《A Esposa Invisível: O Preço do Seu Desprezo》Capítulo 10

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Ela vestia uma blusa de tricô off-white e parecia serena e distante.

Bernardo sentou-se à frente dela e pediu um café preto, o mais amargo que tivesse.

"Quando você vai embora?", ele perguntou.

Capítulo 20

"Vá direto ao ponto." Alice ergueu o olhar, com os olhos calmos como um lago sem ondas.

"Alice," o pomo de Adão de Bernardo se moveu, e seu tom carregava uma dificuldade que nem ele mesmo percebia, "você me odeia tanto assim? A ponto de não querer se sentar comigo nem por um momento?"

Ele deu um grande gole no café amargo, tentando reprimir a inquietação em seu peito.

"Eu admito que errei no passado, eu estava cego, fui um canalha! Mas eu amo a Bia há muitos anos, e o sentimento... a gente não controla. Por isso eu te negligenciei e te magoei. Eu te devo um pedido formal de desculpas."

Alice ouvia em silêncio, sem qualquer expressão no rosto, como se estivesse ouvindo uma história que não lhe pertencesse.

"Você é muito... adorável." Bernardo olhou para o perfil sereno dela, e essas palavras escaparam de forma súbita, com uma sinceridade que surpreendeu até a ele mesmo. "De verdade. Então... não fique presa a um casamento fracassado. Você ainda é jovem, merece algo melhor."

A ponta do dedo de Alice deslizou levemente pela borda do copo de vidro. Ela finalmente olhou para ele, com o canto da boca curvado em um sorriso extremamente frio: "O Sr. Bernardo me chamou aqui hoje apenas para me dar aconselhamento psicológico e me dizer para deixar o passado para trás e olhar para o futuro?"

Ela largou o copo, inclinou o corpo levemente para frente e seu olhar tornou-se afiado:

"Ou será que, ao ver que não estou vivendo de forma tão miserável quanto você imaginou, o 'Grande Herdeiro Ferraz' sentiu o ego ferido e precisou vir confirmar se eu ainda sou louca por você, apenas para satisfazer essa sua vaidadezinha medíocre e tardia?"

Bernardo empalideceu com as palavras dela e apertou a xícara de café com força: "Não foi isso que eu quis dizer!"

"Então o que você quis dizer?" Alice levantou-se e pegou sua bolsa. "Se for apenas para dizer bobagens sem sentido, acho que não precisamos mais perder tempo."

"Espere!" Bernardo também se levantou bruscamente. Em um momento de pressa, tirou uma caixinha de veludo do bolso interno do paletó, abriu-a com um clique e a empurrou para a frente dela.

Dentro da caixa não estava o "Lágrima de Diamante", mas sim um bracelete de jade.

O jade era inteiramente verde, com uma textura fina e translúcida, emitindo um brilho suave e contido sob a luz. Era exatamente aquele que Alice havia observado por muito tempo em uma joalheria no dia anterior e que acabou desistindo de comprar por causa do preço.

"Isso..." A voz de Bernardo estava um pouco apressada. "Ontem na loja, vi que você parecia ter gostado muito."

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O olhar de Alice caiu sobre aquele jade valioso, e seus olhos instantaneamente tornaram-se frios como gelo.

Ela ergueu a cabeça e encarou Bernardo diretamente:

"Bernardo Ferraz, o que significa isso? Uma compensação? Caridade? Ou seria apenas uma outra forma de humilhação?"

"As coisas de que eu gosto, eu mesma posso comprar. Não preciso da compaixão ou da piedade de ninguém, e muito menos de um ex-marido — um homem que um dia me pisoteou até o chão — vindo fingir que se importa agora!"

"Não é isso!" Bernardo sentiu-se ferido pelo gelo e pelo desprezo nos olhos dela. "Eu só vi que você gostou..."

"Se você não tem mais nada a dizer," Alice o interrompeu, com a voz firme e decidida, "não me procure mais." Ela pegou sua bolsa e virou-se para sair, sem demonstrar qualquer hesitação.

Bernardo viu a silhueta dela prestes a desaparecer pela porta, e uma sensação imensa de pânico e perda o dominou. Aquela frase que ecoava em seu peito há muito tempo escapou sem controle:

"Alice! Eu errei!"

O grito soou um tanto brusco no café silencioso.

Alice parou por um instante, mas não olhou para trás.

Bernardo caminhou até ela e olhou para Alice.

"Sinto muito, eu demorei demais para perceber meus sentimentos. Alice, se pudéssemos voltar no tempo, eu com certeza daria valor ao nosso destino."

Alice ficou estática por um momento. Então, ela endireitou as costas, abriu a porta e saiu sem hesitar, misturando-se à multidão e à escuridão da noite.

Capítulo 21

Ao sair do café, Alice caminhava sem rumo pela calçada.

Os neons da cidade se transformavam em um borrão de luz gélida diante de seus olhos.

A última frase de Bernardo zumbia em seus ouvidos como uma mosca, carregada de uma hipocrisia nauseante. Dar valor? O que ele entendia sobre dar valor? O valor dele era reservado apenas para Bia.

