Capítulo 29: Algo emocionante
Mas Janaína não se arrependeu; ela deu aquele passo com coragem.
No entanto, Yago usou ações para lhe mostrar que desafiar a moralidade traria consequências.
Ao pensar nisso, Janaína caiu em prantos: "Você também treina suas outras namoradas desse jeito?"
"Treinar?" Yago pousou o antisséptico e sorriu novamente: "Chamar de treinamento até que soa apropriado."
"Porém," ele mudou o tom de voz, tornando-se mais sarcástico, "eu sou melhor para você do que para qualquer outra."
"Corta essa." Janaína estava com o rosto corado de raiva, mas, sem saída, suavizou a voz: "Você pode me punir, me torturar, mas precisa libertar o meu protegido primeiro. Não pode deixar que ele sofra lá dentro injustamente."
Yago, agindo como se não negasse que ele fora o responsável pela prisão, disse despojadamente: "Ele é tão importante assim para você?"
"Muito importante," Janaína disparou. "Crescemos juntos no exterior, dependendo um do outro. Não somos irmãos de sangue, mas somos mais próximos do que se fôssemos."
"Não importa o que acontecesse, ele sempre esteve ao meu lado. Embora ele seja apenas sobrinho de uma empregada da minha família, ele perdeu os pais muito cedo. É um coitado, vocês não podem tratá-lo assim."
Yago resumiu a relação deles: amigos de infância que não escondem nada um do outro.
Mas por que ele sentia tanto amargor?
Um homem entende outro homem; era impossível que o que aquele rapaz sentia por Janaína fosse apenas um sentimento de irmão por irmã.
Além disso, tinham a mesma idade, com apenas alguns meses de diferença.
Yago deu um riso nasalado: "O tempo de punição será de meio mês. Depois disso, te levo de volta para Xangai."
"Meio mês? É muito tempo."
"Então que seja um mês."
Janaína estava prestes a chorar de raiva: "Meio mês então! Nem um dia a mais!"
Sem saber se a palavra dele era confiável, ela apenas aceitou.
Mas nada escapava aos olhos de Yago!
Janaína esperou até pegar no sono, mas não teve a chance de tocar no celular.
Ao acordar no dia seguinte, viu Yago sentado à beira da cama trocando seu curativo.
"Não é nada grave. Hoje você pode sair para caminhar um pouco."
Janaína se apoiou na cama para levantar e sua primeira reação foi procurar o celular.
Não o encontrou, mas encontrou o olhar frio e implacável de Yago: "Durante este meio mês, você não poderá usar o celular."
Janaína: "Por quê?"
"Para evitar que você tente entrar em contato com o Lucas."
Não importava o quanto ela implorasse, Yago permanecia indiferente.
Se o método suave não funcionava, o agressivo era ainda menos eficaz.
Janaína não sabia como conseguira sobreviver àquele meio mês.
Todos os dias, além de exaustivos exercícios físicos, à noite ela ainda tinha que estar à disposição das ordens de Yago.
Ela se sentia cansada até o fim dos tempos; era quase preferível estar em um centro de detenção no lugar do Hugo.
Pelo menos lá haveria mais humanidade do que em Yago.
Na noite anterior ao retorno à liberdade, Janaína ia, como de costume, buscar água para lavar os pés de Yago, quando ele a chamou: "Hoje à noite, vamos brincar de algo diferente."
Ao encontrar o perigo no olhar dele, a espinha de Janaína gelou.
Yago desabotoou o relógio do pulso, lançando um olhar particularmente provocador.
Sentindo que algo ruim estava por vir, Janaína correu para o banheiro, mas lá encontrou todo tipo de artefatos estranhos.
Prestes a fugir, foi erguida por Yago, que acabara de entrar, e colocada dentro da banheira.
"Seja boazinha."
"Eu não quero!" Janaína balançava a cabeça freneticamente, sem saber o que fazer. No segundo seguinte, suas mãos foram algemadas.
Logo depois, foi a vez dos tornozelos.
Sentindo o frio, Janaína ficou exposta diante dele, que continuava impecavelmente vestido.
Ela estava tão nervosa que não ousava encará-lo: "Isso é... embaraçoso."
Não apenas embaraçoso, ela tinha vontade de chorar.
Yago soltou uma risada baixa: "Vamos jogar um jogo chamado 'Verdade'."
"O quê? Verdade?" Janaína achou que tinha ouvido errado. "Você não disse que já sabia tudo sobre mim?"
