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《Destruída pelo Desejo》Capítulo 19

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Capítulo 37: Impossível, ele não acredita que ela faria isso

Ao entardecer, Janaína dirigiu de volta para a mansão. Enquanto trocava de roupa para o coquetel, Lucas retornou.

Ele bateu levemente à porta: — Nana, posso entrar?

— Entre.

Janaína acabara de vestir o traje de gala e prendia o cabelo longo diante da penteadeira quando o homem alto apareceu no reflexo do espelho.

Os olhares dos dois se cruzaram.

Ele vestia um terno cinza-claro impecável e elegante, que combinava perfeitamente com o vestido dela.

Janaína sorriu para o espelho: — Voltou cedo para me esperar.

— A reunião da tarde terminou antes do previsto. — Lucas pegou uma revista e sentou-se no sofá, mas seus olhos não saíram dela.

O vestido tinha um decote profundo em V, alças finas e as costas nuas. Com o cabelo preso, uma grande extensão de sua pele branca e sedosa ficava à mostra. O tecido era adornado com cristais translúcidos, mas nada brilhava tanto quanto ela.

Lucas olhava hipnotizado, sentindo uma agitação no peito e um leve rubor nos olhos.

Após prender o cabelo, Janaína começou a escolher as joias. Indecisa, olhou para ele: — Venha aqui me ajudar. Qual conjunto fica melhor para esta noite?

Lucas despertou de seus pensamentos, aproximou-se e, após analisar as opções, pegou um brinco: — Este é ótimo. Deixe-me colocá-lo em você.

Ele se inclinou, mas no momento em que seus dedos tocaram o lóbulo da orelha dela, ela se esquivou. Ele paralisou.

— Eu mesma coloco. — Janaína aproveitou para provocar: — O Sr. Lucas já colocou brincos na terceira senhorita da família Bianca?

Lucas respondeu com voz grave: — Não.

Janaína fingiu não acreditar: — Verdade?

— Ela não tem furos na orelha.

Janaína soltou uma risada: — Ah... entendi o motivo.

Após colocar os brincos, ela olhou para ele com admiração fingida: — Ela é incrível, uma lenda no setor farmacêutico. Tão jovem e já detém tantas patentes. Ouvi dizer que vocês estudaram juntos no exterior?

O olhar de Lucas escureceu um pouco e seus lábios se abriram em um sorriso leve.

— Tivemos, de fato, uma longa história. Houve amor, houve ódio, mas no fim, ficou para trás. Ela é excelente, e você também é, Nana. Tem um futuro promissor.

— No momento, não posso me comparar a ela.

Janaína levantou-se e sustentou o olhar dele com serenidade: — Mas eu certamente me esforçarei.

Lucas sorriu satisfeito: — Acredito que você criará seu próprio mundo. Já que está pronta, vamos?

O coquetel acontecia em uma propriedade privada nos arredores da cidade.

Desde que desceram do carro, Lucas manteve a mão dela segurada. Era diferente de antes, e Janaína sentia um certo desconforto, como se estivesse escondendo algo.

Parecia haver um par de olhos agudos escondidos em algum canto, vigiando-a e avisando para soltar a mão daquele homem, sob pena de punição.

Era improvável que Yago aparecesse ali, mas o herdeiro da família Zhao, Bianca e sua irmã haviam sido convidados.

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Antes de encontrar o Sr. Roberto, a família Queiroz aproximou-se com entusiasmo.

Lucas fez as apresentações: — Sr. Queiroz, Sra. Queiroz, e sua filha, Melissa.

— Melissa e eu já nos conhecemos. — Janaína lembrou-se de quando estivera na casa da família Zhao para jogar mahjong.

Melissa, que ouvira dizer que eles haviam se divorciado, mostrou surpresa: — Srta. Janaína...

O pai de Melissa interrompeu imediatamente: — Chame-a de Sra. Lucas.

— ...Claro. Boa noite, Sra. Lucas.

Ao se afastarem, Lucas comentou: — Novos ricos de Xangai, não precisa dar importância.

