localização atual: Novela Mágica Moderno A Vingança da Pastora Capítulo 4

《A Vingança da Pastora》Capítulo 4

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Por um momento, ela achou que os cinco anos de amor ainda significassem algum remorso para ele. A raiva começou a nublar, mas então a voz de Dimitri ficou clara:

— Me desculpe... Valentina... não vá embora... eu farei ela ser obediente...

Estela paralisou. O som do seu coração batendo era a única coisa que restava. Que ridículo. Ele não sentia culpa por ela, mas sim pela mulher que a destruía. O passado que ela guardava com carinho já havia sido deletado da mente dele.

Dimitri a puxou para um abraço apertado, sentindo o perfume familiar. De repente, ele abriu os olhos e a empurrou com asco, como se ela fosse um escorpião.

— Estela? Você não acumulou pontos suficientes para isso. Saia!

Ela soltou uma risada amarga:

— As regras da Valentina estão certas? Por que você tem que ouvi-la?

Aquela simples contestação o enfureceu.

— Ela é de boa família, tem educação e princípios. Ela não erra.

O desprezo dele era óbvio. Como ela não vira antes?

— Intimidade custa 100 pontos, esqueceu? Tentar se aproveitar de mim enquanto estou bêbado é um comportamento vulgar e barato.

Quando o amor morre, até o toque dele se torna repugnante.

— Então... bolhas nos dedos por um beijo, orações de joelhos por uma noite... tudo isso foi porque eu, "sem vergonha", implorei por você?

Desde que Valentina assumira, eles haviam sido separados. Dimitri, incapaz de ficar longe, costumava agir como um invasor para beijá-la às escondidas nos corredores. Ele implorava: "Estela, não consigo dormir sem você, estou ficando louco, por favor, se esforce nas lições para ficarmos juntos logo, sim?"

Ela sofrera tanto para acumular pontos e, no fim, para ele, era apenas ela se oferecendo desesperadamente. Ele virou as costas, criando um abismo entre os dois.

— Regras são regras. Vá aceitar sua punição.

Sabendo que resistir só traria mais dor, ela se ajoelhou diante da porta do quarto dele, equilibrando um livro de conduta feminina sobre a cabeça. Os empregados passavam e cochichavam.

— O patrão cansou do brinquedo. Agora a "passarinha" tenta invadir a cama e é expulsa. Que piada.

— Fingia ser recatada com os pontos, mas a verdade é que essa mulher do mato está desesperada por um homem.

— Coitada, juntando ponto por ponto, sem saber que o patrão ama a professora Valentina de verdade. Comparada a ela, essa caipira não passa de um estorvo.

Alguns riam, outros colocavam pesos sobre o livro em sua cabeça. Estela aguentou tudo, dizendo a si mesma: "Aguente. Passando da meia-noite, faltarão apenas dois dias."

O som dos passos de Valentina parou atrás dela. A mulher se agachou para ajudá-la a levantar, agindo como a verdadeira dona da casa.

— Senhora, hoje o Dimitri bebeu demais, foi uma situação especial. Você não errou, não precisa mais se ajoelhar. Levante-se.

Estela estranhou a gentileza, mas sentiu um cheiro familiar vindo dela. Antes que pudesse reagir, Valentina soltou suas mãos abruptamente e se jogou escada abaixo.

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Trinta degraus. Um a um. O corpo dela parou lá embaixo, coberto de hematomas.

— Socorro! Assassina! A patroa empurrou a professora da escada!

 

Capítulo 7

A porta do quarto de Dimitri se abriu com um estrondo. Ele desceu as escadas correndo, esbarrando em Estela e fazendo-a cambalear.

— Valentina! Valentina!

Ele a envolveu em seus braços, com os olhos transbordando angústia e urgência, como se ele próprio estivesse ferido. Ele implorava repetidamente para que ela ficasse bem. Somente quando a mulher abriu os olhos lentamente é que ele suspirou aliviado, com lágrimas brilhando nos cantos dos olhos.

— Graças a Deus você está bem.

Aquela cena perfurou o peito de Estela. Cinco anos atrás, quando ficaram presos naquela caverna, as preces dele não haviam sido tão viscerais. Agora, a alegria dele ao vê-la a salvo era o sorriso de uma criança que recupera seu brinquedo favorito.

Valentina tentou se afastar, criando distância entre eles.

— Senhor Dimitri, não ouso mais me aproximar. Vi que a senhora progrediu muito e, por bondade, pedi que fosse descansar, mas ela achou que eu e o senhor... eu realmente quero ir embora.

Dimitri quase rugiu em resposta:

— Você não vai a lugar nenhum!

— Senhor Dimitri, sou apenas uma preceptora que falhou em sua missão educativa...

— Estela tem um temperamento obstinado, você sofreu injustiças por causa dela. Eu darei um jeito nisso, eu prometo.

Ele não suportava ouvir a palavra "partida" vindo de Valentina e apressou-se em usar Estela para agradá-la.

