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《Destruída pelo Desejo》Capítulo 14

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Capítulo 27: Cansada de viver

Uma dor aguda atingiu sua testa. Janaína demorou um pouco para se recuperar antes de abrir os olhos.

Num acesso de fúria, Yago havia arremessado o chuveirinho que segurava contra a banheira.

E ela, por puro reflexo, acabou batendo a cabeça na parede.

Após a dor intensa, Janaína sentiu algo morno escorrendo por sua testa.

Ao tocar com a mão, sentiu o sangue viscoso e soltou um suspiro de pavor imediato.

Yago sentia uma mistura de ironia e remorso; ele não pretendia, de forma alguma, que aquilo a atingisse.

— Você está bem? — Ele estendeu a mão para examinar o ferimento.

Janaína tremia como uma vara verde, mas não ousou se esquivar, temendo que ele tivesse um comportamento ainda mais violento.

Ela sabia muito bem que não podia vencê-lo na força; confrontá-lo diretamente não terminaria bem.

Yago franziu o cenho: — Você está sangrando, precisamos cuidar desse corte agora.

Ele a pegou no colo. O corpo dela, ensopado, colou-se à camisa dele.

Incomodado, ele franziu a testa, trocou a roupa dela por uma limpa primeiro e pegou a maleta de primeiros socorros para desinfetar o ferimento.

Janaína sentia-se como uma boneca, deixando-se manipular por ele.

A respiração quente dele soprava sobre o topo da cabeça dela, como uma nuvem densa e pesada que a sufocava.

De repente, o celular sobre a mesa vibrou, quebrando o silêncio.

Yago olhou de soslaio: — É o telefone dele.

Só quando pegou o aparelho Janaína soube que "ele" era o Heitor.

Ela atendeu apressadamente: — Alô?

— Sou eu, Heitor.

— Sim.

Heitor deu uma risada despojada: — Você é fria assim com todo mundo ou só gosta de fazer joguinhos de sedução?

Janaína comprimiu os lábios: — Eu demoro a me soltar.

Heitor: — ...

— Ah... tá bom. Vi que você estava com sorte ontem, queria saber se quer continuar hoje?

Janaína olhou para Yago. Ele não dava nenhuma instrução, e em seu rosto apático era impossível decifrar o que estava pensando.

Ela não podia mais esperar, só queria sair daquele quarto: — Onde eu te encontro?

Ao ouvir o tom dela, Heitor riu com deboche: — Tanta pressa assim?

Janaína respirou fundo: — Vai rolar ou não? Me manda o endereço.

Felizmente, Heitor não era do tipo cheio de frescuras: — Fechado!

Após desligar, Janaína não trocou de roupa nem se produziu; até o cabelo ainda estava úmido. Pegou sua bolsinha e se preparou para sair.

Yago alertou: — Coloque o fone de ouvido.

— Tá. — Janaína pegou o fone da mão dele, colocou no ouvido e o encarou com um olhar vago: — Tem mais alguma coisa que você queira que eu leve comigo?

— Tipo o quê?

Janaína foi direta: — Uma câmera? Esta noite farei de tudo para entrar no cassino da casa noturna.

Yago não disse nada.

Janaína estendeu a mão: — Você com certeza já preparou tudo, não?

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Yago abriu as mãos: — Esqueça. Do jeito que você está, melhor não ir.

Janaína franziu o cenho, descontente: — Eu vou sim. Se você não me deixar sair, eu corto minha língua!

Yago baixou levemente as pálpebras, com o olhar sombrio.

Janaína saiu batendo a porta.

Ele não a impediu.

Ao entrar no elevador, ela tocou o curativo no canto da testa.

Não sabia se ficaria com uma cicatriz.

Ela jurou para si mesma que, de agora em diante, seria inimiga mortal de Yago.

Ao encontrar Heitor, a primeira coisa que ele perguntou foi: — Alguém bateu na sua testa?

Ele estava vestido de forma parecida com a noite anterior, com cores vibrantes.

Janaína ajeitou o cabelo para esconder o corte: — Eu me esbarrei sem querer.

— Tanta pressa assim para o nosso encontro?

Ela negou instintivamente: — Não, foi à tarde que eu me machuquei por acidente.

Heitor fez uma pausa e caiu na gargalhada: — Que acidente mais oportuno, hein.

Janaína ficou irritada.

Heitor passou o braço pelos ombros dela: — Tudo bem, parei de te provocar.