Janaína entendeu o tom de desprezo. Naquele círculo havia hierarquias, e os "novos ricos" eram vistos como meros emergentes sem linhagem.

Quando as conversas de negócios avançaram, Janaína foi sozinha ao toalete.

Ao sair, após retocar a maquiagem, viu o herdeiro da família Zhao fumando ali perto.

Ele a viu e fez um sinal para que se aproximasse.

Janaína tirou calmamente um cigarro da bolsa, acendeu-o e caminhou até ele.

Ele semicerrou os olhos: — Isso não combina muito com o seu visual de princesinha desta noite.

Janaína sacudiu a cinza do cigarro e sorriu: — Eu não sou princesa nenhuma. O Sr. Lucas apenas me usa; ele nem sabe do que eu gosto, e nem se importa.

— Se o Sr. Lucas não sabe, e o Yago? Ele conhece suas preferências?

— Ele... — Antes que pudesse completar, Janaína virou-se e avistou Yago sentado em meio à elite local.

O homem que deveria estar em casa aproveitando o jantar que ela preparara estava ali.

Ele vestia um preto austero e conversava animadamente com Bianca, exalando uma aura rebelde e despojada, como se não desse a mínima para ninguém.

O herdeiro comentou friamente: — Ele também está te usando. Em Macau, na primeira noite em que você me encontrou, você não cumpriu o que ele ordenou. Quando voltaram, ele te puniu. O ferimento na sua testa foi causado por ele, não foi?

Janaína olhou para ele, surpresa, e rebateu: — Você não se preocupa que ele roube sua noiva?

Ela mudou o foco do assunto com sucesso. Ele riu: — Com aquele sujeito?

Nesse momento, Melissa aproximou-se com duas taças: — O segundo mestre Zhao chegou e já roubou o lugar ao lado da nossa senhorita Bianca. Merece uma punição em forma de brinde.

Yago aceitou a taça e bebeu tudo de uma vez, sem dizer nada.

Melissa não parou por ali e ofereceu outra taça: — Esta aqui é pela nossa senhorita Bianca. Você deve beber por ela.

Yago aceitou novamente.

A taça esvaziou rápido, mas a jovem insistiu: — Beber pelos outros exige pelo menos três taças. A quantidade representa sua sinceridade.

Ao ouvir isso, Yago finalmente ergueu o olhar de Bianca para a moça, analisando-a com desdém.

Melissa instintivamente cobriu o decote, sentindo-se ofendida: — O que quer dizer com esse olhar...?

Ela aumentou o tom de voz propositalmente: — Todos aqui sabem que, na época da escola, você perseguia nossa senhorita Bianca de forma patética.

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— Pois é. — outra jovem completou. — Que pena que a nossa Bianca só tenha olhos para o grande herdeiro.

— Naturalmente, apenas o herdeiro está à altura dela.

De repente, as fofocas começaram a circular.

— Não sabia que o segundo mestre era tão fiel, ainda interessado nela depois de tanto tempo. Que romântico. Bianca, não quer considerar dar uma chance oficial a ele?

Todos os olhares voltaram-se para Bianca, que permanecia em silêncio.

— Bianca, dê uma resposta para ele desistir de vez.

Em meio aos risos, Bianca apenas brincava com as unhas, sem qualquer intenção de intervir por Yago.

A inércia dela era um sinal verde para que os outros continuassem a zombar dele e a pisar em sua dignidade.

Melissa sentiu-se encorajada: — As pessoas deveriam ter autocrítica. Não pense que é realmente um membro da família Zhao; você é apenas um filho adotivo.

O olhar de Janaína tornou-se frio como uma lâmina.

— O que foi? — O herdeiro divertiu-se. — Ver meu primo sendo humilhado te dá vontade de defendê-lo?

Ele não acreditava que ela faria isso, pois ela já sabia que Yago a usava. Além disso, naquela festa, ela era a Sra. Lucas e não tinha motivo para interferir.

Janaína sorriu com escárnio: — É a oportunidade perfeita para agradá-lo.

O significado implícito era: se não o agradasse agora, como ajudaria o herdeiro a roubar o que ele queria mais tarde?

