Capítulo 25: Onde você mora? Eu te levo
Heitor sustentou o olhar suave dela e arqueou uma sobrancelha: "Veio a trabalho?"
Janaína assentiu: "Sim."
"Então, então..."
Heitor hesitou por um momento, pensando se ela não teria sido enviada por sua tia. Por azar, aquela cena na porta agora há pouco tinha sido vista por ela.
Ele se sentou no sofá e limpou a garganta: "Diga a verdade, minha tia te mandou para me vigiar?"
Janaína fez um silêncio proposital antes de responder: "Não, sua tia nem sabe que estou em Macau."
Assim que terminou de falar, a voz grave de Yago ecoou no fone de ouvido: "Janaína, não preciso te lembrar que você não é mais a esposa do herdeiro dos Lucas, preciso?"
Ao perceber que ele a havia desmascarado, Janaína franziu o cenho involuntariamente.
A voz no fone continuou: "Eu mandei você seduzi-lo, tornar-se a mulher dele. Fui claro?"
Janaína sentiu um amargor no peito e apertou as pontas dos dedos com força.
Heitor a observava: "Se não foi minha tia, quem foi então?"
Janaína recuperou o foco rapidamente: "Eu me divorciei do seu primo. Acabamos de assinar os papéis."
"Hã!" Heitor ficou chocado. "Você e o Lucas se divorciaram? Como eu não soube de algo tão sério?"
"Você tem estado em Macau ultimamente, é normal não ter ouvido falar." Janaína abriu uma garrafa de bebida, tomou um gole por conta própria e sorriu: "Não vamos falar de coisas tristes. Primo, me acompanhe um pouco, pode ser?"
Heitor pegou a garrafa que ela lhe estendeu, com uma expressão confusa.
Janaína sentiu que a guarda de Heitor estava estranhamente alta.
Prestes a dizer algo, ouviu novamente a voz de Yago: "Beber é entediante. Faça com que ele te leve ao cassino daqui."
Este lugar era uma casa noturna, mas também tinha cassino?
Não parecia haver nenhuma placa do lado de fora.
Janaína pegou a garrafa de volta das mãos de Heitor e sugeriu com entusiasmo: "Primo, me leve para jogar no cassino?"
Heitor levantou-se: "Não tenha pressa. Espere aqui, vou ao banheiro."
Janaína sabia que ele estava indo ligar para confirmar a história.
Alguns minutos depois, Heitor voltou, com os olhos estreitos: "Você realmente se divorciou do meu primo. Impressionante."
"O que tem de impressionante? Foi perguntar a ele?"
Heitor tocou o ombro dela: "Não exatamente. Perguntei à minha mãe. Quer ir ao cassino, não é? Vamos, vou arriscar a pele para te acompanhar."
Janaína o seguiu, mas ao ver que estavam saindo, segurou o braço dele: "Não tem um aqui dentro?"
"As pessoas daqui não são agradáveis."
Janaína ainda esperava ordens pelo fone, mas como não ouviu nada, seguiu com ele.
Ao sentar no banco do passageiro daquele superesportivo, ela respirou fundo.
Heitor deu um sorriso relaxado: "Não tenha medo, eu não dirijo rápido."
Janaína não acreditou nem um pouco; quanto mais ele dizia isso, mais nervosa ela ficava.
"Sério, não é nada assustador. Relaxe."
O carro arrancou e, como ele prometera, seguiu em velocidade moderada.
Parado em um sinal vermelho, Heitor olhou de soslaio: "Ouvi dizer que você pediu o divórcio. Meu primo é um cara legal, por que você fez isso?"
Janaína não soube o que responder.
O sinal abriu, Heitor pisou no acelerador e o ronco do motor ecoou: "Tudo bem, se não há amor, melhor separar. Diga-me, quanto da fortuna do meu primo você conseguiu?"
Janaína comprimiu os lábios e continuou em silêncio.
Heitor continuou falando sozinho: "Seu próximo alvo não serei eu, será?"
Como se tivesse percebido algo tarde demais, ele bateu com força no volante.
"Escute bem, eu não sou um homem bom. Se eu descobrir que alguém está brincando com meus sentimentos, farei com que essa pessoa não veja o sol de amanhã."
Janaína, no entanto, sorriu.
Heitor ironizou: "Você realmente não tem medo de brincar com fogo?"
Janaína devolveu com um sorriso: "Existe alguma mulher perto do Heitor que seja sincera com você?"
"Essa pergunta não tem a menor graça."
