Capítulo 13: A Discussão
TOC, TOC, TOC—
Solana soltou-se irritada dos braços de Selwyn, vestiu rapidamente um roupão e abriu a porta.
— O que aconteceu? — perguntou ela.
A criada estava prostrada no chão, aterrorizada, com a voz trêmula: — A Santa foi ferida!
Solana franziu o cenho: — Eu não sou médica, de que adianta me procurar?
Selwyn abraçou Solana por trás com força, roçando-se nela deliberadamente enquanto fixava os olhos nela.
Solana não esperava que ele se tornasse tão audacioso.
A criada estava tão assustada que não ousava erguer a cabeça; os pequenos gestos de Selwyn foram totalmente em vão.
A mão de Solana, que segurava a gola do roupão, apertou-se inconscientemente. Através do tecido, ela sentia a pressão onde Selwyn se esfregava.
— A Santa disse... que espera que a senhora vá vê-la e faça justiça por ela — a criada continuava com a cabeça baixa.
Embora não visse nada, o som do roçar era perfeitamente audível.
— Rá! Diga a ela para esperar um momento, avise que irei imediatamente. — Solana fechou a porta, mas foi impacientemente prensada contra ela por Selwyn, que a possuiu ali mesmo.
Após o entrelaçamento, Solana sentia o corpo todo dolorido.
Ela cerrou os punhos, esforçando-se para cooperar com Selwyn, com a voz tremendo levemente: — Rápido, preciso ir ver Sui.
Selwyn escreveu suavemente as palavras "está bem" no abdômen dela e então a pressionou para trás.
Solana fechou os olhos, mordendo o próprio dedo para resistir.
Depois de se vestir, Solana estabilizou o corpo e saiu.
Ela não tivera tempo de se lavar, apenas se limpou superficialmente, sentindo-se ainda pegajosa.
— Dina, por que você não quer acreditar em mim? Eu apenas afastei a mão dela gentilmente, não a empurrei. Foi ela quem tropeçou sozinha naquela taça quebrada. Como eu faria uma coisa dessas? — A criada que falava continuava ajoelhada, cercada por outras criadas que formavam uma barreira diante dos nobres.
Ela não sabia de onde viera a coragem para proferir palavras tão petulantes. Afinal, aos olhos dos nobres, fossem camareiras, guardas ou criadas, todos eram servos.
A única diferença era que os primeiros tinham funções fixas, enquanto os últimos deviam estar sempre prontos para as ordens do mestre.
Solana não pôde deixar de notar o quão estúpido aquilo era.
Ela adiantou-se, parando ao lado de Sui, e perguntou em tom sério: — Qual é o seu nome?
Diante do questionamento de Solana, a criada ajoelhada hesitou. Seus olhos ficaram vermelhos instantaneamente e ela olhou para Solana com esperança, respondendo entre soluços: — Meu nome é Belle Rosier.
— Belle? — Solana inclinou levemente a cabeça, analisando-a por um momento, antes de se virar para Sui e ironizar: — Pensei que fosse alguma grande figura para ousar se referir a nós de forma tão casual. Dina, seu temperamento é realmente muito bom. E você, Sui, como Santa, não pode ser sempre tão bondosa e dócil, caso contrário, será apenas humilhada repetidamente.
Belle tremia inteira, balançando a cabeça e fixando o olhar em Dina. Dina franziu o cenho e disse seriamente: — Você foi de fato audaciosa demais.
Solana cobriu a boca rindo, com um olhar cheio de sarcasmo: — Ela não seria sua amante, seria? Eu disse que não estava enganada, caso contrário, como ela ousaria ser tão rude com a Santa?
Belle rugiu em negação: — Não, não! Eu não sou amante dele!
Dina inclinou-se para interrompê-la, com um tom de diversão: — A Condessa Solana tem olhos aguçados; ela é, de fato, minha amante. No entanto, nós gostamos de brincar com esses pequenos jogos, peço que nos perdoe. Eu assumirei total responsabilidade pelos ferimentos da Santa e providenciarei a compensação.
— Não, Dina, você não pode fazer isso! Não é assim! Eu não quero ser sua amante! — Sui foi levada à força, com as vestes desarrumadas e o olhar vago.
