localização atual: Novela Mágica Moderno A Vingança da Pastora Capítulo 10

《A Vingança da Pastora》Capítulo 10

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— Eu preciso descer! Agora!

— Senhor, por favor, pare de atrapalhar a missão de resgate.

Enquanto observava o colar ficar para trás até sumir de vista, o coração de Dimitri afundou. Aquele colar, que carregava sua promessa, estava perdido. Parecia um presságio de que o amor entre ele e Estela jamais seria recuperado.

Aquele gesto de "devoção" não comoveu Estela nem um pouco.

— Mesmo que você recupere o colar, eu não o quero mais. Acabou entre nós.

No hospital, os médicos prepararam Estela para uma cirurgia de emergência. Na ficha de autorização, ela pediu que Lucas assinasse como responsável. O rosto de Dimitri passou de pálido a lívido, com os olhos injetados de raiva:

— Nós tivemos um casamento, como isso não conta...

Ela virou o rosto, sentindo repulsa apenas ao ouvir a voz dele.

— Não conta. Mentiras nunca se tornam verdade. Meu corpo está cheio de cicatrizes por sua causa; espero que, quando eu acordar da anestesia, meu mundo não tenha mais você.

— Por que não me dá uma chance? Por quê?

Desde pequeno, Dimitri conquistara tudo o que queria através da luta e da força. Mas Estela era a única exceção; ele sentia que ela estava escapando por entre seus dedos. Ele não aceitava perder. Não podia aceitar!

Uma dor aguda atingiu seu peito, seu sangue parecia ferver e o mundo escureceu. A voz aflita do mordomo ecoou em seus ouvidos:

— Senhor Dimitri! Senhor Dimitri!

 

Capítulo 19

Após o término da cirurgia de Estela, Lucas permaneceu no hospital cuidando dela sem se afastar um segundo sequer.

Dimitri também não deixou o hospital; ele chegou a se mudar para o quarto vizinho ao deles.

— Tio Carlos, deixe a porta aberta. Quero ouvir o que eles estão dizendo!

O mordomo, sem alternativa, abriu a porta novamente.

— Senhor Dimitri, há vento lá fora à noite. Deixar a porta aberta não ajudará na sua recuperação e, além disso, já é tarde da noite; a patroa já dormiu.

Ao ouvir isso, Dimitri imediatamente saltou da cama.

— Então vou vê-la escondido.

Porém, ao se aproximar da janela da porta, percebeu que ela havia sido coberta com papel branco; ele não conseguia ver absolutamente nada.

Ele teve vontade de invadir o quarto, mas ao pensar que isso só faria Estela odiá-lo ainda mais, voltou para seu leito. O quarto estava gelado, tão frio que ele voltou a sofrer de insônia.

Antigamente, quando ele não conseguia dormir, Estela nunca o forçava a descansar; em vez disso, ela o puxava para fazer alguma loucura juntos. Ela não era como sua mãe, que pregava sermões cheios de sarcasmo.

"Ainda acordado a esta hora? Que energia você terá para resolver os problemas amanhã? Guarde esses seus maus pensamentos e assim conseguirá ter um sono tranquilo."

"Se não consegue dormir, não durma. Levante-se e faça algo até gastar toda a energia, assim o sono virá. O corpo humano é uma máquina equilibrada; quando estiver cansado, dormirá naturalmente."

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Apenas ela era o batimento cardíaco inesperado fora de sua ordem rígida.

Dali a dois dias seria o aniversário de vinte e oito anos de Estela; ele aproveitaria essa chance para compensar seus erros. Ele precisava dar uma surpresa a ela. Mesmo que tivesse que dar tudo de si, ele tentaria mais uma vez!

No dia em que Estela recebeu alta, era exatamente o seu aniversário. Lucas estava no quarto organizando os pertences.

— Ai! — Estela se cortou acidentalmente enquanto descascava uma maçã. Lucas levou um susto.

— Vou chamar o médico.

— Não foi nada, apenas um corte pequeno.

Desde cedo, ela se sentia inquieta, com a sensação constante de que algo ruim estava prestes a acontecer. Mesmo sendo o dia da alta e seu aniversário, ela não entendia por que se sentia tão ansiosa. Lucas percebeu o estado emocional dela e decidiu contar o que havia preparado.

— Hoje é seu aniversário. Convidei dois amigos para passarmos juntos e ser mais animado.

— São a Mariana e o marido dela?

Ele assentiu. Estela sentiu a nuvem negra se dissipar e abriu um sorriso radiante.

— Não quero mais ficar no hospital, vamos embora rápido.

Ela estava cheia de expectativa para o jantar de aniversário, mas assim que pisou no hotel, todos os garçons, em uníssono, começaram a parabenizá-la, como se tivessem ensaiado.

— Feliz aniversário, Senhora Dimitri!

— Feliz aniversário, Senhora Dimitri!

— Isso não foi o que eu preparei — disse Lucas, segurando a mão dela para tirá-la de lá, mas Dimitri e seus seguranças bloquearam o caminho.

