Ele respondeu sem hesitar: "Não gosto."
"Então não direi mais nada no futuro."
Dito isso, Sofia abriu a porta do carro, desceu e caminhou em direção ao prédio sem olhar para trás.
Ao sair do elevador, deu de cara com um jovem vizinho que estava saindo.
Ao ver Sofia, os olhos dele brilharam. Ele se aproximou educadamente: "Olá! Já te vi algumas vezes, mas ainda não tive a chance de me apresentar. Você... faz exatamente o meu tipo. Poderia me passar seu WhatsApp?"
Sofia ia abrir a boca para responder quando, de repente, uma mão surgiu atrás dela, agarrando-a pela cintura e puxando-a para trás.
"Pedir o WhatsApp da minha namorada? Não deveria perguntar para mim primeiro?", a voz de Leonardo era fria como gelo.
O rosto do homem mudou de cor e ele se desculpou apressadamente: "Perdão, eu a vi entrando e saindo sozinha estes dias, não sabia que ela tinha namorado..."
E saiu apressado.
Sofia empurrou a mão de Leonardo: "O que você está fazendo aqui?"
Com o rosto sombrio, Leonardo entregou o celular para Sofia: "Esqueceu no carro."
Sofia pegou o aparelho e agradeceu.
Ele, porém, não saiu de imediato. Olhando na direção para onde o homem tinha ido, disse em tom ríspido: "Minha querida, a partir de agora, se alguém pedir seu contato, não dê."
"Por quê?"
"Porque eu estou mandando."
Ele tirou o paletó e jogou para Sofia: "Pendure na porta, para que saibam que há um homem nesta casa."
Vendo que Sofia não se mexia, ele mesmo pegou o paletó e o pendurou na maçaneta da porta.
"Descanse bem", disse ele com o rosto gélido antes de se virar e sair.
Sofia observou suas costas até a porta do elevador fechar. Então, sem qualquer expressão, jogou aquele paletó caro sob medida na lata de lixo.
Três dias depois, era o banquete de aniversário da empresa.
Sofia estava do lado fora do salão confirmando o cronograma quando recebeu uma mensagem de Leonardo:
[Venha agora mesmo para o camarim.]
Ao abrir a porta, encontrou Isadora sentada no sofá com os olhos vermelhos, segurando um vestido de luxo rasgado.
"Sofia, como pôde preparar um vestido assim para mim?", ela disse com a voz embargada. "Isso é para me fazer passar vergonha no banquete?"
Sofia franziu a testa e pegou o vestido para examinar.
Era o modelo de alta costura que ela mesma havia entregado, intacto, mas que agora parecia ter sido rasgado propositalmente.
"Sinto muito, vou pedir para entregarem um novo agora mesmo", Sofia propôs imediatamente uma solução.
"Não dá tempo!", Isadora balançou a cabeça. "O banquete vai começar, os convidados já chegaram..."
"Então trocamos pelo vestido reserva?"
"O reserva não é formal o suficiente. Esta é a minha primeira aparição pública como namorada do Léo!"
Sofia sugeriu várias saídas de emergência, mas Isadora recusou todas.
Após algumas tentativas, Sofia teve certeza: ela estava fazendo de propósito.
Leonardo pareceu notar que algo estava errado e franziu levemente o cenho: "Isa, como quer resolver isso?"
Isadora apontou timidamente para Sofia: "O vestido que a Sofia está usando é quase do meu tamanho... que tal trocarmos?"
"Não", Sofia recusou diretamente. "Sou a secretária-chefe, sou responsável por todo o fluxo do banquete esta noite."
Sair usando um vestido rasgado? Que tipo de imagem passaria?
Não seria apenas a reputação dela em jogo, mas a de todo o Grupo Leonardo.
Sofia pegou o celular: "Vou ligar para entregarem um agora, ainda dá tempo..."
"E se não der tempo? Eu não posso arriscar!", Isadora começou a chorar de repente, agarrando o braço de Leonardo. "Léo, vieram muitas pessoas influentes hoje. Eu queria estar perfeita ao seu lado, para causar uma boa impressão nos seus pais..."
O olhar de Leonardo suavizou instantaneamente.
"Minha querida", ele olhou para Sofia, "troque com ela."
Sofia respirou fundo: "Sou a secretária, tenho muitas coisas para resolver esta noite..."
"Sofia, eu sou seu patrão. Apenas faça o que eu mando", ele a interrompeu, num tom inquestionável.
Sofia fechou os olhos por um momento, entrou no provador e entregou seu vestido a ela.
Em troca, vestiu o traje rasgado.
As aberturas no peito e nas coxas mal cobriam o corpo; qualquer movimento brusco a deixaria exposta.
Isadora vestiu o traje de Sofia, deu uma volta na frente do espelho e perguntou sorrindo para Leonardo: "Léo, ficou melhor em mim ou na Sofia?"
"Em você", respondeu Leonardo sem hesitar.
