Capítulo 9: Pensa que é um cavaleiro de contos de fadas?
No Império de hoje, Solana já mantinha a Torre dos Magos, a Igreja e o poder econômico firmemente em suas mãos.
Quase todos os condes estavam sob seu controle, e duas famílias de marqueses eram suas aliadas próximas.
Nesta semana, a senhorita da família Bruce e o jovem mestre da família Heather realizariam seu casamento.
Recentemente, a mansão estava agitada, inundada por uma multidão de servos — o velho truque da nobreza.
Contudo, Solana não temia o que essas pessoas pudessem ver; pelo contrário, temia que elas
não
vissem certas coisas.
Quanto mais ansiosos eles ficassem, mais vantajosa seria a situação para ela.
No dia do casamento, Solana partiu em sua carruagem com seus presentes rumo ao destino: a mansão dos Heather, situada em um refúgio de paz e natureza.
Após cruzar praças e ruas familiares, chegou finalmente ao local isolado do burburinho urbano.
A área era cercada por colinas verdejantes e rios serenos; ao longe, avistavam-se servos pastoreando ovelhas e criadas espalhando flores, conferindo vitalidade à grande celebração.
Como de costume, os nobres usavam flores para embelezar sua imagem e, de quebra, impulsionar o mercado floral.
Quando Solana desceu da carruagem, sua aparência era simples, porém elegante: um longo vestido rosa claro envolvia seu corpo esguio, distanciando-se de seu estilo habitual mais chamativo.
Adornos de pedras preciosas tecidos com fios de ouro entrelaçavam-se em seus cabelos dourados. Como tudo era dourado, as gemas rosadas pareciam estrelas suspensas, fazendo-a parecer tão pura e sagrada quanto uma deusa mitológica.
À porta, quem a recebia era Ciel, que permanecia ali sem expressão à espera de sua chegada.
Na verdade, Solana ouvira todas as tentativas dos velhos nobres de dissuadir Ciel e seu pai.
Sobre a escolha do pai de Ciel — aquele velho marquês astuto e egoísta que realmente se deixara convencer por seu eterno rival — Solana soltou um riso nasal.
Esses nobres eram realmente "unidos contra o inimigo externo".
Muitos nobres que aparentavam lealdade a Ían já haviam se tornado marionetes inconscientes sob o comando de Solana.
Eles ainda pensavam que ela não sabia de nada.
Para ela, observar esses "peixes fora d'água" se debatendo era o que tornava tudo mais interessante.
Pois somente através da resistência contínua deles é que seu próprio registro histórico pareceria mais limpo e impecável, ao mesmo tempo em que aprofundava a confiança do povo nela.
Assim, qualquer reforma futura seria implementada com extrema facilidade.
Ao verem Solana cumprimentar Ciel com um aceno respeitoso, todos os servos ao redor ficaram comovidos com tamanha generosidade, suspirando diante de sua bondade e tolerância.
O olhar de Solana percorreu os criados e parou em um homem de olhos e cabelos negros. Ele achava mesmo que ela não o reconheceria?
Ían—
Mesmo mudando as feições, a cor do cabelo e até a dos olhos, ela ainda conseguia reconhecê-lo por um único olhar.
Sorrindo, ela aceitou a taça oferecida por Ciel, que continha uma mistura de venenos potentes.
Aquelas pessoas arriscaram reunir-se ali apenas para vê-la beber aquilo, sem saber que era inútil contra ela.
Para não deixá-los esperando, ela virou a taça de uma vez.
Então, sorriu enquanto ajeitava uma mecha de cabelo de Ciel e, casualmente, organizava seus próprios cachos.
Após deixar os presentes, Solana caminhou em direção aos dois marqueses para iniciar uma conversa.
Ela observava com curiosidade que desculpas aqueles nobres inventariam para sair dali ao perceberem que o veneno falhara.
Quando a comitiva se moveu para a capela da Igreja, Ían viu muitos rostos conhecidos.
Os olhares dos nobres para Solana eram cheios de deslumbramento e ganância.
O que ela nunca conseguira entender era por que Silvia, a primeira cavaleira que também viera da Cidade Baixa, apoiava aquela classe nobre.
Quando seus olhares se cruzaram, Solana sorriu amigavelmente, enquanto Silvia desviou o rosto com frieza.
Em seguida, Solana sentou-se ao lado dela.
Naquele momento, os nobres que planejavam a rebelião a cercavam, mas não era ela quem tremia de medo, e sim eles.
