"Já decidiu qual será o próximo destino?" Samuel sentou-se à frente dela e lhe entregou um chocolate quente.
Sofia pegou a xícara; as pontas de seus dedos tocaram as dele sem querer, e ela as recolheu imediatamente: "Ainda não pensei."
"Eu tenho uma sugestão." Samuel sorriu. "Que tal passar uns dias na minha propriedade no sul da França? Lá temos os melhores vinhedos e adegas."
Sofia estava prestes a recusar quando seu celular vibrou de repente. Era um número desconhecido. Ela hesitou um pouco, mas atendeu.
"Senhorita Sofia." A voz de um homem desconhecido soou do outro lado. "Sou o mordomo da família Leonardo. O patrão gostaria de vê-la, sobre... o jovem mestre."
Sofia franziu a testa: "Eu não tenho mais nenhuma relação com a família Leonardo."
"O jovem mestre está doente." A voz do mordomo estava pesada. "É grave... ele não para de chamar o seu nome..."
Os dedos de Sofia se apertaram: "Ele já não tinha se recuperado da cirurgia?"
"Não tem a ver com o corpo, é depressão." O mordomo suspirou. "Desde que ele se feriu por você e você partiu sem se despedir, ele se trancou no quarto, sem comer nem beber... Os médicos dizem que se continuar assim... nem que seja pela consideração de todos esses anos..."
Sofia ficou em silêncio por um longo tempo e finalmente deu um suspiro.
São Paulo, mansão da família Leonardo. Sofia parou diante da porta, sentindo-se em outro mundo. Três meses se passaram, e parecia que nada havia mudado por aqui, mas ao mesmo tempo, tudo parecia diferente.
O mordomo a recebeu respeitosamente: "Senhorita Sofia, o patrão a espera na biblioteca."
O pai de Leonardo parecia muito mais velho do que na memória de Sofia, com as têmporas completamente brancas.
"Sofia..." Ele soltou um longo suspiro. "A situação do Léo está muito ruim."
Sofia mordeu o lábio: "Senhor, o Léo e eu já..."
"Eu sei." O pai dele a interrompeu. "Mas aquele rapaz gosta de você de verdade." "Ele sempre teve tudo o que quis desde criança, mas quanto a você... ele realmente se apaixonou sem perceber."
Sofia baixou o olhar: "Falar sobre isso agora não tem mais sentido."
"Tem sentido, sim." O pai dele entregou a ela uma pilha de documentos. "Isso é o que o Léo fez nestes três meses."
Sofia abriu os documentos e ficou atônita. A primeira página era um termo de transferência de ações — Leonardo transferiu todas as suas ações do Grupo Leonardo para o nome dela. A segunda página era o título de propriedade de uma ilha particular, com o nome dela como proprietária. A terceira página...
"Depois que ele acordou, ele te procurou por três meses." A voz do pai dele estava rouca. "Mais tarde, soube que você estava em Paris e comprou a passagem no voo mais próximo, mas teve uma hemorragia estomacal súbita no aeroporto..."
Os dedos de Sofia tremeram levemente.
"O médico disse que foi resultado de uma alimentação irregular prolongada somada ao estresse psicológico." O pai suspirou. "Desde que você partiu, ele não fez uma única refeição decente."
Sofia fechou os documentos: "Senhor, o que o senhor quer que eu faça?"
"Vá vê-lo." O pai disse exausto. "Faça isso, nem que seja por piedade de um pai."
Sofia ficou em silêncio por um longo tempo e finalmente assentiu de leve.
A porta do quarto de Leonardo estava bem fechada, as cortinas totalmente puxadas, e o quarto estava impregnado com um forte cheiro de bebida. Sofia empurrou a porta gentilmente e viu Leonardo encolhido na cama, abraçando um casaco que ela havia deixado lá no passado.
Ao ouvir o movimento, ele nem levantou a cabeça: "Saia daqui."
Sofia permaneceu parada no lugar, sem se mexer. Leonardo levantou a cabeça bruscamente e congelou ao vê-la.
Capítulo 23
"Minha querida?" A voz dele estava rouca, como se tivesse medo de despertar de um belo sonho.
Sofia caminhou até a beira da cama. Ao ver suas bochechas magras e seus olhos vermelhos, sentiu o coração ser apertado por uma mão invisível.
