Capítulo 051: Despreocupado
Na roda-gigante, os dois sentavam-se um em frente ao outro.
Íris raramente visitava lugares tão movimentados como parques de diversões. À medida que a roda-gigante subia, o brilho em seus olhos tornava-se mais intenso. Se não fosse por sua natureza contida, ela certamente teria exclamado de admiração diante da vista lá embaixo.
Nenhum dos dois falava, mas enquanto Íris contemplava a paisagem, Thiago tinha olhos apenas para ela.
Eles chegaram ao parque após o almoço e já haviam passado por várias atrações; agora, o dia começava a cair. O brilho do pôr do sol atravessava o vidro, banhando o rosto sorridente e delicado da moça...
O tempo parecia ter parado em um momento de paz. O olhar de Thiago era pura suavidade.
Ao descerem da roda-gigante, Íris perguntou: — Quer ir em mais alguma coisa?
— Está ficando tarde, vou te levar para casa primeiro. Teremos outras oportunidades de vir e brincar no que faltou.
Thiago, de fato, não queria se despedir; só ele sabia o quanto ansiara por esse tempo a sós. Mas já era noite. A família Paes era tradicional e rigorosa com as etiquetas; mesmo que seus pais a mimassem, não seria bom que ela voltasse tarde demais. Ele não queria apenas o agora.
— Sua família deve estar esperando por você para o jantar, então não vou te convidar para comer. Fica para a próxima — acrescentou Thiago.
Íris também não pretendia jantar fora. Seu celular estava sem bateria e sua família não sabia onde ela estava; se demorasse, poderiam se preocupar. Embora tenha pensado em pedir o telefone de Thiago emprestado, ela desistiu. Seus pais não eram excessivamente rígidos — na verdade, queriam que ela saísse mais —, mas desaparecer após o anoitecer era outra história.
Com os olhos sorridentes, ela disse: — Tudo bem, então combinamos para outro dia.
O trajeto do parque até a residência dos Paes levou cerca de uma hora, considerando o trânsito.
— Chegamos — disse Thiago.
Íris desfez o cinto de segurança, mas não desceu imediatamente. Em vez disso, perguntou: — Quer entrar um pouco?
Thiago hesitou por um momento. Logo, um leve sorriso surgiu em seus lábios: — Hoje não, fica para a próxima. — Ele não queria entrar na casa dos Paes pela primeira vez de forma tão improvisada, mas ficou imensamente feliz com o convite voluntário.
Realmente fora um dia maravilhoso. Valeu a pena ter vindo às pressas de Pequim.
— Então, eu vou indo?
— Sim.
— Cuidado no caminho de volta.
— Pode deixar.
Íris desceu e acenou para ele. Thiago deu a partida, mas de repente parou e olhou para ela: — Íris.
Ao ouvir seu apelido ser chamado tão subitamente, o coração dela deu um salto. Recuperando a compostura, ela sorriu: — O que foi?
— ... Nada. Já vou. — Na verdade, havia algo. Ele queria perguntar quando ela estaria livre novamente, mas achou melhor não.
Afinal, eles haviam se conhecido formalmente apenas hoje. Ter passado tanto tempo juntos e visitado o parque já era um grande avanço. Ele precisava ser paciente; com ela, as coisas deveriam progredir passo a passo.
Íris acenou novamente. Thiago, percebendo que ela esperaria que ele partisse para entrar, e notando a brisa fresca da noite de quase outono, não quis que ela ficasse no vento e acelerou.
Só quando o carro sumiu na curva foi que Íris entrou em casa.
Com um sorriso leve e passos ágeis, ela quase "saltitava" pelo jardim, um contraste tão grande com sua postura habitual que o jovem Caio (裴黎), que tomava um ar fresco no pátio, achou que estava tendo alucinações. Olhando mais de perto, confirmou: aquela figura vibrante e jovial era, sem dúvida, sua irmã, a perfeita dama.
— Irmã, voltou? — Caio levantou-se da espreguiçadeira.
— Sim. Onde estão o papai e a mamãe?
— Na sala, assistindo ao noticiário. — Ele fez uma pausa e perguntou: — Você saiu cedo do evento hoje, aconteceu algo?
Caio sabia que Íris não era de abandonar compromissos pela metade sem um bom motivo.
— Nada demais, apenas encontrei um conhecido e fomos conversar.
Ela não disse quem era, e Caio preferiu não pressionar.
— Entendi. Está com fome? A tia Dulce já fez o jantar e estávamos esperando por você. Mamãe tentou ligar, mas deu desligado.
— Se estava pronto, deveriam ter comido. Eu estava sem bateria, imagine se eu voltasse só de madrugada?
— Se você não fosse voltar, teria dado um jeito de avisar. Com a sua inteligência, duvido que tenha esquecido os números de casa.
Os irmãos entraram rindo. Ao ouvir o barulho, Cecília levantou-se do sofá: — Íris, chegou?
Íris assentiu sorrindo e cumprimentou: — Oi, mãe. Oi, pai.
— Vá lavar as mãos para comer — disse o pai. Ninguém perguntou onde ela esteve; a confiança nela era absoluta.
Após o jantar em família, por volta das dez e meia, Íris terminou sua rotina de ensinar artes marciais para Caio por duas horas e subiu para o banho. Pouco depois de se sentar ao computador, ouviu batidas na porta.
Ela parou de digitar, mas logo seus dedos voaram pelo teclado novamente. Em segundos, o conteúdo técnico na tela foi substituído por uma página de busca comum.
— Entre.
Caio, em um pijama preto, abriu a porta. — Já vai dormir, irmã?
— Daqui a pouco. — Ela costumava dormir entre onze e onze e meia.
Caio entrou e fechou a porta, olhando para ela com hesitação. Íris girou a cadeira em direção a ele: — O que foi?
— ... Eu li as coisas que você me enviou de manhã. Me ajudaram... muito.
— Que bom — ela respondeu com naturalidade, o que deixou Caio ainda mais inquieto.
— Irmã.
Íris ergueu uma sobrancelha: — Pode falar. Sou sua irmã, não uma estranha. Não precisa gaguejar.
Ela já imaginava por que ele viera procurá-la tarde da noite com aquela expressão. Desde que começara a ensiná-lo a lutar, sabia que esse dia chegaria. Seu irmão sempre fora muito esperto.
Caio hesitou e perguntou: — Você... corre perigo?
Aquelas habilidades de luta e as informações que ela conseguira não eram coisas que uma pessoa comum teria ou encontraria facilmente. Íris achou que ele perguntaria
como
ela conseguira tais talentos, mas nunca imaginou que a primeira preocupação dele seria a segurança dela.
Os olhos de Íris arderam por um instante. Seu coração se aqueceu.
— Não — ela sorriu suavemente.
Caio comprimiu os lábios: — Que bom. Fique tranquila, ajudarei o papai a proteger os negócios da família e estudarei bem tudo o que você me ensinar. Vou dormir agora, não fique acordada até tarde.
Íris sorriu em silêncio ao ver a porta se fechar. As coisas estavam caminhando bem.
Ao sair da casa dos Paes, Thiago recebeu uma ligação.
— Soube que você voltou para a cidade?
Thiago segurava o volante com uma mão e o telefone com a outra. — Sim.
— E soube que foi às pressas?
— Está me vigiando? — O tom de Thiago era despreocupado, sem revelar emoções.