《A Esposa Invisível: O Preço do Seu Desprezo》Capítulo 6

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Enquanto Alice estava perdida em pensamentos, o homem surgiu ao seu lado, sem que ela percebesse quando.

"A senhorita tem bom gosto. Este 'Chuva de Verão' que segura foi a fragrância em que mais dediquei esforços, e as notas de fundo são as minhas favoritas..."

"Sonho de uma Noite de Verão?" Alice respondeu instintivamente.

O homem estacou, exibindo um sorriso caloroso. "Qual o seu nome, senhorita?"

"Alice... Alice Ferraz." Ela respondeu.

"Você certamente compra meus produtos há muito tempo, de fato..."

Nesse momento, um garçom de terno interrompeu a conversa, sussurrando algumas palavras ao ouvido do homem. Ele pediu desculpas educadamente e caminhou com elegância em direção ao pequeno palanque à frente.

Ele pegou uma taça de champanhe da bandeja de um atendente e bateu levemente nela.

O som límpido atraiu a atenção de todos.

O homem posicionou-se sob os holofotes, com um sorriso gentil, percorrendo o público com o olhar: "Obrigado a todos por comparecerem ao lançamento da 'Busca pelo Aroma'. Hoje, o que mais desejo compartilhar com vocês é esta essência limitada chamada 'Begônia sob a Primeira Chuva'."

Ele ergueu um frasco de cristal sofisticado, cujo líquido refletia um brilho encantador sob a luz.

"A inspiração veio de uma garota pura e maravilhosa como uma begônia. Agradeço a ela por me dar inspiração criativa e... percepções sobre a vida."

O tom de voz dele carregava uma ternura quase imperceptível.

"Espero que goste deste presente, que traz o frescor do orvalho da begônia após a chuva."

"Encontrar uma alma gêmea artística é uma raridade. Para retribuir tamanha conexão, toda a renda desta essência pertencerá à senhorita Bia Ferraz."

"PA!"

Um feixe de luz forte incidiu repentinamente sobre um ponto na multidão.

Bia usava um longo vestido branco, com uma expressão de surpresa e emoção na medida certa.

Sob o olhar atento de todos, ela levantou-se lentamente e, voltada para o homem no palco, exibiu um sorriso puro e tímido.

Abaixo do palco, Alice sentiu o sangue fugir de seu rosto instantaneamente.

Ela olhou para o homem de sorriso suave e olhar focado, depois para a radiante Bia entre a multidão, e recordou as conversas profundas com K no último ano. Alice sentiu uma ironia amarga.

Aquelas confidências tarde da noite... agora pareciam absurdamente ridículas.

A garota no coração dele era Bia.

E ela, Alice, não passava de um passatempo anônimo para os momentos de lazer do perfumista.

A decepção e o constrangimento a inundaram como uma maré.

Ela recuou um passo instintivamente, esbarrando na bandeja de um atendente atrás de si, produzindo um ruído leve. No palco, K olhou em sua direção, captando a mágoa que reluziu nos olhos de Alice.

Henrique franziu levemente a testa, confuso sobre a origem daquelas emoções complexas nos olhos daquela desconhecida. Alice, porém, baixou a cabeça rapidamente e virou-se, fugindo daquele centro iluminado para se esconder nas sombras da multidão.

Capítulo 12

Alice voltou ao hotel com o único desejo de cancelar sua reserva imediatamente e fugir daquele lugar sufocante.

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Contudo, ao pesquisar, descobriu que não havia outras vagas adequadas nas proximidades; o hotel mais próximo ficava no centro, longe demais do local do leilão. Ela teve que permanecer, contrariada.

Ao entardecer, sentindo-se inquieta, saiu do prédio principal para tomar um ar.

O crepúsculo caía e as luzes amareladas iluminavam as trilhas da mansão.

Não muito longe, ouviu vozes em uma conversa baixa. Instintivamente, ela se escondeu atrás de um caramanchão de glicínias.

Eram Henrique e Bia.

"Bia, aceite. Os lucros deste perfume não significam muito para mim, mas podem resolver suas necessidades urgentes..."

A voz de Henrique carregava uma preocupação e um carinho evidentes enquanto ele estendia uma pasta para Bia.

Bia recuou um passo, com voz obstinada: "Sr. Henrique, agradeço sua gentileza. Mas não posso aceitar algo sem mérito. E além disso..." Ela pausou, baixando o tom, "Bernardo não ficaria feliz se soubesse. Ele é muito orgulhoso."

"Orgulho?" O tom de Henrique trazia um escárnio quase imperceptível, "O orgulho vai lhes dar uma vida melhor? Vai tirar você daquele apartamento alugado caindo aos pedaços? O que Bernardo pode lhe oferecer agora? Um homem sem emprego fixo, que ganha a vida em corridas perigosas... onde está o futuro nisso?"

"Cale-se!" Bia ergueu o rosto bruscamente, com a voz alterada, "Não fale assim dele! Bernardo se esforça muito! Ele se arrisca todos os dias! Ele..."

A voz dela embargou por um momento, "Ele está economizando para me comprar um anel! Eu não posso, e não vou fazer nada que o faça entender errado ou que o magoe! Não aceitarei seu dinheiro!"

Dito isso, ela virou-se e saiu correndo, deixando Henrique parado no mesmo lugar, com o rosto sombrio sob a luz do crepúsculo.

