Como se confirmasse suas palavras, no meio da corrida, o carro que liderava perdeu aderência em uma curva em "S" de alta velocidade e colidiu violentamente contra a barreira de proteção!
Destroços voaram para todos os lados em uma cena aterrorizante que fez o público gritar!
Em meio à confusão, o carro número 7 cortou rapidamente pelo lado interno, aproximando-se daquela curva perigosa que acabara de engolir o líder!
"Meu Deus! Ele ainda vai encarar aquela curva?", alguns espectadores que entendiam do assunto exclamaram. "O ângulo é traiçoeiro, a área de escape é pequena e, com o acidente agora, a pista está pior! Ele quer morrer?"
"Dizem que é um novato sem apoio, deve estar querendo fama a qualquer custo!"
Sob o olhar atento de todos, o carro azul-acinzentado não reduziu a velocidade.
O veículo deu uma guinada brusca, os pneus emitiram um guincho agudo contra o asfalto, quase raspando a barreira de proteção. Com um drift perfeito no limite, ele passou pela curva da morte e assumiu a liderança instantaneamente!
Nas últimas voltas, ele resistiu à perseguição frenética e cruzou a linha de chegada em primeiro!
"Campeão! O título pertence ao piloto número 7 — Flecha!", a voz do narrador quase falhou de tanta emoção. O autódromo explodiu!
Alice, sem perceber, levantou-se com a multidão, as palmas das mãos suadas. Presenciar aquele milagre de superação realmente valeu a viagem.
Em meio aos aplausos ensurdecedores, o campeão foi escoltado pela equipe de volta aos boxes para o banho de champanhe.
No ponto mais alto do pódio, o piloto parou.
"Flecha" ergueu a mão e, sob o olhar de todos, removeu lentamente o capacete.
O público soltou um suspiro de surpresa diante de seu rosto bonito.
Apenas Alice congelou no lugar.
Flecha era Bernardo Ferraz.
Capítulo 14
A tensão, a admiração e até a torcida silenciosa que ela sentira por aquele piloto desconhecido voltaram-se agora contra ela como flechas.
Henrique, ao seu lado, pareceu notar que algo estava errado.
Seguindo o olhar dela, ele franziu levemente a testa.
Nesse momento, Larissa puxou Thiago e Henrique animadamente: "Vamos, vamos! Conheço um gerente de equipe, vou levar vocês aos bastidores para conhecer o campeão de perto!"
Alice quis recusar, mas foi arrastada pela entusiasmada Larissa sem chances de protestar.
Nos bastidores, o clima era de uma vitória barulhenta e agitada.
Alice ficou de lado, escondida pelas silhuetas dos outros; ela só queria sair daquele lugar sufocante imediatamente.
No entanto, uma confusão maior surgiu vinda da direção do camarim do campeão.
"Bernardo! Seu idiota!", uma voz feminina aguda gritou entre soluços.
A multidão abriu caminho. Bia, com os olhos vermelhos, correu até Bernardo, que acabara de tirar o macacão, e desferiu um tapa forte no rosto dele!
"ESTALO!" O som nítido fez o barulho dos bastidores silenciar por um instante.
"Quem te deu permissão para participar de uma corrida suicida dessas?! Você quer morrer?!", as lágrimas de Bia jorravam. "Você me prometeu que não tocaria mais em carros de corrida! Você mentiu! Você tem noção do que eu senti quando te vi naquela curva? Eu..."
Bernardo, com a marca clara do tapa no rosto, tinha um olhar complexo.
Ele agarrou o pulso de Bia que gesticulava descontroladamente e disse baixo: "Bia! Pare com isso!"
"Eu estou parando? Eu estou preocupada com você! Você sabe o perigo que correu?! Por causa daquele prêmio, você vai arriscar a vida?" Bia gritava enquanto lutava para se soltar.
"Chega!", Bernardo aumentou o tom de voz, com uma raiva reprimida. "Conversamos em casa."
A discussão atraiu ainda mais olhares.
Ao lado, Henrique estava lívido, com os punhos cerrados, e avançou em direção a eles. A cena tornava-se cada vez mais caótica à medida que jornalistas curiosos começavam a se aproximar.
Alice foi empurrada pelo fluxo de pessoas, perdendo o equilíbrio e quase caindo quando alguém tropeçou em seu pé.
Nesse momento, uma mão forte agarrou seu braço, puxando-a com firmeza e tirando-a daquela confusão.
Alice recuperou o equilíbrio e disse baixo: "Obrigada."
"Faz tempo que não nos vemos", uma voz familiar soou.
Alice ergueu a cabeça bruscamente e encontrou os olhos profundos e carregados de Bernardo.
O tempo pareceu parar por um segundo. O barulho dos bastidores tornou-se apenas um ruído de fundo.
Alice conteve o choque em seu olhar e tentou puxar o braço com força, mas seu pulso estava preso pelo aperto firme de Bernardo.
"Solte-me", ela disse com voz fria.
