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《O Preço da Minha Devoção》Capítulo 2

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— O Xavier é muito dedicado a você. Assim que voltou, veio pedir sua mão. Por que está fazendo esse escândalo?

Nancy respirou fundo, olhou para aqueles rostos familiares e estranhos ao mesmo tempo, e disse palavra por palavra:

— Tudo bem. Então eu não quero o homem. E a vaga, ninguém vai tirar de mim.

2

O rosto de Xavier escureceu. Ele encarou Nancy por alguns segundos e soltou um riso sarcástico.

— Nanny, você acha que pode simplesmente dizer que não quer mais? Ontem à noite, na floresta, nós já consumamos nossa união. Dizendo isso agora, como espera se casar com outra pessoa no futuro?

O pátio explodiu em fofocas instantaneamente.

— O quê? Eles já dormiram juntos...

— Com razão o Xavier veio pedir a mão logo cedo.

Nancy tremia de indignação:

— Xavier, seu mentiroso! Quando foi que eu dormi com você?

Xavier a olhava sem pressa, com um brilho de diversão cruel nos olhos.

— Nanny, você tem uma marca de nascença no seio esquerdo. Você não vai tentar negar isso também, vai?

Dona Antônia bateu na própria coxa:

— Nossa, eu sei disso! A Nancy realmente tem uma marca lá. Eu dei banho nela quando era pequena e vi com meus próprios olhos!

O rosto de Nancy ficou pálido.

O olhar dos vizinhos tornou-se malicioso, e os sussurros aumentaram.

— Para ele saber desse detalhe, deve ser verdade mesmo...

— Que falta de modos dessa garota. Já se deitou com o rapaz e agora diz que não quer noivar.

Nancy cerrou os punhos, as unhas cravando na palma da mão, causando uma dor profunda.

Ela se lembrou daquele verão. Ela tinha treze anos, e Xavier, quinze.

As crianças da Base foram brincar no rio, e Xavier caiu acidentalmente em uma parte funda.

Sem hesitar, ela pulou na água e lutou com todas as forças para arrastá-lo até a margem.

Naquele momento, ela estava ensopada, e sua camisa branca fina colou no corpo, revelando claramente a marca em seu peito.

Ela, envergonhada, deu um soco de leve nele e reclamou: "O que você está olhando!"

Ele, tossindo e rindo, respondeu: "Nanny, você salvou minha vida. No futuro, vou me casar com você para retribuir."

Naquela época, ela achou que eram palavras de amor, e elas a aqueceram por muitos anos.

Só agora percebia que aquilo era, na verdade, uma prova guardada.

Ele estava usando o momento em que ela salvou a vida dele na juventude para caluniá-la publicamente.

Nancy levantou a cabeça, os olhos inevitavelmente vermelhos.

— Xavier, você diz que passei a noite com você na floresta. Que horas eram? Que roupa eu estava vestindo? Quem nos viu?

Xavier olhou para os olhos marejados de Nancy e o sorriso em seu rosto desapareceu lentamente.

Ele sabia que ela ainda devia estar brava pelo que aconteceu na vida passada. Não importava, ele entendia.

Nesta vida, ele a deixaria descontar a raiva como quisesse.

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Xavier ia falar, mas Wanessa o interrompeu de repente.

— Irmã, esse tipo de coisa... como você espera que o Xavier dê detalhes na frente de todo mundo?

Nancy a ignorou, mantendo os olhos fixos em Xavier.

— Você não consegue dizer porque nunca dormiu comigo. Essa marca você viu quando eu te salvei do rio aos treze anos.

Ela fez uma pausa, a voz tremendo levemente.

— Eu salvei sua vida, e você usa isso para destruir minha reputação.

Xavier baixou o olhar, o pomo de adão saltando enquanto ele tentava dizer algo.

Mas Nancy subitamente cobriu a boca. Seu estômago revirou e ela começou a ter ânsia de vômito, apoiando-se na parede.

Instantaneamente, o pátio inteiro silenciou.

Todos os olhos estavam pregados nela.

Wanessa arregalou os olhos, em um misto de choque e falsa alegria:

— Irmã, você não estaria grávida, estaria?

Nancy levantou a cabeça rapidamente:

— Eu não estou...

Antes de terminar a frase, teve outra onda de ânsia.

Ela se curvou, segurando o batente da porta, com o rosto pálido como cera.

Xavier caminhou rapidamente até ela, segurando seu braço com uma voz gentil:

— Nanny, se não está se sentindo bem, não force a barra. Podemos resolver nossas coisas com calma. Você... não pode colocar o bebê em risco.

— Eu não estou grávida! — Nancy desvencilhou-se da mão dele, a voz vibrando de pavor.

Mas ninguém ao redor acreditava nela.

Algumas senhoras se juntaram, cochichando entre si.

— Olha só para ela, está igualzinha a mim quando engravidei do meu primeiro.