Janaína rapidamente segurou a mão dele: — Não vamos ao cassino agora. Que tal se você me ouvir cantar um pouco?

Heitor arqueou as sobrancelhas: — Por que não?

Chegaram ao camarote da casa noturna de ontem.

Heitor comentou: — Te mandei mensagem ao meio-dia, por que não respondeu?

— Mandou? — Janaína pegou o celular para conferir e viu que era verdade. Naquela hora, ela estava ocupada orientando o trabalho da assistente e emendando duas reuniões por vídeo. Estava realmente atarefada.

Ela disse casualmente: — Achei que você dormisse durante o dia.

Heitor deu um risinho: — Dormir o quê? Estou trabalhando feito louco.

Janaína: — ?

— Você acha que a família Zhao conquistou um lugar na indústria do entretenimento de Macau baseada apenas no poder que tem em Xangai?

Janaína: — Não é assim?

— Então você está muito enganada, mocinha. Deixe-me te contar: às vezes, o poder é justamente a faca que te mantém sob controle.

Janaína ouvia com atenção, mas Heitor não quis falar muito mais. Entregou o microfone a ela: — Solta o vozeirão para o seu primo ouvir.

Janaína escolheu um dueto, mas Heitor não conhecia a música que ela selecionou.

— Pode trocar por outra?

— O que você sabe cantar?

Heitor procurou na lista: — Pode ser esta aqui, "Amar é Difícil", do Leslie Cheung.

O falecido tio da Janaína costumava cantar essa música para ela.

A música começou com a voz feminina: — "O melhor seria amar enquanto houver vida..."

Heitor arqueou as sobrancelhas e pegou o microfone para acompanhar: — "A vida, na verdade, visa encontrar um parceiro..."

No auge da cantoria, o celular que Janaína segurava começou a vibrar intensamente. Ela deu uma olhada.

Era o Lucas, que estava sumido há dias!

Ela se levantou de repente: — Er... minha barriga está doendo, vou ao banheiro rapidinho.

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Ao pousar o microfone, ela discretamente tirou os fones de ouvido e os guardou na bolsa.

Entrou sozinha no banheiro e atendeu.

— Janaína.

Ao ouvir aquela voz, as emoções de Janaína oscilaram violentamente; ela quase chorou: — Onde você esteve todos esses dias!

— Tive alguns assuntos urgentes e fui para o exterior. A propósito, o que o Yago te levou para fazer em Macau?

Janaína disse com a respiração ofegante: — Ele quer que eu seduza o Heitor.

— Seduzir o Heitor? — A voz de Lucas parecia chocada. — Conversamos quando você voltar. Organizei um voo para você, vá para o aeroporto agora mesmo.

A mente de Janaína ficou em branco por um instante. Hesitou por menos de dois segundos e aceitou imediatamente: — Estou indo agora.

Ela precisava fugir das garras de Yago imediatamente!

Ao sair, Janaína fingiu calma, tirou os fones da bolsa e voltou ao banheiro, jogando-os decisivamente na privada e dando descarga.

Ela não conseguia pensar em nada agora, só queria voltar para Xangai.

Pelo menos o Lucas não a trataria como o Yago.

Bastaria ela fazer um pouco de charme e o Lucas provavelmente daria a vida por ela.

Heitor, vendo que ela tinha pressa para ir embora, não a impediu, apenas perguntou: — Quer que eu te leve?

Janaína não recusou: — Sim, me leve ao aeroporto. E quero que você corra de verdade.

Heitor não perdeu tempo e saiu dirigindo.

— Vai buscar alguém?

Janaína balançou a cabeça: — Pegar um voo.

Heitor ficou surpreso: — Já vai embora? Tão rápido?

Janaína sorriu: — Pois é.

Heitor logo adivinhou: — Foi o telefonema do meu primo agora há pouco?

Janaína não negou: — Hum.

Heitor riu novamente: — Jovens... brigam um dia sim, outro também. Sorte que meu primo tem um gênio bom; qualquer outro não seria tão paciente.

No aeroporto de Macau, Janaína saiu correndo. Felizmente, o aeroporto era pequeno e em poucos passos ela chegou ao portão de embarque.

Ela entrou no avião ansiosamente e esperou, inquieta, até que a aeronave decolasse. Quando finalmente se estabilizou no ar, ela olhou para as nuvens lá fora e soltou um longo suspiro de alívio.