Heitor pareceu se interessar: "Elas são diferentes de você. O posto de esposa principal é algo que só você tem coragem de desejar."
Janaína desdenhou: "Quem disse que eu quero ser sua esposa? Eu nem gosto de você."
Heitor apenas sorriu.
O carro parou em um hotel de luxo.
Janaína o seguiu até o cassino.
As luzes ali eram brilhantes. Heitor a olhou de cima a baixo e elogiou: "Muito bonita."
Janaína deu um sorriso doce e protocolar: "Você também é muito atraente."
Heitor arqueou a sobrancelha: "Só por esse comentário, eu pago suas apostas hoje."
Janaína foi rápida: "Obrigada, Heitor."
Heitor balançou a cabeça: "Esse 'Heitor' vindo de você... sinto que vai me custar a vida."
"Imagina. No máximo metade da sua fortuna."
Heitor riu: "Você é a primeira a ser tão honesta comigo. Foi assim que seduziu o Lucas?"
Janaína o ignorou e começou a apostar fichas. Assim que entrou, sua atenção não estava mais nele.
Ela estava com sorte e, em pouco tempo, ganhou uma bolada.
"Nada mal", Heitor fez um sinal de positivo. "Uma deusa do jogo."
Janaína negociou com ele: "O que eu ganhei é meu?"
Heitor deu de ombros: "Se quiser levar até o capital inicial, eu não me importo, desde que esteja feliz."
"O capital eu dispenso, não sou gananciosa", Janaína pensou por um momento. "Que tal eu te pagar algo para comer?"
"Combinado."
Heitor a levou a um restaurante tradicional. O ambiente não era sofisticado, mas a comida era realmente boa.
"Bom, não é? Sempre que bebo demais, venho aqui."
Janaína elogiou a comida, mas perguntou: "Quantas garotas você já trouxe aqui?"
Heitor riu: "Impossível contar."
Janaína testou o terreno: "A Beatriz sabe que você é tão libertino em Macau?"
Para sua surpresa, ele respondeu: "Claro. Por quê? Quer ir contar para ela?"
Janaína ficou incerta: "Ela sabe mesmo, ou não sabe?"
"Ela sabe", Heitor disse claramente, palavra por palavra. "Ela sempre soube exatamente que tipo de homem eu sou."
Janaína estacou. As entrelinhas sugeriam que a relação dele com a Beatriz era inabalável?
Cada um vivia sua própria vida.
Após o lanche, caminharam um pouco e, sem perceber, chegaram à porta de um hotel de luxo.
Janaína apertou a alça da bolsa, sentindo-se cada vez mais inquieta.
Afinal, ela não tinha total confiança no plano.
Heitor parou de repente e olhou para o lado, bloqueando a luz do poste que batia no rosto de Janaína.
Ela recuou um passo instintivamente e soltou: "Vamos para o hotel?"
O olhar de Heitor era indecifrável. Ele a observou por um tempo e depois sorriu: "Eu não moro aqui. Se você não tiver onde ficar, posso reservar um quarto para você. Fique o tempo que quiser."
Janaína desviou o olhar: "Não precisa, eu tenho onde ficar."
"Onde? Eu te levo."
"Não precisa, o Sr. Heitor deve ter seus compromissos."
Janaína começou a se afastar e Heitor permaneceu parado.
"Tem certeza?"
"Tenho." Janaína entrou num táxi como se estivesse fugindo e finalmente respirou aliviada.
Ao voltar para o hotel, viu Yago sentado no sofá bebendo.
Metade de uma garrafa de uísque já tinha ido embora.
Janaína não pretendia falar com ele, mas ele a chamou: "Você leva jeito, hein."
Janaína não entendeu: "Seu irmão está claramente desconfiado de mim."
Talvez Heitor já tivesse percebido que a aparição dela fora planejada. Ele era muito alerta; alguém em sua posição e de família influente costuma ser mais esperto do que se imagina.
Parecia estar rodeado de amigos playboys, mas talvez estivesse apenas fazendo negócios.
Em resumo, a impressão que Heitor passara naquela noite era o oposto de seu terno de cores berrantes.
O que está no sangue não muda.
Yago pousou o copo: "Por que diz isso?"
"Primeiro, ele não me levou ao cassino da casa noturna. Segundo, ele não me levou para o hotel... para dormir."
Ela também suspeitava que o verdadeiro objetivo de Yago fosse o cassino daquela casa noturna específica.
Talvez houvesse algo ilícito ali!
