"E então?".
"Eu contei a verdade para ele", Sofia deu um sorriso amargo. "Disse que me aproximei dele apenas por dinheiro".
Samuel balançou a taça de vinho: "Ele acreditou?".
"Eu disse para ele perguntar ao meu pai".
"Seu pai...", Samuel pensou por um instante. "A situação da empresa dele não deve estar nada boa agora, sem o apoio da família do Leonardo...". Sofia balançou a cabeça: "Isso não tem nada a ver comigo. Eu já cortei relações com a família".
Samuel arqueou a sobrancelha: "Tão decidida assim?".
"Doze anos foram suficientes", a voz de Sofia era muito suave. "O que eu devia a eles já foi pago há muito tempo".
Subitamente, Samuel estendeu a mão e a colocou sobre o dorso da mão dela: "E quais são os planos para o futuro?".
"Continuar viajando", Sofia olhou para o mar ao longe. "O mundo é tão grande...".
"Sozinha?".
Sofia desviou o olhar para encontrar os olhos ardentes de Samuel: "Senhor Samuel...".
"Chame-me de Samuel", ele a interrompeu. "Ou apenas Samuel, não seja tão formal". Sofia deu um sorriso impotente: "Samuel, o que exatamente você gosta em mim? Nós nem nos conhecemos direito".
"O que eu gosto em você?", Samuel sorriu levemente. "Gosto de como você finge ser forte mesmo sendo frágil; gosto de como consegue manter a lucidez depois de ser tratada daquela forma pelo Leonardo; gosto de você...". Ele fez uma pausa: "Gostar de você precisa de um motivo?".
O coração de Sofia falhou uma batida. Justo quando ia falar, um tumulto começou na porta do restaurante. Sofia virou a cabeça e sua expressão mudou instantaneamente — Leonardo estava lá. Com o rosto sombrio, ele caminhou direto para a mesa de Sofia.
"Minha querida", sua voz estava rouca, "precisamos conversar".
Samuel levantou-se: "Senhor Leonardo, a Sofia está em um encontro comigo agora".
"Saia da frente!", Leonardo desferiu um soco em direção a Samuel. Samuel esquivou-se e agarrou o pulso de Leonardo: "Senhor Leonardo, comporte-se. Estamos em um lugar público".
Leonardo soltou-se e correu para abraçar Sofia, com os olhos vermelhos: "Eu investiguei! Seu pai admitiu tudo! Mas, querida...". "Eu não me importo!", ele escondeu o rosto no pescoço dela, com a voz embargada, humilhando-se completamente. "Eu não ligo para o motivo pelo qual você se aproximou de mim no início... Meu amor por você é real, eu te amo tanto, querida... por favor, volte para mim...".
Sofia ficou estática. Aquela era a primeira vez que via Leonardo demonstrar fraqueza diante dela. Aquele jovem mestre orgulhoso estava agora como uma criança perdida, abraçando-a e implorando por seu amor.
Ela respirou fundo e afastou os dedos dele, um por um: "Sinto muito, não tenho interesse em garotos mais novos". Sofia deixou o restaurante sem olhar para trás e só soltou um longo suspiro quando já estava longe.
"Você está bem?", perguntou Samuel. Sofia balançou a cabeça: "Quero voltar para o quarto".
"Eu te acompanho".
Ao chegarem na porta do quarto, Sofia ia passar o cartão quando Samuel segurou a mão dela subitamente. "Sofia", sua voz era muito suave, "seja minha namorada".
Sofia olhou para ele: "Você sabe que eu não vou aceitar".
Samuel sorriu levemente: "Você vai aceitar, porque seremos apenas um casal de fachada". Sofia ficou surpresa.
Samuel deu um passo à frente, encostando-a na porta: "Fique comigo, finja ser minha namorada, e o Leonardo não vai mais te incomodar. Acredito que, se anunciarmos que somos namorados, com o orgulho que ele tem, não aguentará por muito tempo". O hálito dele atingiu o rosto dela, e o coração de Sofia acelerou: "Isso é se aproveitar da situação...".
"Sim", Samuel admitiu francamente. "E então, você aceita?". Sofia olhou para o rosto atraente e próximo dele e, de repente, sorriu: "Então, terei que incomodar o Senhor Samuel para ser usado por mim".
Samuel curvou levemente os lábios: "Será uma honra".
Três dias depois, quando Leonardo apareceu novamente diante de Sofia, viu a cena dela e Samuel de mãos dadas. "Leonardo", Sofia cumprimentou calmamente. "Este é o Samuel, meu namorado".
Capítulo 21
O olhar de Leonardo caiu sobre as mãos entrelaçadas deles, e seu rosto ficou pálido instantaneamente: "Desde quando isso aconteceu?"
"Aconteceu há dois dias." Samuel envolveu a cintura de Sofia naturalmente. "O Senhor Leonardo não vai nos dar os parabéns?"
Leonardo encarou Sofia fixamente, tentando encontrar qualquer sinal de falha em seu rosto. Mas ela apenas retribuiu o olhar com calma, sem qualquer oscilação em seus olhos.
