Capítulo 9: O Mal-entendido, Valentina Chora
Ao entrarem no restaurante, as duas escolheram uma mesa e se sentaram.
Pediram alguns dos pratos mais famosos da casa.
— Valen, aquele seu colega de banco realmente te ajudou a chegar ao segundo lugar da sala? — Alice perguntou, morrendo de inveja.
Ela se perguntava por que não tinha um colega assim.
Atualmente, Alice fora colocada pelo professor em um lugar bem no fundo da sala, tornando-se uma figura praticamente ignorada por todos.
Além disso, ela não tinha um parceiro de mesa.
Todos a evitavam e ninguém queria sentar ao seu lado.
Na hora do intervalo, enquanto todos saíam em grupos para a cantina ou ao banheiro, ela sempre tinha que ir sozinha.
— Ai! — Alice suspirou.
Ela sentia uma vontade enorme de rasgar aquele disfarce horroroso e revelar seu lado deslumbrante para todos.
Queria calar a boca de cada um deles.
Alice sentia falta da vida escolar de antigamente, quando era cercada por pretendentes como se fosse uma estrela.
Valentina assentiu e disse:
— Sim, o Lucas é incrível. Eu só fiquei em segundo lugar porque o primeiro foi dele! — Um sorriso involuntário surgiu em seu rosto.
— Humm, será que a nossa Valentina está com o coração balançado? Confessa logo: você está gostando desse tal de Lucas!
O espírito fofoqueiro de Alice despertou com força; ela suspeitava seriamente que a amiga tinha se apaixonado.
— Nada disso! Não fala bobagem!
— Tem certeza?
— Absoluta! Que chata você, não falo mais nisso!
Valentina inflou as bochechas, fingindo irritação.
Ao mesmo tempo, aquela pergunta a fez refletir internamente.
Será que ela... realmente nutria algum sentimento diferente por Lucas?
Dizer que amava talvez fosse exagero, mas com certeza havia uma forte afeição.
Ele era, afinal, seu primeiro amigo homem com quem tinha tanta afinidade.
— Valen, por que o Lucas é tão bom com você? — Alice perguntou de repente.
Essa pergunta deixou Valentina sem resposta.
Realmente, por que Lucas era frio com os outros, mas tão gentil com ela?
Além de ajudá-la nos estudos, ele nunca demonstrou desprezo pelo seu visual desleixado.
O que um garoto assim estaria buscando?
Ela estava "feia", então não seria pela aparência.
— Ele sabe que você é rica? — Alice sugeriu.
Valentina hesitou: — Eu paguei o almoço dele uma vez e comentei que tinha milhares de reais no cartão... também disse que minha família tinha posses...
— Está aí a resposta! — Alice bateu na mesa, convicta. — Ele com certeza está interessado no seu dinheiro. Do contrário, com esse seu visual de "patinho feio", que garoto se aproximaria tanto assim de você por vontade própria?
— Escuta o que eu digo: se ele de repente te pedir dinheiro emprestado, não empreste de jeito nenhum, entendeu?
Ouvindo aquilo, Valentina sentiu um conflito interno. Ela não queria acreditar que Lucas fosse esse tipo de pessoa.
Mas, lembrando do que a amiga disse e do fato de que, hoje mesmo, Lucas realmente lhe pediu dinheiro... sua mente começou a divagar em mil suspeitas.
Ela não teve coragem de contar sobre o empréstimo para Alice.
Conhecendo o gênio da amiga, ela certamente iria até a escola, confrontaria Lucas e exigiria o dinheiro de volta na frente de todo mundo.
Logo, os pratos deliciosos chegaram.
As duas encerraram o assunto e focaram em devorar a comida.
O jantar durou mais de uma hora.
Satisfeitas, prepararam-se para ir embora.
Na hora de pagar a conta, Valentina entregou seu cartão bancário.
— Sinto muito, senhora, mas o seu saldo é insuficiente! — avisou a recepcionista com polidez.
— Como assim? Eu tenho mais de um milhão de reais nesse cartão!
Valentina ficou em choque e pediu para a funcionária tentar passar novamente.
— Senhora, continua dando saldo insuficiente. Teria outro cartão? — disse a recepcionista.
Valentina paralisou.
Como aquilo era possível?!
— Valen, você não pegou o cartão errado? — Alice perguntou.
Ela conhecia a situação da amiga e sabia que ela jamais ficaria sem dinheiro para um jantar.
O rosto de Valentina empalideceu. Ela parecia estar prestes a desabar em lágrimas, com uma expressão de total desamparo.
— Eu não peguei o cartão errado — ela sussurrou. — É que... hoje o Lucas disse que precisava de dinheiro emprestado. Eu não pensei muito e entreguei este cartão para ele...
Ela acabou contando tudo o que havia acontecido.
— O quê?!
A raiva de Alice explodiu instantaneamente.
— Valentina, Valentina... como você pode ser tão ingênua? Entregar um cartão com um milhão para um cara que você conhece há poucos dias e ainda dizer que não está apaixonada?
— Para mim você está é... ai, nem sei o que dizer de você!
Valentina sentia-se miserável. Lágrimas começaram a brotar em seus olhos, prontas para cair a qualquer momento.
Alice pagou a conta rapidamente e a puxou para fora do restaurante.
No caminho de volta, Valentina chorava baixinho, com o coração partido. A imagem que ela tinha de Lucas estava desmoronando lentamente em sua mente.