Capítulo 057: O Despertar de Thiago
Ao cair em si, Íris sentiu que agira de forma estúpida. Além disso, por que estava tão nervosa? Era apenas um toque no canto da boca; parecia uma garotinha sem experiência, perdendo a compostura! Isso não combinava em nada com ela.
— Íris? — Thiago massageou a testa, como se tivesse acabado de acordar.
Nesse momento, Íris já havia recuperado a calma e sorriu: — Sim, sou eu.
Thiago olhou ao redor. — Este é o meu quarto? Por que você está aqui? Lembro de estar bebendo com dois amigos no Alvorada... Como eu voltei?
— Você realmente estava bebendo no Alvorada, e aqui é realmente a sua casa. Fui lá encontrar uma amiga, te encontrei bêbado e te trouxe de volta.
Thiago sentou-se, encostando na cabeceira da cama. — Como você sabia o endereço da minha casa?
— Liguei para perguntar. Esta cidade não é tão grande assim; embora poucos saibam onde você mora, não é um segredo absoluto.
— E como abriu a porta?
Íris desviou o olhar: — Eu te perguntei e você me deu a senha, esqueceu? Mas você estava muito embriagado, não é estranho que não se lembre.
Pequena mentirosa.
Durante todo o trajeto, ela não fizera uma única ligação. Veio direto para cá. E a senha da vila também não fora ele quem dissera.
Thiago fixou o olhar nela por cerca de meio minuto antes de desviar e massagear a testa novamente. — Bebi demais, nem lembro do que fiz. Peço desculpas pelo vexame.
— Isso não é nada demais. Mas, Irmão Thiago, por que bebeu tanto? Aconteceu algo que te aborreceu?
Já que ele acordara, ela precisava perguntar de novo. Sabia que Thiago era controlado e não ficaria naquele estado sem um motivo forte; ela não conseguia aceitar que fora apenas "por acaso".
Thiago lembrou-se do que Lucas dissera. O primo Thiago L. era realmente um problema. Se Íris ficasse ao lado dele, correria perigo. Ao ver a expressão dele, Íris teve certeza: havia algo errado.
Cruzando as memórias da vida passada com as informações recentes, ela fez uma análise rápida e teve um palpite. O que poderia preocupar Thiago só poderia ser a família dele ou alguém ligado a ela. Antes, um conhecido mencionara que Thiago L. estava prestes a voltar ao país.
Thiago L. era um problema, mas assim que resolvesse os assuntos da família Paes, ele seria o primeiro que ela eliminaria! Em um a três meses, os assuntos dos Paes estariam decididos. O primo dele não voltaria tão cedo; três meses eram tempo suficiente.
— Não foi nada, apenas dois amigos de infância que vieram me visitar. Fiquei feliz e bebi um pouco a mais. Você deve tê-los visto no Alvorada.
— Sim, vi. Um deles é até meu parente, eu o chamo de primo.
— Você fala do Lucas Fu?
— Sim, ele. Pelo parentesco, ele chama minha avó de tia-avó. Bem, não falemos deles. Fiz uma sopa para ressaca, beba logo, ou amanhã você acordará se sentindo mal.
Ele ia estender a mão para pegar a tigela, mas viu que ela já havia pegado a colher e a levava aos lábios dele. O movimento era natural e familiar. Thiago lembrou-se da lágrima quente que caíra em sua boca instantes atrás. Seus cílios longos baixaram, escondendo suas emoções.
Ele não permitiu que ela o alimentasse, embora quisesse muito. Eles haviam se "conhecido" formalmente apenas ontem; isso seria inadequado e ele temia deixar uma má impressão. Se ela o visse como alguém que precisava ser servido, seria ruim. Alimentar um ao outro casualmente era carinho; fazer disso uma rotina seria outra coisa.
Ele pegou a tigela: — Eu mesmo faço.
Íris percebeu que o gesto fora íntimo demais para o nível atual do relacionamento deles e sentiu-se um pouco sem jeito. — Está bem.
Assim que ela falou, Thiago virou a tigela de uma vez. Bebeu tudo sem nem provar o gosto; não tinha medo de que fosse uma "comida experimental"? Íris pegou a tigela vazia.
— Obrigado — disse Thiago.
Íris sorriu e balançou a cabeça. — Então descanse. Já que acordou, troque de roupa para um pijama, será mais confortável para dormir. Não tome banho agora, deixe para amanhã cedo. — Ele ainda estava tonto; se escorregasse no banheiro... — Eu vou embora agora.
Thiago estava feliz com os cuidados dela, mas a menção de sua partida o fez reagir por instinto. Ele agarrou o pulso dela: — Você vai embora?
Íris olhou para o pulso seguro por ele e paralisou. Não tentou se soltar, mas esse olhar fez Thiago perceber o que tinha feito. Ele soltou rapidamente.
— O que eu quis dizer é que está muito tarde, não é seguro você voltar agora. Há quartos extras aqui, basta arrumar um para passar a noite. Se sua família perguntar, eu explico. Vou arrumar o quarto de hóspedes para você agora mesmo.
Ele ia se levantar, mas Íris o impediu. — Descanse, eu mesma arrumo.
— Mas...
— Nada de mas. Apenas me diga onde estão as coisas.
Sem escolha, Thiago disse onde encontrar o que precisava e deu a ela um pijama limpo que nunca fora usado. Observando a garota circulando por sua casa, uma sensação indescritível de satisfação começou a brotar em seu peito.
Na manhã seguinte, Íris desceu após se arrumar e encontrou Thiago preparando o café. Ele saíra cedo para comprar os ingredientes.
— Bom dia.
Thiago sorriu: — Bom dia. — Ele achou que o encontro matinal seria constrangedor, mas a atmosfera estava mais harmoniosa do que imaginava. Se ela não se sentia desconfortável, ele estava radiante. — Ontem à noite, obrigado pelo esforço. Me trazer de volta e ainda fazer a sopa...
Quanto aos pontos que não faziam sentido, ele não queria — e achava que não precisava — aprofundar. Algumas coisas, se esclarecidas agora, poderiam arruinar a convivência atual. E isso ele não queria.
Íris balançou a cabeça e sentou-se à frente dele. — Bebeu tanto, por que não dormiu mais?
Dormir como?
Ele mal pregara o olho. Só de saber que ela estava em sua casa, no quarto ao lado, ele ficara agitado demais para dormir.
— Hábito de acordar cedo.
Íris não duvidou; Thiago era muito autodisciplinado.
— Depois do café, eu te levo de volta?
— Não. Você teve uma ressaca, deixe que eu te leve até a empresa. Não dirija. Te deixo lá e depois volto para casa. — Ela provou o mingau. — O sabor está ótimo.
O clima de conversa casual parecia o de um casal que vivia junto há anos. A mão de Thiago segurando a colher estancou por um breve momento. Os cantos de sua boca se ergueram involuntariamente. Se isso pudesse se tornar a rotina do resto de suas vidas...
Certamente se tornaria! Antes ele não dava importância ao primo, achava que sozinho ele não poderia feri-lo. Agora, precisava levar o assunto a sério. Mesmo que o chamassem de egoísta, ele jamais a deixaria ir. Enquanto estivesse vivo, não permitiria que ela sofresse o menor dano.
Se Íris soubesse o que Thiago pensava, seu coração ficaria apertado novamente. Ele não apenas a protegeria enquanto estivesse vivo; na vida passada, mesmo após partir, ele deixara meios suficientes para que ela se protegesse.