Capítulo 11: Só tenho um nome
Janaína fechou os olhos e repetiu: "Acabou. Por favor, me deixe em paz."
A expressão de Yago voltou a ficar séria e fria: "Então você está voltando atrás no que disse?"
Janaína: "Sim, me arrependi."
Parecia que ele não estava aceitando bem a rejeição.
Yago a encarava com um olhar gélido, como se pudesse matar. Ela não recuou, mas o cansaço mental a abateu após o confronto prolongado.
Sem forças, ela acabou desfalecendo.
Ele a amparou em seus braços, deixando-a apoiar a cabeça em seu ombro, enquanto alisava o cabelo dela que havia sido desarrumado.
Janaína ouvia as batidas fortes do coração dele. Não ousava se mexer ou mesmo respirar com força.
Nenhum dos dois dizia nada; o silêncio era aterrador. Pouco depois, ela percebeu que o carro havia parado à beira do rio.
A noite estava densa. Ao erguer o rosto, deu de cara com o olhar sombrio dele.
Estava calmo, mas carregado de questionamento.
Janaína, pálida, perguntou: "O que foi?"
O motorista saiu do carro para vigiar o local, deixando-os a sós. Yago foi direto ao ponto: "Na mesa de mahjong, você mentiu, não foi?"
Janaína ficou confusa: "Que mentira?"
O tom dele era de um interrogatório policial, o que a deixava desconfortável: "Você sabe qual."
Sentada no colo dele, com apenas finas camadas de tecido entre eles, o calor abrasador da pele dele parecia queimar a sua. Era impossível ficar à vontade.
Eles estavam tão próximos que os lábios quase se tocavam. O hálito quente com um leve aroma de vinho envolvia o rosto dela, tornando o clima ambíguo.
Janaína tentou se acomodar em outra posição, com os olhos demonstrando irritação: "Você me traiu primeiro."
Yago respondeu com um tom que misturava ternura e deboche: "Você é apenas uma criança com valores mal formados."
Janaína: "..."
Ela não podia aceitar aquilo: "Você diz que meus valores são distorcidos, mas e você? O que você é? Para atingir seus objetivos, aceitou ser o 'amante'..."
Ao encontrar o olhar gélido dele, a última palavra travou na garganta.
Ela sabia que não devia cruzar certas linhas.
"Eu nunca disse que era um homem bom", admitiu Yago com franqueza. "Não precisa ter medo, eu não vou te trair."
Ela achou aquilo estranho: "Eu não guardo rancor por isso. Você conseguiu o que queria do Lucas. Da próxima vez que estivermos em público, por favor, finja que não me conhece."
Yago achou graça: "Eu não estava falando sobre isso."
"Não?" Janaína pensou se ele estaria incomodado com a boa relação dela com Quitéria. "Então sobre o que é?"
Yago segurou-a pela cintura e a trouxe para mais perto: "Você acha mesmo que o Lucas não investigou o seu passado antes do casamento?"
Janaína permaneceu impassível: "Por que falar dele? Não temos mais nada a ver um com o outro."
"Mesmo que ele não tenha feito, você acha que a família dele deixaria uma mulher sem origens conhecidas entrar para a família?"
"E por acaso", Janaína ironizou, "o senhor está interessado nas minhas origens?"
No interior escuro do carro, os olhos dele pareciam perfurar a alma dela.
Yago soltou uma risada sarcástica: "Como é que eu nunca ouvi dizer que aquele empresário tinha uma filha tão jovem?"
"Quem eu sou não é da sua conta. Você não vai se casar comigo mesmo."
"E como você sabe que eu não vou!"
Como você sabe que não vou...
As pontas dos dedos de Janaína tremeram.
Um sorriso enigmático surgiu nos lábios de Yago. Ele mudou o rumo da conversa no segundo seguinte: "Estamos só nós dois aqui, Jana. Você pode me contar o seu outro nome?"
Janaína foi categórica: "Eu só tenho um nome."
"Sério?" Yago a olhava com ternura. "Quando você mente, esses seus olhos lindos ficam bem arregalados."
Janaína lembrou-se daquele dia. Era Halloween, ela estava fantasiada e depois ficou com o rosto sujo de cinzas.
Ele não deveria ter visto claramente como ela era.
Se ele a tivesse reconhecido desde o início, certamente teria feito piada com ela.
Era muito provável que ele soubesse que aquele empresário não tinha filhas.
Após um breve silêncio, Janaína elevou o tom de voz: "Eu reajo assim quando estou brava ou com medo. Parece que você não me conhece tão bem assim."
"Você não é nada obediente, Jana."
Assim que ele terminou de falar, Yago bateu no vidro do carro e o motorista entrou.
"Partir", ordenou Yago.
O motorista, enquanto ligava o carro, informou: "Alguém está nos seguindo."
Um brilho de esperança surgiu nos olhos de Janaína.
Quando foi forçada a entrar no carro, não teve chance de pedir ajuda ao Hugo.
Mas essa esperança logo foi apagada.
Sob o sinal de Yago, o motorista acelerou bruscamente.
Capítulo 12: Não ouse falar em término novamente
O carro disparou pela via de forma selvagem, ultrapassando outros veículos sem parar.
