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《Sob o Olhar do Capitão》Capítulo 63

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Capítulo 63: Performance no Palco, um Incidente Abrupto

Pelo canto do olho, Alice notou que algumas pessoas atrás os observavam.

Ela empurrou Ricardo, que estava muito próximo.

— Meu irmão já vai subir ao palco para a apresentação.

Ricardo assentiu.

— Tudo bem.

Embora ela o tivesse afastado, ele permanecia com as pernas bem abertas, com uma delas encostada no vestido dela.

Sentado de forma imponente, a calça levemente ajustada delineava a musculatura de suas pernas, revelando uma força primitiva oculta. Ele exalava uma aura de virilidade rústica e explosiva.

Alice sentiu o coração disparar.

Ela conhecia bem o poder daquela força em certos momentos íntimos. Ao lembrar daquela noite, sentiu um calor súbito percorrer seu corpo.

Ao levantar o olhar, viu um sorriso de canto nos lábios do homem.

— Do que está rindo? — perguntou ela, fingindo irritação.

Ricardo recostou-se na cadeira e arqueou a sobrancelha, exibindo um ar de satisfação incomum em seu rosto normalmente frio.

— Estou feliz.

Alice lançou-lhe um olhar de reproche.

Ele com certeza notara o olhar dela para as pernas dele agora pouco. Esse sujeito, por trás da fachada séria, era extremamente astuto.

— Ficou feliz assim só porque eu disse que gosto um pouco de você?

Ricardo baixou o olhar para ela.

— Você disse que tem medo de se apaixonar se continuarmos, o que prova que meu charme funciona.

Alice soltou um risinho. — Você é bem convencido, não é?

— Se eu não fosse bom, por que você não procurou o Sérgio naquela noite na boate? — perguntou ele, inclinando o rosto para perto dela.

Alice respirou fundo. — Mesmo que eu o procurasse, ele jamais aceitaria.

Ao ouvir isso, o sorriso de Ricardo desapareceu, e seu rosto tornou-se sombrio.

Ele a encarou em silêncio, com olhos profundos como abismos, como se quisesse devorá-la.

Alice percebeu a mudança brusca de humor.

— O que foi agora?

Ricardo segurou o pulso fino dela, com a voz carregada de tensão:

— Você realmente chegou a cogitar uma noite com ele?

O jeito que ele a olhava indicava que, se ela dissesse a palavra errada, ele a beijaria ali mesmo, na frente de todos.

Alice sorriu.

— Não. Naquelas circunstâncias, só pensei em você. Afinal, quem mandou você ser o ex-noivo da Camila?

Ao mencionar Camila, um brilho complexo passou pelos olhos de Ricardo.

— Quando você tiver um tempo livre, quero te levar a um lugar — disse ele, subitamente.

Alice notou que o semblante dele tornara-se solene e ficou curiosa.

— Aonde?

— Você saberá na hora.

Logo foi a vez de Guilherme se apresentar. Alice focou toda a sua atenção no irmão.

Gui vestia uma camisa branca e jeans; sob os refletores, ele parecia um jovem príncipe. Antes, ele era calado demais e jamais aceitaria se expor em um palco. Vê-lo ali, tocando piano com tanta confiança e serenidade, emocionou Alice profundamente.

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Ela sabia que essa mudança era fruto da ajuda de Ricardo.

A gratidão que o rapaz sentia pelo policial, por tê-lo defendido naquele beco, transformou-se naquela melodia.

Quando Guilherme terminou, Alice aplaudiu com força, com os olhos marejados.

— Ricardo, obrigada por ter protegido meu irmão daquela vez. Você deu a ele a coragem que ele precisava.

Ricardo, vendo as lágrimas dela, ofereceu-lhe um lenço.

— Eu também gosto muito desse meu futuro cunhado.

Alice pegou o lenço e enxugou o canto dos olhos.

— Foi você que o incentivou a te chamar de cunhado?

Ricardo deu de ombros.

— Não. Provavelmente, no coração dele, eu sou o cunhado ideal.

Ora... lá vem o convencido de novo.

Após o piano, começou a peça teatral: "Romeu e Julieta".

— Eu já interpretei a Julieta na escola — comentou Alice em voz baixa.

Ricardo virou o rosto para ela.

— Então você deve ter sido a Julieta mais linda de todas.

Alice lançou-lhe um olhar divertido. — Percebi que agora cada frase sua é uma provocação.

— Só estou relatando fatos — respondeu ele, com um leve sorriso.

Alice sentiu-se lisonjeada. Quem não gosta de ouvir elogios? O Ricardo atual era muito mais adorável que o "boca dura" de antes.

De repente, gargalhadas ecoaram pelo auditório.

Alice olhou para o palco e viu Julieta entrando com um vestido bufante e uma peruca. Era um homem vestido de mulher.

— Ei! Aquele não é o Beto? — perguntou Alice, confusa.

Ricardo assentiu. — Sim, é ele.

Alice ficou surpresa; não imaginava que Beto teria esse lado artístico. Ele imitava trejeitos femininos de forma caricata, arrancando risos da plateia.

— Olhando assim, nem parece ser aquele garoto problemático.

— As aparências enganam — sentenciou Ricardo.

No palco, a peça chegava ao clímax. O aluno que interpretava Romeu fingiu morrer por envenenamento. O clima tornou-se pesado. Beto, no papel de Julieta, soltou gritos lancinantes, chamando por Romeu com uma expressão de dor profunda.

Tinha que admitir: ele atuava muito bem.

Ao ver que Romeu não acordava, ele pegou a adaga na cintura do parceiro.

Com lágrimas nos olhos, Beto ergueu a arma e a cravou contra o próprio peito.

Pelo roteiro, a lâmina da adaga cenográfica deveria recolher-se ao tocar o corpo. No entanto, no segundo seguinte, o corpo de Beto ficou rígido.

A encenação de dor foi substituída por um sofrimento real e absoluto.

Sua mão, segurando a adaga, tremeu violentamente enquanto o sangue começava a escorrer pelo cabo. Suas pupilas se contraíram e ele olhou para a arma cravada em seu peito, incrédulo.

Após o choque inicial, ele desabou no palco.

A performance foi tão realista que o público prendeu a respiração.

Alguns alunos cochichavam:

— Caramba, o Beto é um gênio da atuação! Esse sofrimento pareceu real demais.

— Nunca imaginei que ele levaria o papel tão a sério. Quase chorei.

Quando a cena acabou, os aplausos foram ensurdecedores. Ninguém percebeu nada errado.

Alice e Ricardo, porém, não aplaudiram. Ambos se endireitaram na cadeira, em alerta máximo. O instinto profissional gritava que algo estava errado. A expressão de Beto no momento do impacto não era atuação; era dor genuína.

Eles trocaram um olhar rápido e levantaram-se ao mesmo tempo.

— Ei! Não acabou ainda! Sentem aí! — reclamou alguém atrás.

Eles ignoraram e correram em direção ao palco.

Ao mesmo tempo, o ator que fazia Romeu abriu os olhos e cutucou Beto:

— Ei, levanta para o agradecimento.

Mas Beto não se moveu.

 

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