Capítulo 7: O Chá da Tarde
A reunião para o chá da tarde incluía quase todos os filhos de marqueses, com exceção dos herdeiros das duas casas ducais.
A elite jovem estava quase toda presente; os filhos de condes eram poucos e ocupavam o canto mais distante do Príncipe Herdeiro, encostados na cerca de arbustos.
Solana nunca participara de eventos privados da realeza, ao contrário de Kauan, que estivera presente em algumas ocasiões. Por isso, ela não estava familiarizada com os hábitos daquelas pessoas e decidiu agir com cautela, falando o mínimo possível.
Embora não estivessem em trajes de gala, notava-se um esforço meticuloso nas aparências: maquiagens impecáveis e decotes estrategicamente desenhados. Os homens, em particular, pareciam ter investigado a cor da roupa do Príncipe para evitar qualquer conflito visual.
Mesmo que o banquete de noivado ainda não tivesse ocorrido, as fofocas entre a nobreza circulavam mais rápido que as notícias dos jornais.
Os presentes a observavam com cautela, exceto por alguns que a mediam de cima a baixo sem qualquer pudor.
— Silêncio, por favor — disse Ían calmamente, erguendo a mão.
O ambiente emudeceu instantaneamente, e todos os olhares convergiram para Solana.
— Boa tarde a todos, sou a Condessa Solana, da família Weissman. — Ela presumiu que ninguém ousaria insultá-la abertamente ali.
Contudo, uma mulher em um vestido verde-musgo ergueu seu leque de renda para esconder um riso debochado: — Weissman? A filha adotiva daquele novo-rico dono de cassinos?
As risadas ecoaram pela mesa daquela jovem. Solana a encarou com serenidade e sorriu: — Sim. Fico surpresa que a Senhorita Ciel me conheça.
Ciel era a filha única da família Vane. O patriarca de sua casa era um dos dois velhos marqueses presentes na conferência ministerial, e seu irmão parecia não estar presente. Como filha tardia, Ciel era cercada de mimos infinitos.
— Rá — desdenhou Ciel, enquanto Solana mantinha o sorriso, embora sua mão apertasse levemente o leque.
Ían não se exaltou. Apenas repousou a mão no encosto da cadeira e disse sorrindo: — A família Vane não tem origens no comércio de bordéis? Como ainda ousam tocar nesses assuntos? Além disso, Solana não aboliu os cassinos assim que assumiu o título?
Ainda sorrindo, ele puxou a cadeira para Solana, ajudando-a a se sentar antes de ocupar seu lugar. Fitando o semblante humilhado de Ciel, ele prosseguiu: — Ciel, crescemos juntos. Controle um pouco o seu temperamento.
Solana ficou surpresa; ao que parecia, o Príncipe não era tão ingênuo ou manipulável quanto os boatos sugeriam.
Nenhum dos doces sobre a mesa era do tipo que Ían dissera gostar. Ela piscou, percebendo que o Príncipe tinha plena consciência de sua situação. Mas então, por que ele aceitara o noivado com ela?
— Irmão Ían! — Ciel bateu o leque na mesa com tanta força que a superfície estremeceu.
Uma jovem de uma mesa vizinha franziu o cenho, claramente descontente com a cena. Ela se levantou com elegância e disse com frieza: — Vossa Alteza, sinto-me um pouco indisposta. Peço licença para me retirar.
Ían assentiu gentilmente: — Sua saúde sempre foi frágil, sinta-se à vontade.
Solana seguiu a figura que se afastava. Os rumores sobre a rivalidade entre Ciel e a Senhorita Bowen, da família Isabel, não eram infundados. Ambas eram filhas de marqueses e braços direitos da Rainha; o abismo entre elas era guardado a sete chaves, mas a cena de hoje confirmava os sussurros de bastidores.
Por fora, Solana permanecia impassível, mas por dentro deliciava-se como uma espectadora assistindo a uma peça teatral sobre as lutas internas da nobreza. Enquanto as chamas não a atingissem, aquelas disputas eram apenas entretenimento. No fundo, ela desejava que o conflito escalasse.
Sentindo que sua provocação falhara, Ciel descontou sua fúria em alguns jovens nobres, chamando-os por nomes em tom de comando. Eles, que costumavam ser arrogantes, agora pareciam pássaros assustados, apressando-se a tocar instrumentos e cantarolar para agradá-la, como atores ensaiados.
Solana manteve seu sorriso sereno. Quando a música terminou, ela foi a primeira a aplaudir.
Ela virou-se para Ían com um brilho de aprovação nos olhos: — Foi maravilhoso. A Senhorita Ciel tem um gosto excelente.
Ían sorriu e concordou: — De fato, é melodioso. Todos os artistas devem ser recompensados.
A atitude de Solana foi como um golpe no ego de Ciel. Pelas suas observações, Ciel não deixaria barato, embora não ousasse atacá-la diretamente.
Ciel levantou-se abruptamente, seus cabelos prateados e volumosos levemente bagunçados pela raiva.
— Eles cantam essa música inúmeras vezes! É sempre a mesma melodia, estão me negligenciando de propósito! — Ela virou-se para Ían: — Irmão Ían, eu realmente acho horrível. Exijo que mudem a canção.
Ían desfez o sorriso e disse severamente: — Chega de bobagens.