Se ele sabia ou não, era uma coisa; o fato era que Janaína não contaria a verdade sobre seus assuntos.
Talvez ele estivesse apenas tentando pescá-la, caso contrário, por que proporia esse jogo?
Yago rebateu: "Você não quer saber sobre as minhas coisas?"
Ah, sim. Mas ele seria benevolente ao ponto de deixá-la saber sobre ele?
Janaína não esquecera que, meio mês atrás, em Macau, ele dissera que eles não tinham uma relação de igualdade.
Nesse meio mês, ela percebeu: ele queria que ela fosse sua escrava.
Não imaginava que Yago tivesse esse tipo de fetiche.
Acontece que Janaína não aceitava ser escrava dele de bom grado.
Mas, no momento, ela só podia segui-lo: "Claro que quero. Vamos começar?"
"Damas primeiro."
Janaína olhou para a vela na mão dele e estremeceu: "Cinco anos atrás, você estava quase se formando na universidade. Por que abandonou os estudos no meio do caminho?"
Yago corrigiu: "Não pode perguntar assim. Você só pode perguntar se abandonou por causa de tal motivo, e quem responde só pode dizer 'sim' ou 'não'."
"Er... está bem." Janaína reformulou: "Você foi forçado a abandonar os estudos?"
Yago pensou por um momento antes de responder: "Sim."
Agora era a vez dele: "Você se casou com o Lucas porque sabia que a família dele era a mais cotada para assumir o projeto de revitalização da zona sul, que estava abandonado há tempos?"
Janaína mordeu o lábio: "Não."
"Não minta."
"Eu não... ah! Não, por favor!"
"Janaína, este é o castigo por mentir."
Yago a torturava sem sequer piscar, sangrento e implacável.
Janaína disse entre dentes: "Isso é injusto. Se você mentir, qual é o castigo?"
Yago: "Eu não minto."
Janaína tremia de raiva. Após se recuperar, perguntou: "Você odeia tanto a Helena e o filho dela que deseja que eles morram?"
Yago respondeu sem hesitar: "Sim."
Nessa resposta, Janaína acreditou.
Yago perguntou: "O próximo passo de vocês é começar pelo projeto da zona sul para desenterrar o que aconteceu no passado?"
Janaína mordeu o lábio: "Não sei do que você está falando. Que passado? Aconteceu algo no passado que valha a pena investigar?"
"Mentiu de novo!"
Desta vez, ela fechou os olhos com força durante a punição, sem emitir um som.
"Parece que isso não é o suficiente para você." Yago trouxe outro objeto.
Janaína abriu os olhos e, ao ver que era uma mangueira, sentiu um calafrio.
"Não diga que não avisei. Se mentir de novo, não serei tão paciente."
Janaína segurou o fôlego e apostou tudo: "O falecido tio foi assassinado?"
"Não."
A resposta dele foi direta.
Janaína ficou surpresa e perguntou: "Você ouviu isso da família Zhao?"
Yago alertou: "Senhorita Huan, estas são duas perguntas. Você precisa me responder primeiro para continuar me questionando."
Janaína respirou fundo: "Está bem."
"Você gosta do Lucas?"
Janaína: "...?"
"Eu... não gosto."
"Se não gosta, por que demorou tanto para pensar?"
Janaína disse: "Estive com ele por meio ano, preciso refletir sobre o que sinto por ele."
Yago olhou para ela com desconfiança, mas acabou aceitando a explicação.
"Sua vez."
Janaína também fez uma pergunta sentimental: "Você gosta de mim?"
Ele arqueou as sobrancelhas casualmente e disse: "Gosto. Mas não precisava perguntar. Um homem só quer ter relações com uma mulher se gostar dela."
"Ah, é?" Janaína sorriu friamente. "Então você deve gostar de muitas mulheres."
Yago curvou levemente os lábios e acrescentou: "Quando um homem gosta de uma mulher, ele só quer ter relações com ela, e mais ninguém."
Dito isso, ele entrou na banheira.
Janaína percebeu o que ele pretendia fazer e se aproximou para colaborar; era melhor do que enfrentar aquelas "torturas".
Yago parou diante dela, mas parecia não ter aquela intenção.
Ele ergueu a mão, tocou o rosto dela e seu olhar trazia apenas um leve sorriso: "O falecido tio era seu irmão. Você voltou para vingá-lo?"
Janaína quase deixou escapar a verdade, mas se conteve: "O que você quer dizer? Ele não se suicidou?"