Ela caminhou até o grupo.

Diante de todos, tirou a taça da mão de Melissa e jogou o conteúdo no rosto da garota.

Houve um clamor de surpresa no terraço.

Melissa, em choque e com o rosto molhado, balbuciou: — O que... o que significa isso?

Capítulo 38: Até que horas pretende ficar fora?

Janaína pousou a taça calmamente. Pelo canto do olho, notou a surpresa e o olhar inquisitivo de Yago.

Ela sorriu deliberadamente para ele e, ao encarar Melissa, disse com voz firme: — Yago tem o sobrenome Zhao, portanto é da família Zhao. De forma alguma cabe à Srta. Melissa fazer julgamentos públicos sobre ele. Por acaso a senhorita despreza a família Zhao?

— Você está mentindo! Quando foi que eu disse isso? — Melissa entrou em pânico. Sem conseguir sustentar a pressão, recuou dois passos e olhou para os outros em busca de ajuda.

Ninguém ousou dizer nada.

Janaína estava certa; independentemente de qualquer coisa, Yago era o segundo mestre da família Zhao. Provocá-lo publicamente era uma desfeita à família.

Melissa olhou para Bianca, que a ignorou solenemente.

Sem alternativa, Melissa tentou reagir: — Eu só estava falando do Yago, ele se mete onde não é chamado, é imoral...

Outra voz a interrompeu: — Quem é tão sem caráter a ponto de tentar criar intriga entre mim e meu primo aqui?

— Sr... Sr. Herdeiro.

Melissa tremeu ao ver o primo de Yago. — Eu não quis dizer...

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Ele massageou as têmporas: — Por favor, retire-se.

Imediatamente, seguranças aproximaram-se para retirá-la.

— Bianca, eu não quis dizer aquilo, me ajude...

O clamor de Melissa foi inútil. Ela e seus pais foram convidados a se retirar do evento.

A família Queiroz passou por uma vergonha monumental naquela noite.

As outras jovens no terraço dispersaram-se rapidamente.

Bianca continuava sentada ao lado de Yago. Ela apoiou o braço no encosto da cadeira e deixou a mão cair naturalmente sobre o ombro dele, olhando para o noivo.

— Vocês são... próximos?

Ela referia-se ao noivo e a Janaína.

Ele olhou para Janaína, que parecia pequena e delicada ao seu lado, e sorriu: — Nos vimos em Macau recentemente. Srta. Janaína, obrigado por defender o nome da família Zhao agora há pouco.

Janaína respondeu com um agradecimento formal e seco, querendo sair dali.

Lucas apareceu no momento certo: — Nana, o leilão vai começar.

Janaína segurou a mão estendida dele: — Sim, vamos entrar.

— Parece ansiosa. Deve haver algo que te interessou.

— Com certeza. — Janaína sorriu. — Aqueles brincos de diamante rosa que te mostrei, eu adorei.

Quando eles se afastaram, o herdeiro comentou: — O Lucas realmente sabe como mimar uma mulher.

Yago levantou-se e olhou na mesma direção, soltando um riso rebelde: — Lembro-me de você dizer que mulheres não foram feitas para serem mimadas.

Ele entrou no salão primeiro.

Bianca apressou-se em segui-lo: — Yago...

Ele diminuiu o passo e ela conseguiu alcançá-lo: — Você ficou bravo porque eu não te defendi?

Ela percebera que, enquanto zombavam dele, ele não demonstrou qualquer irritação; estava perfeitamente calmo.

Yago olhou para ela com indiferença: — Ser motivo de diversão para a grande senhorita Bianca é uma honra para mim.

A atitude despojada dele deixou Bianca ainda mais frustrada: — Você não tem um caso com a Janaína, tem? Por que mais ela te defenderia?

— Yago... — A irmã de Bianca apareceu, interrompendo a conversa. Aproximou-se dele sorrindo: — Irmã, o leilão vai começar. Vou me sentar com o Yago, não queremos atrapalhar sua conversa com seu noivo.