Ao ouvir o tom dele, Ciel cerrou os punhos e caminhou rapidamente até a cantora, desferindo-lhe um tapa, como se estivesse atingindo a própria Solana.
Solana sorriu internamente; o peixe mordera a isca. Ela franziu a testa com preocupação fingida: — Senhorita Ciel, por favor, poupe-a. Ela apenas cantou uma música.
Isso pareceu agitar Ciel ainda mais, que desferiu outro tapa. A cantora caiu sentada no chão, encarando Ciel com olhos vermelhos de ódio.
— O que está olhando? A família Bruce há muito tempo não merece o título de marquês — gritou Ciel. De fato, os Bruce estavam à beira da falência, dependendo agora da família Heather através de alianças matrimoniais.
O rapaz que tocava piano levantou-se e postou-se diante da jovem, segurando o pulso de Ciel com força e afastando-a bruscamente. Em seguida, ele conduziu a noiva até Ían: — Vossa Alteza, eu e minha noiva estamos de saída.
Solana exibia um olhar de preocupação pela jovem agredida, mas não sentia nada. Fizera aquilo de propósito para desviar o foco de si mesma. Atraíra a cantora para o seu lado apenas para usá-la como escudo.
Ofender dois herdeiros de casas de marqueses — famílias de veteranos muito respeitadas pelos plebeus e pertencentes à facção da Rainha — de uma só vez... Ciel era realmente uma "boa filha" para o seu pai.
— Ciel, sugerirei ao seu pai que você não saia de casa nos próximos dias. Acalme seus nervos e controle seu temperamento antes de aparecer em público novamente.
Com isso, o chá da tarde terminou de forma desagradável. Pelo canto do olho, Solana viu a sobrinha da Rainha observando a cena com um sorriso frio e um olhar gélido.
Ela seguiu Ían com calma, mas suas mãos estavam úmidas de suor. A outra mulher certamente percebera seu estratagema.
Ao subir na carruagem, Ían notou a umidade em suas mãos e perguntou preocupado: — Ciel assustou você?
Solana baixou a cabeça e, por fim, negou. — O verão está quente e fiquei nervosa ao conhecer seus amigos.
Ían a confortou com um sorriso: — Não se preocupe, são apenas conhecidos. Nas relações entre famílias, Ciel é apenas uma peça de sacrifício.
Dito isso, ele parou por um momento e acenou na despedida: — Lembre-se de me escrever. Você é do lado da minha mãe, suas cartas não serão interceptadas.
Por algum motivo, ele sempre sentia vontade de confidenciar muitas coisas a ela. Solana assentiu, surpresa, e entrou na carruagem. O Príncipe sabia de tudo.
"Peça de sacrifício"... o que aquilo significava? Solana mergulhou em pensamentos. Ciel agia daquela forma diante do Príncipe porque sempre fora permitido, mas Ían nunca a repreendera de verdade antes. O caráter dela fora moldado pela indulgência dos outros, caminhando para o abismo sem perceber.
Solana achara que seu pequeno truque fora um sucesso, mas na verdade era apenas um resultado previsto em um tabuleiro já montado; ela fora apenas a pena que fez a balança pender. O mundo da realeza era muito mais cruel e complexo do que imaginava.
O banquete de noivado foi marcado para dali a três meses, na transição entre o outono e o inverno. Nesse período, ela e o Príncipe tornaram-se o casal mais invejado, frequentando festas, passeando em iates, pintando flores e assistindo às novas peças de teatro juntos.
A Rainha, após ver o sucesso da peça que promovia as joias, concordou com o plano de Solana. Desde que conhecera Ían, Solana passara a registrar diariamente os acontecimentos.
Sua mãe lhe revelara um segredo sobre a Igreja: uma relíquia sagrada conhecida apenas pela Santa e pelo Sumo Sacerdote. Se o segredo fosse revelado, o traidor sofreria uma maldição terrível.
Solana roubou a relíquia e descobriu o segredo da Santa: ela não conseguia controlar seu poder sagrado. As escrituras divinas eram inteligíveis apenas para a Santa escolhida pela Deusa. Ao que parecia, a filha do Sumo Sacerdote não era a escolhida, mas alguém que usurpara o poder da verdadeira Santa.
Solana enviou uma carta anônima ao Sumo Sacerdote revelando o segredo de toda a Igreja. Agora, a instituição estava sob seu controle. Com a relíquia desaparecida e a ameaça da maldição, o Sacerdote não ousava agir publicamente.
Enquanto isso, Solana absorvia secretamente o poder das pedras mágicas que Ían lhe dera, deixando intocada apenas a gema rosa.
Graças à ajuda indireta de Ciel, Solana firmou parcerias privadas com as famílias Bruce e Heather. Eles precisavam de capital, e ela possuía fortuna; ela precisava do reconhecimento da velha nobreza e dos plebeus da Cidade Alta.
Solana começou a ganhar o coração do povo através de doações a orfanatos e fornecimento gratuito de medicamentos. Suas boas ações estampavam os jornais, atraindo até a atenção da Rainha, que pensava ser apenas marketing para a marca de joias.
Com a chegada do banquete de noivado, tudo parecia correr conforme o planejado. No entanto, naquela noite aparentemente tranquila, Solana despejou discretamente uma poção afrodisíaca na taça de Ían...
Ían, eu cansei de brincar.