Ela só queria voltar logo ao hotel e deixar para trás aquela cidade sufocante de uma vez por todas.

Ao atravessar uma rua relativamente deserta, preparava-se para chamar um carro.

De repente, o som estridente de pneus derrapando veio da lateral traseira!

Um carro avançava descontrolado em direção à grade de proteção onde ela estava; a mente de Alice ficou em branco e seu corpo paralisou, incapaz de reagir.

No último milésimo de segundo, um vulto negro surgiu do nada, lançando-se contra ela e empurrando-a violentamente para longe!

"BANG!"

"CABRUM—!"

O som de um impacto massivo, metal retorcido e vidro estilhaçado explodiu simultaneamente!

Alice foi arremessada pela força do golpe, caindo pesadamente no chão a alguns metros de distância. Cotovelos e joelhos latejavam com uma dor ardente.

Tonta e atordoada, ela ergueu a cabeça.

Viu que o carro desgovernado havia colidido brutalmente contra a grade onde ela estava parada segundos antes. A frente estava completamente destruída, com o capô retorcido liberando uma fumaça branca.

E entre ela e o veículo destroçado, jazia uma pessoa.

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Era Bernardo.

Ele estava encolhido no chão, imóvel. Sob seu corpo, o sangue carmesim se espalhava rapidamente, serpenteando pelo asfalto frio de forma aterradora.

"Bernardo!", gritou Alice, em choque.

O rosto dele estava pálido como papel, com uma respiração tão fraca que mal podia ser sentida, enquanto o sangue continuava a jorrar.

"Ambulância! Chamem uma ambulância!", Alice finalmente recobrou os sentidos, gritando para os transeuntes paralisados. Com as mãos trêmulas, pegou o celular e discou para a emergência, falando de forma desconexa.

...

Pronto-socorro do hospital.

Alice permanecia sentada em uma cadeira, sem expressão, observando a luz vermelha da sala de cirurgia acesa continuamente.

Passos apressados ecoaram no fim do corredor. Bia e Henrique chegaram correndo.

"Bernardo! Como o Bernardo está?!"

Ao ver Alice, Bia investiu contra ela, empurrando-a com força: "Alice Ferraz, o que você fez com o Bernardo? Por que ele sofreu ferimentos tão graves para salvar você?"

Alice foi empurrada contra a parede, sentindo uma dor aguda nas costas.

Ela apenas olhou friamente para a Bia em estado histérico, sem se defender.

"Chega, Bia!", Henrique segurou a Bia furiosa, mas seu olhar era igualmente gélido como uma lâmina, cravando-se em Alice com um desprezo e abominação indisfarçáveis.

"Senhorita Alice, você é realmente uma maldição! Se algo acontecer ao Bernardo, eu jamais a perdoarei!"

Ele se virou para os dois seguranças que o acompanhavam e ordenou severamente: "Vigiem-na! Até que o Bernardo esteja fora de perigo, ela não deve dar um passo para longe daqui! Se tentar fugir, quebrem as pernas dela!"

Os seguranças, sem expressão, bloquearam as duas extremidades do corredor.

O tempo passava minuto a minuto, cada segundo parecendo uma eternidade em brasas.

A porta da emergência finalmente se abriu e o médico surgiu com um semblante grave: "O paciente tem múltiplas fraturas e hemorragia interna severa. Ele precisa de cirurgia imediata, mas o estoque de sangue O está em falta! Alguém da família é tipo O?"

"Eu sou!", Henrique prontamente se adiantou.

"Rápido! Venha comigo!", a enfermeira levou Henrique às pressas.

Bia desabou em prantos na porta do centro cirúrgico.

Uma espera interminável. A luz da sala de cirurgia finalmente se apagou. O médico saiu, retirando a máscara exausto: "Conseguimos estabilizá-lo por enquanto. Mas os danos são severos, especialmente na coluna e nos nervos das pernas... É difícil dizer se ele acordará ou qual será o nível de sua recuperação."

Ao ouvir que "ele sobreviveu", Bia desabou no chão.

Mas, com a segunda parte da frase, seu rosto ficou instantaneamente lívido.

Alice, encostada na parede fria, sentia o corpo gelado. Ela observou Bernardo, coberto de tubos e sem vida, ser retirado e levado para a UTI.

Naquele momento, um turbilhão de emoções complexas tomou conta dela. Ódio? Certamente. Mas ao vê-lo naquele estado para salvá-la, uma pontada de piedade tardia e absurda surgiu sem controle.

Capítulo 22

Henrique, após a doação de sangue, aproximou-se com o rosto pálido.

Ao ver que Alice ainda estava lá, seu nojo aumentou. Ele fez um sinal para os seguranças: "Tirem-na daqui! Não a deixem poluindo este ambiente!"

Um segurança avançou, segurando Alice pelo braço de forma rude para arrastá-la.

"Solte! Eu ando sozinha!", Alice protestou.

No meio do puxão, um adorno de sua bolsa foi arrancado — era uma pulseira de corda vermelha, delicadamente tecida e um pouco desbotada, com um pequeno amuleto da sorte preso na ponta.

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