Isadora lançou um olhar vitorioso na direção de Sofia: "Sofia, termine de se trocar e saia logo, o banquete não funciona sem você~"
Após a porta fechar, Sofia encarou seu reflexo no espelho por alguns segundos. De repente, ela rasgou com força a barra do vestido, usando o tecido para envolver a cintura, criando uma fenda alta e elegante. Prendeu a parte rasgada do busto com um alfinete, deixando as clavículas e a linha do pescoço à mostra.
Já que era para estar "arruinada", que fosse uma ruína absoluta e marcante.
Capítulo 5
Quando Sofia reapareceu no banquete, todos os olhares se voltaram instantaneamente para ela.
"Meu Deus, o visual da secretária Sofia... está deslumbrante, não acha?"
"Que corpo impecável!"
"Será que esse vestido foi desenhado assim de propósito? É maravilhoso..."
Leonardo, que estava conversando com os convidados, virou-se ao ouvir os comentários, e seu olhar escureceu de imediato.
O sorriso de Isadora congelou em seu rosto, e suas unhas cravaram-se profundamente na palma das mãos.
Ela caminhou apressadamente até Sofia: "Sofia, por que você alterou o vestido desse jeito?"
"Se não alterasse, seria impossível usá-lo", disse Sofia calmamente. "Sou a secretária do Grupo Leonardo, preciso zelar pela imagem da empresa."
Isadora estava com uma expressão péssima, mas não podia explodir ali; apenas agarrou o braço de Leonardo: "Léo, vamos fazer um brinde".
Leonardo franziu a testa: "Você não pode beber".
"Mas a Sofia não está aqui?", Isadora disse dengosa. "É só ela beber por mim".
Leonardo hesitou por um instante.
Sofia também ficou atônita.
Todos naquele círculo sabiam que Sofia era alérgica a álcool. Com a proteção de Leonardo, mesmo sendo apenas uma secretária, ninguém ousou pedir que ela bebesse todos esses anos.
Mas agora, diante de um simples dengo de Isadora, Leonardo hesitou por apenas um segundo antes de concordar.
Ele lançou um olhar para Sofia e disse friamente: "Siga-nos".
Depois disso, Isadora parecia fazer de propósito, levando Leonardo de mesa em mesa para brindar. A cada taça, ela olhava sorrindo para Sofia: "Sofia, beba esta por mim, sim?"
Sofia bebeu taça após taça. Sua garganta ardia tanto que ela mal sentia o gosto do vinho; apenas um gosto ferroso de sangue subia constantemente.
Seu estômago estava em frangalhos. Ela não aguentou mais e correu para o banheiro, vomitando até perder as forças. Ao final, tossiu um pouco de sangue.
Ela se apoiou na pia, encarando seu rosto pálido no espelho. Antes mesmo de recuperar o fôlego, o celular tocou: era Isadora.
"Sofia, por que você ainda não voltou? Os tios do Léo estão esperando pelo brinde."
Sofia engoliu alguns comprimidos para alergia e voltou ao banquete, fazendo um esforço hercúleo para se manter de pé.
Ao final do evento, ela mal conseguia se equilibrar, enquanto Isadora encostava-se delicadamente no ombro de Leonardo: "Léo, estou com sono..."
Leonardo acariciou o cabelo dela com carinho: "Vá para o carro me esperar, virei assim que me despedir dos convidados".
Sofia apoiava-se na parede em silêncio, observando a intimidade dos dois enquanto seu estômago se contorcia em dor novamente.
Isadora segurou o braço dela com um sorriso doce: "Sofia, vamos".
Sofia não teve escolha a não ser deixar-se conduzir por ela até o elevador.
Assim que entraram e as portas se fecharam, sem mais ninguém por perto, a expressão de Isadora mudou instantaneamente.
Slap!
Ela deu um tapa no rosto de Sofia, com o olhar carregado de maldade: "Sua velha, você fez de propósito, não foi? Vestiu-se assim de propósito para roubar minha atenção!"
Sofia ergueu a mão e retribuiu o tapa sem hesitar.
"Não foi você que quis trocar comigo?"
Isadora segurou o rosto, incrédula: "Você se atreve a me bater? Sabe qual é o seu lugar? Você não passa de um cão que o Léo sustenta!"
"Agora estou fora do meu horário de trabalho", Sofia a encarou friamente. "Mesmo sendo namorada dele, você não tem o direito de me insultar".
Isadora tremia de raiva e ia retrucar, quando o elevador deu um solavanco violento e as luzes se apagaram!
"Ah...!", Isadora gritou, agarrando o braço de Sofia em pânico. "O que está acontecendo?!"
Sofia lutava contra sua claustrofobia e apertou rapidamente o botão de emergência, mas o interfone emitia apenas ruídos estáticos. Ninguém respondia.
Isadora pegou imediatamente o celular e ligou para Leonardo, com a voz embargada pelo choro: "Léo... o elevador quebrou, estou com tanto medo..."
Sofia encostou-se no canto, sua respiração tornando-se cada vez mais curta. O espaço fechado e o ar rarefeito faziam sua visão escurecer.
Depois de um tempo indeterminado, ouviu-se o som de passos apressados do lado de fora e a voz de Leonardo: "Isa! Querida! Estão me ouvindo?"