Capítulo 43: Ele não presta, mas você é pior
Janaína percebeu que Bianca a observava fixamente. Ela sorriu levemente e desviou o olhar.
O rosto de Bianca escureceu ainda mais, mas, por estarem na presença dos mais velhos e na residência dos Zhao, ela foi obrigada a manter as aparências.
Caso contrário, pelo tapa que Janaína lhe dera, ela a faria ajoelhar-se ali mesmo.
Janaína também previu que Bianca não deixaria as coisas assim, e que sua vingança não passaria desta noite.
Enquanto jogava, ela pegou o celular e, sem mudar de expressão, enviou uma mensagem para o herdeiro Zhao: 【Eu provoquei sua noiva. SOS.】
O herdeiro recebeu a mensagem e apareceu logo em seguida.
Janaína ergueu os olhos e encontrou o questionamento no olhar dele.
O herdeiro desviou o olhar para Bianca, que estava sentada no sofá mexendo nas unhas, e deu um sorriso enigmático.
Ele digitou uma resposta para Janaína: 【À tarde você não disse para eu não te procurar mais?】
Janaína respondeu rapidamente: 【Eu disse para não me procurar se não acreditasse em mim. Tá bom, tá bom, eu retiro o que disse à tarde.】
Herdeiro: 【Já passou de dois minutos, não dá para apagar.】
Após enviar, ele guardou o celular e sentou-se ao lado de Bianca.
Bianca lançou-lhe um olhar de soslaio: — Já resolveu as coisas com o patriarca tão rápido?
O herdeiro envolveu os ombros dela: — Um grande amigo abriu um bar novo e convidou a mim e à minha noiva. Vamos prestigiar?
— Tá... não. — Bianca queria sua vingança ainda hoje, não tinha tempo. — Vá você.
O herdeiro ergueu as sobrancelhas: — Você tem algum compromisso? Posso ajudar?
— .......
— Já que não tem nada, e faz tempo que não nos vemos, vamos. Precisamos relaxar.
Quando Janaína olhou novamente, o sofá estava vazio.
Bianca fora levada.
O herdeiro era realmente leal aos seus aliados.
Logo em seguida, Yago apareceu. Ele caminhou até a irmã de Bianca, sentou-se calmamente e lançou um olhar pelo canto do olho para Janaína.
Janaína sentiu sede e ia pegar seu copo de água, mas hesitou e recolheu a mão.
No segundo seguinte, o copo foi estendido em sua direção.
Janaína aceitou: — Obrigada.
Yago disse friamente: — De nada, cunhada.
Janaína: — .......
Regina alertou: — Nana, é sua vez de jogar.
Janaína voltou a si e jogou uma peça de qualquer jeito.
Por coincidência, a irmã de Bianca pegou a peça para completar um jogo. Como ela era a próxima, Janaína comprou uma nova peça. Querendo terminar logo, jogou uma peça que ainda não estava na mesa.
Como esperado, Regina aproveitou a jogada.
A tia olhou para a irmã de Bianca: — Vamos parar por aqui hoje, não quero atrapalhar o encontro de vocês.
Se ela saísse, faltaria uma pessoa na mesa. Ela sentiu-se um pouco sem jeito: — Talvez...
Regina interveio na hora certa: — O Lucas acabou de chegar. Se vocês têm compromisso, podem ir, não se preocupem conosco.
Yago, porém, disse: — Tia, não tem problema. Ela gosta de jogar com vocês. Vou conversar um pouco com meu primo.
Ele saiu e parou nos degraus. Pegou um cigarro, mas, lembrando-se de que beijaria a garota mais tarde, não o acendeu.
O SUV de luxo parou lentamente no pátio.
Lucas desceu do carro e olhou para ele com um semblante nada amigável.
Yago tirou o cigarro da boca, jogou-o no lixo e, quando o outro se aproximou, estendeu o maço.
— Não preciso. — Lucas não aceitou e parou ao lado dele. — Você não esqueceu o que eu disse, não é?
Yago guardou o maço: — Não esqueci.
No dia em que Janaína pediu o divórcio, Lucas ligou para ele dizendo que, após a separação, Yago também deveria cortar relações com ela.