— Primeira cavaleira Silvia, eu admiro como você trilhou seu caminho da Cidade Baixa até sua posição atual — disse Solana.
— Você não fez o mesmo? — A voz de Silvia era grave, e seus olhos cinzentos pareciam tão frios quanto obstinados.
Solana respondeu com um leve sorriso: — Você voltou para ver a Cidade Baixa atual? Tanto os bairros novos quanto os antigos mudaram drasticamente. Não se vê mais aquele cenário de cadáveres abandonados sendo devorados por cães selvagens.
Diante disso, Silvia permaneceu em silêncio, mas o movimento constante de esfregar as unhas denunciava sua ansiedade.
— Vamos conversar naquele espaço aberto atrás da mansão após o casamento? — Solana segurou a mão de Silvia e escreveu essas palavras.
Depois, observou silenciosamente os noivos declararem seus votos diante da estátua da Deusa, sem dizer mais nada.
Com o fim da cerimônia, todos retornaram ao salão para o almoço.
Enquanto os pratos eram servidos, Solana sentou-se propositalmente à mesa dos nobres que conspiravam contra ela. Ela observava suas expressões rígidas, lutando para conter o riso.
Um conde finalmente não aguentou e disse ao Marquês Heather: — Não me sinto bem, peço licença para me retirar.
O Marquês Heather trocou um olhar com Solana, franziu o cenho e assentiu.
Solana olhou para ele sorrindo, e o Conde Dina imediatamente o segurou, levantando-se: — Tenho um médico comigo, se não estiver bem, eu tenho remédios.
Solana apoiou a cabeça na mão, sorrindo: — Eu também tenho um médico pessoal. O Conde Oren não gostaria de passar por lá também?
— Não é necessário, vou apenas com o Conde Dina.
Claramente, os remanescentes da facção da Rainha haviam revelado os planos de Solana a eles.
Agora surgiam rumores de boicote às pedras preciosas; não se via uma única gema em seus trajes, apenas adornos de ouro.
Solana assentiu e, subitamente, segurou a mão do servo que servia a mesa.
As pupilas negras do homem se contraíram. Solana fixou os olhos nele e sorriu — Ían emagrecera bastante, e seus pulsos estavam mais finos.
O clima na mesa ficou tenso. Haviam dito para o Imperador não vir, mas ele insistira.
Solana olhou para o Marquês Heather e sorriu: — Gostei deste servo, entregue-o a mim.
Diante do pedido, o marquês não recusou. Se não fosse por ela, ele e Bruce já teriam sido expulsos por esses nobres.
Ambos eram cavaleiros que lutaram pelo Império por anos, e era desolador retornar à capital e ver suas famílias rejeitadas pelos outros nobres.
Agora, eles só obedeciam a Solana; até a ideia de torná-la Imperatriz partira deles.
Ambos já haviam se ajoelhado diante dela jurando que seus soldados só seguiriam as ordens da Condessa Solana.
Após o almoço, Solana esperou por Silvia no local combinado. Quando uma figura cinzenta apareceu, ela sorriu.
— Você finalmente veio.
Contudo, o olhar de Silvia era frio e calmo, como um lago profundo que exercia uma pressão indescritível.
— O que você tem a dizer? — perguntou Silvia, com uma firmeza inquestionável.
Era o olhar de alguém que já matara até perder a sensibilidade.
Que coincidência, Solana também já matara muitos, apenas sem derramamento de sangue visível.
— Não seria melhor aliar-se a mim? Por que ficar com aqueles inúteis? Eles realmente te consideram uma deles?
Ao ver o silêncio de Silvia, Solana continuou: — Eles nunca considerarão alguém da Cidade Baixa como um deles, porque sequer os veem como seres humanos.
Silvia ergueu os olhos para ela, com um brilho de emoção complexa.
— Você faz tudo isso apenas por esse motivo? Matou tantos inocentes apenas por essa razão? — Sua voz subiu de tom.
Solana esforçou-se para controlar sua indignação.
— Alguém que obedece a ordens reais para destruir cidades de pequenos países tem direito de me acusar de matar inocentes? Quando o Imperador ordenou o massacre total de prisioneiros, não te vi protestar. E agora vem me julgar?
Apesar de controlar seus movimentos, suas palavras transbordavam fúria.
Silvia pousou a mão no punho da espada na cintura: — Nós somos um único país.
Ao ouvir isso, Solana a interrompeu com um riso frio.
Ela já previa o que viria a seguir: o discurso de que Silvia lutara pelo Império, pela Cidade Alta e Baixa. Que piada ridícula.