Ela expressou seu descontentamento entre dentes:

— O que você quer? Eu já disse para não me perseguir.

Dimitri notou as mãos dadas, cerrou os dentes com força, mas manteve o sorriso no rosto.

— Só quero comemorar seu aniversário. O Lucas também pode ficar. Por favor, não me recuse mais.

As palavras eram de súplica, mas o tom era de comando. Estela não queria um confronto direto, então concordou temporariamente, planejando encontrar uma oportunidade para sair.

Ao entrar no salão de festas, percebeu que toda a decoração era exatamente igual à do banquete de sessenta anos de Dona Helena. Havia muitas pessoas, e todas a parabenizavam ao encontrá-la. Dimitri vestia o mesmo traje de gala daquele dia e a convidou para a mesa principal.

— Daqui a pouco minha mãe virá, não fique nervosa.

Estela não ergueu a taça; ela achava tudo aquilo ridículo.

— Qual o sentido desse autoengano? Contratar um bando de figurantes para viver um sonho imaginário? Não acha que isso é infantil demais? Já pensou na realidade cruel quando o sonho acabar? Dimitri, você só sabe fugir da realidade.

Ele não aceitava que a mãe não o amava, então fingia que também não desejava o amor materno. Ele não aceitava que Estela o deixara, então tentou prendê-la com as cinzas do pai dela. Todos esses anos, a negação fora seu único refúgio.

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Dimitri balançou o vinho na taça e sorriu, mas havia tensão e insegurança em seu rosto.

— Eu realmente quero celebrar seu aniversário e me desculpar. Só quero seu perdão. Estela, não vou mais te enganar, eu cumpro o que digo.

Gustavo, que acabara de entrar, lançou um olhar cauteloso para Dimitri antes de cumprimentar Estela.

— Senhorita Estela, feliz aniversário. O que aconteceu no passado foi um mal-entendido; espero que possamos nos dar bem daqui para frente.

Em seguida, as pessoas que deveriam estar presentes naquele dia vieram, uma a uma, propor um brinde a ela. Estela ficou atônita. Tudo aquilo era real. O que Dimitri fizera para que todos cooperassem com aquele teatro?

— Dona Helena chegou.

Dimitri segurou a mão dela, dando tapinhas de conforto como costumava fazer.

— O que eu te devo, eu devolverei. Estela, eu não vou mais te enganar.

Capítulo 20

— Mãe, seja bem-vinda ao aniversário da Estela.

Dona Helena nem sequer levantou o olhar; um sorriso tênue surgiu em seus lábios, mas sem calor algum. Ela olhou para Estela com indiferença, como se observasse um objeto irrelevante.

— Estela, você montou um grande espetáculo. Dimitri me pediu para te desejar feliz aniversário e espero que você consiga continuar sendo verdadeiramente feliz.

Era a primeira vez que Estela via a verdadeira Dona Helena. Embora fosse tão fria quanto a figurante de antes, a diferença era que a frieza desta vinha da alma. Ela não gostava de Estela, e tampouco gostava do próprio filho. Estela pareceu entender que apenas uma mãe assim poderia criar alguém tão extremo e egoísta como Dimitri.

A festa começou oficialmente e o telão desceu lentamente. Atrás de um biombo, ouviu-se uma melodia suave de piano. A pessoa que surgiu na esteira rolante era Valentina!

As teclas pretas e brancas do piano estavam cobertas de lâminas. A cada nota que Valentina tocava, sofria um novo corte. Seus dedos estavam ensanguentados, e o sangue escorria pelo piano até o chão.

"Ela está passando por tudo o que você sofreu." Não era mentira. Era sangrento demais. Estela não aguentou e bateu na mesa.

— Dimitri, você enlouqueceu!

— É o que ela merece. Se isso aliviar sua raiva, posso fazê-la fazer qualquer coisa. — Ele levantou o olhar com um sorriso quase imperceptível. — Diga como quer puni-la, podemos fazer agora. Não fique brava, Estela, me perdoe, sim?

No segundo seguinte, a resposta dela foi como um tapa no rosto dele:

— Não.

Dona Helena, que assistia a tudo em silêncio, soltou uma gargalhada gelada que destruiu o orgulho de Dimitri.

— Dimitri, você usou o grupo inteiro para me chantagear e eu aceitei participar desse teatro. Mas, no fim, só serviu para me fazer rir. Eu pensei que, se você realmente conseguisse fazer essa mulher vulgar voltar para você, ela seria uma fraca. Agora vejo que até gosto dela. Pena que você é um inútil.

— Mãe, a senhora ainda não pode ir! — Dimitri suava frio e tentou detê-la. — A Estela só está falando com raiva, espere um pouco...

— Esperar o quê? Ela não vai te perdoar. Não quero perder tempo com suas encenações. Se quiser destruir a família Dimitri, vá em frente, mas não tente me chantagear novamente.

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