Solana soltou um riso baixo e disse: — Como a Santa se feriu, parece que terá de descansar aqui na mansão do Conde Dina por um tempo.
Subitamente, um fluxo de magia invadiu o corpo de Sui, fazendo-a vomitar sangue. Solana fingiu pânico ao ampará-la, levando-a até o médico.
O médico suspirou: — A Santa teve uma recaída de uma doença antiga; parece que foi devido ao susto.
Dina franziu o cenho: — Doença antiga?
Sui balançou a cabeça de leve e disse apologeticamente: — Desculpem o susto. É um problema crônico que tenho há anos. — Seus olhos baixos faziam-na parecer frágil e gentil.
Selwyn permanecia ao lado, observando tudo com o olhar afiado. Ele não acreditava que Solana fizesse algo sem sentido, mas não conseguia decifrar suas verdadeiras intenções.
Após acalmar Sui, Solana passeava sozinha pela mansão do Conde Dina, decorada por toda parte com rosas brancas imaculadas.
Refletia perfeitamente o gosto de Dina — uma preferência pela pureza e bondade.
— Belle, você foi longe demais! — a voz de Dina ecoou.
— Dina, eu te amo tanto. Você disse que eu era a única rosa branca em seu coração, sua única esposa — respondeu Belle.
— Eu te amo; 'amante' é apenas um título. Se eu não tivesse falado daquele jeito, aquela louca da Solana jamais teria deixado o assunto de lado — defendeu-se Dina.
— Como posso acreditar em você? O jeito que você olhou para aquela Santa... — questionou Belle.
— Então foi você quem a empurrou? Sui é uma boa garota, ela já salvou minha vida. Você não precisa atacá-la, não há nada entre nós — explicou Dina.
— Dina, eu não a empurrei, por que você não acredita em mim! — Belle chorava alto.
— Chega, Belle, vá descansar — Dina parecia impaciente.
Uma borboleta pousou delicadamente sobre uma rosa branca. Solana aproximou-se em silêncio, guardando cada palavra da conversa no coração.
Com um leve sorriso, ela pensou: "Conde Dina, você também não é invulnerável."
Solana planejava desintegrar esses nobres passo a passo, fazendo o Conde Dina entregar tudo à Igreja — aquele hipócrita que se emociona com a própria "bondade".
Ele viera da plebe, mas, ao tornar-se nobre, oprimia seus antigos semelhantes sem remorso, usando o dinheiro dessa opressão para fazer doações à Igreja e orfanatos, fingindo ser benevolente.
A borboleta voou da ponta do dedo de Solana, dispersando-se no vento.
Não muito longe dali, Selwyn observava em silêncio as costas solitárias de Solana.
Os nobres a chamavam de louca, mas ninguém conhecia suas reais intenções, e era isso que causava mais temor.
Eles só conseguiam matutar formas de eliminá-la.
Ían não queria se envolver naquela disputa; não queria perder seus companheiros lutando contra ela.
Afinal, exceto pelos nobres, a vida da maioria das pessoas estava razoavelmente bem. Talvez aquele novo sistema fosse a melhor escolha.
— Ían! — o chamado de um guarda veio de trás. Uma garota bateu com força na cabeça dele: — Já disse para não o chamar por esse nome!
— Vamos voltar para a Cidade Baixa, o trabalho aqui é cansativo demais — suspirou uma garota.
— A propósito, ouvi dizer que a Condessa Solana veio da Cidade Baixa. Que incrível! — outra concordou.
— Vocês acham que o Ían consegue ir embora? Ser escolhido como amante por uma condessa tão linda, uau~ — brincou um rapaz ao lado.
A garota ao lado dele franziu o cenho: — Selwyn, venha comigo um instante. — Selwyn assentiu e a seguiu até um canto.
Uma borboleta pousou na cerca; Selwyn tocou levemente em suas asas, espantando-a.
A borboleta voou lentamente de volta para as mãos de sua dona.
Solana riu. As pessoas da Cidade Baixa sequer sabiam o nome do Imperador, Ían.
Aos olhos dos nobres, a vida de um plebeu era como capim, valendo menos que uma perna de carneiro.
— Selwyn, eu vi tudo. Você e Solana estão realmente juntos? — a voz da governanta Sheryl tremia.
— Sheryl, você não deveria ter vindo. Se for descoberta, será um problema — a voz de Selwyn era calma e fria.
