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《Sob o Olhar do Capitão》Capítulo 64

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Capítulo 64: Impedimento no Caso, Indignação Total

Rodolfo, que interpretava Romeu, vendo que Beto não se levantava, deu um chute leve nele.

— Qual é, cara? Não exagera na cena. Levanta logo.

Mas Beto continuava imóvel.

Quando Rodolfo ia chutá-lo novamente, ouviu o comando de Ricardo:

— Pare! Não toque nele!

Rodolfo assustou-se ao ver Ricardo. Ele também era um dos garotos que intimidara Guilherme no beco e sabia que Ricardo era policial. O olhar afiado do capitão o fazia tremer de medo.

Ricardo assentiu para Alice. Ela rapidamente calçou luvas e propés que trazia na maleta e aproximou-se do corpo caído de Beto.

Checou a carótida, a respiração e as pupilas. Depois, levantou o olhar solene para Ricardo e balançou a cabeça negativamente.

— Sem sinais vitais.

A mão de Ricardo, que ia discar para a emergência, parou. Em vez disso, ele ligou direto para a central da Polícia Civil.

Rodolfo estava em choque.

— O que houve com ele? Era uma adaga de brinquedo... ele não pode ter morrido de verdade!

O pânico espalhou-se pela plateia conforme os alunos percebiam a gravidade da situação e tentavam fugir.

Ricardo pegou o microfone do palco e gritou com autoridade:

— Atenção todos! Aqui é o Capitão Ricardo, da Delegacia de Investigações Criminais!

Sua voz imponente e firme cortou o caos, paralisando a multidão.

— Ninguém se mexe! Segurança da escola, tranquem todas as saídas agora! Ninguém entra ou sai! Elenco da peça e professores, permaneçam onde estão. As primeiras fileiras, recuem três metros do palco agora!

Após dar as ordens, ele voltou-se para Alice:

— Minha equipe está a caminho. Inicie a perícia preliminar.

Ricardo então chamou o pálido Rodolfo:

— Quem é o coordenador da peça?

O rapaz apontou para um professor que tremia visivelmente.

— Quem é o responsável pelos objetos de cena? Onde a adaga ficava guardada? Quero a lista de todos que tiveram contato com essa arma hoje! — exigiu Ricardo.

Voltando-se para a plateia inquieta, ele acrescentou:

— Proibido tirar fotos, gritar ou circular! O isolamento é para proteger a cena do crime e identificar o culpado, além de garantir a segurança de vocês. Reforços chegarão em dez minutos. Faremos a identificação de todos antes da liberação organizada.

Ao ver algumas alunas chorando de medo, ele suavizou um pouco o tom:

— Não tenham medo. O culpado não vai escapar. Colaborar com a polícia agora é a melhor forma de ajudar. Quem precisar de algo, levante a mão, mas não saia do lugar.

Ricardo parado no palco, alto e resoluto, parecia uma fortaleza. Sua calma diante do caos serviu como um calmante para os presentes. Com ele ali, todos sentiam que a verdade apareceria e o assassino não ficaria impune.

Alice, agachada ao lado de Beto, analisou o ângulo e a profundidade da entrada da lâmina.

— Preliminarmente, a lâmina atravessou a cavidade torácica e atingiu a aorta cardíaca — informou ela, com tom profissional.

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Foi uma morte instantânea. A adaga atingiu a zona central do coração; o corte foi extenso demais e a circulação parou na hora.

O som das sirenes quebrou o silêncio da escola. A equipe da Polícia Civil chegou rapidamente, isolando o auditório com fita zebrada.

O oficial que liderava o grupo de reforço era alto, fardado e tinha um semblante arrogante.

Alice, terminando o exame, olhou para o recém-chegado. Não o conhecia. Ele nem sequer cumprimentou Ricardo; apenas soltou um bufo de desdém ao vê-lo.

Alice aproximou-se de Ricardo.

— Quem é ele?

— Enquanto você estava viajando, transferiram um novo vice-capitão para a equipe:

Hugo

.

— Ele parece bem arrogante. Vocês tiveram algum problema? — sussurrou ela.

Antes que Ricardo respondesse, Hugo aproximou-se:

— Capitão Ricardo, acabei de ouvir do aluno Rodolfo que a vítima, Beto, teve conflitos recentes com o irmão dessa legista aí, o Guilherme.

Alice franziu o cenho e encarou Hugo:

— Vice-capitão Hugo, está suspeitando do meu irmão? Ele jamais faria algo assim!

Hugo soltou uma risada debochada.

— Até que o verdadeiro culpado seja pego, todos que tiveram atritos com a vítima são suspeitos. Incluindo o seu irmãozinho.

Dito isso, ele pegou o celular e fez uma ligação.

— Delegado Geral, relatório suplementar. A vítima tinha uma rixa com o irmão da Dra. Alice. O Capitão Ricardo chegou a forçar a vítima a pedir desculpas ao rapaz recentemente. Pela natureza sensível do caso e o envolvimento pessoal, sugiro que o Capitão e a Doutora sejam impedidos de atuar nesta investigação. Solicito autorização imediata para o afastamento de ambos.

O Delegado Geral era a autoridade máxima, acima do Delegado Regional da unidade deles.

Após ouvir o relato de Hugo, a voz autoritária do Chefe de Polícia soou no viva-voz:

— Passe para o Ricardo.

Ricardo pegou o aparelho.

— Siga as normas — ordenou o Chefe. — Você e a Alice estão afastados deste caso. O Hugo assume o comando total da investigação. Descubram o culpado imediatamente!

— Sim, senhor — respondeu Ricardo, com os músculos da face retesados.

Ele devolveu o celular a Hugo, que o olhou com superioridade.

— Capitão, não se ache o único detetive da cidade. A delegacia não vai parar sem você. Você tem trabalhado muito, aproveite para tirar uma folga.

Ricardo permaneceu com os lábios cerrados.

— Agora que cheguei, assumirei todos os casos da equipe. Não precisa se incomodar mais — continuou Hugo.

A aura ao redor de Ricardo tornou-se ainda mais gélida. Seus olhos negros perfuravam Hugo e seus punhos estavam cerrados com força. Obedecendo à ordem superior, ele apenas respondeu com frieza:

— Eu não busco glória, busco a verdade. Espero que, ao assumir o caso, você honre a farda que veste.

Alice, ao lado dele, estava fervendo de indignação.

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