Capítulo 3: O Verdadeiro Interior de Eduarda
Lucas não pôde deixar de admirar o quanto a habilidade de Memória Fotográfica era poderosa.
Aproveitando o tempo livre, ele deu uma olhada em todos os livros: Física, Inglês, História...
Ele sentia que, se houvesse uma prova à sua frente naquele momento, seria capaz de tirar a nota máxima com facilidade.
Pouco depois, o som de passos ecoou do lado de fora.
Três rapazes entraram no alojamento conversando e rindo.
— Onde vocês estavam? — Lucas os cumprimentou.
Eram seus três colegas de quarto.
— A gente acabou de sair da reunião de classe, nos encontramos no caminho e aproveitamos para tomar um chá de bolhas lá fora — respondeu um rapaz alto e de físico robusto.
Seu nome era Bruno.
Arthur, o colega de óculos e aparência intelectual, apenas balançou a cabeça em sinal de cumprimento, voltou para sua cama e ligou o computador para começar a estudar.
Os outros já nem estranhavam; já estavam acostumados.
O último, um rapaz magro e de aparência comum chamado Felipe, estendeu um copo de chá de bolhas para Lucas e sorriu:
— Comprei esse especialmente para você. Viu só como sou parceiro?
Lucas pegou a bebida e estava prestes a agradecer quando Bruno, ao lado, corrigiu:
— Você comprou, é verdade, mas o dinheiro saiu do meu bolso. Tecnicamente, quem está pagando sou eu!
— Dá no mesmo, pra que se importar com quem pagou um chá? — disse Felipe com desdém, vendo seu pequeno truque ser descoberto.
Lucas não era muito fã de chá de bolhas; deu apenas alguns goles e perdeu o interesse.
Ele começou a tentar entender o sistema novamente.
Mas, não importa o método que usasse, não obtinha resposta.
Se não fosse pela habilidade de memória que adquiriu, ele começaria a suspeitar que tudo o que aconteceu no dia anterior fosse fruto de sua imaginação.
— Esquece, vou deixar rolar — ele desistiu de investigar.
No dia seguinte.
Lucas chegou cedo à sala de aula.
Ele viu que, sobre sua mesa, havia um copo de chá de bolhas.
Sua colega de banco, Valentina, estava sentada ao lado, com a cabeça apoiada na mesa, encarando fixamente a bebida.
— Esse chá é seu? — Lucas perguntou ao se aproximar.
— Ah, você chegou...
Valentina estava com a mesma aparência de ontem, ou talvez estivesse se esforçando para parecer ainda mais desleixada hoje.
— É sim... eu passei pela cafeteria no caminho e pensei que não devia aproveitar sozinha. Então, comprei um para você também. É por minha conta! — Valentina sorriu.
Havia algo que ela não disse em voz alta: aquele chá era uma forma de agradecer pelo que ele fez no dia anterior.
Lucas sentou-se em seu lugar e pegou o copo; ainda estava bem gelado.
Nesse momento, outros alunos entraram na sala. Uma garota olhou na direção de Lucas e, ao vê-lo, caminhou diretamente até ele.
Ela também segurava um copo de chá de bolhas na mão.
— Lucas, comprei este chá para você!
Vários garotos na sala ficaram morrendo de inveja ao ver a cena.
Aquela era a representante de classe, Eduarda. O pai dela era professor em outra turma e o avô era um veterano de guerra condecorado.
Ela não era apenas uma excelente aluna, mas também muito bonita, dona de um charme considerável.
Seu único defeito era a personalidade extremamente autoritária.
Quando ela decidia algo ou queria alguma coisa, fazia de tudo até conseguir.
Lucas era considerado um dos mais bonitos da sala. No primeiro ano, devido a um pequeno incidente, Eduarda ficou furiosa com ele.
Depois disso, em vez de se vingar, ela passou a procurá-lo constantemente, comprando café da manhã e bebidas, o que o deixava muito desconfortável.
Desde então, corria o boato na sala de que a representante estava atrás de Lucas.
Uma garota correndo atrás de um rapaz não era algo comum de se ver.
Mais raro ainda era o fato de Lucas nunca ter aceitado.