Yago colocou a mão na nuca dela. Não respondeu, apenas disse: "Você só precisa responder: sim ou não."
Janaína não sabia qual era o objetivo dele, nem de que lado ele estava. Sem ousar falar demais, mordeu o lábio com força e permaneceu em silêncio.
Os dedos de Yago tamborilaram ritmadamente na cabeça dela, e seu olhar ficou sombrio: "Parece que você prefere brincadeiras mais emocionantes."
Capítulo 30: Tirando vantagem e ainda reclamando
Janaína não apenas não gostava de emoções fortes, como estava tremendo de pavor.
Tinha medo de que ele usasse todos aqueles objetos nela.
Em um momento de tensão, ela se jogou contra Yago, querendo que ambos caíssem.
No entanto, sua testa atingiu certeiramente a fivela de metal do cinto dele.
Ele nem precisou fazer nada; ela mesma se feriu, ficando tonta com o impacto.
Ferida nova sobre ferida antiga; a dor era tanta que ela franziu todo o rosto.
Yago sentiu uma mistura de pena e divertimento. Ao massagear a cabeça dela, sentiu uma súbita ternura por aquela garota atrapalhada.
Sentiu vontade de mimá-la.
Antes que Janaína se recuperasse, sentiu um calor na cintura e começou a tremer violentamente: "Não... não..."
Ele deu um sorriso malicioso: "As mulheres costumam dizer 'não' antes de começar, você não é exceção."
"Você entendeu errado, o meu 'não' é 'não' de verdade, ah... ah!"
Não importava o quanto ela gritasse, Yago a colocou sentada na borda da banheira, pegou as mãos dela e as colocou sobre seu próprio cinto, com um olhar sugestivo.
...
Ao sair do banheiro, Janaína finalmente conseguiu respirar com calma.
Ela se escondeu debaixo do cobertor, cobrindo-se completamente.
O ar quente que soprava voltava para seu próprio rosto, quente e sufocante.
A sensação de quase asfixia era a única coisa que a impedia de pensar bobagens.
Até que alguém puxou o cobertor. Ela sentiu o frescor no rosto, mas não houve alegria pelo resgate, apenas frustração.
As pontas dos dedos úmidos de Yago deslizaram pelo rosto dela: "O quê, planeja me pressionar com a própria morte?"
Havia um tom de frieza em sua voz, sem calor algum. Com o mesmo tom, ele continuou: "Se você morrer, eu não sentirei nada. Pelo contrário, vou rir de você."
Janaína abriu um pouco os olhos, percorreu com o olhar o corpo robusto e imponente dele, e um sorriso indecifrável surgiu no canto de sua boca.
Yago estreitou os olhos: "Do que está rindo?"
Janaína disse: "Quanto mais alguém tenta parecer desapegado, mais acaba sendo aquele que não consegue esquecer no final."
Yago sentou-se no sofá atrás dele. Seu olhar era de puro ócio, assim como sua voz: "Então o que eu devo fazer? Que tal eu me casar com você? Vamos assinar os papéis amanhã?"
Mesmo sabendo que ele estava brincando, Janaína deixou escapar instintivamente: "Quem disse que eu quero..."
Ela mudou de assunto rapidamente: "Eu não ajudo em nada na sua carreira. A vizinha pode ajudar, vá incomodar ela."
Janaína realmente tinha medo de que ele estivesse falando sério.
Yago acendeu um cigarro, com um sorriso despojado no rosto, sem negar nada.
Janaína virou-se para o outro lado, para não vê-lo.
Embora tivesse medo de que fosse verdade, ela sentia, vergonhosamente, uma ponta de expectativa.
O coração humano às vezes é como o gato de Schrödinger.
No dia seguinte, Yago cumpriu a promessa. Levou-a de volta para Xangai e ainda a deixou pessoalmente em sua residência.
Assim que chegaram, Janaína saiu do carro apressadamente.
Aquela era a casa que o Lucas, em um momento de generosidade, lhe dera. Além disso, ele depositara uma quantia considerável em sua conta.
Talvez ele estivesse preocupado que ela ficasse desamparada ao deixá-lo.
O Lucas era uma pessoa estranhamente boa, embora fosse difícil de decifrar e tivesse uma personalidade excessivamente contida.
Yago a seguiu.
Janaína tentou se livrar dele, sem sucesso. Ela abriu a porta e gritou imediatamente para dentro: "Hugo..."