Bernardo apertou ainda mais, os nós dos dedos empalidecendo. Ele a encarava com intensidade: "Quando voltou ao país?", ele perguntou em tom de questionamento inquestionável.
Alice virou o rosto, recusando-se a encará-lo ou responder.
"Precisa disso, Alice?", Bernardo baixou o tom de voz. "É apenas uma pergunta, você age como se tivesse visto um fantasma."
"Não precisa", Alice finalmente voltou o olhar, fria e contida. "Apenas não tenho nada para conversar com você."
Ela tentou se soltar novamente. Bernardo hesitou por um momento, afrouxando o aperto, e ela se desvencilhou na hora, virando-se para sair.
"Espere!", a voz de Bernardo soou atrás dela, com uma urgência quase imperceptível. "Por que partiu sem se despedir naquela época? Nem uma palavra?"
Capítulo 15
Os passos de Alice estancaram. Ela se virou lentamente, com uma expressão de incredulidade: — Bernardo, você está fingindo amnésia ou acha que eu mereço ser burra a vida inteira?
Bernardo franziu a testa, e um brilho de confusão e... culpa passou por seus olhos? — Partir sem avisar? Bernardo, você tem o direito de perguntar isso? Por acaso eu deveria ter ficado e esperado que vocês dois esgotassem até a última gota da minha utilidade?
— Você sabia sobre mim e a Bia? — a voz de Bernardo tremeu.
— Sim! Eu sabia! — Alice o interrompeu bruscamente, enfatizando cada palavra. — Eu sabia que em seu coração só havia espaço para sua "querida irmã" Bia! Sabia sobre esse relacionamento obscuro de vocês! E eu sei de muito mais! Para proteger o bastardo que ela carregava, você não hesitou em me engravidar! O plano era esperar o bebê nascer, fazer uma troca cruel e depois me descartar como lixo! Bernardo, vocês realmente planejaram tudo muito bem!
Bernardo parecia ter sido atingido por um raio invisível, ficando paralisado no lugar. Sua boca se abriu, o pomo de Adão moveu-se violentamente, mas ele não conseguiu articular uma única palavra.
Alice olhou para o rosto dele, subitamente pálido e desolado, com olhos que refletiam apenas um desprezo gélido e uma satisfação amarga. Sem olhar para ele novamente, ela se virou e partiu com determinação.
Alice caminhava apressadamente, seu coração ainda batendo forte pela raiva. Logo após dobrar a esquina, seus passos pararam abruptamente.
Henrique estava encostado na parede fria, com as mãos nos bolsos da calça social, e seu rosto estava tão sombrio que parecia prestes a explodir. Alice não sabia há quanto tempo ele estava ali. Naquele momento, em seus olhos antes suaves, restava apenas um julgamento gélido e um desprezo indisfarçável, como se estivesse olhando para algo imundo.
— Ele tem namorada — disse Henrique friamente.
O coração de Alice estava mergulhado em gelo e exaustão; ela não queria explicar, nem precisava. Ela endireitou as costas, ignorando o olhar e as palavras agressivas de Henrique, passou direto por ele e caminhou rapidamente em direção à saída.
De volta ao hotel, Alice se jogou no sofá. Por que ainda perder tempo falando com Bernardo? Por que não lhe deu um tapa na hora? Por que ainda permitiu que ele visse suas emoções oscilarem? Ela bagunçou o cabelo, irritada. O olhar de desprezo de Henrique também não saía de sua cabeça. Ela soltou um riso autodepreciativo; tanto faz, eram todos pessoas irrelevantes agora.
O celular tocou oportunamente; era um e-mail de trabalho de seu chefe, confirmando detalhadamente o cronograma e os detalhes da autorização para o leilão de amanhã. Alice respirou fundo, forçando-se a se acalmar. Agora, o mais importante era o "Lágrima de Diamante".
Para recuperar a paz de espírito, ela foi sozinha à noite ao lounge no último andar do hotel. O dono do bar, vendo-a sozinha, começou a conversar. Ao saber que ela havia retornado ao país solteira, os olhos dele brilharam e ele se ofereceu entusiasticamente para apresentá-la a alguém.
— Uma mulher com o seu porte, senhorita Alice, certamente merece um jovem talentoso! Conheço um que é totalmente confiável! De boa família, bom caráter, extremamente capaz e, acima de tudo, muito bonito! O principal é que ele é muito refinado e sabe aproveitar a vida! Acho que vocês seriam o par perfeito!
O dono falava com grande animação. Enquanto falava, seus olhos brilharam subitamente e ele acenou com entusiasmo em direção à porta: — Falando no diabo! Que coincidência! Henrique, por aqui!
O sinal de alerta disparou no coração de Alice. Seguindo o olhar do dono — era realmente Henrique. Henrique também viu Alice, e suas sobrancelhas se franziram quase imperceptivelmente. O dono, sem notar a tensão, fez as apresentações com entusiasmo:
— Henrique, esta é a senhorita Alice Ferraz, uma grande designer que acabou de voltar do exterior! Senhorita Alice, este é o jovem talentoso de quem falei, Henrique! Vejam só, não formam um belo par?