Bianca pareceu lembrar da presença do noivo e suspirou: — Tudo bem.

A irmã de Bianca levou Yago para os assentos e, enquanto arrumava o vestido, brincou: — Minha irmã continua louca por você, ignora até o noivo.

O olhar de Yago estava fixo na pequena Janaína do outro lado do salão. Quanto mais feliz ela parecia, mais sombrio ficava o semblante dele.

A irmã de Bianca notou e riu baixo: — Será que o que minha irmã disse é verdade?

Desde o encontro no shopping, ela já desconfiava.

Yago não negou: — Ela é minha namorada. A namorada com quem eu durmo.

Diante de tal franqueza, a jovem elogiou: — Parece que podemos mesmo colaborar. Você é bem direto.

No palco, um par de brincos de diamante rosa estava sendo leiloado.

O lance inicial era de um milhão e meio.

Janaína esperou que os outros dessem lances e, no momento certo, ergueu a placa: — Cinco milhões.

Lucas apoiou totalmente: — Se você gosta, deve levar. O valor não importa, a sua felicidade não tem preço.

Mas outros continuaram cobrindo a oferta. Quando chegou a dez milhões, surgiu um novo competidor.

— Quinze milhões.

Houve um burburinho no salão.

Janaína olhou e viu que o lance fora de Yago. Ele estava ao lado da irmã de Bianca; ela pensou que ele queria gastar uma fortuna para agradar a acompanhante.

Sendo assim, Janaína não quis mais competir. Ela já o deixara irritado nos últimos dias e acabara de acalmá-lo; não queria estragar tudo.

No entanto, Lucas ergueu a placa novamente: — Vinte milhões.

Houve exclamações de surpresa.

Janaína olhou para Lucas, que se aproximou de seu ouvido: — O que posso fazer? Quero muito ver você usando esses brincos hoje à noite.

Janaína sabia que aquilo era o espírito competitivo masculino e sorriu: — Se o preço subir demais, não vale a pena.

Lucas: — Não me falta dinheiro para te ver feliz.

Janaína riu baixo. Ela sabia que dinheiro não era o problema para ele.

Yago subiu o lance diretamente para trinta milhões.

— Nossa, o que está acontecendo...?

As pessoas começaram a fofocar.

Lucas ia erguer a placa de novo, mas Janaína segurou sua mão: — Deixe para lá, não vamos competir com ele. Afinal, ele é seu primo; se continuarmos, as pessoas vão falar bobagens.

Lucas olhou para ela com interesse e arqueou a sobrancelha: — Se você me der um beijo, eu paro.

Janaína: — .........

— Agora? Aqui não é o lugar.

De surpresa, Lucas deu um beijo rápido na bochecha dela.

Janaína ficou estática.

O sempre certinho Lucas estava jogando com ataques surpresa.

A cena foi capturada pelo olhar agudo de Yago.

O leiloeiro bateu o martelo e os brincos foram vendidos.

A irmã de Bianca comentou: — Você tem bom gosto, esses brincos combinam com a pele dela. Foi um pouco impulsivo, mas compreensível... o amor faz isso.

Yago não disse uma palavra até o final do evento.

No carro de volta, Janaína olhava para o celular inquieta, esperando a ligação de Yago.

— Nana.

Janaína despertou: — Sim?

Lucas entregou um cartão bancário: — É o mesmo de antes, sem limite.

Janaína tentou recusar: — Não precisa, a conta da empresa está bem. Se eu precisar de algo, eu te peço.

— Nana, você está sendo distante comigo.

Lucas colocou o cartão na mão dela e segurou-a: — Acho que precisamos voltar a ser como antes. Será bom para você e para mim, não concorda?

Janaína mordeu o lábio e assentiu.

De volta à mansão, a ligação de Yago não vinha.

Ela esperou um pouco e, concluindo que ele deveria estar se divertindo com outras mulheres, jogou o celular de lado e foi tomar banho.

Ao sair, o celular na cama estava vibrando. Ela praticamente pulou para atender.

Através da linha, a voz do homem soou profunda e carregada de fúria: — Até que horas pretende ficar fora?

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