o copo e virou tudo de uma vez.
Os amigos continuaram a provocação, brindando um copo após o outro.
Sentindo o estômago revirar e não aguentando mais, ela se levantou dizendo "vou ao banheiro" e saiu.
Ao voltar, a porta da sala privativa não estava totalmente fechada, e as vozes lá dentro podiam ser ouvidas claramente.
— Xavier, cuidando desse jeito da pequena Wanessa, não tem medo de que a cunhada fique com ciúmes e te largue?
Nancy parou o passo diante da porta.
— Fiquem tranquilos — a voz de Xavier soou com a sua habitual confiança e um toque de embriaguez — Ela não consegue me deixar. Na vida passada, ela me esperou por cinquenta e três anos. Esperou dos dezoito aos setenta e um, morreu virgem. Nesta vida, basta um pouco de carinho e tudo fica bem.
Os amigos caíram na gargalhada.
— Que história é essa de vida passada? O Xavier está bêbado mesmo!
— Mas ele tem razão. Todo mundo na Base sabe que a Nancy sempre foi a sombra do Xavier desde pequena.
Nancy, parada do lado de fora, cravou as unhas nas palmas das mãos.
Então, para ele, os cinquenta e três anos dela resumiam-se a "um pouco de carinho e tudo fica bem".
Ele nunca se sentiu realmente culpado por ela.
O banquete terminou por volta das oito da noite.
Xavier estava com uma motocicleta verde militar parada na porta do restaurante.
Ele deu tapinhas no assento traseiro e sorriu para Nancy: — Nanny, sobe aí. Vou te levar para sentir o vento.
O vento noturno dispersava sua voz, que carregava a preguiça do álcool.
Nancy estava tonta pela bebida e, sem querer discutir, apoiou-se no assento e subiu.
A moto atravessou as ruas escuras, enquanto os postes de luz ficavam para trás um a um.
Nancy, meio zonza, encostou-se nas costas dele. Por um instante, parecia ter voltado ao passado.
Antigamente era assim: ela sentava atrás dele, abraçava sua cintura e sentia que o lugar mais seguro do mundo eram as costas daquele homem.
De olhos fechados, ela não percebeu que a moto entrou no caminho errado.
Ao chegar, Xavier desligou o motor e a pegou nos braços.
Somente quando foi colocada na cama é que Nancy despertou bruscamente.
— Por que você me trouxe para sua casa?
Ela tentou se sentar apoiando os braços, mas Xavier já havia se inclinado sobre ela.
Com uma mão ao lado da cabeça dela e a outra desabotoando a farda.
Ele tirou a jaqueta militar, revelando uma camisa verde desbotada que ficava justa em seu corpo, evidenciando seus ombros largos e cintura fina.
Ele olhou para ela, o pomo de adão subindo e descendo.
— Nanny — sua voz estava rouca e cheia de álcool — Eu realmente quero te dar um filho.
Nancy congelou.
— No restaurante, você ficou o tempo todo me olhando — Xavier levantou a mão, acariciando o rosto dela com a ponta dos dedos — Eu sei que você está insegura, tem medo de que esta vida seja igual à passada, não é?
Ele se inclinou mais, encostando a testa na dela, com a respiração quente.
— Não tenha medo. Com um filho, você me prende a você. Eu, Xavier, por mais canalha que eu seja, nunca abandonaria meu próprio filho.
A cabeça de Nancy zumbiu.
Ela subitamente levantou a mão e deu um tapa estrondoso no rosto dele.
Xavier ficou estático. Ele olhou nos olhos dela e sentiu um aperto violento no coração.
Só então percebeu que aqueles olhos, que antes transbordavam admiração e expectativa, agora guardavam apenas uma decepção gélida e indiferença.
5
Nancy olhou para o rosto atônito de Xavier e soltou uma risada fria.
— Xavier, você diz que quer o meu bem, mas já pensou em como as pessoas me olhariam se eu engravidasse de você antes do casamento? Como eu teria coragem de viver?
