《O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder》Capítulo 6

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Capítulo 6: O Presente

— Vamos dar as boas-vindas à Condessa Solana. — A voz da Rainha carregava um tom de indolência e rebeldia, e, naquele ambiente de penumbra, a ambição em seus olhos era evidente.

A Rainha trajava roupas de corte masculino: uma calça branca ajustada combinada com um casaco verde suntuoso que exalava autoridade. Seu cabelo estava totalmente preso para trás, tornando seu gênero difícil de distinguir à primeira vista.

Ela cruzava as pernas de forma relaxada, com uma postura aberta e imponente, recostada na cadeira. Emanava uma pressão invisível que tornava a atmosfera densa e opressiva.

Ao lado, um conde mantinha a cabeça baixa, rabiscando e corrigindo algo em seus registros. Enquanto isso, os olhares dos demais presentes fixavam-se em Solana como lobos famintos.

Sem perder a compostura, Solana retirou um papel dobrado e o empurrou suavemente para o centro da mesa.

Os dois velhos marqueses sentados aos flancos da Rainha trocaram olhares, sinalizando para que o nobre ao lado entregasse o documento.

Após ler o conteúdo, o marquês mais velho sorriu e aplaudiu, proclamando: — Bem-vinda à nossa união, Condessa Solana! — Ao verem os dois homens mais poderosos aplaudindo, todos os outros seguiram o exemplo, e o salão foi preenchido por uma salva de palmas estrondosa.

A Rainha examinava o papel com um sorriso, enquanto analisava Solana com o olhar. Os boatos diziam que Solana era apenas uma tola detentora de beleza, que só sabia fazer amigos distribuindo presentes; diziam que bastava um pouco de gentileza para obter grandes benefícios dela.

— Condessa Solana, se este plano for bem-sucedido, você poderá ocupar este assento. — A Rainha ergueu seu cetro e o encostou levemente na cadeira de um dos marqueses.

O marquês indicado franziu o cenho, mergulhando em pensamentos.

Enquanto o papel circulava entre os presentes, o conde que antes apenas escrevia ao lado de Solana olhou para ela com surpresa, pensando: "Que mulher implacável."

Solana mantinha o sorriso; ela precisava provar seu valor, do contrário, o único caminho seria a morte. Tanto a facção do Imperador quanto a da Rainha desejariam eliminá-la, e até o Velho Duque que apoiava o Príncipe poderia se voltar contra ela.

— Vossa Majestade, este plano exige tempo. No momento, posso oferecer apenas uma pequena ajuda em outros projetos. Quanto aos movimentos da facção do Imperador, contarei com o apoio dos senhores para contê-los — disse Solana com sinceridade calculada.

A Rainha percorreu o grupo com o olhar. O conde à frente de Solana sorriu e, fixando os olhos nela, respondeu: — Fique tranquila, Condessa.

Contudo, Solana captou um rastro de aversão naqueles olhos e sentiu uma pontada de desconfiança em relação ao jovem. Ele não parecia muito mais velho que ela, e aquele ar desleixado era uma máscara perfeita para enganar os outros.

A conferência terminou após algumas breves trocas de informações. A Rainha convidou a todos para permanecerem para o almoço.

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Solana parou na varanda, contemplando a paisagem magnífica do palácio imperial. Diante dela, jardins repletos de flores e esculturas brancas delicadas adornavam o cenário; as fontes pareciam parte de um jardim divino.

No papel que entregara, Solana detalhara um plano para lançar diversas linhas de pedras preciosas e doá-las generosamente a atores de teatro, em troca da criação de histórias que popularizassem as gemas. Ela planejava que ela e o Príncipe usassem essas joias no banquete de noivado como o ponto alto da propaganda.

Entretanto, esse era apenas o começo. O objetivo final era que os magos da Rainha lançassem um feitiço proibido — uma maldição de magia negra — nessas joias, para corroer os corações e controlar as mentes de quem as usasse.

Uma vez que plebeus e nobres de baixo escalão fossem manipulados, tornariam-se peões da Rainha para destruir as forças inimigas. Era uma estratégia sinistra e cruel. Solana não se importava com vidas; ela só almejava os frutos da vitória.

A Rainha não aceitara nem recusara explicitamente a proposta, o que significava que ela tentaria implementá-la, mas decidiria sozinha se usaria a magia proibida no final.

Enquanto Solana divagava, mãos quentes cobriram seus olhos suavemente.

— Adivinhe quem é? — Uma voz juvenil soou. Quem mais ousaria brincar com ela de forma tão audaciosa?

A voz de Solana soou terna e envolvente: — Deixe-me adivinhar... é o Pequeno Sol do Império.

Antes que terminasse de falar, ele a abraçou apertado por trás.

— Acertou! E que recompensa você deseja? — perguntou ele, cheio de expectativa.

Solana aproveitou a oportunidade: — Gostaria de usar o meu anel de gema rosa favorito no dia do noivado.

Normalmente, as joias reais eram providenciadas pela Coroa; o pedido de Solana visava transferir essa honra para a família Weissman.

— Claro que sim, falarei com minha mãe — concordou o jovem sem hesitar.

Solana sentiu uma surpresa interna. Achava que precisaria convencer a Rainha pessoalmente, mas o rapaz resolveu o problema com uma facilidade espantosa. Certamente, a Rainha a valorizaria ainda mais por isso.

Ela virou-se sorrindo, encarando aqueles olhos azuis límpidos e cheios de pureza, sentindo novamente aquela pontada de irritação.

— Poderia me dar um beijo na testa? — Ían perguntou em voz baixa, fitando-a com doçura.

— Por que isso agora? — Solana fingiu confusão.

