《O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder》Capítulo 10

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Capítulo 10: O Surgimento do Falso Imperador

A carruagem deslizou lentamente em direção à mansão. O leve tremor do compartimento despertou Solana.

Ela desceu sem expressão e olhou para trás, para o paralisado Abel. — Precisa que eu te ajude? — Solana arqueou a sobrancelha com um sorriso.

Abel balançou a cabeça. Solana virou-se e perguntou calmamente a Andre, que já a esperava à porta: — Assuntos da Torre dos Magos resolvidos?

Andre tinha o olhar profundo enquanto girava o anel entre os dedos. Respondeu: — Os desobedientes já aguardam na escuridão pelo veredito da Condessa.

Abel caminhou ao lado de Solana, com a mente em turbilhão. Pelo canto do olho, Solana viu o transe em seus olhos e soube o que ele estava tentando adivinhar.

— Volte. Eu cuidarei deles.

Solana sorriu de leve. "Ían, dei tantas dicas... é melhor você pensar bem."

"Se adivinhar agora, talvez ainda consiga vê-los pela última vez."

Ela segurou a mão de Abel e passou por Andre. Este franziu o cenho e questionou: — Quem é ele?

Solana: — Meu amante, Abel.

Andre cerrou os punhos; seu poder mágico oscilou.

Dentro da mansão, as criadas baixaram ainda mais a cabeça. Andre girou o anel e desapareceu em um instante.

A atmosfera na mansão Weissman era serena, porém levemente opressiva, exatamente como as informações que Abel recebera.

Não havia risos, apenas silêncio e apatia.

Solana preferia a quietude; por isso, as criadas falavam baixo, e as que eram agitadas já haviam sido dispensadas.

Enquanto os servos trabalhavam ordenadamente, Solana concentrava-se em revisar os inúmeros documentos dos assuntos imperiais.

Abel sentou-se no sofá ao lado. Sobre a mesa diante dele, estavam doces requintados.

Ao ver que eram os clássicos da confeitaria Yano — que os dois costumavam comer juntos no passado —, uma dúvida surgiu em seu coração: teria Solana descoberto sua identidade?

— Não está do seu agrado? — A voz de Solana flutuou suavemente. Ela não ergueu a cabeça, como se fizesse apenas uma pergunta casual.

O coração de Abel disparou. Ele apressou-se em disfarçar: — Não estou com fome agora. — Sua voz tremeu levemente, revelando sua inquietação interna.

Ao ouvir isso, Solana ergueu o olhar para a figura magra dele. Franziu levemente o cenho e disse em tom frio: — Mesmo assim, prove. Mais tarde talvez não haja jantar, pois eu geralmente não janto.

Abel ficou surpreso, mas assentiu, estranhando os hábitos de vida dela.

Ele pegou um doce em silêncio e o levou à boca. Aquele sabor familiar espalhou-se por sua língua.

Havia muito tempo que não o provava.

Abel perguntou com voz suave: — Por que não janta?

Solana levantou a cabeça. Ao ver nele o mesmo olhar de antigamente, levantou-se insatisfeita, com os olhos cheios de aversão.

Vestia uma camisa simples e calças confortáveis, com o cabelo preso para trás e olhos carregados de cansaço.

Solana apertou o pescoço de Abel, pressionando a cintura dele com o joelho, e baixou a cabeça para beijá-lo.

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Se de manhã era Abel quem mordia, agora era Solana. Ela mordeu o lábio dele com força.

O sangue misturou-se com o amargor entre os lábios e dentes de ambos.

Solana estendeu a mão por trás, pegou um pedaço de doce, colocou-o na boca e voltou a pressionar os lábios de Abel, empurrando-o com a língua.

Um doce com sabor de sangue.

Ambos ficaram sem fôlego, apoiando-se um no outro enquanto arquejavam.

Solana tateou o pescoço que ela havia deixado vermelho e mordeu-o com força, no mesmo lugar daquela noite.

Os dois se entrelaçaram no sofá. Solana mordia os lábios para não emitir som algum.

Abel tomava para si sem restrições, sem qualquer resquício da doçura de antes.

Pensando que havia terminado, Solana tentou se levantar, mas foi empurrada de volta por Abel.

Ela fixou os olhos frios de Abel e soltou um riso baixo, dizendo com voz rouca: — Eu não gosto de doces. Para mim, comer é apenas para sobreviver.

Abel desacelerou os movimentos, observando os olhos dela cheios de desejo, o cabelo desgrenhado e a camisa rasgada.

A pele branca sobrepunha-se à lembrança daquela noite.

Embora ela estivesse agora coberta de marcas de beijos, no dia em que ela apareceu para incriminá-lo, Solana estava impecavelmente limpa.

No primeiro momento, ele próprio chegou a duvidar se havia sido controlado por magia.