Mas: — Primo, eu terminei com ela. Ela ficou tão triste que até sofreu um acidente de carro, você sabe disso.
— E agora? — Lucas virou a cabeça, com um brilho gélido nos olhos escuros. — Você a levou por conta própria e a instalou no andar de baixo da sua casa. O que isso significa?
Yago deu um sorriso desdenhoso: — Primo, vocês se divorciaram. Você quer controlar até onde ela decide morar?
Lucas disse friamente: — Também não cabe a você controlar.
Após um longo silêncio de confronto, Yago deu de ombros, sem nada a dizer.
Sua atitude de descaso irritava Lucas; era como se um tesouro tivesse sido roubado por alguém que declarava abertamente que não o valorizaria.
Lucas deu um passo à frente, encarando-o nos olhos, com voz baixa mas firme: — Você e a irmã da Bianca ainda não oficializaram nada, certo?
Ele deixou a ameaça no ar.
Yago sorriu, mantendo o desleixo: — Entendi. Vou manter distância dela.
Janaína finalmente chegou ao fim da partida.
Após o término, a irmã de Bianca a segurou: — Me acompanhe ao banheiro, não conheço bem este lugar.
Janaína virou a cabeça e viu os brincos brilhando na orelha dela. O brilho chegava a incomodar seus olhos: — Tudo bem.
Ao se afastarem, a mulher tirou os brincos, pegou uma pequena caixa na bolsa e os guardou. — Aqui, devolva ao dono.
Janaína ficou atônita.
Antes que ela pudesse aceitar, a outra enfiou a caixa na bolsa de Janaína: — Ele disse que era para dar à namorada com quem ele dorme.
Janaína paralisou novamente.
A outra sorriu com malícia e entrou no banheiro.
Diferente das outras duas irmãs de personalidade sombria, Janaína a admirava desde o início.
— Nana...
Ao ouvir chamarem seu nome, Janaína seguiu a voz: — Estou aqui.
Lucas aproximou-se e envolveu os ombros dela com naturalidade: — Minha mãe já foi embora. Ela te tratou mal hoje?
Janaína ergueu as sobrancelhas: — Ela é como você: só dá valor depois que perde.
Lucas percebeu o sarcasmo. Ele ia se defender, mas ela retirou a mão dele de seu ombro.
Os dois saíram um após o outro. Janaína parou bruscamente.
Yago ouviu o movimento atrás de si, virou-se e olhou para ela com interesse: — Cunhada.
A forma como ele disse "cunhada" soou ambígua.
Janaína sentiu o peso da mão de Lucas em seu ombro novamente.
— Vamos para casa.
Yago enfiou as mãos nos bolsos, indiferente.
Janaína passou por ele e entrou no carro. Pelo retrovisor, viu apenas as costas do homem alto, que esperava pela pessoa que sairia da casa.
Já na estrada, Lucas perguntou: — Nana, você não quer morar em casa?
Janaína voltou o olhar para ele: — Por que a pergunta?
— Ontem você saiu e não voltou.
Janaína admitiu: — Sim.
— Pode me prometer que vai ficar longe dele?
Ela ergueu os olhos e encontrou o olhar terno dele: — Quando você pediu para ele se aproximar de mim, não pensou que poderia me perder para sempre?
Lucas hesitou.
Ele nunca pensara nisso. Era tão autoconfiante que jamais imaginou que houvesse uma mulher que ele não pudesse controlar.
Yago não era nada diante dele; ele nunca se preocupara com isso.
— Ele é realmente tão bom assim aos seus olhos?
— Ele não presta. — disse Janaína. — Mas você é pior.
O carro atravessou o túnel em silêncio.
O clima estava pesado até chegarem à mansão.
Antes de descer, Lucas afrouxou a gravata e disse seriamente: — Se não quiser voltar para cá, eu não vou te impedir. Mas, quando você for embora, pode me avisar?
— Nana, eu me preocupo com você.
Janaína rangeu os dentes, abriu a porta e desceu: — Já entendi.
Diante de Lucas, ela entrou no carro que ele lhe dera e partiu em alta velocidade.
Estar dividida entre esses homens a deixava exausta.
