Capítulo 6: Valentina Quase Chora
Lucas e Valentina estavam em seus lugares.
Ele realizava a tutoria individual, explicando detalhadamente o conteúdo que o professor acabara de passar em aula.
Valentina ouvia com total atenção.
A explicação de Lucas era ainda mais simples e detalhada que a do professor, tornando tudo muito fácil de entender.
As dúvidas que ela tinha anteriormente sobre o livro foram todas resolvidas.
Um ensinava com dedicação e a outra aprendia com empenho; nenhum dos dois percebeu os olhares estranhos que muitos colegas ao redor lançavam para eles.
— Escuta, faz só alguns dias e o Lucas já está tão íntimo dessa colega nova? Será que ele gosta desse tipo?
— Difícil dizer... Se uma garota feia dessas sentasse do meu lado, eu nem conseguiria prestar atenção na aula. Só de estar ali já me sentiria em cima de um formigueiro!
— É bizarro demais. A representante é linda, vive atrás dele e ele só dá gelo, mas com essa colega horrorosa, olha só, os rostos estão quase colados.
Muitos alunos cochichavam.
...
Dez minutos depois, o sinal tocou.
Lucas parou a tutoria e perguntou:
— Conseguiu gravar tudo?
Valentina assentiu docilmente:
— Gravei tudinho.
Ela agiu de um jeito meio travesso.
...
Nos dias que se seguiram, o desempenho de Valentina melhorou cada vez mais. Sob a orientação de Lucas, ela aprendeu tudo o que o professor passava.
A relação dos dois evoluiu para uma amizade direta; conversavam sobre estudos, interesses e o futuro.
Lucas também descobriu que a família de Valentina era muito rica — afinal, ninguém coloca milhares de reais num cartão de cantina por acaso.
Quando Lucas perguntou sobre isso, a resposta dela foi simples: achava um tédio ter que recarregar o cartão toda hora, então preferia colocar muito de uma vez.
Ouvir aquilo deixou Lucas com um sentimento agridoce.
A situação financeira de sua família não era boa. Quando era pequeno, seu pai biológico o abandonou e sumiu no mundo.
Desde então, ele vivia apenas com a mãe.
Ela trabalhava duro durante o dia e ainda fazia bicos à noite para pagar os estudos dele; passou por muitas privações.
Ao falar de sua família para Valentina, Lucas disse apenas que era uma "família comum".
Rapidamente, chegou o dia do primeiro simulado.
— Trate de fazer uma boa prova! Se sua nota não subir, não falo mais com você! — Lucas brincou antes do exame.
Afinal, isso estava ligado à sua chance de obter a recompensa da habilidade oculta do sistema.
— Já entendi, seu chato... — Valentina mostrou a língua para ele.
O processo da prova foi entediante para Lucas; ele resolveu tudo com a facilidade de quem faz exercícios de escola primária e terminou logo.
Ele deu uma espiada em Valentina e viu que ela estava mergulhada nas questões; parecia que nada estava difícil para ela.
A prova terminou e todos os alunos entregaram as folhas.
Alguns tinham expressões de desespero, outros estavam em silêncio absoluto e alguns pareciam aliviados.
— Lucas, sinto que quase gabaritei desta vez!
Assim que entregou a prova, Valentina não aguentou e compartilhou sua alegria com ele.
— Mandou bem, mandou bem!
Lucas fez um sinal de positivo.
Com a convivência, ele percebeu que Valentina era uma garota alegre e vibrante, e às vezes até fofa.
Era o tipo de pessoa que possui uma "beleza interior".
A relação deles passou de meros colegas para bons amigos.
Eles também trocaram contatos e ocasionalmente conversavam pelo celular.
O tempo voou e, um dia depois...
O professor entrou na sala segurando os resultados.
Ele percorreu os alunos com o olhar e disse seriamente:
— Neste simulado, alguns alunos tiveram uma evolução enorme, enquanto outros deixaram a desejar.
— Vou chamar os nomes para virem buscar as provas!
O professor pediu silêncio e começou a ler a partir das notas mais baixas.
— Pedro, 21 pontos!
— Gabriel, 25 pontos!
Os alunos chamados iam até o púlpito buscar seus exames.
Havia cinquenta e seis alunos na sala; naquele momento, trinta já tinham recebido suas notas.
Ao lado de Lucas, o rostinho de Valentina transbordava tensão.
Lucas sentiu vontade de rir e deu um tapinha no ombro dela:
— Não fica assim. Confia no seu potencial.
Valentina, de fato, relaxou um pouco.
— Lucas, se eu conseguir ficar entre os top 20, eu pago a sua comida a semana inteira! — ela prometeu, batendo no peito.
— Eduarda, 104 pontos!
— Valentina, 136 pontos!
O professor chamou o nome dela.
Valentina correu para buscar a prova.
Ela estava radiante. "136 pontos! Meu Deus, não estou sonhando!", pensou.
Segundo lugar da sala!
Ao voltar para o lugar com a prova na mão, ela sentia que aquilo não era real.
— Parabéns! — Lucas sorriu.
— Buááá, estou tão emocionada que vou chorar! — E Valentina realmente estava com os olhos vermelhos, parecendo que ia cair no choro.
Lucas não pôde conter o riso.
O professor pegou a última folha e anunciou:
— Lucas, 150 pontos. Nota máxima!
Instantaneamente, todos os olhares da sala se cravaram nele.
Havia surpresa, choque e muita incredulidade.
O professor continuou:
— O aluno Lucas foi o único da turma a acertar todas as questões. Gabaritou a prova!
A sala inteira explodiu em choque.
Era nota máxima absoluta!