Atrás do caramanchão, Alice ouvia tudo em silêncio.

Então ele se chamava Henrique.

Então Bia... também tinha suas convicções. Mas aquelas convicções, para Alice, soavam irritantes e ridículas.

Ela virou-se silenciosamente e seguiu por outra trilha.

De volta ao quarto frio, abriu o computador e iniciou uma videochamada internacional para tratar dos detalhes do leilão.

Ao terminar, o celular vibrou com o nome de Larissa, sua amiga de faculdade.

Alice hesitou, mas atendeu.

"Alice! Meu namorado disse que viu você na Mansão do Luar. Por que não me avisou que voltou ao país?" A voz de Larissa transbordava surpresa, "Amanhã haverá um campeonato de GT super emocionante. Consegui ingressos VIP em um lugar excelente, venha comigo! Faz tanto tempo, estou morrendo de saudades!"

Alice pensou em recusar, mas ao lembrar que Larissa era uma das poucas que conhecia seu passado e a tratava com sinceridade, e que aquela partida talvez fosse definitiva, seu coração amoleceu.

"Está bem, envie-me o endereço."

No fim de semana, o autódromo estava lotado. Alice encontrou a área VIP e Larissa correu para abraçá-la. Ao lado dela, estava um homem de óculos com ar intelectual, seu namorado Thiago.

Havia mais uma pessoa — Henrique.

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Larissa piscou: "Alice, deixe-me apresentar, este é o Sr. Henrique, um jovem talentoso e mestre perfumista! Henrique, esta é minha melhor amiga, Alice Ferraz, agora uma renomada curadora de joias internacional!"

Henrique estacou ao ver Alice, visivelmente surpreso. Ele estendeu a mão, com tom neutro:

"Senhorita Alice, nos encontramos novamente. Que... coincidência."

Alice apertou a mão dele brevemente, agindo com frieza e cortesia:

"Sr. Henrique, um prazer."

Capítulo 13

Larissa propositalmente colocou Alice e Henrique lado a lado.

Assim que se sentaram, Larissa e seu namorado tentaram puxar assunto para animar o ambiente. Henrique respondia educadamente, mas Alice conseguia sentir o distanciamento por trás de sua polidez.

Talvez ele estivesse apaixonado por alguém e não quisesse causar mal-entendidos.

"Está trabalhando em alguma obra nova recentemente, Sr. Henrique?", Alice perguntou por cortesia.

"Apenas algumas fragrâncias comerciais, nada especial", Henrique respondeu de forma evasiva, passando o olhar pela pista. "A senhorita Alice também se interessa por automobilismo?"

"É a primeira vez que assisto, não entendo muito", Alice respondeu sinceramente.

Ambos, em um acordo tácito, voltaram a atenção para a pista, encerrando aquela conversa embaraçosa em meio ao rugido ensurdecedor dos motores e ao tom vibrante da narração local.

Larissa escolheu a primeira fila VIP, com uma visão privilegiada.

Dezenas de carros modificados, de cores variadas e designs exagerados, aguardavam na linha de partida. Os pilotos usavam capacetes padronizados, o que impedia de ver seus rostos.

"Senhoras e senhores! O momento emocionante chegou! Vamos conhecer os guerreiros desta noite!", a voz alta do locutor ecoou, apresentando um a um os codinomes dos pilotos, suas equipes e históricos.

Alice não ouvia com clareza, mas seus olhos foram involuntariamente atraídos por um carro azul-acinzentado posicionado no meio do grid.

O sinal de partida soou!

Dezenas de silhuetas de carros dispararam como flechas, com um rugido que parecia rasgar o ar, entrando instantaneamente na pista sinuosa. O impacto visual da velocidade era chocante, acendendo o fervor do público. O ronco dos motores quase explodia os tímpanos.

Alice não conhecia as regras, então apenas seguia a narração, tentando se integrar àquela atmosfera frenética.

O narrador falava rapidamente: "Neste momento, a liderança é de 'Pantera' e 'Relâmpago'! 'Fantasma' e 'Vendaval' estão logo atrás! No pelotão intermediário... vejam! Aquele carro azul-acinzentado, o 'Flecha', não teve a largada mais rápida, mas suas curvas são extremamente ousadas e ele não para de ultrapassar."

Seu olhar, inconscientemente, seguia com firmeza aquele carro azul-acinzentado de codinome "Flecha".

Seu estilo de direção carregava uma audácia quase louca; cada curva parecia uma aposta de vida ou morte, mas, a cada situação perigosa, ele ultrapassava o carro à frente com precisão absoluta.

Aquela determinação de avançar a todo custo, sem medo, tocou inexplicavelmente o coração de Alice.

Ela prendeu a respiração sem perceber, as mãos apertando as bordas do assento, torcendo silenciosamente por ele.

"A senhorita Alice parece muito interessada no carro número 7?", a voz de Henrique surgiu ao lado, com um tom de curiosidade.

Alice voltou a si e disse calmamente: "Apenas achei que ele... se esforça muito."

Henrique sorriu e também olhou para o carro azul-acinzentado: "Bom olho. Aquele piloto do número 7, o 'Flecha', é um novato. Mas veja sua linha de curva e o controle do acelerador; ele é audacioso e meticuloso, tem muito potencial. Nesta etapa, ele pode realmente surpreender."

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