"O Sr. Leonardo ainda não sabe que a Sofia se demitiu?"
"Pois é, já faz tanto tempo..."
"A Sofia nem avisou ele da demissão?"
"Falando nisso, ninguém tem notícias da Sofia ultimamente..."
Leonardo pretendia levar Isadora ao hospital, mas ela insistiu que já estava farta de hospitais e que era apenas um entorse leve, bastava descansar em casa.
Ele não insistiu e a levou de volta para a mansão.
Na sala de estar, ele ajoelhou-se, segurando o tornozelo dela e massageando suavemente com uma pomada.
Isadora olhava para o rosto dele, sentindo o coração acelerar. Não resistiu e disse baixinho: "Léo, eu gosto tanto de você".
Leonardo parou o movimento por um instante, olhou para ela e sorriu: "Eu também gosto muito de você".
Isadora, com o rosto corado, inclinou-se para beijá-lo, mas ele virou o rosto.
"Não comece, estou passando o remédio", ele disse com voz suave, mas firme.
Nos dias seguintes, Isadora encontrou mil maneiras de prendê-lo.
Ela disse que queria ver a aurora boreal, e Leonardo fretou um jato particular para levá-la à Noruega.
Ela disse que queria um doce de uma confeitaria limitada, e ele mandou trazer por transporte aéreo imediatamente.
Até mesmo quando ela acordava de madrugada após um pesadelo, ele deixava o trabalho de lado para acalmá-la até que dormisse...
Durante uma semana inteira, Leonardo não se lembrou de Sofia.
Até que, em um banquete de negócios, Isadora empalideceu subitamente e levou a mão à barriga, curvando-se.
"Léo... minha barriga dói muito..."
Leonardo amparou-a imediatamente: "O que foi?"
"Talvez seja... o período menstrual", ela disse encostando-se no ombro dele, enfraquecida.
Leonardo estancou por um momento. Lembrou-se de que Sofia também sofria com cólicas terríveis, mas ela sempre preparava um chá de gengibre especial que aliviava muito a dor.
Ele recordou-se de uma vez em que ela estava encolhida no sofá de dor, e foi ele quem deu o chá na boca dela.
Inconscientemente, pegou o celular e discou o número de Sofia, querendo pedir que ela preparasse e trouxesse uma porção.
"Tuu... tuu..." Após um longo tempo de espera, a chamada caiu na caixa postal. Leonardo franziu a testa e tentou de novo. Novamente, ninguém atendeu. Na terceira tentativa, ouviu a voz mecânica e fria: "O número discado está ocupado no momento..." Ele encarou a tela do celular e, de repente, percebeu algo. O rosto de Leonardo ficou sombrio instantaneamente. Sofia o havia bloqueado!
Capítulo 11
Leonardo encarava a tela do celular com as sobrancelhas franzidas.
Ele não entendia por que Sofia o havia bloqueado!
Seria por causa daquela vez em que a fez assumir a culpa?
Mas ele não tinha enviado joias como pedido de desculpas?
Será que ela não gostou das joias?
Uma sensação de pânico sem precedentes surgiu do fundo de seu coração.
Em sua memória, Sofia o acompanhou por doze anos e sempre foi sensata e discreta, nunca tendo reações infantis desse tipo.
"Senhor Leonardo, o chá está pronto."
Um funcionário do evento entregou cautelosamente uma xícara de chá de açúcar mascavo fumegante.
Leonardo voltou a si e entregou a xícara para Isadora: "Beba algo quente, vai se sentir melhor."
Isadora pegou a xícara e deu pequenos goles, com o rosto ainda pálido: "Léo, você me acompanha até em casa?"
"Isa, tenho um assunto muito importante para resolver."
Leonardo a recusou pela primeira vez.
"Vá descansar no hotel primeiro; o motorista te levará para casa assim que a dor passar."
Isadora assustou-se com a expressão séria dele, achando que algo grave havia ocorrido na empresa, e não ousou insistir: "Tudo bem... vá trabalhar."
Leonardo inclinou-se e deu um beijo suave na testa dela: "Voltarei para casa assim que terminar."
Ao sair do salão, Leonardo praticamente correu para o estacionamento.
Ele saltou no carro, pisou fundo no acelerador e o Maybach preto partiu como uma flecha. Vinte minutos depois, o carro parou bruscamente em frente ao prédio de Sofia.
Leonardo subiu as escadas apressado e parou diante da porta familiar, batendo com força.
Ele estava na porta do apartamento de Sofia, e a força de seus nós dos dedos contra a madeira aumentava a cada batida.
"Minha querida?"
"Sofia?"
"Sofia!"
Ninguém respondeu.
A luz do corredor, acionada por sensor de som, acendeu-se com sua voz e logo se apagou.
Na escuridão, ele encarava a porta fechada, sentindo o peito apertado e a respiração pesada.
Por que ela não atendia o telefone? Por que o bloqueou? Por que nem abria a porta?
A porta ao lado abriu-se de repente, e um jovem pôs a cabeça para fora, irritado: "Que barulheira é essa a essa hora da noite?"