Após falar, Janaína virou-se e abriu uma garrafa de água mineral. Ao erguer a cabeça, encontrou o olhar de Yago pelo espelho e baixou os olhos imediatamente.
A reação dela o fez rir: "Quanta confiança você tem agora de se tornar a mulher dele?"
Ouvir aquilo a deixou mal. Apertou a garrafa com força, querendo descontar sua raiva nela.
Ao se virar, Yago já estava diante dela. Ele se inclinou, apoiando as mãos na mesa atrás dela, prendendo-a em seus braços com um tom ambíguo: "A pequena Huan está brava comigo? O que eu devo fazer?"
Dito isso, ele a beijou com ardor.
Capítulo 26: Você não aguenta a brincadeira?
— Hum... não!
Nesse instante, a água mineral que Janaína segurava jorrou, molhando os dois e o chão à frente.
Ela não conseguiu conter a náusea em seu peito e o empurrou com força.
Praticamente não o moveu.
A água derramada, porém, cortou o clima de Yago.
Ele parou, com um semblante frio e impaciente.
Janaína segurava a garrafa meio vazia com uma mão e agarrava o colarinho dele com a outra, toda a sua aversão estampada no rosto: — Não me toque!
A fúria dela pareceu encorajá-lo. Yago a virou rapidamente, prendendo suas mãos nas costas dela com uma só mão e segurando seu queixo com força.
Pelo espelho, Janaína viu sua posição de submissão, sentindo-se humilhada.
O homem que a controlava por trás não tinha um pingo de ternura no olhar.
Ela fechou os olhos para não ver mais nada.
Uma risada baixa e sarcástica soou em seu ouvido: — Não tem coragem nem de encarar a si mesma?
Janaína tremia de raiva, mas não conseguia se soltar: — Yago, não sei como te irritei de novo, eu peço desculpas, mas por favor, não faça isso comigo. Pelo menos esta noite, não.
— Esta noite não?
Sua demonstração de fraqueza pareceu ganhar a piedade dele por um momento, mas logo a risada de Yago ficou mais cruel: — O quê, na porta do hotel com meu irmão, não foi você quem o convidou? Não quer comigo, quer com ele?
Janaína: — ...
— ...O que você quer dizer com "convidei"? Não foi você quem me mandou seduzi-lo? Por acaso está com ciúmes?
Ela abriu os olhos bruscamente, encontrando os olhos perversos de Yago.
Ela reuniu coragem e disse: — Você não aguenta a brincadeira?
Yago a prensou contra a parede com mais força.
Parecia que ela tinha acertado em cheio.
Ele a usava para seduzir Heitor, mas não suportava ver outro homem desejando sua mulher, ainda mais sendo Heitor.
Nem tinham feito nada e ele já estava assim tão furioso?
Por isso, nos momentos seguintes, não importava como Yago a provocava ou punia, ela sentia uma pontinha de satisfação lá no fundo.
...
Janaína estava com os braços sem forças apoiados na borda da banheira, os olhos vazios fixos no homem que fumava sentado dentro da banheira.
Ela já decidira o que faria amanhã.
Yago estendeu a mão para a taça de vinho, tomou um gole e disse calmamente: — Amanhã, espere que ele te procure.
Janaína esboçou um sorriso irônico: — E se ele não procurar?
— Isso só provaria que seu charme é insuficiente.
Janaína o encarou: — Você não vai voltar atrás no que me prometeu, vai?
Os lábios de Yago se curvaram num sorriso sem alegria, apenas frio: — Você ainda tem o Sr. Lucas, não tem? Se não der certo comigo, pode pedir ajuda a ele.
Janaína: — ...
Ele pousou a taça vazia, saiu da banheira e foi para o chuveiro. O som da água caindo preencheu o ambiente.
Janaína desabou sobre a borda da banheira, o peito subindo e descendo com força. Logo, lágrimas silenciosas começaram a cair.
Por algum motivo, ela só queria chorar.
Yago saiu do banho e viu a cena.
Janaína mordia o próprio braço, virada de costas para ele.
Yago foi até a banheira, tirou-a de lá e a secou com uma toalha.
Ela permaneceu de cabeça baixa, em silêncio.
O olhar de Yago sobre ela não tinha temperatura, e suas palavras foram ainda mais cruéis: — Você não é mais criança. Não é chorando que vai ganhar doces.
Os lábios de Janaína tremiam violentamente. Ela não conseguia dizer nada, apenas ergueu os olhos avermelhados e ficou encarando-o.