Silvia baixou o olhar e disse em voz baixa: — Você foi apressada demais. O Imperador me prometeu que, se vencêssemos a guerra, ele apoiaria o desenvolvimento da Cidade Baixa. Ele me prometeu pessoalmente.
— Hahaha! — Solana gargalhou, cobrindo a boca.
— Você realmente acreditou nele? Existe algum acordo escrito ou testemunha? Promessas verbais qualquer um faz. Você é muito ingênua.
Solana disse cada palavra encarando-a fixamente.
Silvia desembainhou sua espada longa e disse friamente: — Já que não podemos convencer uma à outra, vamos lutar!
Dito isso, ela avançou contra Solana.
Entretanto, antes que pudesse se aproximar, uma explosão de poder mágico a arremessou para longe.
Uma magia colossal e rápida, que não dava chance de esquiva.
Silvia, que nunca vira um mago tão poderoso, ficou em choque — geralmente, magos são bons à distância, mas frágeis no corpo a corpo e exigem tempo de canalização.
Mesmo os melhores magos de seu exército não eram assim.
Observando Silvia lutar para se levantar, Solana sorriu: — O atual mestre da Torre dos Magos é o meu mordomo. Antigamente, os nobres proibiam plebeus de aprender magia, mas agora ele é totalmente leal a mim.
Antes de se virar para partir, ela acrescentou: — Nada disso foi causado apenas por mim; foram os nobres que se achavam superiores que buscaram o próprio fim. Como alguém que viveu entre eles, você deveria saber disso. É tão ingênua quanto tola.
Após ouvir isso, Silvia cerrou os punhos e mergulhou em pensamentos. No fundo, ela estava abalada, e seus olhos cinzentos tremiam levemente. No fim, ela recusou os convites privados dos nobres e voltou direto para casa.
Ao entardecer, após o banquete, Solana retornou à mansão com Ían. Na carruagem, ela depositou um beijo suave no canto da boca dele e sussurrou: — Quer ser meu amante?
— Você nem sabe o meu nome — disse Ían, com um sotaque da Cidade Baixa, fosse por vontade própria ou efeito da magia. Mas uma coisa era certa: ele estivera na Cidade Baixa, um excelente lugar para se esconder.
Durante esse tempo lá, vendo as terras áridas e o povo simples, será que ele a entendera por um instante?
Solana sorriu e perguntou: — Qual o seu nome?
— Abel.
— Pois bem, Abel, quer ser meu amante? — Solana aproximou-se de seus lábios, olhando-o com ternura.
Abel não respondeu, apenas avançou, e seus lábios se entrelaçaram.
Desta vez não houve suavidade, mas uma busca frenética e mordidas famintas.
— Você está com pressa — disse Solana, com os lábios feridos e a respiração ofegante.
— Não gosta? — Abel ergueu os olhos para ela, com aquelas pupilas como gemas negras.
Aquele velho gesto familiar de querer agradar.
Solana sorriu, mas mudou de assunto sem responder diretamente: — Você também veio da Cidade Baixa?
Ao ouvir as palavras "Cidade Baixa", Abel hesitou e baixou o olhar, assentindo.
— Temos idades parecidas, você deve ter visto como era a Cidade Baixa naquela época, um verdadeiro inferno. Está bem melhor agora, não acha? — Solana disse, encostando-se no ombro dele.
— Está muito melhor — Abel respondeu em voz baixa. Ele ouvira o povo de lá falar sobre o passado, e todos eram imensamente gratos e leais a Solana.
— A primeira vez que entrei na Cidade Alta, foi em uma carruagem como esta. Abri a cortina e vi uma criança loira de olhos azuis cercada por uma multidão, brincando na rua. As pessoas proibiam outros plebeus de passar por aquele caminho. No inverno, quão frio deve ter sido para quem foi forçado a dar voltas enormes para chegar em casa... Você não acha aquela pessoa detestável? Eu o odeio, sempre o odiei.
Solana brincava com as mãos de Abel, com a voz carregada de cansaço.
Abel silenciou por um momento e disse suavemente: — Talvez aquela criança não soubesse dessas coisas.
Naquela época, ele apenas pensava em escolher um presente de aniversário especial para agradar a mãe, sem perceber que suas ações afetavam os outros.
As pupilas negras de Abel brilharam com um rastro de azul profundo enquanto ele olhava para Solana, que fechara os olhos, exausta, encostada em seu ombro.
Tudo parecia um erro destinado a acontecer.