Xavier segurou o rosto, surpreso, e logo sorriu.
Ele achou que aquele olhar de antes era apenas raiva por causa disso.
— O que tem de difícil nisso? — Ele se endireitou, sentou-se na beira da cama e tentou pegar a mão dela — Não podemos registrar o casamento agora porque ainda não temos idade, mas podemos fazer o banquete de casamento primeiro. Assim resolve, não?
Nancy puxou a mão de volta, em silêncio.
— Mas... o banquete terá que ser depois de amanhã ao meio-dia — Xavier fez uma pausa — Tenho que levar a Wanessa para se apresentar ao exército depois de amanhã de manhã, e aí faremos o nosso.
Nancy ficou olhando para ele.
Na vida passada, foi sempre assim.
Tudo tinha que esperar que os assuntos da Wanessa estivessem resolvidos para chegar a vez dela.
Ela deveria ter recusado.
Mas, de repente, lembrou-se de algo.
Na vida passada, ele a fez esperar por cinquenta e três anos.
Ele se casou, teve filhos, alcançou o sucesso e teve uma vida gloriosa.
E ela cuidou dos pais dele, guardou luto por ele e, no fim, não recebeu nem um pedido de desculpas.
Nesta vida, ele achava que com um simples "um pouco de carinho" poderia apagar tudo.
Nancy baixou os olhos e disse com a voz muito baixa: — Tudo bem. Vamos esperar você levar a Wanessa, então.
Os olhos de Xavier brilharam e ele se aproximou sorrindo para beijar a testa dela.
— Eu sabia que minha Nanny era a mais compreensiva de todas.
Na manhã seguinte, Nancy trocou de roupa e saiu de casa.
Ficou combinado que Xavier passaria para buscá-la de moto para irem ao shopping.
Ela ficou na entrada da Base por uns dez minutos até ouvir o ronco do motor se aproximando.
Xavier dobrou a esquina com a moto, mas havia mais alguém no assento traseiro.
Wanessa.
Ela vestia uma blusa floral, usava o cabelo em um rabo de cavalo e segurava levemente a cintura de Xavier com as duas mãos.
Xavier parou a moto e sorriu para ela: — Nanny, sobe aí. Passei na padaria cedo para te comprar leite de soja e acabei encontrando a Wanessa. Ela disse que precisava comprar itens de higiene para levar para o exército hoje, achei que era caminho e a trouxe junto.
Nancy ficou parada no lugar, sem se mexer.
Wanessa sorriu para ela com um tom dócil: — Irmã, não vamos atrapalhar vocês, né? Eu compro minhas coisas e vou embora logo.
Nancy lançou um olhar para ela, não disse nada e subiu na moto.
Os três seguiram apertados no veículo.
Ao chegarem ao shopping, Xavier e Wanessa escolhiam juntos os itens para o novo lar, rindo e conversando, enquanto Nancy os seguia sem pegar nada.
A vendedora sorriu para Wanessa: — Camarada, seu noivo é muito generoso com você.
O rosto de Wanessa corou e ela lançou um olhar tímido para Xavier.
Xavier hesitou, ia começar a explicar, quando Wanessa subitamente segurou a barriga.
— Xavier, minha barriga está doendo muito...
— O problema de estômago atacou de novo?
A expressão de Xavier mudou na hora. Ele pegou Wanessa nos braços e correu em direção à saída.
Ao passar por Nancy, ele parou por um segundo, com a voz apressada: — Nanny, vou levar a Wanessa para o hospital primeiro. Compre o resto das coisas sozinha. O que você gastar, eu te reembolso depois.
Nancy observou as costas deles, colocou calmamente a veste vermelha de noiva de volta no balcão e disse à vendedora: — Pode cancelar tudo.
Ao sair do shopping, Nancy pegou um ônibus sozinha.
Depois de duas baldeações e vinte minutos de caminhada, quando chegou perto da Base, o dia já estava escurecendo.