Mas a gema rosa do acessório de cabelo de Solana, aquele que ele mesmo rasgara, caíra sob seu travesseiro, provando que tudo era real: Solana era a mente por trás de tudo.

Ele abrandou os movimentos e começou a morder e beijar o pescoço dela, deixando marcas idênticas às daquela noite.

De repente, lágrimas inundaram os olhos dele. Solana franziu o cenho, limpou as lágrimas dele e disse: — Não chore. Vou te contar algo engraçado.

O olhar de Abel tremeu.

— Todos sabem que eu e o antigo Príncipe Herdeiro éramos namorados, mas eu nunca o amei.

As pontas dos dedos de Abel estremeceram levemente.

— Eu mandava vigiá-lo. Sabia que ele gostava dos doces da Yano e mencionei isso de propósito. Ele achou que tinha encontrado uma alma gêmea... hahahaha... mm...

Os movimentos de Abel tornaram-se brutos. Solana tentava encontrar um ponto de apoio; não tinha forças para falar, apenas sons escapavam de seus lábios cerrados.

Ela quis agarrar os ombros de Abel para se sustentar, mas ele afastou os braços dela. Restou-lhe apenas agarrar o tecido do sofá, com os olhos perdidos.

Já era madrugada quando Solana finalmente afastou o homem ao seu lado e lutou para se levantar e caminhar até a escrivaninha.

Abriu a gaveta e bebeu, sem hesitar, um frasco de poção mágica para manter o vigor.

Após vestir um casaco simples, tocou a sineta sobre a mesa. A criada de guarda bateu à porta respeitosamente.

— Entre — disse Solana com a voz rouca.

A criada entrou e fez uma reverência.

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Abel também já estava vestido. Ele observava Solana, que ofegava sentada à escrivaninha, com um olhar inquisitivo.

— Vou me banhar — ordenou Solana, com cansaço na voz.

A criada assentiu e saiu rapidamente, sem ousar olhar para o interior do quarto, como se até o ar estivesse congelado por sua cautela.

Ao ver o olhar confuso de Abel, Solana esboçou um sorriso: — Acha estranho? Embora as pessoas na mansão tenham medo de mim, minha reputação é surpreendentemente boa.

Abel silenciou por um instante e balançou a cabeça devagar: — Não tenho curiosidade sobre essas coisas.

O sorriso de Solana tornou-se mais evidente: — Você é um péssimo ator.

Ao ouvir isso, Abel franziu levemente o cenho e começou a reunir o poder mágico em seu corpo.

Como um dos magos de nível especial que não precisam de pedras mágicas para armazenar poder, ele podia manter grandes quantidades de mana em si mesmo para usar quando quisesse.

Aqueles que dependem de pedras e tempo de canalização são divididos em níveis superior, médio e primário.

Atualmente, em todo o Império, sabia-se apenas que Solana atingira o nível especial — além de Ían, que escondia sua força e agora era Abel.

Solana conhecia bem a força de Ían.

A única dúvida era como ele conseguira aquilo.

Se ela não tivesse escondido sua própria força no escritório do Imperador naquela época, Ían não teria escapado.

Naquele momento, os dois empataram.

Solana disse sorrindo: — Você está claramente curioso sobre o motivo.

Abel relaxou o corpo e permaneceu em silêncio.

— É porque as condições de trabalho que ofereço são as melhores. Eles não têm pavor de mim, mas sim medo de perder este emprego — ou talvez dois.

Nesse ponto, Solana soltou uma risada curta.

Abel não reagiu de imediato, mas teve algumas suspeitas em seu íntimo.

— Muitos olhos estão sobre nós. Você também se tornará o centro das atenções — Solana caminhou até ele, controlando o tremor nas pernas, e ergueu o queixo dele gentilmente.

Diante do gesto súbito, Abel não soube como reagir, apenas baixou os olhos e escutou em silêncio.

— Após o banho, vá descansar no meu quarto. Durma primeiro; terminarei de tratar os assuntos na mesa. Amanhã o Imperador virá nos visitar. Quer conhecê-lo?

Abel assentiu lentamente, indicando que sim.

Ao ver isso, Solana mostrou um sorriso terno: — De agora em diante, se quiser algo, diga. Se não disser, não reconhecerei.

— A senhora ainda vai dormir? — perguntou Abel após um momento, erguendo os olhos para ela.

Entretanto, após essa frase, a temperatura nos olhos de Solana pareceu cair vários graus.

Olhando para aquele olhar puro como no início, seu coração encheu-se de aversão. "Apesar de ter passado por tanto, por que ainda tem esse olhar? Por quê!"

Ela soltou a mão bruscamente, virou-se e partiu, deixando apenas uma frase fria: — Depende.

Solana não dormiu a noite toda. Levantou-se da escrivaninha exausta.

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Os assuntos da família e do Império estavam acumulados.

Coisas simples e fáceis eram trazidas a ela para decisão.