As bochechas de Ían coraram levemente: — Li nos diários de viagem de Roanne que o meio-dia é o momento em que o Deus do Amor nasceu. Se um casal se beija na testa neste instante, recebe a bênção da divindade para se amar eternamente.

Os dedos de Solana tremeram de leve. Ela ficou na ponta dos pés, apoiando as mãos nos ombros dele. Ían inclinou-se um pouco, e ela depositou um beijo suave em sua testa.

Ela ainda não entendia por que ele gostava tanto dela.

Ían, radiante, segurou a mão dela e correu em direção ao palácio da mãe. Diante de marqueses e condes, ele anunciou orgulhosamente que usariam os anéis da família Weissman no noivado e que desejava almoçar com Solana em seguida.

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O silêncio caiu sobre os presentes; ninguém esperava que as coisas avançassem tão rápido. O conde de postura desleixada agora exibia um semblante rígido, o que atraiu a atenção de Solana.

Ela buscou na memória informações sobre ele: brasão de safira — era Dina, o novo patriarca da família Lawrence. Essa família era famosa por sua agricultura avançada e possuía algumas minas de pedras mágicas. Eram, em sua maioria, artistas e pintores excepcionais.

— Solana, abra para ver. — A voz de Ían interrompeu seus pensamentos. Ele a levara ao jardim interno e entregava-lhe uma caixa requintada.

O jovem parou atrás de um balanço e disse gentilmente: — Por favor, sente-se.

Solana não sabia que aquele balanço branco fora feito sob medida para ela, com uma inscrição exclusiva. Nele, Ían entalhara pessoalmente: "Para Solana".

A ideia surgira por acaso. Em um banquete anterior, Ían ouvira Solana conversando com a filha de um marquês. Ela suspirara, elogiando o balanço da outra jovem e lamentando não ter um em casa, dizendo que não ousaria pedir tal coisa ao pai.

Na verdade, aquilo fora apenas uma estratégia de Solana para se diminuir e agradar a jovem nobre. Havia balanços em sua casa, mas haviam sido removidos. Aquele balanço fora a única lembrança que Kauan tinha da mãe, que costumava segurá-lo ali sob o sol.

Solana contara isso a Liliana, que, para atormentar Kauan, convencera Diego a remover o balanço e construir uma pequena fonte no lugar. Isso causara uma briga sem precedentes entre pai e filho.

Ao abrir a caixa, Solana deparou-se com uma enorme pedra mágica rosa que emitia um brilho etéreo. A Família Real controlava as maiores minas do país e monitorava cada gema; era raríssimo que algo tão precioso fosse dado como presente pessoal.

— Gostou? À noite, ela emite uma luz rosa suave, como a Via Láctea no céu — disse a voz clara do jovem.

Solana tocou a pedra, que era maior que seus dois punhos fechados, e sorriu: — Eu adorei. Obrigada, Príncipe Ían.

— Chame-me apenas de Ían — respondeu ele, sorrindo. — Deixe-me empurrar você.

Solana inclinou a cabeça, fitando os olhos de joia dele, e perguntou sorrindo: — Posso te dar um beijo no rosto? Não sei como expressar minha gratidão...

Seus fios dourados e a pele branca da gola de seu vestido brincavam com a mão de Ían no encosto do balanço. Ele arregalou levemente os olhos e inclinou-se; Solana beijou sua face.

Naquele instante, o tempo pareceu parar. Pássaros silenciaram e as flores mais belas tornaram-se meros coadjuvantes.

De janelas altas nos prédios ao redor, várias figuras observavam em silêncio: o Imperador olhava de forma impassível; a cavaleira ao lado dele franzia o cenho em desaprovação; e uma marquesa, noutro canto, apertava os punhos com olhos marejados de emoções complexas.

— O Príncipe Herdeiro não deveria se apaixonar por alguém do lado da Rainha — disse a cavaleira em tom sombrio.

O Imperador não reagiu de imediato, apenas observou o casal em meio às suas próprias memórias.

— Ele ficará em perigo por causa dessa mulher — a marquesa murmurou com a voz trêmula.

O Imperador baixou o olhar para a marquesa: — Enquanto os dois velhos Duques estiverem vivos, o Príncipe não será derrubado tão facilmente.

À mesa, Solana observava o banquete. Os lugares do Imperador e da Rainha estavam vazios. O Príncipe sentava-se em seu lugar, como se esperasse por pessoas que nunca viriam.

Solana sentou-se ao lado dele, mas notou que os pratos pareciam ter sido colocados propositalmente fora de seu alcance. Os servos pareciam querer dificultar sua refeição, já que levantar-se durante o jantar violaria a etiqueta.

Ela abaixou a cabeça, comendo lentamente o pão e as frutas que estavam em seu prato.

Ían percebeu o desconforto dela e, ignorando totalmente a etiqueta real, levantou-se para puxar os pratos distantes para perto de Solana. Os servos arregalaram os olhos, mas mantiveram as cabeças baixas em respeito.

— Eles não virão de qualquer forma. Provavelmente estão almoçando com seus próprios ministros agora — disse Ían com naturalidade, voltando a comer.

Por um momento, Solana sentiu que ele era solitário. Naquele palácio de intrigas, alguém como ele realmente estaria só.

Inconscientemente, ela sorriu e disse: — Gostaria de ficar para o chá da tarde com você antes de ir. Seria uma boa oportunidade para conhecer seus amigos.

Assim que as palavras saíram, ela mesma se surpreendeu. Por que decidira ficar para acompanhá-lo? Ela ignorou a dúvida, repetindo para si mesma: "É apenas para conhecer mais nobres de alto escalão." E prometeu a si mesma pensar duas vezes antes de falar na próxima vez.

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