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《Sob o Olhar do Capitão》Capítulo 60

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Capítulo 60: Choque! O Irmão o chama de "Cunhado"

Ricardo estava parado perto de um canteiro no térreo do hotel, olhando para o celular.

Não houve resposta de Alice.

Ele olhou para a janela do quarto dela.

— Dr. Sérgio, a Dra. Alice vai descer para o lanche?

— Ela acabou de me responder. Disse que está cansada e quer descansar.

Ricardo olhou para trás. Eram Sérgio e um colega conversando.

— Eu convido ela de novo quando voltarmos para a cidade.

— Você é um ótimo partido, doutor. Deve ser fácil conquistá-la.

— Ela é diferente.

As vozes foram sumindo conforme eles se afastavam. Ricardo olhou para o celular novamente.

Ela respondera a Sérgio, mas o ignorara.

Ricardo rangeu os dentes e deu as costas.

...

Alice estava na cama quando seu estômago roncou.

Estava com fome por ter pulado o jantar. Ia pedir para Vic trazer algo quando a campainha tocou.

Ao abrir, deparou-se com Ricardo.

Ele entregou uma sacola.

— Você não jantou. Pedi para a cozinha do hotel fazer um arroz frito para você.

Sem esperar resposta, ele entregou o pacote e saiu.

Alice ficou olhando até ele sumir no corredor. Ao abrir a embalagem, o aroma de ovo e carne defumada se espalhou. O arroz estava soltinho e parecia delicioso.

Alice deu uma colherada e se surpreendeu. Estava ótimo.

Sem perceber, comeu tudo.

Trim!

Uma mensagem de Ricardo: 「Estava bom?」

Alice sentiu as orelhas esquentarem.

Que falta de postura a minha, comi tudo.

Alice:

「Estava ótimo, obrigada.」

Ricardo:

「Que bom. Na próxima eu cozinho algo para você.」

Alice: — ...

O que ele está tentando fazer? Se a sedução falhou, agora quer me conquistar pelo estômago?

...

Após o evento de integração, Alice viajou a trabalho.

Voltou na sexta-feira, dia da festa de aniversário da escola de seu irmão, Guilherme.

Gui teria uma apresentação. Como a mãe não podia ir, Alice trocou de roupa no apartamento e dirigiu até o colégio.

Guilherme a esperava no portão. Alice o abraçou pelo braço. — A irmã chegou! Vamos entrar?

O rapaz continuou imóvel.

— O que foi? Está esperando mais alguém?

Guilherme digitou no celular: 「Esperando o cunhado.」

Alice sentiu um tique no olho.

— Você chamou o Mateus? Você sabe que nos divorciamos!

Antes que o irmão respondesse, uma voz grave soou: — Guilherme.

Alice levantou o olhar bruscamente.

Ricardo descia de um táxi. Ele vestia uma camisa verde-militar impecável, com os dois primeiros botões abertos e as mangas dobradas, revelando os braços fortes. Usava calças pretas que realçavam suas pernas longas e sapatos de couro.

O cabelo estava bem penteado e seu perfil era afiado e imponente. Transbordava virilidade e serenidade.

Ao ver Ricardo, Guilherme abriu um sorriso radiante e acenou.

Alice sentiu uma pontinha de ciúme. O irmão não a convidara com tanta empolgação, mas chamara Ricardo. Desde quando eram tão íntimos?

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E chamá-lo de "cunhado"? Guilherme estava pedindo para levar um puxão de orelha!

Alice deu um tapinha nas costas do irmão.

— Não chame ele assim. Chame de Capitão Ricardo.

Guilherme digitou: 「Eu gosto de chamar de cunhado.」

Ricardo aproximou-se e Guilherme mostrou o celular para ele: 「Cunhado, a Alice acabou de me bater.」

Alice levou a mão à testa.

Agora ele aprendeu a fazer fofoca?

— Eu não sei por que ele está te chamando assim. Eu não ensinei nada disso — disse Alice, extremamente sem graça.

Ricardo sabia que ela não ensinara. Afinal, fora ele quem pedira para ser chamado assim.

Guilherme digitou: 「Cunhado, você e a minha irmã estão usando roupas combinando hoje?」

Alice olhou para o próprio vestido verde-musgo. De fato, combinava com a camisa de Ricardo.

— Deve ser sintonia — respondeu Ricardo com um meio sorriso.

Guilherme puxou Ricardo pelo braço para dentro da escola. Alice seguia atrás, indignada.

De quem esse garoto é irmão, afinal? Que preferência descarada é essa!

No caminho, vários alunos perguntavam: — Guilherme, esse é seu cunhado?

Alice era conhecida na escola por sempre visitar o irmão, mas Ricardo era a novidade. Guilherme, orgulhoso, assentia com a cabeça para todos.

— Guilherme, o Gustavo disse que você tem proteção da polícia. É ele?

Guilherme assentiu com um sorriso.

Ricardo recebeu inúmeros elogios durante o trajeto.

Chegaram à sala de música, onde Guilherme ensaiaria para sua apresentação de piano.

O rapaz digitou: 「Alice, cunhado, vou tocar uma vez para vocês verem se preciso melhorar algo.」

Eles assentiram. Guilherme tocou uma peça leve e solar, com um ar juvenil e vibrante. Ao terminar, ambos aplaudiram.

Guilherme levantou-se e puxou Ricardo para o banco do piano.

Alice ia perguntar o que ele estava inventando quando uma melodia familiar e imponente começou a ecoar.

Ricardo deslizava os dedos longos pelas teclas com uma maestria impressionante.

Ele começou a tocar "Nas Margens do Lago Baikal".

O nível dele era igual, ou talvez superior, ao de Sérgio.

Alice ficou paralisada. Ela jamais imaginaria que aquele homem rústico soubesse tocar piano.

A luz do entardecer entrava pela janela e iluminava o perfil esculpido de Ricardo, suavizando sua expressão severa. Naquele momento, ele exalava um charme irresistível.

Alice ficou hipnotizada.

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