Capítulo 30: A Pequena Mel e o Esquilo
— O show é amanhã. Prepare tudo, eu passo no seu prédio para te buscar.
O local do show ficava a mais de vinte quilômetros da escola, cerca de meia hora de carro. Como tinham ingressos VIP Diamante, não precisariam pegar fila e ainda ficariam na frente.
— Combinado — Valentina assentiu.
Como Lucas tinha memória fotográfica, as aulas eram um tédio para ele. Sua única diversão era ajudar Valentina com a matéria. Após a saída, ambos deixaram a escola.
Lucas não estava dormindo no alojamento; preferia pegar um táxi e ficar na mansão, aproveitando a vida de rico. Embora tivesse dinheiro, gastar dezenas de reais em táxi todos os dias ainda doía no bolso.
Na mansão, após um banho, Lucas decidiu caminhar pelos arredores. A paisagem era linda, com muita vegetação e a margem do rio, onde se podia pescar. Quem morava ali era gente influente, e os seguranças já suspeitavam que Lucas fosse filho de algum grande empresário.
Caminhando, ele parou sob uma figueira gigantesca. Notou uma cavidade no tronco, do tamanho de uma bola de basquete, onde parecia haver algo guardado. Curioso, ele verificou e encontrou nozes e castanhas.
— Squi! Squi!
No alto da árvore, um animal gritava. Lucas olhou para cima e viu um esquilo gordinho encarando-o. Parecia que alguém o alimentava sempre, pois esquilos selvagens raramente eram tão pesados.
Quando Lucas ia devolver as castanhas, sentiu um peso no ombro: o esquilo havia pulado nele! O animal desceu pelo seu braço, pegou uma noz com as patinhas e começou a comer tranquilamente. Lucas ficou chocado; o esquilo não tinha medo de humanos.
Ele começou a acariciar o animal. O pelo era macio e brilhante. Lucas sentou-se sob a árvore e enviou uma foto para Valentina.
"Que esquilo fofo! Ele deixa você tocar nele!", respondeu ela rapidamente.
De repente, Lucas ouviu passos. Uma menininha de vestido branco, segurando um esquilo de pelúcia, observava a cena com os olhos arregalados.
— É seu? — Lucas apontou para o esquilo gordinho em sua mão.
A menina assentiu. Ela tentou se aproximar, mas o esquilo parou de comer e a encarou com desconfiança. Ela recuou, triste.
— Por que ele deixa você tocar? Eu cuido dele faz tanto tempo e ele nunca me deixa chegar perto! — disse a menina, quase chorando de inveja.
Ela cuidava dele há quase um ano, transformando-o de um esquilo magricela em um bicho gordinho. Mas ele sempre fugia dela. E agora, via o animal comendo na mão de um estranho.
Lucas percebeu que o esquilo não era dócil com todos, apenas com ele. Por que? Ele não sabia. Mas a menina era adorável.
Ele acariciou a cabeça do esquilo e acenou para que ela se aproximasse. A menina hesitou, mas foi chegando perto. Lucas tentava acalmar o bicho para que ele não fugisse.
Pareceu funcionar. A menina sentou-se ao lado dele.
Ela estendeu a mãozinha, mas o esquilo, assustado, parou de comer e correu para o ombro de Lucas, escondendo-se atrás da cabeça dele. A menina inflou as bochechas, indignada.
"Eu te alimento todo esse tempo e você prefere esse moço que nem te conhece!"
Lucas descobriu que a menina se chamava Mel (Xiao Ke), morava no condomínio e tinha cinco anos.
— Moço, faz ele deixar eu passar a mão, por favor? — Mel pediu com olhos puros e pidões.
— Vou tentar — disse Lucas, acalmando o esquilo novamente para Mel tentar o toque.