Foi então que, vinda de trás, soou aquela voz grave e perversa que ela menos queria ouvir: — Fugindo sem a minha permissão? Acho que você está cansada de viver.

Capítulo 28: Você fugiu, e por isso deve ser punida

Os pelos do corpo de Janaína se arrepiaram instantaneamente.

Aquele foi, sem dúvida, o momento mais aterrorizante de seus vinte e um anos de vida.

Sem exagero.

Ela deu um beliscão forte na própria coxa, forçando-se a se acalmar rapidamente.

Como um pássaro assustado, percorreu o interior da cabine com os olhos arregalados.

Ela estava no jato particular que Lucas havia providenciado; o espaço era pequeno e tudo estava visível.

A aeromoça que estava servindo bebidas já havia se retirado discretamente.

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Janaína respirou fundo e, de repente, encontrou aqueles olhos sombrios ao extremo. Antes que ele pudesse dizer "venha aqui", ela se arrastou até os pés dele e envolveu sua cintura esguia com os braços.

Abraçou-o com força, enterrando o rosto em seu peito e exclamando: — Eu achei que nunca mais veria você, que susto eu levei!

É claro que apenas a segunda metade era verdade.

Mentiras misturadas com verdades são as mais fáceis de passar.

Já que haviam se encontrado, não seria bom para ninguém perder a compostura agora.

Yago baixou o olhar com curiosidade.

— Achou que nunca mais me veria? O que aconteceu?

Havia um tom de surpresa e preocupação em sua voz.

Vejam só, o talento dramático dela não era de se jogar fora.

Janaína assentiu freneticamente e disse com voz de choro: — Eu tomei um gole de bebida no camarote do seu irmão e apaguei. Depois... depois, eu não sei o que aconteceu.

— Quando acordei, recebi uma ligação do Lucas dizendo que algo tinha acontecido com você e que eu precisava voltar correndo. Eu... eu fiquei com medo e vim para o aeroporto...

Com o rosto enterrado no peito dele, ela não via a expressão do homem, mas ouviu-o soltar uma risadinha baixa sobre sua cabeça.

A palma da mão quente de Yago logo pousou na nuca dela. O coração de Janaína disparou, sentindo que algo ruim viria; seus ombros começaram a tremer incontrolavelmente.

Mas a mão dele apenas acariciava seu cabelo, repetidamente, com uma ternura assustadora.

Janaína ergueu a cabeça com os olhos vermelhos; naquele curto espaço de tempo, conseguira espremer algumas lágrimas.

A mão que acariciava seu cabelo desceu para trás da orelha, e o polegar limpou suavemente as lágrimas em sua bochecha. Yago inclinou-se e beijou sua testa.

Naquele momento, Yago estava incrivelmente gentil.

Janaína, sentindo-se quase levada pelo momento, envolveu o pescoço dele e o olhou com os olhos marejados. Ela se aproximou e parou bem antes de tocar os lábios dele, com a boca entreaberta, num gesto de sedução.

Por muito tempo, o beijo esperado não aconteceu.

Janaína não aguentou e abriu os olhos.

Viu um brilho perigoso no olhar de Yago. Aquela mão grande acariciava sua bochecha de forma lenta, causando uma sensação quente e irritante.

— Se ouviu dizer que algo aconteceu comigo, por que não veio me salvar?

Janaína comprimiu os lábios: — O Lucas disse que já tinha mandado gente para te resgatar e pediu para eu não atrapalhar.

O motivo era lógico e coerente, sem furos.

Mas, assim que terminou de falar, a mão dele apertou com força a nuca dela.

O corpo de Janaína ficou tenso instantaneamente.

Yago deu uma risada fria: — Sem lógica, mentiras descaradas, cheia de furos. Você não consegue nem inventar uma mentira completa. Janaína, você é tão medíocre assim?!

A respiração de Janaína ficou ofegante. Pensando que estavam a milhares de metros de altura, ele poderia até jogá-la para fora se ficasse furioso!

Ela realmente se rendia a ele!

— Yago, por causa do Hugo, eu estou realmente apavorada. Envolve a "queridinha" do Lucas. Se eu não obedecer a ele, não sei o que mais pode acontecer.

— Quer dizer então que você está entre a cruz e a espada, entre eu e meu primo?

Janaína assentiu vigorosamente: — Exatamente! Vocês dois são grandes figuras com quem eu não posso me meter!

