Capítulo 37: Se Você não Casar, Eu não Caso
A música que Lucas estava prestes a cantar fora fornecida pelo sistema.
Ele já a havia praticado sozinho; sua letra era capaz de tocar as fibras mais sensíveis do coração.
A melodia era como um raio de luz surgindo do desespero, permitindo que dois amantes marcados pelo sofrimento pudessem finalmente se reencontrar.
Ao som dos primeiros acordes melancólicos, uma tristeza inexplicável envolveu o coração de todos os presentes.
— "A solidão me acompanha no sono, o mundo escurece e a luz se vai..."
— "O abismo nos separa, e já não posso te ver..."
Lucas cantava com total entrega, corpo e alma mergulhados na canção.
Não era apenas ele; ao seu redor, tudo silenciou.
Centenas de espectadores estavam em silêncio absoluto, fixos na figura sobre o palco.
Eles sentiam, através da voz dele, o choro do desespero, a luz que rompe a escuridão e um amor trágico e belo.
Alguns choravam em silêncio, lembrando-se de passados que preferiam esquecer.
— "Alice (), me perdoa... eu sei que você me ama, mas sou apenas um rapaz pobre e não posso te dar a felicidade que merece!"
— "Finalmente entendo por que meu pai chora em silêncio olhando a foto da minha mãe todos os dias."
— "Quando eu estava na pior, sendo rebelde e com as piores notas, foi você, representante, quem me tirou da escuridão. Você é a minha luz. Posso tentar te conquistar?"
No meio da multidão, alguém não conteve o impulso e se declarou para o seu amor secreto.
"O Último Amor da Aurora" encerrou-se com um agudo potente, quase rasgando a garganta.
No palco, Lucas respirava com dificuldade. Ele fez uma reverência e desceu silenciosamente.
Ao voltar para perto de Valentina , percebeu que os olhos dela estavam vermelhos.
Ao vê-lo, as lágrimas de Valentina transbordaram como uma represa rompida; ela chorava copiosamente.
A música a fizera lembrar das histórias que sua avó contava sobre como conhecera seu avô em tempos de guerra.
Eram anos de caos, cheios de desespero e pequenas esperanças, combinando perfeitamente com a alma da canção.
— Desse jeito, quem casar com você vai ter um problemão com esse choro todo — brincou Lucas, aproximando-se e limpando suavemente as lágrimas no rosto dela.
— Então eu não caso com ninguém! — soluçou Valentina.
Lucas sussurrou no ouvido dela: — Então eu não caso com ninguém também.
Valentina olhou para ele e abriu um sorriso doce. Lucas retribuiu com um olhar terno.
No meio da multidão, ninguém percebeu que ele segurava a mão dela discretamente.
Ela o encarava, perdida, e ele mantinha o olhar fixo nela.
— Lembra da nossa aposta? Se eu ganhar em primeiro lugar, você tem que realizar um desejo meu — disse Lucas suavemente.
Valentina assentiu: — Lembro. Mas se você não ganhar, você é quem vai realizar um desejo meu!
— O meu pedido pode ser bem ousado — avisou Lucas.
— Primeiro ganhe! Se não conseguir... humf, o meu pedido também será bem ousado, viu?
...
No fim da semifinal, Lucas e Valentina garantiram suas vagas no Top 3.
O último finalista era o cantor de folk, um adversário muito forte.
Infelizmente para ele, seu próximo oponente seria Lucas.
A grande final aconteceria em uma semana. Cada um cantaria uma música e jurados profissionais dariam as notas para definir o pódio.
Após o evento, Lucas acompanhou Valentina até em casa.
Ao chegarem na porta do prédio, Valentina demonstrava relutância em se despedir: — Lucas, a gente se vê amanhã.
Suas mãos ainda estavam entrelaçadas.
Embora não tivessem rotulado a relação, qualquer um que visse saberia. Valentina estava esperando que ele desse o primeiro passo oficial.
— Sim, até amanhã — Lucas a observava.
Pelo "Olho da Verdade", ele via o rosto dela impecável e delicado; seus olhos amendoados eram como uma flor prestes a desabrochar, exalando um perfume suave mesmo antes de abrir.
Lucas se aproximou e ajeitou uma mecha de cabelo que caía sobre o rosto dela.
Valentina abaixou a cabeça, envergonhada, com as orelhas queimando de calor. Seu coração batia freneticamente — uma mistura de tensão, timidez e felicidade.
Lucas sorriu, admirando-a. Ela estava deixando de ser apenas uma menina para se tornar uma jovem mulher, com uma atração difícil de descrever.
Valentina, sentindo o peso do olhar dele, subiu as escadas correndo.
A primeira coisa que fez ao entrar foi se jogar na cama e se esconder debaixo do edredom.
Alice, que assistia TV, não entendeu nada e foi conferir.
— Valen, o que foi? Mal chegou e já se enterrou no quarto? Aquele Lucas fez alguma coisa com você?!
— Não! — respondeu Valentina.
— Então o que aconteceu? — Alice tinha certeza de que algo fora do comum ocorrera para a amiga agir assim.
— Não foi nada, Alice. Fecha a porta, por favor, eu preciso de um tempo.
Alice não respondeu, e logo ouviu-se o som da porta fechando.
Valentina achou que a amiga tinha saído, mas ao se virar, deu de cara com Alice a examinando.
"Maldito Lucas, se ele magoou a minha Valen e a fez chorar, ele vai se ver comigo!", pensou Alice ao notar os olhos vermelhos da amiga.
Lembrando que Valentina andava pedindo dicas de como se aproximar dele, Alice concluiu que Lucas dissera algo que partira o coração dela.