— Dimitri, eu não a empurrei. Ela se jogou sozinha.

A cada palavra de explicação de Estela, o rosto de Dimitri tornava-se mais sombrio. Valentina limpou o sangue do rosto e tentou se levantar com dificuldade, apenas para cair pesadamente de novo, enquanto continuava a interceder por Estela com uma voz fraca.

— Senhor Dimitri, eu apenas machuquei a perna, não quero levar isso adiante. Vamos fingir que eu tropecei sozinha.

Quanto mais ela falava, mais furioso o homem ficava.

— Ela precisa pagar pelo erro que cometeu.

Estela sentiu um pressentimento terrível. Dimitri caminhou em sua direção exalando um frio mortal, encurralando-a contra a parede. Ela balançou a cabeça instintivamente.

— Não... por favor, não...

— Só porque elogiaram a elegância e as pernas longas da Valentina, você ficou com esse ciúme doentio? Mulher invejosa destrói a família. A dona da casa precisa aprender, antes de tudo, a ser generosa!

Ele pegou um pedaço de madeira que estava encostado na parede e desferiu um golpe seco no tornozelo dela.

O osso estalou. Uma dor excruciante, como uma barra de ferro em brasa perfurando a carne e o osso, subiu pelo seu corpo. O grito morreu em sua garganta; ela só conseguiu se encolher no chão, trêmula, enquanto o suor frio ensopava sua pele.

Antigamente, ele dizia que o jeito como ela corria parecia uma borboleta dançando, algo impossível de ignorar. Dizia que as danças de sua terra eram de uma beleza sem igual, e que ela era a joia daquela cultura. Agora, ela jamais voltaria a dançar ou correr.

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A consciência dela começou a falhar em meio à dor, mas ela viu claramente o sorriso no canto da boca de Valentina. Estela entendeu tudo: no jantar, ela usava um vestido que chamava atenção, e notou olhares maliciosos de alguns homens para suas pernas, o que a distraiu durante o brinde com Valentina. Valentina percebeu, não disse nada na hora, mas guardou o rancor até aquele momento para armar a cilada.

A pessoa mais invejosa ali, desde o início, era Valentina.

— É apenas um pedaço de madeira, não dói tanto assim. Estela, pare de fingir.

Ela observou Dimitri carregando Valentina enquanto se afastavam, até que não suportou mais e desmaiou.

Quando abriu os olhos novamente, haviam se passado dois dias. Ela ainda estava no mesmo corredor, coberta pelo sangue seco daquela noite. Durante dois dias inteiros, ninguém viera vê-la. Ouviu dos empregados que, apenas porque Valentina estava "triste", Dimitri a levara para viajar por dois dias, sem perguntar por Estela uma única vez.

Nas redes sociais, fotos deles pescando na beira do rio, fazendo churrasco, assistindo ao pôr do sol no topo da montanha... Coisas simples que Dimitri nunca permitira que ela fizesse.

— Você será a senhora da família Dimitri. Precisa cultivar interesses elevados. Essas coisas são vulgares.

Eram tudo mentiras...

As lágrimas diluíram o sangue coagulado no chão. Estela segurou na parede e levantou-se com dificuldade, apoiando a perna ferida, bem no momento em que Valentina entrava pela porta principal.

Capítulo 8

Valentina usava o vestido de gala que fora feito sob medida para Estela usar no aniversário da matriarca. Usava também os brincos de esmeralda e ordenava que os empregados levassem sacolas de joias caras para o seu quarto.

Ao notar Estela ali, suja de sangue e encostada na parede, fingiu surpresa:

— Senhora, por que você está com esse cheiro de coisa estragada?

— Por que você está vestida assim? Com que autoridade pretende ir ao aniversário da Dona Helena?

A resposta era óbvia, mas ouvir Valentina dizer aquilo fez as pontas dos dedos de Estela tremerem.

— Dimitri olha para esse seu rosto há cinco anos. Ele já enjoou. Você achou mesmo que ele pretendia se casar com você? Foi apenas diversão.

Após a cerimônia de casamento, o registro civil fora adiado inúmeras vezes. Estela sentia-se insegura, mas Dimitri sempre a acalmava: "Nossa família é tradicional, há muitas regras. Eu te escolhi e não vou te abandonar. Quando minha mãe aprender a te amar como eu amo, o papel será apenas uma consequência natural."

Um ano, dois, três... ele provava com ações que o amor deles não precisava de um certificado. Mas, no fim, após entregar seu corpo e alma, ele simplesmente "enjoou" e todas as promessas viraram pó.

Valentina jogou um contrato de atuação diante dela.

— A família Dimitri só aceita casamentos por alianças de poder. Para te enganar, Dimitri contratou um grupo de atores para fingir que eram os anciãos da família naquela cerimônia de casamento. Até a "Dona Helena" que você visita todo ano não passa de uma figurante contratada há cinco anos.

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