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《Sob o Olhar do Capitão》​​​​​​​Capítulo 67

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Capítulo 67: A Identidade Dele, Abrindo o Jogo

Um homem e uma mulher desceram do Mercedes.

Eram Patrícia, a filha de Dona Lina, e seu namorado, Chen Peng.

Chen Peng tinha cerca de 1,60m, sendo quase meia cabeça mais baixo que Patrícia. Ele tinha o rosto redondo, olhos muito pequenos que faziam suas feições parecerem espremidas, vestia uma camisa e calças de alfaiataria sob medida e exibia no pulso um relógio de valor astronômico.

Ao ver a filha e o genro, Dona Lina sentiu como se tivesse encontrado seus salvadores.

— Patrícia, venha rápido! Sua mãe está sendo humilhada pela família da Alice!

Patrícia, que sempre fora mimada e arrogante, avançou imediatamente ao ouvir que a mãe fora maltratada. Ao ver Alice, disse furiosa:

— Alice, só porque você se divorciou, não desconte sua frustração na minha mãe. Acha que nossa família é saco de pancada?

Dito isso, Patrícia virou-se e segurou o braço de Chen Peng, apelando com voz manhosa:

— Peng, você não disse que veio para Rio Verde para investir e que os figurões da prefeitura queriam jantar com você? A Alice é funcionária pública. Fala com o chefão deles para ele exonerar ela agora mesmo.

O coração de Helena deu um solavanco.

Ela realmente temia que o namorado de Patrícia usasse sua influência para fazer Alice perder o emprego.

Ao notar a expressão de Helena, Dona Lina sentiu-se vitoriosa.

Ela ergueu o queixo: — Vamos fazer o seguinte: se a Alice der uns tapas na própria cara e pedir desculpas, eu deixo isso para lá.

Alice soltou uma risada fria.

— Quer usar figurões para me pressionar? Sinto muito, mas eu ando na linha e não devo nada a ninguém. Não tenho medo.

Chen Peng aproximou-se e, finalmente, viu o rosto de Alice.

Pele alva, feições perfeitas, lábios rubros e um brilho estonteante.

Ele ficou instantaneamente hipnotizado; seus olhos fixaram-se nela, incapazes de desviar o olhar.

Justo quando Chen Peng ia dar mais alguns passos para analisar Alice de perto, uma silhueta alta e austera saiu de dentro da casa.

Ricardo já havia terminado de preparar todos os pratos na cozinha.

Ele ainda usava o avental, sem ter tido tempo de retirá-lo.

Com passos largos, ele chegou ao quintal e postou seu corpo imponente à frente de Alice, bloqueando-a.

Seus olhos eram profundos, seu perfil rígido como pedra, e a aura gélida que exalava era suficiente para esmagar a presença de Chen Peng por completo.

Ele abriu os lábios finos e perguntou com uma voz cortante e sem temperatura:

— Para qual figurão você pretende fazer a queixa?

Chen Peng levantou o olhar e encontrou Ricardo. No instante em que reconheceu o rosto do homem, suas pupilas se contraíram violentamente — aquele era, sem dúvida, o discreto "Segundo Jovem Mestre" da poderosa família de São Paulo.

Chen Peng sabia que ele atuava como investigador em Rio Verde, mas jamais imaginaria encontrá-lo naquela situação.

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— Se... Segun... — Antes que a palavra "Senhor" ou "Mestre" saísse, ele recebeu um olhar de Ricardo tão afiado quanto uma navalha.

Chen Peng imediatamente começou a gaguejar:

— Nada... o senhor... o senhor ouviu errado.

Suor frio começou a brotar em sua testa e nas palmas das mãos.

Ricardo disse com o rosto severo:

— Ao agir lá fora, não tente se apoiar na autoridade alheia sem saber com quem está lidando. É fácil atrair desgraça para si mesmo.

Chen Peng entendeu perfeitamente o aviso implícito.

Com as pernas bambas, ele respondeu com total submissão:

— O senhor tem toda a razão.

Dito isso, virou-se para Patrícia:

— Acabou! Nós terminamos aqui. E mande sua mãe devolver tudo o que eu dei para ela imediatamente!

Patrícia e Dona Lina ficaram em choque total.