— Eu te amo — Sheryl tinha os olhos vermelhos. Seus cabelos prateados brilhavam sob o luar e seus olhos azuis eram como estrelas, mas Selwyn não os via.
— Sheryl, seu talento mágico é excepcional, você tem um futuro brilhante. Não precisa se prender a mim, eu não a amo — as palavras de Selwyn eram mais frias que o luar.
Sheryl balançou a cabeça, as lágrimas escorrendo pela ponta do nariz: — Eu te amo. Vou ficar ao seu lado até que você me note.
Selwyn, porém, virou-se e partiu, deixando para trás a mão trêmula de Sheryl e suas lágrimas.
Ao voltar para o quarto, Selwyn passou pelo jardim e encontrou Solana sentada calmamente em um balanço.
Ela acenou para ele sorrindo: — Venha aqui, ajude-me a empurrar o balanço. Toquei a sineta por um longo tempo e ninguém respondeu. Onde será que as criadas e servos foram? Não estariam fofocando juntos, estariam?
Dito isso, ela abriu um sorriso radiante. Selwyn aproximou-se obediente e empurrou o balanço gentilmente.
— Que sensação familiar. Pena que minha mansão não tem um balanço até hoje. Toda vez que digo para instalarem um, acabo esquecendo completamente — Solana virou o rosto, olhando ternamente para Selwyn.
Parecia que tudo voltara a ser como antes.
Selwyn perdeu-se por um instante, quase começando a falar, mas logo recobrou os sentidos e assentiu levemente.
Solana sorriu e chamou: — Aproxime-se.
Selwyn inclinou-se e Solana selou rapidamente um beijo em seus lábios, mordiscando-os enquanto se abraçavam apertado.
O luar estava encantador.
Nesse momento, Sheryl, parada em um andar alto ao fundo, arregalou os olhos incrédula, com o castiçal em mãos tremendo levemente.
Solana percebeu o vulto pelo canto do olho e sorriu.
Ela segurou Selwyn com firmeza por baixo, com a voz baixa e sedutora: — Selwyn, vamos continuar o que não terminamos durante o dia. Na verdade, estive aqui esperando por você.
Sua voz era como o canto de uma sereia, inebriante.
O som do castiçal caindo foi estrondoso. Selwyn virou-se bruscamente, mas a janela do prédio estava vazia.
Solana aplicou uma leve força; Selwyn ficou com as pontas das orelhas vermelhas, olhando para ela de olhos baixos.
— Leve-me de volta para o quarto.
À noite, uma borboleta dourada pousou silenciosamente no batente da janela de Belle. Ela entrou habilmente pela fresta, pousou na testa de Belle e adormeceu ali.
Belle mergulhou em um sonho.
No sonho, Dina estava prestes a se casar com a Santa, e ela se tornara apenas uma amante clandestina.
Dina apontava para ela, dizendo friamente: — Você é apenas uma plebeia de origem humilde. Ser minha amante já é uma grande bênção. Eu lhe dou sustento, o que mais você quer para ficar causando tumulto?
Ela se prostrava no chão, chorando aos prantos, implorando para que Dina não a deixasse, para que não quebrasse as promessas do passado.
Pior ainda, Dina queria tirar o sangue dela para curar a doença crônica de Sui, consumindo seu corpo aos poucos.
Ela soltou um grito de dor e acordou sobressaltada.
A borboleta já desaparecera.
Restava apenas Belle, soluçando sozinha na cama.
Nesse instante, uma borboleta dourada apareceu subitamente na cabeceira da cama.
— Precisa de ajuda? — uma voz súbita fez Belle sobressaltar-se.
— Quem é você? — perguntou ela, apavorada.
— Posso fazer o Dina ser seu para sempre — disse a voz.
— Vá embora! — ao ouvir o nome de Dina, Belle ficou transtornada, pegando o travesseiro para espantar a borboleta.
A borboleta deixou uma frase: — Quando precisar de mim, basta chamar pelas borboletas sozinha aqui, e eu aparecerei.
Belle ficou paralisada. O pesadelo anterior deixara-a com o coração palpitando, sem coragem de voltar a dormir. Ela abraçou o travesseiro e ficou sentada na cama, passando uma noite longa e dolorosa.