Então, decidiu que passaria a noite em um hotel.
Capítulo 44: O herdeiro Zhao: "Que tal ser minha namorada?"
Assim que entrou na avenida, o celular tocou. Era Yago.
A voz grave dele ressoou pelo carro, num tom de deboche: — Brigou com ele?
Janaína olhou para frente, de cara amarrada.
Nem ela mesma sabia exatamente por que estava infeliz.
Yago parecia conseguir vê-la através do telefone e riu baixo: — Então venha para casa. Preparei um lanche e estou te esperando.
Logo em seguida, ouviu-se o bipe do micro-ondas ao fundo.
Janaína mordeu o lábio: — Não vou voltar. Você com certeza vai acabar comigo. Não sou boba de cair na sua armadilha.
"Lanche"? O lanche seria ela, com certeza.
Ela fora à casa dos Zhao hoje; se voltasse agora, ele a cortaria em pedaços.
Yago riu novamente, com um toque de perigo: — Você conhece minhas regras. Se eu tiver que ir atrás de você, o resultado será muito pior.
Ele não estava brincando, falava sério.
Janaína sentiu um calafrio e suas mãos no volante começaram a suar.
Após um tempo, perguntou trêmula: — Esses anos todos em que você mandou me seguirem... foi a pedido de alguém para me proteger?
Sem dar tempo para resposta, continuou: — A história que você contou sobre seu amigo... na verdade era sobre você, não era?
— Você está com medo de que aquelas pessoas saibam que eu não morri e que me machuquem de novo, certo?
Embora ela ainda não encontrasse um motivo para ele ajudá-la.
— Yago, eles...
— Janaína, não achei que você fosse tão narcisista. — Yago deu o último aviso. — Não tenho paciência. Te dou uma hora. Nos vemos em casa.
Ele não desligou o telefone.
Dez minutos se passaram antes que Janaína encerrasse a chamada.
Ela não voltou para o condomínio; foi para um hotel.
Queria provocar Yago até que ele, num acesso de raiva, confessasse tudo.
Não importava o quanto ele a torturasse hoje, ela não cederia!
Janaína reservou uma suíte, acalmou os ânimos e foi ao banheiro vestir a camisola que mais despertaria o interesse de Yago.
Por cima, colocou um roupão. Ao sair do banheiro, a campainha tocou.
Não esperava que ele chegasse tão rápido.
Pelo trajeto, deveria levar ao menos meia hora, mas tinham se passado menos de vinte minutos.
Janaína respirou fundo e, antes de abrir, olhou pelo olho mágico.
Era o herdeiro Zhao!
Como ele sabia que ela estava ali?
Janaína abriu a porta.
O herdeiro arqueou uma sobrancelha: — Trouxe champanhe. Posso entrar?
Janaína deu passagem.
— Como soube que eu estava aqui?
Ele colocou o balde de gelo na mesa e abriu a garrafa: — Passei por aqui e te vi entrando. Perguntei na recepção e descobri.
Que coincidência conveniente.
Será que ele também tinha pessoas seguindo-a secretamente?
Janaína aceitou a taça, mal-humorada: — Eu não te ajudei em nada, isso é motivo para comemorar?
Ele brindou com a taça dela e tomou um gole: — Nossa primeira colaboração, o início de uma relação de confiança. Certamente merece comemoração.
Janaína sentou-se no braço do sofá, de braços cruzados, e disse sombriamente: — Você não suspeitava de mim?
— Não há o que suspeitar. Meu irmão é desconfiado; se ele te deixou passar a noite lá, é porque já tinha se prevenido.
Janaína fez uma cara de confusão: — Se você já imaginava, por que divulgou os dados?
Ao tocar no assunto, o herdeiro pareceu desanimado: — O tempo estava curto, não tive como confirmar. Era melhor arriscar do que não fazer nada.
— A culpa é minha, então. — Janaína tomou um gole da bebida e mudou de assunto: — E sua noiva? Já se desculpou?
— Por enquanto está tudo bem, mas não significa que você possa baixar a guarda.
Ele brindou novamente e sorriu: — Você sabe como ela é. Uma dondoca mimada e vingativa. Você a fez passar vergonha, ela não vai perdoar fácil.