Sem dar chance para que falassem, Chen Peng entrou no carro e arrancou.

As duas correram atrás dele e conseguiram alcançá-lo em um semáforo.

Patrícia esmurrava o vidro: — Peng, por que terminar do nada?

Chen Peng olhou para ela com o rosto lívido de raiva:

— Eu quase morri por causa de vocês duas. Chega, não me procurem mais e nem pensem em mexer com a família da Alice. Eles têm a proteção de alguém muito grande.

Mãe e filha ficaram paralisadas, olhando uma para a outra.

Alguém grande? Que alguém?

Dona Lina lembrou-se de Ricardo, cuja aura havia humilhado Chen Peng sem esforço.

Ele não era apenas um colega da Alice? Como poderia ser alguém tão influente?

...

— O Ricardo é incrível. Bastou um olhar para o namorado da Patrícia e o sujeito fugiu. Digno de um capitão, que presença! — Helena fez um sinal de positivo para Ricardo.

— A senhora exagera — respondeu Ricardo. Diante da família de Alice, seu perfil severo suavizava consideravelmente.

Alice caminhava ao lado dele e cutucou seu braço:

— Aquele cara te conhece? Ele parecia estar morrendo de medo. Por acaso ele tem alguma ficha na polícia?

Ricardo comprimiu os lábios.

— Eu já o vi em São Paulo. A família dele enriqueceu rápido e ele gosta de intimidar os outros. Mas depois do aviso de hoje, ele não deve se atrever mais.

Alice sentiu um calor no peito. — Obrigada.

Ao entrarem, viram a mesa posta com cinco pratos e uma sopa.

A apresentação e o aroma eram de dar água na boca.

Alice soltou uma exclamação: — Capitão, você é prendado demais!

Helena e Guilherme assentiram prontamente, ambos elogiando Ricardo.

Os quatro sentaram-se para jantar.

Ricardo tinha modos impecáveis à mesa, sendo educado e atencioso com todos.

Helena o observava em silêncio; ela sentia que Ricardo fora criado com a educação de uma família de elite.

— Ricardo, de onde você é originalmente? Quem são os seus familiares?

A mão de Alice, segurando os palitinhos, parou. Ela lançou um olhar de reproche à mãe: — Mãe, o que é isso? Está fazendo um interrogatório?

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Helena deu um chute leve em Alice por baixo da mesa. — Só estou batendo um papo, por que está tão tensa?

Ricardo pousou os talheres e sentou-se ereto.

— Dona Helena, minha família é de São Paulo. Tenho meu avô, meus pais, um irmão mais velho e uma irmã. Meu irmão cuida dos negócios da família e minha irmã está na faculdade.

O coração de Alice deu um solavanco.

Camila não disse que ele era pobre e que só tinha uma avó surda e cega no interior?

De repente, ela percebeu que aquele homem sabia quase tudo sobre a família e a vida privada dela, mas ela não sabia absolutamente nada sobre ele!

— De São Paulo? Por que resolveu trabalhar em Rio Verde? Pensa em pedir transferência para lá algum dia? — perguntou Helena.

Ricardo silenciou por um momento e disse: — É possível que sim.

Helena assentiu pensativa. — Vamos comer.

Após o jantar, Alice ajudou Helena com a louça e depois acompanhou Ricardo até o lado de fora.

Ao notar que Alice parecia absorta em pensamentos, ele inclinou levemente o rosto bonito em direção a ela.

— O que houve? Você parece infeliz.

Alice o encarou com o cenho franzido.

— Eu sinto que você é um mistério.

Ricardo achou graça. — Por que sou um mistério?

— A Camila me disse que você era pobre e só tinha uma avó. Por que disse para minha mãe que é de São Paulo e tem uma família grande? Qual desses é o verdadeiro Ricardo?

As feições de Ricardo ficaram sérias. Após um breve silêncio, ele disse:

— Você tem tempo agora? Vou te levar a um lugar para que entenda a verdadeira relação entre mim e a Camila.

Alice piscou, surpresa. — Hã???

— Você quer saber? — perguntou ele com a voz rouca.

Alice assentiu. — Quero! Espere um segundo, vou avisar minha mãe e meu irmão.

Uma hora depois, Ricardo levou Alice a um lugar que ela jamais imaginaria.

 

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