Leonardo lançou um olhar gélido, e o homem, intimidado, perdeu a pose.
"Estou procurando a moradora do 1203."
Sua voz era extremamente baixa, como se estivesse contendo uma explosão.
"1203?" O vizinho estranhou. "Ela se mudou faz tempo."
Leonardo sentiu-se como se tivesse sido atingido por um raio.
Mudou-se?
"Quando?"
"Acho que... umas duas semanas atrás?"
O homem recordou.
"Eu estava saindo e a vi partindo com uma mala."
As pupilas de Leonardo contraíram-se. Duas semanas atrás — justamente depois de ele ter feito Sofia assumir a culpa por Isadora.
Ele ficou parado no lugar, sentindo-se em pânico total. Ela partiu? Por que ela iria embora?
E por que não contou que estava se mudando? Antigamente, ela não contava tudo para ele?!
Ele virou-se bruscamente, caminhou para o elevador e dirigiu feito louco de volta à empresa.
Avançou três sinais vermelhos e quase bateu na barreira de proteção, mas não se importava. Ao entrar na diretoria, todos os funcionários assustaram-se com sua expressão sombria.
Leonardo caminhou direto para a mesa de Sofia — estava vazia, com as joias que ele enviara ainda intocadas sobre o tampo.
"Onde está a secretária Sofia?"
A voz de Leonardo era fria como gelo.
"Por que estas joias não foram abertas? Por que ela não está no posto de trabalho nem uma, nem duas vezes?"
Todos se entreolharam.
Leonardo sentia que ia explodir. "Falem!"
As secretárias, intimidadas, gaguejaram após um tempo: "A... a Sofia se demitiu... O senhor não aprovou o pedido dela?"
Leonardo congelou. Ele aprovou? Quando ele aprovou isso?!
Ele arrancou o tablet das mãos da secretária e acessou o sistema de aprovação interna, com os dedos quase perfurando a tela.
O registro do sistema mostrava claramente: Há um mês, Sofia enviou o pedido de demissão. Aprovador: Diretor Geral Leonardo. Status: Aprovado.
Capítulo 12
Leonardo encarava o registro com a mente em branco.
Aquele dia... era a festa de recepção de Isadora. Ele estava tão focado nela que nem olhou o que estava clicando quando apertou "Aprovar".
E agora descobria que a pessoa que se demitiu era Sofia!
Como podia ser ela?
Poderia ser qualquer um... mas como podia ser ela?!
Como ela pôde ir embora?!
O tablet escorregou de suas mãos e caiu no chão com um barulho seco. Leonardo ficou parado, sentindo dificuldade para respirar.
Durante doze anos, Sofia foi como o ar em sua vida; ele se acostumara com sua presença e nunca imaginara que ela partiria.
"Por que ela se demitiu?!" A secretária, assustada, respondeu baixo: "A Sofia não disse... mas no dia em que veio fazer os trâmites, parecia bem calma."
Leonardo cerrou os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos.
Calma?
Maldita calma!
Ele perdeu o controle totalmente e chutou a cadeira ao lado. A cadeira de metal atingiu o chão com um som estridente.
As secretárias recuaram assustadas, quase gritando. Leonardo estava ali, com o peito subindo e descendo bruscamente, e um brilho de pânico e fúria nos olhos que nem ele mesmo percebia.
"Vão investigar agora mesmo o paradeiro de Sofia! Onde ela está, onde mora, qual o contato — quero saber tudo em meia hora!"
As secretárias tremiam ao lado; nunca tinham visto o jovem mestre, sempre brincalhão, em tamanha fúria. "S-sim!" As secretárias responderam apressadas. "Vamos verificar agora!"
Meia hora depois, as secretárias voltaram com informações confusas.
"Senhor Leonardo, a senhorita Sofia foi vista nas Maldivas na semana passada..."
"Não, meus registros mostram que ela estava em Paris anteontem..."
"Os dados da companhia aérea mostram que ela voou para a Suíça ontem..."
"Quanto ao contato, ela troca o número cada vez que vai a um lugar novo, então não temos certeza do número final..."
Leonardo olhava para o rastro de informações bagunçadas na tela, com a têmpora pulsando.
Sofia estava viajando e trocando de chip a cada destino — era óbvio que estava evitando algo deliberadamente.
"Suíça..."
Ele fixou o olhar na última informação e tamborilou os dedos rapidamente na mesa.
"Preparem o jato. Vou para a Suíça agora."
"Senhor Leonardo, o senhor tem uma reunião importante amanhã..."
"Cancele!" Leonardo levantou-se bruscamente. "Cancelem todos os compromissos!"
Ele pegou o paletó e caminhou a passos largos para fora, ligando para alguém: "Preparem o jato particular. Vou voar para a Suíça esta noite. Não, vou agora mesmo!"
Ao desligar, Leonardo ainda não conseguia controlar suas emoções. Ele não entendia: o que houve com Sofia? Por que partir de repente? Seria raiva por ter assumido a culpa? Mas ele não disse que a compensaria?