Isso era um problema. Janaína perguntou: — O que você acha que eu devo fazer?
— Esse é realmente um dilema.
O herdeiro aproximou-se, inclinou-se sobre ela com uma mão apoiada no braço do sofá. Próximo, ele usou a ponta dos dedos para afastar algumas mechas de cabelo da testa dela.
Os olhares se cruzaram. Janaína permaneceu imóvel e sorriu educadamente.
O olhar dele tornou-se mais profundo: — Você é tão bonita... Que tal ser minha namorada?
Janaína piscou, fingindo surpresa: — Só namorada?
Ele riu baixo: — Se você tiver competência para me fazer casar com você...
Antes que terminasse, a campainha tocou bruscamente.
TRIM-DOM ———
Janaína sentiu um calafrio na espinha e, apressadamente, empurrou o herdeiro para o banheiro da sala.
— Esconda-se aqui e não saia por nada!
Sem se importar com a expressão do homem, ela bateu a porta e correu para abrir.
Ao abrir a porta, ela imediatamente forçou um sorriso.
Yago pareceu surpreso e sorriu de canto: — Já se lavou para me receber?
Ele entrou com passos largos.
Janaína recuou vários passos, quase tropeçando.
O ar-condicionado estava desligado e o calor subiu ao rosto dela. Instintivamente, olhou para o banheiro; a porta estava entreaberta.
Ao voltar o olhar, foi pega de surpresa: um braço a alcançou, agarrou-a rudemente pelo colarinho do roupão e a pressionou contra a mesa de centro.
Foi tão rápido que ela nem teve tempo de gritar.
O rosto de Janaína foi pressionado contra o mármore da mesa, mas ele não parecia satisfeito.
Ele agarrou o cabelo dela com força, como se quisesse levantar sua cabeça para batê-la contra o mármore, para testar qual dos dois era mais duro.
Naquele momento, o medo que Janaína sentiu foi dez mil vezes maior que a dor. Com voz de choro, implorou: — Não, por favor, não! Eu nunca mais farei isso, me perdoe...
— Te perdoar? Janaína, olhe o que você fez. Se eu não tivesse percebido e trocado os arquivos que você copiou, eu estaria em apuros agora.
Yago a puxou pelo colarinho, arrastou-a até o sofá e a fez ajoelhar-se aos seus pés. Ele pegou o celular e mostrou o vídeo: — Você foi a primeira pessoa a ousar mexer no meu computador sem permissão. Você é realmente corajosa, Janaína.
Janaína paralisou.
Os arquivos foram trocados por ele?
Ela achava que ele estava bravo por ela ter ido à casa dos Zhao.
O ponto crucial era que ele sabia de tudo sobre a invasão ao computador que ela e Hugo fizeram naquela noite.
Com as provas do roubo de segredos comerciais diante dela, não havia como se defender.
Janaína balançou a cabeça freneticamente. Seu cabelo estava todo bagunçado, o que a deixava com um aspecto vulnerável e digno de pena.
Yago quase perdeu a compostura.
Janaína via apenas a fúria e o gelo no olhar dele. Com tanto medo que tremia ao falar, implorou: — Não chame a polícia, eu sei que errei. Yago, eu aceito qualquer punição que você quiser me dar.
Yago apertou o queixo dela. Ela tremia tanto que não parecia haver fingimento.
Parecia realmente aterrorizada.
Ele pressionou o lábio dela com o polegar e sua voz tornou-se subitamente provocadora: — Pense em um jeito de me deixar feliz. Talvez assim eu considere te dar uma chance.
Lembrando-se de que havia outra pessoa ali, Janaína tentou se afastar: — Não quero, nem pense nisso.
— Não disse que aceitava qualquer coisa? Fala uma coisa e faz outra. Quero ver se você vai manter essa marra toda quando estiver lá dentro.
— Não, eu não quero ir!
Yago estendeu o braço, segurou-a pelo pescoço e a puxou para perto: — Você diz uma coisa querendo outra. Acho que você quer mesmo ser presa. Sendo assim, vou realizar seu desejo.
Pouco depois, a polícia chegou.