《A Beleza Oculta da Minha Colega de Classe》Capítulo 1

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Capítulo 1: A Nova Aluna

Era o primeiro dia do último ano do ensino médio em São Paulo.

No púlpito, o Professor Ricardo observava cada um daqueles rostos familiares e, com uma expressão neutra, anunciou:

— Teremos uma nova aluna se juntando à nossa turma. Espero que todos possam recebê-la bem e manter uma convivência amigável.

Dito isso, ele fez um sinal com a mão em direção à porta.

Uma garota entrou na sala lentamente, com a cabeça baixa. Todos os olhos se voltaram imediatamente para ela.

O cabelo dela estava todo bagunçado, como se tivesse acabado de acordar e não tivesse se dado ao trabalho de pentear. Ela usava óculos de armação quadrada preta bem grossos e tinha muitas sardas em ambos os lados do rosto.

Naquele calor intenso do verão, enquanto todos usavam camisetas leves, ela estava com mangas compridas e, por cima de tudo, um casaco enorme.

Se a beleza fosse avaliada em uma escala de 0 a 10, ela ganharia, no máximo, uns 3,5.

— Por favor, apresente-se — disse o Professor Ricardo.

A garota hesitou por alguns segundos e, com uma voz tímida, começou:

— Olá a todos, meu nome é Valentina. Acabei de fazer dezoito anos. Gosto de ler, jogar videogame e cantar.

Assim que ela terminou, o professor começou a aplaudir, e o restante da turma o seguiu para dar as boas-vindas à nova colega.

Em seguida, o Professor Ricardo começou a organizar os lugares.

— Tiago, você senta com a Beatriz.

— Rafael, você com a Isabella.

— Gabriel, você senta com a Valentina.

Quando o professor ia continuar a lista, uma voz de reclamação ecoou pela sala.

— Professor, eu não quero sentar com ela!

— Gabriel, o que foi agora? Você é sempre o que mais cria problema! — O Professor Ricardo fixou o olhar no fundo da sala.

Um rapaz alto e magro se levantou e disse com desdém:

— Ela é muito feia, eu não quero dividir a mesa com alguém assim.

Ele parecia não ter a menor noção do quanto suas palavras poderiam machucar os outros.

Valentina abaixou ainda mais a cabeça, e suas mãos, escondidas dentro das mangas compridas, se fecharam em punhos. Não dava para saber o que ela estava pensando.

— Então vá sentar com o Pedro!

O Professor Ricardo continuou tentando encontrar um lugar para Valentina. No entanto, para onde quer que ele olhasse, os garotos abaixavam a cabeça. Parecia que ninguém queria ser o colega de banco da aluna nova.

Na penúltima fileira, Lucas observava a garota de cabeça baixa e sentiu uma pontada de empatia.

Quando ele entrou no ensino fundamental, costumava ficar muito tempo no sol e acabou ficando muito queimado, o que fez os colegas o apelidarem de "Carvão". Esse apelido o acompanhou até o fim daquela etapa. Mesmo quando sua pele voltou ao normal no terceiro ano e ele se tornou um rapaz até que bonito — chegando a receber cartas de amor de algumas garotas — as marcas daquelas palavras permaneciam.

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Palavras ditas sem pensar são as que mais ferem.

Lucas não queria ver ninguém passando pela mesma situação que ele. Por isso, ele se preparou para levantar e propor ao Professor Ricardo sentar-se com Valentina.

【Sistema de Contra-ataque de Vida ativado com sucesso!】

【Situação atual detectada. Por favor, faça sua escolha!】

Opção 1: Ficar apenas observando e não fazer nada. Recompensa: R$ 100.000,00.

Opção 2: Propor-se ativamente a ser colega de banco de Valentina e conseguir o lugar. Recompensa: Habilidade de Memória Fotográfica.

Lucas, que estava no meio do movimento de se levantar, travou de repente.

Céus, um sistema! Ele tinha acabado de ganhar um sistema do nada!