— Se você, Yago, fosse todo-poderoso, eu não precisaria me cansar tanto assim!

Ela estava sendo irônica.

Ele a chamara de medíocre, mas, para ela, ele também não era lá essas coisas.

Na família Zhao, ele não tinha poder de decisão; provavelmente passara a vida inteira baixando a cabeça para os outros.

Lá fora, era o presidente de uma empresa listada na bolsa, mas bastaria uma palavra de quem detém o poder político ou financeiro para que ele não fosse nada.

Yago leu em seus olhos todo o desprezo que ela sentia por ele, e acabou curvando os lábios: — Janaína, você realmente me surpreende.

Janaína não entendeu: ele acabara de chamá-la de medíocre e agora dizia que ela o surpreendia?

Sentindo que o clima havia melhorado, ela se levantou do chão, sentou-se comportadamente no assento vago ao lado de Yago e afivelou o cinto de segurança.

Yago também não falou mais nada, apoiando a cabeça na mão e fechando os olhos para descansar.

Janaína tocou o curativo na testa e acabou pegando no sono também.

Ao acordar, a lua estava alta no céu. Ela seguiu Yago para fora do avião e entrou no carro, ainda meio grogue.

Só depois de um tempo percebeu que algo estava errado.

Eles estavam em Suzhou!

Janaína olhou para ele com pavor.

Yago sorriu com deboche: — O quê? Quando estava no avião, não pensou que este seria o resultado?

— YA-GO!

Janaína agarrou o colarinho dele: — Mande o motorista parar agora!

Yago não se mexeu um milímetro, olhando para ela com indiferença: — Mesmo que você volte correndo, não verá o Hugo. Eu já disse: você só pode me obedecer, caso contrário, todas as culpas recairão sobre ele.

— Você é um cafajeste!

— Yago, você é um cafajeste!

Num acesso de raiva, Janaína tentou abrir a porta para pular do carro em movimento.

Como resultado, antes mesmo de tocar na porta, foi puxada de volta no segundo seguinte. A parte ferida de sua testa colidiu contra o peito rígido dele.

Com o impacto, ela quase desmaiou.

— Yago... antes, eu realmente te entendi mal.

— Entendeu mal? — O olhar que Yago lançou era enigmático, mas a garota não aguentou e desmaiou.

Aquele impacto foi realmente forte demais.

Yago carregou Janaína para dentro da mansão. O mordomo aproximou-se para perguntar: — Jovem mestre, quer que eu chame um médico?

Ele continuou caminhando: — Eu mesmo cuido dela.

Ao entrarem no quarto, Janaína acordou. Uma dor latejante vinha da testa; ela não conseguia abrir os olhos e agarrou um braço que estava próximo, segurando-o com força.

— Eu já fiz o que você pediu, você não pode voltar atrás.

— Não vou voltar atrás. — Yago respondeu calmamente. — Mas, pelo fato de você ter tentado fugir, você deve ser punida.

Janaína mordeu o lábio com força.

— Não me torture mais. Eu... eu preferia nunca ter te conhecido.

Yago deu um leve sorriso: — Uma vez que a flecha é disparada, não há caminho de volta. Janaína, eu te dei chances no começo, lembra?

O peito de Janaína subia e descia levemente.

É claro que ela lembrava.

Na primeira vez, Yago dissera seriamente: — "É melhor não ficarmos muito próximos."

Na segunda vez, ele dissera com desdém: — "Eu não sou um homem bom, costumo abandonar as pessoas depois de usá-las. Algumas coisas é melhor nem começar."

E na terceira vez, quando ele estava prestes a falar, Janaína ficou na ponta dos pés e o beijou, calando sua boca, expressando seu desejo por ele de forma fervorosa e direta.

Yago ficara estático, reagindo como um adolescente tímido, querendo responder ao beijo, mas hesitando por muito tempo.

Naquele dia, Janaína fez questão de rasgar aquela fachada de homem educado e correto, arrastando-o para a suíte do hotel.

Na primeira vez deles, ela foi quem comandou a primeira metade.

Depois, Yago a beijou com vontade, dizendo com a voz rouca e extasiado: — "As mulheres que voltam do exterior são realmente diferentes."

Mas, antes de tudo, ele realmente havia avisado: — "Janaína, não se arrependa. Se você se arrepender, farei com que pague um preço alto pelo que está fazendo hoje."

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