Isadora gritou prontamente: "Léo! Me salva!"
A voz do técnico de manutenção ecoou pela porta: "Senhor Leonardo, os cabos de aço estão danificados, o elevador pode cair a qualquer momento. Só podemos resgatar uma pessoa primeiro. Quem o senhor escolhe?"
Sofia ouviu a resposta de Leonardo, dita sem qualquer hesitação: "Salve a Isa primeiro!"
Capítulo 6
Naquele momento, Sofia não sentiu a menor surpresa.
Logo, uma fresta foi aberta na porta do elevador. A mão de Leonardo entrou e Isadora lançou-se imediatamente, sendo puxada para fora por ele.
"A Sofia ainda está lá dentro!", Isadora gritou fingidamente.
A voz de Leonardo hesitou por um momento: "...Vou tirar você primeiro, depois volto para salvá-la".
O som dos passos deles se distanciou. No elevador escuro, Sofia ficou sozinha.
De repente, o elevador deu um solavanco e despencou em queda livre...
Sofia caiu pesadamente no chão, batendo a testa no corrimão de metal. Sangue quente jorrou instantaneamente. Antes de perder a consciência, ela ouviu um estrondo ensurdecedor: o elevador havia atingido o fundo do poço.
...
Ao acordar, a luz branca ofuscante a fez fechar os olhos instintivamente.
"Senhorita Sofia, você finalmente acordou!", a enfermeira suspirou aliviada. "Você teve uma hemorragia grave, quase não sobreviveu. Seu namorado ficou louco, mobilizou sangue e médicos de emergência, quase virou o hospital do avesso..."
Sofia estava com a garganta seca, a voz rouca: "Ele não é meu namorado. Não temos relação nenhuma".
A porta do quarto abriu-se subitamente. Leonardo estava lá, com o rosto sombrio: "O que você quer dizer com 'relação nenhuma'?"
A enfermeira, percebendo o clima, trocou o medicamento e saiu apressada.
Leonardo aproximou-se da cama, encarando o rosto pálido dela: "Minha querida, você está brava comigo?"
Sofia olhou para ele calmamente: "Brava por quê?"
"Brava por eu ter feito você trocar de roupa com a Isa, por ter feito você beber...", Leonardo hesitou, "e... brava por eu não ter te salvado primeiro no elevador".
"Mas entenda, a Isa é minha namorada, é natural que eu a coloque em primeiro lugar."
Sofia deu um leve sorriso: "Sim, ela é sua namorada, é claro que você deve priorizá-la".
"Sendo assim, por que eu teria motivo para ficar brava?"
Leonardo estancou. Ele viera para confortá-la, mas ao ouvir a resposta indiferente de Sofia, seu rosto tornou-se ainda mais sombrio.
"Você realmente pensa assim?"
"Sim."
Uma irritação inexplicável cresceu no peito de Leonardo, mas Sofia ainda o dispensou: "Vá cuidar da Isadora, ela deve estar apavorada".
Ele a encarou por alguns segundos e, finalmente, saiu com o rosto gélido.
Leonardo não foi ver Isadora imediatamente ao sair do quarto. Ele parou no final do corredor e ligou para um amigo de infância.
"Vou te perguntar uma coisa", disse ele com a mão no bolso e expressão carregada. "Se uma pessoa que gosta muito de você, de repente para de ter ciúmes quando você trata outra garota bem, por que seria?"
O amigo soltou uma risadinha do outro lado: "Por que mais seria? Ela te ama demais, ué".
Leonardo franziu a testa: "Como assim?"
"Ciúme é amor de baixo nível. O amor de alto nível é a espera silenciosa", brincou o amigo. "Ela te ama do fundo da alma, entende?"
A irritação no peito de Leonardo dissipou-se instantaneamente, e um sorriso surgiu no canto de sua boca: "Aquele esportivo que você gostou na garagem? É seu".
"Caraca!", exclamou o amigo. "Uma frase vale milhões? Pode me ligar sempre!"
Ao desligar, Leonardo estava de ótimo humor. Com certeza, Sofia ainda o amava de forma incontrolável. Ele então se dirigiu ao quarto de Isadora.
Durante a internação, Sofia via frequentemente as postagens de Isadora nas redes sociais.
[Ele disse que ficou morrendo de medo com o meu acidente, insistiu em me levar para as Maldivas para eu me recuperar do susto~]
A foto mostrava Leonardo alimentando-a com frutas em um jato particular.
Sofia passou pela foto sem expressão, pensando que aquilo era bom; se Isadora estivesse ocupada com ele, não teria tempo para incomodá-la.
No dia da alta, Leonardo não estava na empresa. As redes sociais mostravam que ele estava esquiando na Suíça com Isadora.
Sofia fez as contas: faltavam apenas três dias para concluir oficialmente sua demissão.
Ao chegar em casa, começou a arrumar as malas. Não havia acumulado muita coisa nesses anos; uma mala pequena foi o suficiente.
Quando estava prestes a ligar para o proprietário para rescindir o aluguel, o celular tocou. Era Leonardo.