"Alguns nobres que controlam o Império agora são simplesmente inúteis!"

Em transe, saiu do quarto e deu de cara com uma criada trazendo o café da manhã.

Abel presenciou tudo lá de baixo; ele pedira especialmente que a criada subisse.

A criada não ousara a princípio, mas foi após a garantia dele.

— Eu pedi para trazerem café? — Solana questionou sem expressão.

Abel subiu as escadas apressadamente, vendo Solana repreender a criada severamente.

— Fui eu quem pediu para ela trazer. A senhora não descansou a noite toda — explicou Abel.

— Cale-se! Que direito você tem? Você é apenas um amante! — disse Solana com frieza.

Abel emudeceu. Fosse como Príncipe Herdeiro, Imperador fantoche ou fugitivo, ele nunca fora tão rebaixado.

Solana soltou um riso curto.

Pensou consigo mesma: "Sentiu? Este é o mundo das pessoas de baixo."

"Não existe empatia no mundo."

"A menos que se viva exatamente a mesma experiência."

"Calçando os mesmos sapatos."

Em seguida, ela virou-se para o mordomo: — Demita esta criada.

A criada agarrou a barra da calça de Solana, em prantos: — Por favor, não faça isso, Milady Condessa! Tenho cinco pessoas para sustentar, meus pais estão doentes, meus irmãos são pequenos... se eu perder este emprego, minha família passará fome!

A governanta a afastou. A criada chorava copiosamente.

O mordomo buscou o contrato dela e o rasgou.

— Se quer ganhar dinheiro, vá para a minha mina. Lembro que falta gente na cozinha de lá — disse Solana, franzindo o cenho.

— Eu vou, eu vou! — gritou a criada desesperada, lançando um olhar de ódio para Abel.

Olhando para a camisa manchada de leite, Solana franziu o cenho e ordenou que trocassem suas roupas.

Após trocar-se, encontrou Abel sentado à mesa de jantar, pálido e com o olhar vago.

Quando seus olhares se cruzaram, Solana sorriu: — Abel é um nome bonito, significa "sopro" e "liberdade". Gosta desse nome?

— Meus pais escolheram — respondeu Abel.

— E o que acha do nome Ían? — continuou Solana.

Ao ouvir a pergunta, Abel parou o que estava fazendo e balançou a cabeça: — É o nome de Sua Majestade, o Imperador. Não ouso comentar.

— Não faz mal, estamos apenas nós dois, pode falar o que quiser. Mesmo o Imperador não pode comigo — Solana disse, rindo e cobrindo a boca.

— Ían significa 'brilhante como o sol', é um bom nome — disse Abel sem expressão.

— Ían e Ciel combinam muito bem, não admira que ele tenha me traído. Felizmente, eu também não o amava — comentou Solana.

Abel permaneceu em silêncio.

— Eles vão se casar em breve. Ajude-me a pensar em um presente como bênção de uma ex-namorada. Nada que me faça perder a classe, escolha algo luxuoso. Dinheiro não é problema — acrescentou Solana.

Abel assentiu: — Vou pensar nisso para a senhora.

Solana sorriu satisfeita.

Após o café, o Imperador "Ían" chegou à mansão. Ele sorria para Solana, caminhando passo a passo com o braço entrelaçado ao de Ciel.

Solana instruiu o mordomo a entregar os documentos imperiais processados ao secretário do Imperador.

Atualmente, as pessoas ao redor do Imperador eram todos confidentes de Solana. Na superfície, tudo parecia normal, mas o sistema já mudara silenciosamente.

Essa mudança era imperceptível para o povo comum; apenas os nobres no centro do poder sentiam-se inquietos.

Abel e o falso "Ían" trocaram olhares.

O disfarce da magia especial era realmente impecável.

Abel baixou levemente a cabeça. "Ían" perguntou: — Quem é este?

Solana respondeu sorrindo: — É o meu amante, Abel.

Um brilho estranho cruzou os olhos dela. "Ían" recebeu o sinal rapidamente, abraçou-a e fingiu estar zangado: — Solana, como pôde arranjar um amante?

Ele agia de acordo com a trama que Solana lhe transmitira.

Diante da mudança súbita, Solana fingiu surpresa, empurrou-o com raiva e, com os olhos marejados, questionou: — O que Sua Majestade quer dizer com isso?

Logo, essa conversa foi espalhada pelos jornais. A notícia sobre a vida privada de Solana não causou grande impacto, mas o fato de o Imperador reacender o interesse por sua antiga chama tornou-se o foco das discussões.

Ao mesmo tempo, boatos sobre a promiscuidade do Imperador começaram a circular entre os plebeus.

Solana jogou-se nos braços de Abel.

Abel, de cenho franzido, olhava com fúria para o falso "Ían", cheio de dúvidas.

Ele pensou que o impostor que Solana contratara para fingir ser ele não era confiável e a estava ameaçando.

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