— Lucas, algum problema? — O Professor Ricardo notou que ele estava de pé e lançou um olhar interrogativo.

— Er... eu...

Lucas voltou a si e analisou rapidamente as duas opções. Se ele não fizesse nada e não sentasse com Valentina, ganharia 100 mil reais. Para ele, que vinha de uma família humilde, aquilo era uma fortuna capaz de mudar sua vida.

A segunda opção era propor a parceria com Valentina para ganhar a habilidade de nunca mais esquecer nada. Embora não fosse uma recompensa material, era algo que traria surpresas inacreditáveis nos estudos e em qualquer outra área da vida.

Diante das duas escolhas, Lucas não hesitou. O motivo pelo qual ele havia se levantado era justamente para pedir para sentar com Valentina. Mesmo com a tentação dos 100 mil reais, ele não mudaria de ideia.

— Professor, se a Valentina concordar, eu posso sentar com ela.

Assim que ele disse isso, o Professor Ricardo soltou um suspiro de alívio. Parecendo ter medo de que Lucas se arrependesse, ele respondeu rapidamente:

— Ótimo, então vocês dois serão colegas de banco.

Valentina olhou para o rapaz. Ele era alto e tinha um rosto bonito. O professor o chamou de... Lucas, certo?

Ela desceu do púlpito de cabeça baixa e caminhou até ele. Lucas, de forma muito gentil, limpou a cadeira para ela e convidou sua nova colega a se sentar.

— Obrigada. Meu nome é Valentina.

— Eu sou o Lucas. Valen, agora somos parceiros de mesa, vamos nos dar bem, ok?

— Sim.

Enquanto o Professor Ricardo terminava de organizar o restante da turma, vários olhares se voltaram para eles.

— O que o Lucas tem na cabeça? Ter uma garota feia dessas do lado não dá agonia?

— Pois é, se fosse eu, preferia sentar com a gordinha lá da frente.

Na sala, uma garota um pouco acima do peso e não muito atraente lançou um olhar gelado para quem disse aquilo.

Nesse momento, a voz do sistema ecoou na mente de Lucas.

【Parabéns, escolha concluída! Você adquiriu a habilidade de Memória Fotográfica!】

De repente, Lucas sentiu um frescor nos olhos. Ao olhar para as coisas ao redor, tudo parecia diferente.

Nesse intervalo, o professor pediu para os alunos da frente distribuírem os livros novos. Lucas abriu o livro de matemática e percebeu que tudo o que via ficava gravado em sua mente instantaneamente. Ele ficou empolgado; daqui para frente, suas notas certamente iriam decolar.

— Certo, todos podem ir para casa se preparar. Amanhã as aulas começam oficialmente. Espero que se dediquem para conseguir ótimos resultados no vestibular!

Após a reunião, Lucas e Valentina saíram juntos da sala. Ele estava curioso para saber por que o sistema havia lançado aquela escolha. "Você não é um sistema de contra-ataque? Pedir para sentar com a Valentina conta como contra-ataque?" pensou ele. "Será que ela é uma herdeira rica disfarçada?".

— Lucas, por que você pediu para sentar comigo? Eu nem sou bonita — Valentina perguntou de repente.

Lucas sorriu e respondeu:

— Por que não? Eu só poderia sentar com você se você fosse bonita?

A resposta direta dele deixou Valentina sem palavras.

— Obrigada — ela murmurou, com a voz tão baixa que quase não se ouvia.

Lucas fingiu que não escutou para não deixá-la sem jeito. Como Valentina morava fora do campus, os dois se despediram no meio do caminho.

Depois de caminhar um pouco, Valentina entrou em um prédio a algumas centenas de metros da escola, onde havia acabado de alugar um apartamento de três quartos.

Ao entrar no quarto, ela tirou os óculos. Usou demaquilante para remover a maquiagem, fazendo com que as sardas do rosto desaparecessem aos poucos. Em seguida, tirou aquele casaco enorme.

Instantes depois, o que surgiu diante do espelho foi uma garota tão linda que deixaria qualquer um sem fôlego.

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