E o que era ainda mais impressionante: após ser rejeitada, em vez de desistir, a representante postou no fórum da escola declarando seu amor por Lucas e afirmando que iria conquistá-lo.
Na época, isso causou um grande alvoroço.
Lucas não ficou nem um pouco comovido; pelo contrário, começou a sentir certa repulsa por Eduarda.
【Situação atual detectada. Por favor, faça sua escolha!】
Opção 1: Aceitar o "chá de bolhas do amor" enviado pela representante. Recompensa: R$ 10.000,00 em dinheiro.
Opção 2: Rejeitar o chá e encontrar uma forma de diminuir a afeição da representante por você. Quanto mais a afeição cair, maior a recompensa!
Nota: Atualmente, o nível de afeição de Eduarda por você é -60.
Lucas: "???"
Ele ficou em choque, achando que tinha lido errado.
O nível de afeição da representante por ele era negativo!
Como assim?
O sistema então transmitiu as informações sobre os níveis de afeição:
A afeição varia de positiva a negativa, com limite de 100 ou -100.
10: Colegas de conversa.
20: Admiração.
40: Amigos próximos.
60: Amigos para todas as horas / Se for mulher, ela tem interesse em você.
80: Melhores amigos / Gosta de você.
100: Irmãos de sangue / Amor incondicional e profundo.
Já os níveis negativos significam:
-10 Indiferença; -20 Não quer falar com você; -40 Aversão; -60 Ódio; -80 Desprezo profundo; -100 Inimigo mortal.
O nível de Eduarda por Lucas era negativo, chegando ao ponto do ódio.
Lucas nunca imaginaria isso.
Se ela o odiava, por que fingia persegui-lo publicamente?
Qual era a lógica?
Mas, como o sistema deu as opções, Lucas não precisou nem pensar: escolheria a segunda.
Se ela já o odiava, para que manter as aparências?
Pensando nisso, ele levantou a cabeça e disse friamente:
— Não precisa. Eu não gosto de chá de bolhas, pode levar.
Um brilho quase imperceptível de rancor passou pelos olhos de Eduarda, mas desapareceu rápido.
Ela fez uma expressão de inocência, parecendo muito triste por Lucas ter rejeitado seu presente.
Os colegas de classe, vendo aquilo, ficaram indignados.
Como um homem poderia ser tão frio a ponto de rejeitar os sentimentos de uma garota?
— E tem mais! — Lucas acrescentou. — Não me mande mais nada no futuro. Não tem nada de bom em agir como uma "fã desesperada".
Eduarda ficou paralisada.
Aquelas palavras foram como uma agulha espetando seu coração.
"Ele me chamou de desesperada?"
O rosto de Eduarda ficou lívido.
Nesse momento, Lucas usou o canudo para furar o chá que Valentina havia lhe dado, deu um gole generoso e sorriu para ela:
— Obrigado pelo chá, Valen. Está uma delícia.
— Ah... tá bom... — Valentina murmurou.
Ela percebeu o clima tenso no ar e ficou curiosa para saber o que realmente havia entre Lucas e aquela garota.
— Hunf! Lucas, você me paga!
Eduarda estava fora de si de tanta raiva.
Ele a humilhou na frente de todos os colegas.
Disse que não gostava de chá, mas logo em seguida bebeu o da Valentina e ainda elogiou.
Foi uma humilhação pública!
Ela soltou essa frase e voltou furiosa para o seu lugar, com um olhar assustador.
【Parabéns por concluir a escolha! Você fez com que a afeição de Eduarda caísse 30 pontos. Afeição atual: -90. Recompensa: Habilidade "Eu Sei o que as Mulheres Pensam"!】
A voz do sistema surgiu no momento certo.
Era a habilidade de ler mentes femininas.
Pelo nome, a função era óbvia: saber exatamente o que passa pela cabeça de uma mulher.
Dizem que o coração das mulheres é como uma agulha no fundo do mar, impossível de decifrar. Isso apenas prova o quão peculiar é o raciocínio delas.
Agora, Lucas possuía essa habilidade. Podia parecer inútil à primeira vista, mas se usada em certos contextos...