Yago deu outro sorriso, secou o cabelo dela com o secador, levou-a para a cama e deixou um copo de água morna na cabeceira antes de sair do quarto.
Ele pretendia dormir com ela, mas parece que ela não queria.
No dia seguinte, Janaína acordou cedo, mas Yago já tinha saído.
Ela ficou no quarto até escurecer, quando Yago finalmente voltou.
Ao abrir a porta, o quarto estava na completa escuridão.
Ele procurou por toda a suíte e finalmente encontrou a garota encolhida num canto.
Ele parou diante dela, olhando-a de cima.
— O Heitor não ligou?
Ao ouvir a voz, Janaína piscou uma vez, como resposta.
Ela estava num estado de total prostração.
Na verdade, ela não ficara ociosa no hotel; passara o dia resolvendo assuntos da empresa, tentando contato com Lucas e buscando notícias sobre o Hugo.
Mas ninguém atendia, e o advogado não trazia avanços.
Agora, ela estava exausta.
Yago se agachou, pegou-a no colo e sentou-se no sofá. Acendeu uma pequena luminária e só então viu como o rosto dela estava pálido, quase transparente.
— Dor de estômago?
A mão dele, com um calor seco, tocou a parte superior do abdômen dela. Janaína não conseguiu conter um estremecimento.
— Dói...
— Você é realmente difícil de cuidar.
Yago ligou pedindo que trouxessem remédios e o jantar.
Logo, ele estava dando o remédio de estômago na boca dela.
Janaína começou a se recuperar aos poucos.
Yago ia pegar o celular dela, mas no segundo seguinte ela o tomou de volta.
Ele lançou-lhe um olhar afiado: — O que há que você não pode mostrar para o seu namorado?
— Então me dê o seu celular para eu ver primeiro? — Janaína enfiou o aparelho no bolso rapidamente, afastando-se dele e sentando-se à mesa para comer.
O semblante de Yago ficou sombrio: — Você realmente acha que temos uma relação de igualdade entre homem e mulher?
Janaína sentou-se ereta: — Você ainda não resolveu o meu problema, nem me deu dinheiro. Por que não haveria igualdade?
— Língua afiada. Vejo que preciso te explicar as minhas regras novamente.
— Que regras?
Antes que terminasse de falar, Janaína foi agarrada pela gola de trás da roupa, como se fosse um bicho, e puxada para fora.
— Onde você vai me levar? Eu não vou!
Ela usou toda a força para abraçar o pé da mesa: — Me diga primeiro para onde vamos!
Antes que pudesse reagir, seu corpo colidiu com o chão.
Sua mente ficou em branco, o sangue subiu à cabeça e, antes que pudesse sentir a dor, os sapatos de couro impecáveis de Yago surgiram em seu campo de visão.
A ponta do sapato ergueu o queixo dela, forçando-a a encarar aqueles olhos sem temperatura.
A palma de sua mão no chão estava gelada: — O que você vai fazer?
A voz grave de Yago, fria como gelo, soou lentamente: — Vou te ensinar as minhas regras.
Naquele momento, ele parecia outra pessoa.
Um demônio saído do inferno!
Janaína lutava, usando todas as forças, mas não conseguia se livrar daquelas mãos de ferro.
— Me solte!
Não importava o quanto ela gritasse, Yago a arrastou até o banheiro onde estiveram na noite anterior.
Aquelas palavras de ciúme de ontem, que pareciam querer fundi-la ao seu corpo, desapareceram num instante.
Ele a colocou na banheira e ligou o chuveiro lateral. A água fria caiu sobre ela, entrando em seu nariz e abafando sua voz.
Como um peixe moribundo, Janaína tentou agarrar a calça dele, mas foi repelida antes mesmo de tocar.
Ela bateu contra a banheira, sentindo uma dor como se seus ossos fossem quebrar.
Num acesso de fúria, Janaína gritou: — Yago, por acaso eu cavei o túmulo da sua mãe para você me tratar assim?!
A expressão de Yago congelou visivelmente.
Janaína encolheu-se num canto da banheira e disse entre dentes: — Tal mãe, tal filho. Você e sua mãe são uns bastardos! Ratos de esgoto malditos!
Talvez pelo desespero, ela foi capaz de dizer tais coisas.
E foi libertador!
Se não podia vencer na força, que vencesse nas palavras.
No entanto, logo após falar, algo passou pelo canto de seu olho e, no susto, ela acabou batendo a cabeça contra a parede.