"Eu não acredito." Leonardo de repente sorriu. "Minha querida, você chegou ao ponto de usar esse tipo de truque só para eu desistir?"
"Pense o que quiser." Sofia segurou o braço de Samuel. "Temos um encontro agora, vamos indo."
Nos dias que se seguiram, Leonardo parecia possuído e começou a perseguir Sofia incansavelmente. Ele enviava flores à porta dela todos os dias e, após serem recusadas, passava a enviar os doces que ela mais gostava no passado; Ele investigava o itinerário dela e criava "encontros casuais" propositalmente; Ele chegou a perguntar a ela na frente de Samuel, com os olhos avermelhados: "Minha querida, o que exatamente eu preciso fazer para você voltar?"
E Sofia permanecia indiferente o tempo todo. Ela agia em total sintonia com Samuel na frente de todos, como se fossem realmente um casal apaixonado.
Até que, neste dia, Sofia saiu e de repente se viu cercada por vários guarda-costas. Antes que pudesse reagir, um pano úmido cobriu seu nariz e boca. O odor pungente invadiu suas narinas; ela lutou um pouco e logo perdeu a consciência.
Quando acordou novamente, percebeu que estava amarrada a uma cadeira em um galpão abandonado. "Acordou?" Uma voz feminina familiar ecoou.
Sofia levantou a cabeça e viu Isadora parada à sua frente, com um sorriso distorcido no rosto. "Isadora..." A voz de Sofia estava rouca. "O que você está fazendo? Você sabe que sequestro é crime? Você ficou louca?"
"Louca? Eu estou louca, sim!" Isadora gritou. "O Léo me abandonou por sua causa, como eu não ficaria louca?"
Ela agarrou o cabelo de Sofia com força: "Você sabe o quanto eu o amo? Eu me apaixonei por ele desde a primeira vez que o vi no ensino médio! Esperei por tantos anos e finalmente consegui que ele se declarasse. Ele me amava tanto, era tão bom para mim... mas assim que você partiu, ele mudou!"
Sofia suportou a dor: "Sentimentos não podem ser forçados..."
"Cale a boca!" Isadora deu um tapa nela. "A culpa é toda sua! Se não fosse por você..."
A porta do galpão foi subitamente arrombada e Leonardo entrou correndo: "Isa! Solte ela!"
Isadora se virou, com um sorriso doentio surgindo no rosto: "Léo... você finalmente veio..."
Leonardo viu Sofia amarrada e seu rosto ficou pálido instantaneamente: "O que você fez com ela?"
"Nada demais," Isadora tirou uma faca do bolso, "só quero que ela desapareça para sempre..."
Leonardo deu um passo à frente: "Isa, não faça nenhuma bobagem!"
"Bobagem?" Isadora riu alto. "Minha vida já foi destruída por ela!"
Ela ergueu a faca, apontando para o peito de Sofia: "Assim que ela morrer, você voltará para mim..."
"Não!" Leonardo se lançou à frente de repente.
O brilho da lâmina passou e o sangue jorrou. Sofia arregalou os olhos de horror — Leonardo estava bloqueando o golpe à sua frente, com a faca cravada profundamente em seu abdômen.
"Léo!" Isadora gritou e soltou a faca, incapaz de acreditar no que havia feito.
Leonardo caiu de joelhos, e o sangue rapidamente manchou sua camisa branca. "Minha querida..." Ele se virou com dificuldade para Sofia. "Você está bem?"
Sofia lutava desesperadamente contra as amarras: "Leonardo! Aguente firme!"
Isadora desabou no chão, murmurando para si mesma: "Eu não fiz por mal... Léo... eu não fiz por mal..."
Sirenes soaram do lado de fora e logo a polícia entrou, controlando Isadora. A equipe médica veio logo atrás, prestou os primeiros socorros a Leonardo e o colocou na ambulância.
Sofia também foi libertada e seguiu para o hospital. No banco do lado de fora do centro cirúrgico, as mãos de Sofia tremiam e suas roupas ainda estavam sujas com o sangue de Leonardo.
Samuel chegou às pressas e, ao vê-la naquele estado, a envolveu em seus braços com carinho: "Acabou... já passou..."
Sofia encostou-se no ombro dele e as lágrimas finalmente caíram.
Cinco horas depois, as luzes da cirurgia se apagaram. O médico saiu: "O paciente está fora de perigo, mas precisa de repouso absoluto."
Sofia soltou um longo suspiro, suas pernas fraquejaram e ela quase caiu de joelhos. Samuel a amparou: "Quer ir vê-lo?"
Sofia hesitou por um momento e balançou a cabeça: "Não."
"Por quê?"
"Ele já fez o suficiente por mim." A voz de Sofia era muito baixa. "Vê-lo novamente só tornará mais difícil para ele desapegar."
Samuel ficou em silêncio por um momento e assentiu: "Então vamos embora."
"Para onde?"
"Para qualquer lugar." Samuel segurou a mão dela. "Desde que você esteja feliz."
Capítulo 22
Três meses depois, Paris. Sofia estava sentada em um café às margens do Rio Sena, folheando um guia de viagens em suas mãos. Nestes três meses, ela percorreu metade da Europa e finalmente se estabeleceu em Paris.