— Já está nesse estado e ainda diz que não vai noivar? Quer que a criança nasça sem nome?

— O Xavier é um rapaz de ouro. Mesmo com a Nancy fazendo esse escândalo por causa da vaga, ele ainda quer assumir a responsabilidade.

Nesse momento, Wanessa se aproximou de Nancy e sussurrou bem baixo:

— Irmã, graças à ideia do Xavier, esse remédio realmente funciona bem.

Nancy sentiu um choque percorrer seu corpo e olhou fixamente para Xavier.

3

Com aquele único olhar, Nancy entendeu tudo.

Xavier estava usando o fato de ter renascido e, prevendo que ela poderia tentar impedir o noivado, fez com que Wanessa colocasse algo em seu café da manhã.

Nancy apertou os punhos, mas antes que pudesse reagir, Wanessa soltou um grito e caiu no chão de forma desajeitada.

— Irmã, eu sei que você está com as emoções instáveis por causa da gravidez, eu entendo...

Xavier correu para amparar Wanessa, com a voz carregada de urgência: — Wani, você se machucou?

Ele baixou a cabeça para examinar cuidadosamente o cotovelo ralado de Wanessa, franziu o cenho e olhou para Nancy com um tom sombrio.

— Nanny, se tiver algum problema, desconte em mim. A Wanessa é inocente.

Wanessa encostou-se no peito de Xavier, com os olhos marejados, mas ainda forçou um sorriso: — Xavier, não culpe minha irmã, foi erro meu, eu não me equilibrei direito.

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Nancy observava a cena com uma dor sufocante no peito.

Na vida passada, foi exatamente assim.

Wanessa estava sempre cedendo, sempre suportando, sempre sendo a "boa irmã".

E ela era sempre a irmã imatura e insaciável.

Nesse momento, o Senhor Alberto, que estava escondido dentro de casa por vergonha, não aguentou mais.

Ele saiu impetuoso e, sem dizer uma palavra, deu um tapa no rosto de Nancy.

— Chega! Sua coisa vergonhosa! Você é igualzinha à sua mãe!

O rosto de Nancy virou com o impacto, e metade de sua face ardia como fogo.

O Senhor Alberto apontava para ela, gritando com os olhos vermelhos de fúria.

— Sua irmã sempre te deu tudo desde pequena! Ela ama o Xavier há anos, e alguma vez ela disse algo? Ela cedeu o homem para você, cedeu a vaga para você, o que mais você quer? Você fica com o homem e ainda quer a vaga, não quer deixar nem uma saída para ela!

Ele ficava cada vez mais irritado e levantou a mão para bater novamente.

Uma mão, porém, bloqueou o golpe com firmeza diante de Nancy.

Xavier segurou o pulso do Senhor Alberto, com o rosto fechado.

— Senhor Alberto, já chega. Eu sou quem quer casar com a Nancy, é por minha vontade. Bater nela é o mesmo que bater no meu rosto.

Ele fez uma pausa e olhou para Wanessa com um rastro de lamento nos olhos.

— Quanto à Wanessa... nesta vida, não fomos feitos um para o outro.

O rosto de Wanessa empalideceu, seus lábios tremeram e as lágrimas caíram.

O Senhor Alberto hesitou, lançou um olhar furioso para Nancy e ajudou Wanessa a entrar em casa.

A multidão se dispersou aos poucos.

Xavier virou-se, olhou para Nancy e estendeu a mão para limpar as lágrimas em seu rosto.

Nancy desviou a cabeça.

A mão de Xavier parou no ar e ele a recolheu lentamente.

Ele soltou um suspiro e suavizou a voz.

— Nanny, eu sinto muito pelo que aconteceu na vida passada. Nesta vida eu te prometo, nunca mais vou transformar o fingimento com a Wanessa em realidade. Missão é missão, eu sei distinguir. Tudo o que te devi no passado, eu vou te pagar um por um nesta vida. Case-se comigo, sim?

Nancy parecia exausta e ficou olhando para ele por um longo tempo.

— Se eu aceitar, você para de causar todo esse alvoroço?

Os olhos de Xavier brilharam e o sorriso de quem consegue o que quer voltou ao seu rosto. Ele se inclinou diante dela e fez uma saudação militar despojada.

— Relatando à Comandante Nancy: de agora em diante, todas as operações seguirão suas ordens.

Nancy baixou os olhos e forçou um sorriso amargo.

— Tudo bem, eu aceito me casar com você.

4

Naquela mesma tarde, o Senhor Alberto reservou duas mesas em um restaurante estatal.

A madrasta, Dona Luciana, vestia uma roupa nova e segurava a mão de Wanessa, sorrindo de orelha a orelha.

Ela colocou a mão da filha na mão de Xavier, com os olhos marejados e uma voz solene de quem confia um tesouro.

— Xavier, de agora em diante, quando a Wanessa entrar para o exército, ela estará sob seus cuidados. Ela é jovem e imatura, por favor, tenha paciência com ela.

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