A casa vazia não trouxe resposta alguma.
Apenas Yago, que entrara logo atrás: "Ele saiu, mas não está aqui."
"Então onde ele está?" Ansiosa e sem pedir permissão, Janaína tentou enfiar a mão no bolso da calça dele para pegar seu celular de volta.
Yago agarrou o pulso dela com força e disse em tom autoritário: "Você tem meia hora para arrumar as malas. A partir de hoje, vocês não moram mais aqui."
Janaína franziu as sobrancelhas: "Então vamos morar onde?"
"No Condomínio Um."
"Morar com você?"
O canto da boca de Janaína tremeu visivelmente. Ela sentiu uma tontura e quase desmaiou.
A voz grave de Yago soou novamente: "Não se iluda. Comprei um apartamento para cada um de vocês no andar de baixo. Morando perto, será mais fácil mantermos contato constante."
Janaína: "..."
Ela esboçou um sorriso sem alegria: "Você é estranhamente generoso, hein."
Será que aquele prédio inteiro era habitado pelas namoradas que ele chamava a qualquer hora?
Naquela noite, ela vira com os próprios olhos ele levando outra mulher para casa.
Yago soltou um riso de desprezo e soltou a mão dela: "Pare de falar bobagem e vá arrumar suas coisas."
Janaína sentia-se incomodada, mas não tinha escolha.
Yago era um homem perigoso. Se ela não o obedecesse, não sabia que tipo de peça ele pregaria nela.
Exatamente meia hora depois, Janaína trouxe inclusive as coisas do Hugo.
No entanto, alguns equipamentos de computador não cabiam.
Yago terminou seu cigarro calmamente, aproximou-se e pegou a mala da mão dela: "O restante alguém virá buscar, não precisa se preocupar."
Janaína o seguiu até o carro.
O interior do carro executivo era espaçoso. O importante era manter uma distância social de Yago, então ela se sentiu confortável.
Mas o que ele disse foi irritante: "Quando voltarmos, não passe o dia inteiro tramando planos irreais contra mim com o seu protegido."
"Caso contrário, se suas identidades forem reveladas, a culpa será de vocês."
Janaína encarou aqueles olhos frios e indiferentes com um sorriso forçado e assentiu: "Sim, entendi."
Yago ficou surpreso: "Tão obediente?"
"Soldados treinados por você sabem quando devem recuar."
"E mais uma coisa..."
Antes que Yago terminasse, Janaína respondeu com determinação: "Se você mandar eu ir para o leste, eu não irei para o oeste. Só que..."
Yago: "Diga."
Janaína aproximou-se de repente, encarando-o fixamente nos olhos, e baixou o tom de voz: "Já que estou sendo tão obediente e te agradando, por que você não me conta tudo o que sabe? O que acha?"
Ela o estava bajulando como se fosse uma criança, não um homem. Mas, às vezes, os homens são como crianças: egoístas e teimosos.
Yago inclinou a cabeça: "Quer mesmo saber?"
"Sim."
"Não vou te contar." Yago estendeu a mão, segurou a nuca dela e a puxou para frente.
A força familiar e o calor cobriram instantaneamente a cabeça de Janaína. Ela mal prendeu a respiração e já foi preenchida pelo cheiro do homem.
Ele a beijou suavemente, aprofundando o toque aos poucos, roubando seu oxigênio passo a passo.
Logo, o rosto de Janaína ficou vermelho pela falta de ar.
Ele parou, com o nariz encostado na bochecha dela, e disse com a voz rouca: "O nariz serve para enfeite? Respire."
Quando estava nervosa, Janaína esquecia de respirar.
Ela balançou a cabeça com inocência, cada poro de seu corpo demonstrando resistência: "Eu não sei... não seja tão cruel, me deixe em paz hoje!"
"Não ser tão cruel?" Ele soltou uma risada baixa. "Na primeira vez, você também não me deixou em paz."
Janaína franziu as sobrancelhas: "Não tire vantagem agora. Aquela foi a minha primeira vez."
O olhar de Yago ficou indecifrável. Ele desviou os olhos do rosto dela e olhou para fora da janela do carro.
Mandou o motorista parar.
Antes que Janaína perguntasse o que iriam fazer, foi puxada para fora e levada para dentro de uma loja de luxo.
Yago disse para ela não se cerimoniar.
"Quanta bondade a sua," Janaína comentou, desconfiada.
"Você é a minha mulher agora, não posso deixar que lhe falte nada."