"Como você se deixou ficar assim?", perguntou ela baixinho.
Leonardo olhou para ela estupefato e, de repente, estendeu a mão para segurar o pulso dela: "É você mesmo...".
Seus dedos estavam gélidos, e a força era tanta que parecia prestes a esmagar seus ossos.
"Sou eu", Sofia tentou retirar a mão. "Soube que você estava doente e vim te ver."
Leonardo, porém, recusava-se a soltá-la: "Você voltou... isso quer dizer que me perdoou?".
Sofia balançou a cabeça: "Eu nunca te culpei".
"Então por que você partiu?", Leonardo perguntou apressadamente. "Foi por causa da Isadora? Eu já terminei com ela!".
"Não foi por causa dela", Sofia suspirou. "Leonardo, o problema entre nós nunca foi outra pessoa."
"O que foi então?", a voz de Leonardo tremia. "Diga! Basta você dizer, e eu mudarei tudo!".
Ao olhar para os olhos vermelhos dele, Sofia subitamente não teve coragem de dizer palavras cruéis.
"Léo", disse ela suavemente, "o que houve entre nós estava errado desde o início".
"Então vamos recomeçar!", Leonardo a puxou bruscamente para seus braços. "Minha querida, me dê uma chance... só uma...".
O abraço dele era quente e familiar, fazendo Sofia hesitar por um instante.
Mas logo ela o afastou: "É tarde demais".
Leonardo paralisou no lugar: "O que você quer dizer?".
"Eu já tenho alguém de quem gosto, você não sabia?", Sofia disse calmamente.
O quarto ficou em um silêncio assustador.
Leonardo encarava Sofia fixamente, como se não entendesse o que ela estava dizendo.
"Você está mentindo...", sua voz falhou. "É de mim que você gosta...".
Sofia balançou a cabeça: "Eu já disse, aquilo foi apenas por dinheiro".
Em agonia, Leonardo recuou cambaleante por alguns passos, derrubando o criado-mudo.
A garrafa de bebida atingiu o chão, espalhando cacos por toda parte.
"Léo", Sofia abaixou-se e começou a recolher os cacos um a um, "nós dois precisamos seguir em frente".
"Não!", Leonardo subitamente ajoelhou-se e a abraçou. "Minha querida, não vá... eu te imploro...".
As lágrimas dele caíam no pescoço dela, escaldantes.
Sofia ficou estática.
Aquela era a primeira vez que via Leonardo chorar.
Aquele jovem mestre que costumava ser insuportavelmente orgulhoso estava agora abraçado a ela, chorando como uma criança.
"Eu errei...", Leonardo disse entre soluços. "Eu não deveria ter deixado você assumir a culpa... nem deixado você beber por mim... e muito menos... ter salvo ela primeiro no elevador...".
"Minha querida, me dê mais uma chance... só mais uma...".
Sofia fechou os olhos e, com firmeza, o afastou: "É tarde demais, Leonardo".
Ela se levantou e lançou-lhe um último olhar: "Cuide-se".
Dito isso, virou-se e partiu, sem olhar para trás.
Ajoelhado no chão, Leonardo viu o vulto dela desaparecer na porta e, de repente, riu.
Enquanto ria, as lágrimas voltaram a cair.
No fim... o coração realmente dói a ponto de sufocar.
Quando Sofia saiu da mansão da família Leonardo, já estava escuro.
Ela parou sob a luz de um poste, observando sua própria sombra projetar-se longa no chão.
De repente, o celular vibrou. Era uma mensagem de Samuel:
[Já resolveu as coisas?]
Sofia respondeu: [Sim.]
[Quais são os planos agora?]
Sofia olhou para o céu estrelado e sentiu uma leveza sem precedentes: [Viagem ao redor do mundo.]
Samuel respondeu rapidamente: [Juntos?]
Sofia sorriu: [Seu desempenho recente foi bom, mas ainda não é o suficiente para ser efetivado.]
[Não tem problema], respondeu Samuel, [eu tenho a vida inteira para te conquistar.]
Sofia guardou o celular e chamou um táxi.
As luzes de neon lá fora tornaram-se um borrão pela janela. Ela olhou para aquela cidade onde viveu por vinte e sete anos e disse um adeus silencioso.
Desta vez, era um adeus definitivo.
FIM