O coração de Janaína saltou à boca. No colo de Yago, ela era segurada com força para não ser arremessada.
Mesmo assim, ela agarrou a camisa dele involuntariamente: "Você enlouqueceu? Mande parar! Vamos sofrer um acidente!"
Hugo era extremamente competitivo e fora um piloto de corridas audacioso no exterior; ele não desistiria facilmente!
O pânico dela contrastava com a frieza de Yago: "Você não disse que gostava de emoções fortes?"
"Eu nunca disse isso!"
Janaína franziu a testa com força. Pelo vidro, via o carro de Hugo aparecendo e desaparecendo. Vendo que estavam prestes a colidir, ela fechou os olhos de pavor.
Isso arrancou um riso baixo de Yago.
Janaína soltou um grito.
Yago acariciou a cabeça dela, reclamando: "Que barulheira."
Janaína abriu os olhos, ainda trêmula.
Felizmente não bateram; parecia que haviam despachado o carro de Hugo.
No viaduto, as luzes de neon que entravam pela janela faziam o perfil do homem parecer ainda mais implacável.
Ele estava totalmente calmo, parecendo confiar plenamente no motorista.
Janaína mordeu o lábio inferior. O braço que a envolvia pelas costas apertava com tanta força que parecia que ia esmagar seus ossos.
Ela implorou com uma voz sofrida: "Por favor."
Yago a induziu com voz baixa: "Me conte a verdade, Jana. Sim?"
Janaína mordeu os lábios pálidos: "Eu me feri. Ontem sofri um acidente de carro, fiquei inconsciente na hora e dormi a noite inteira."
O olhar de Yago permaneceu neutro: "Ferida e jogando mahjong? Seu vício é realmente grande."
A reprimenda fria soou com total indiferença.
Janaína sentiu um profundo desapontamento.
Ao descer do viaduto, o carro retomou as ultrapassagens e a perseguição. Janaína foi jogada de um lado para o outro. Sentindo ondas de tontura, ela mordia os lábios para tentar manter a consciência.
Yago abaixou o vidro e o vento gelado entrou. Mas o que a fez tremer mais foram as palavras dele: "Você pode me contar o seu outro nome em segredo?"
O vento soprava forte, impedindo Janaína de abrir os olhos. Ela entreabriu os lábios para dizer algo, pensando se ele queria que ela revelasse sua identidade ao mundo.
No fim, ela não soube se chegou a falar. Suas pálpebras pesaram e até a voz grave em seu ouvido começou a ficar turva: "Não ouse falar em término novamente!"
...
Quando acordou novamente, Janaína sentiu o cheiro familiar de hospital.
A pessoa sentada ao lado da cama percebeu que ela acordou e a chamou com voz suave: "Jana."
Ela franziu a testa e forçou-se a abrir os olhos: "O Sr. Lucas errou de quarto?"
Ela olhou para o relógio na parede: exatamente três horas da manhã.
A essa hora, ele deveria estar na cama da outra mulher, ou em casa, ou na empresa... em qualquer lugar, menos ali.
Lucas estava com o semblante carregado de preocupação. "Aconteceu algo tão grave e você ainda fica correndo por aí."
Janaína puxou a mão que ele segurava: "Mesmo que eu vá para os confins do mundo, isso não é da sua conta, Sr. Lucas."
Quando os dedos de Lucas estavam prestes a tocar o rosto dela, ela virou a cabeça rapidamente: "Sr. Lucas, nós estamos divorciados!"
A mão dele parou no ar e ele a recolheu, conformado.
"Jana, mesmo divorciados, ainda somos família. A partir de agora, não importa o que aconteça, você deve me contar. Não me deixe preocupado."
Janaína duvidou do que ouvia. Ela virou-se e encarou aqueles olhos escuros por trás das lentes.
Esse homem impecável, ao contrário de Ricardo da família do Yago, era sem dúvida o partido perfeito para qualquer moça da elite.
Ela ouvira dizer que, antes do casamento, Lucas só tivera um relacionamento sério e era conhecido como um homem prático, dedicado e fiel.
Ela simplesmente não conseguia entendê-lo.
Janaína deu um sorriso amargo e irônico: "O Sr. Lucas não acha que agir assim pode manchar a sua reputação?"
"Não creio", respondeu ele com um leve sorriso de descaso. Ele ajeitou o cobertor dela e, de repente, inclinou-se e depositou um beijo leve em sua testa.
Janaína: "..."
Antes que ela pudesse reagir, Lucas já havia se erguido e batido levemente com os dedos em uma garrafa térmica sobre a mesa: "Os empregados prepararam uma sopa para você. Tome quando acordar."
Janaína ficou sem palavras por um momento.
Logo que se casaram, Lucas dizia que ela era magra demais e que qualquer vento a fazia espirrar; por isso, contratou nutricionistas e especialistas em medicina tradicional só para cuidar da saúde dela.
Em menos de dois meses, Janaína não apenas ganhou peso, como viu seus pequenos problemas de saúde desaparecerem, até mesmo as dores menstruais insuportáveis haviam melhorado.
Hugo estava encostado na janela, mordendo um canudinho, e assistiu a tudo em silêncio.
Assim que Lucas saiu, ele comentou com sarcasmo: "Parece que o Sr. Lucas gosta mesmo de um romance platônico."