"Minha querida, venha ao clube Blue Velvet", disse ele com voz urgente. "A Isa se meteu em um problema."
Ao chegar, o local estava um caos. Isadora estava encolhida nos braços de Leonardo, pálida, enquanto um carro esportivo batido estava parado na porta do clube, com um pedestre ensanguentado caído à frente.
"Sofia, a Isa atropelou alguém enquanto dirigia alcoolizada", Leonardo entregou-lhe uma taça de vinho. "A polícia está chegando. A Isa é frágil, assuma a culpa por ela."
"Não se preocupe, você ficará presa por dois dias no máximo. Vou mexer meus pauzinhos para te tirar, cuidarei de tudo. Só preciso que você lide com a polícia por alguns dias."
Capítulo 7
Sofia levantou o olhar para ele: "E se eu não quiser?"
A voz de Leonardo soou pesada: "Minha querida, não estou negociando com você. Eu sou seu chefe."
Sofia o encarou por alguns segundos e, de repente, sorriu: "Está bem."
Ela pegou a taça e virou-a de uma vez. O álcool forte queimou sua garganta, e a reação alérgica começou a se manifestar imediatamente.
Quando a polícia chegou, Sofia, "embriagada", confessou que era ela quem dirigia o carro no momento do atropelamento.
As 48 horas na delegacia foram como um pesadelo.
Sem saber se fora obra de Isadora, Sofia foi trancada em uma cela comum com outras detentas.
"Novata?", uma prisioneira tatuada aproximou-se. "Até que você é bonitinha."
Subitamente, ela agarrou o cabelo de Sofia e bateu sua cabeça contra a parede!
"Ouvi dizer que você se acha muito, não é? Atrevendo-se a ofender a mulher do Senhor Leonardo?"
Sofia tentou resistir desesperadamente, mas foi jogada no chão e agredida por várias mulheres.
"Vagabunda!"
"Quem você pensa que é para competir com a Senhorita Isadora?"
A dor tomou conta de seu corpo, mas Sofia mordeu os lábios com força, recusando-se a soltar um único gemido.
As marcas das agressões ficaram sob suas roupas; ninguém notaria nada de errado por fora.
Na manhã do terceiro dia, Leonardo finalmente apareceu.
"Minha querida," ele franziu a testa ao ver a palidez de Sofia, "por que você está com essa cara tão péssima?"
Sofia pensou em contar o que passara naquelas 48 horas, mas logo refletiu: ela iria embora hoje mesmo, para quê o esforço?
"Não conseguiu dormir bem aqui? Minha querida, sinto muito pelo que passou." Ele estendeu a mão para tocar o rosto dela, mas Sofia esquivou-se instintivamente.
Sua mão parou no ar e seu tom de voz suavizou: "Eu pretendia te tirar antes, mas a Isa teve febre..."
Apenas por uma febre de Isadora.
Ele a deixou trancada naquele lugar por dois dias, sendo espancada sem parar?
Sofia soltou um riso amargo, não disse nada e passou por ele, saindo da delegacia.
Leonardo apressou-se em segui-la e segurou sua mão enquanto entravam no carro.
"Quer que eu te leve para casa descansar?"
"Para a empresa."
"Ainda quer ir para a empresa agora?", ele franziu o cenho. "Vá para casa primeiro."
"Tenho assuntos importantes."
Seu tom era calmo, porém inquestionável.
Leonardo lembrou-se de que ela sempre fora assim, insistindo em concluir os casos de fusão que ele delegava mesmo quando estava com febre alta.
Ao chegarem na frente do prédio da empresa, Sofia soltou o cinto de segurança. Quando ia descer, Leonardo falou: "Quer que eu suba com você?"
"Não precisa."
Ela abriu a porta do carro. O vento frio entrou, dissipando o último resquício de calor em seu corpo.
Nesse momento, o celular de Leonardo tocou.
Sofia ouviu a voz chorosa de Isadora do outro lado: "Léo... meu estômago dói... você pode vir ficar comigo?"
Leonardo franziu ainda mais a testa e olhou para Sofia.
"Vá", ela disse com sua habitual solicitude. "Eu volto para casa assim que terminar."
Leonardo a observou por alguns segundos e, por fim, suspirou: "Sinto muito por desta vez".
Ele tentou tocar o rosto dela novamente, mas ela se esquivou sem deixar rastros.
Antes que o vidro do carro subisse, ele disse pela última vez: "Assim que eu acalmar a Isa, vou te compensar adequadamente".
Sofia ficou parada, observando o Maybach preto desaparecer no tráfego.
Ela entrou na empresa, concluiu os trâmites finais de sua demissão e despediu-se dos colegas um a um.
Depois, foi para casa, pegou suas malas e seguiu para o aeroporto.
Antes de embarcar, ela apagou todos os contatos de Leonardo e jogou o chip do celular no lixo.
Quando o avião cortou as nuvens, ela fechou os olhos lentamente.
Foram doze anos ao seu lado, Leonardo.
Desta vez, finalmente, adeus.
Capítulo 8
Quando Leonardo chegou ao apartamento de Isadora, encontrou-a encolhida no sofá, pálida como papel.