《A Esposa Invisível: O Preço do Seu Desprezo》Capítulo 5

PUBLICIDADE

Com o coração aos saltos, ele o agarrou.

As letras douradas grafando "Certificado de Divórcio" queimaram em sua mão como ferro em brasa.

Ela não estava apenas fazendo cena; ela partira de verdade.

E não apenas partira, mas resolvera tudo sozinha e pedira o divórcio de forma implacável.

Uma mistura inexplicável de choque e uma pontada de perda — que nem ele mesmo percebera — dissipou instantaneamente parte de sua fúria.

Em seguida, uma imensa sensação de alívio, quase euforia, tomou conta dele!

Alice desaparecera por conta própria; ela tivera o bom senso de cair fora!

Era uma oportunidade divina! O maior obstáculo entre ele e Bia fora removido! Não precisavam mais se esconder ou planejar substituições complexas; ele agora poderia abraçar sua amada Bia abertamente!

Alice, você foi sensata.

Nos dias seguintes, Bernardo levou Bia para uma ilha particular no sul da França.

Era um refúgio isolado de sol e areia, longe das regras rígidas da família Ferraz e dos olhos onipresentes da elite de São Paulo; apenas ele e sua Bia.

Ele a mimou sem restrições, como se quisesse compensar cada dívida do passado.

Sob tamanha indulgência, Bia finalmente voltou a sorrir com vivacidade.

O episódio do aborto fora deixado para trás.

O tempo passou voando.

Ao retornarem a São Paulo, Bia tentou contatar Alice, mas descobriu que o número não existia mais e que fora bloqueada em todas as redes sociais.

Uma leve inquietação passou por sua mente.

Mas, como ainda guardava ressentimento, Bia simplesmente não deu importância.

Certa noite, Bernardo levou Bia misteriosamente a um camarote luxuoso de um dos karaokês mais exclusivos da cidade. Ao abrir a porta, a música vibrante e as luzes deslumbrantes os receberam.

Lá estavam todos os velhos amigos de infância de Bernardo.

"Bernardo! Cunhada!" Todos começaram a celebrar ao vê-los.

Bernardo envolveu a cintura de Bia, caminhou até o centro do camarote e pegou o microfone, silenciando a música com um gesto.

Ele olhou para todos e, com um tom de seriedade e proclamação sem precedentes, declarou:

"Pessoal, hoje apresento formalmente a Bia como a única mulher que amarei nesta vida! Ela não é nenhuma irmã; ela é a mulher com quem vou me casar!"

O camarote mergulhou em um breve silêncio, seguido por aplausos e assobios entusiasmados.

"Bernardo é o cara!"

"Já estava na hora!"

"Parabéns! Um casal perfeito!"

Capítulo 9

No calor do momento, sob os olhares de todos, Bernardo inclinou-se e beijou Bia profundamente. Bia correspondeu com paixão, ignorando o mundo ao redor.

As luzes oscilavam e a música recomeçou, levando a atmosfera ao êxtase.

Em meio ao beijo fervoroso, ouviu-se um estalo seco: a pesada porta do camarote fora aberta por fora.

Alberto Ferraz estava com o rosto lívido de fúria, enquanto Helena Ferraz cobria a boca, com os olhos transbordando choque e mágoa. Atrás deles, vários anciãos da família Ferraz exibiam expressões igualmente sombrias.

O ar congelou.

PUBLICIDADE

O camarote luxuoso foi esvaziado instantaneamente.

Bia, como uma lebre assustada, empurrou Bernardo e caiu de joelhos no chão, pálida como papel: "Pai... Mãe... Tios..."

Alberto Ferraz respirou fundo, olhando para a filha ajoelhada com um tom de voz pesado e exausto:

"Bia... Por quê? Embora não seja de sangue, nunca lhe faltou nada nesta casa! Como pôde cometer tal ato contra a moral e retribuir nossa bondade dessa forma?"

"Pai! A culpa não é da Bia!" Bernardo deu um passo à frente, protegendo-a. "Eu a forcei! Eu a amo e sempre a amei! Desde o dia em que ela entrou por aquela porta, quis que fosse minha! Se não fossem essas suas regras hipócritas de linhagem, não teríamos sido separados por todos esses anos! Agora que a Alice sumiu por vontade própria, o que mais vocês querem?!"

"Seu miserável!" Alberto explodiu, tremendo de raiva.

"Você ainda ousa retrucar! Tem a audácia de mencionar a Alice?! Ela lhe deu tudo de si, e como você a tratou?! Como pôde fazer isso com ela?!"

"Eu nunca gostei da Alice!" Bernardo rugiu, com os olhos injetados. "Foi ela quem quis se casar comigo; eu nunca a amei! Meu coração sempre pertenceu à Bia! Vocês me forçaram a casar com ela; vocês são os verdadeiros culpados por nos separarem!"

"Animal!" Alberto não se conteve mais, apontando o dedo trêmulo para o filho. "Eu, Alberto Ferraz, não reconheço um filho tão sem vergonha e ingrato! A partir de hoje, rompo todos os laços com você! Não tocará em mais um centavo da fortuna dos Ferraz!"

Alberto acenou bruscamente para os seguranças: "Executem a punição da família! Batam nesse infeliz até que ele aprenda a se arrepender!"

Vários homens robustos avançaram com frieza.

"Pai! Não bata no meu irmão!" Bia gritava, agarrando-se às pernas de Bernardo. "A culpa é minha! Eu que o seduzi! Bata em mim, não nele!"

Bernardo, porém, a afastou, mantendo-se ereto e olhando para o pai com um brilho de fúria e obstinação: "Bata! Se tiver coragem, mate-me! Nesta vida, só reconheço a Bia como minha mulher! Eu não errei!"

"ESTALO!" Um chicote pesado cortou o ar e atingiu as costas de Bernardo, rasgando instantaneamente sua camisa cara e expondo a carne viva.

Bernardo soltou um gemido sufocado e cambaleou, mas cerrou os dentes e recusou-se a cair.

Seus olhos vermelhos fixaram-se no pai com ódio e determinação.

"Bernardo!" Bia gritou e jogou-se novamente sobre ele, usando seu corpo frágil para protegê-lo. Ela recebeu os golpes seguintes, encolhendo-se de dor.

Bernardo, com um olhar feroz, inverteu as posições para protegê-la, envolvendo-a completamente em seus braços.

Capítulo 10

Após ser deserdado, Bernardo contou com a ajuda secreta de alguns amigos leais para alugar um pequeno apartamento de um quarto em um bairro antigo de São Paulo.

Para ele, o desconforto era irrelevante.

Mas para Bia, criada em berço de ouro, a queda no padrão de vida era insuportável.

PUBLICIDADE

Sem empregados, motoristas ou cartões de crédito ilimitados, restavam apenas paredes descascadas e móveis velhos.

Ela não sabia realizar as tarefas domésticas mais básicas.

Inundava a cozinha ao lavar vegetais, queimava a comida e as limpezas eram superficiais; no fim, era Bernardo quem lavava até as roupas íntimas dela à mão.

O fardo da vida caiu inteiramente sobre os ombros de Bernardo.

Ele deixou o orgulho de lado e passou a arriscar a vida em corridas clandestinas, usando sua antiga habilidade como piloto.

Os prêmios de cada corrida eram a única fonte de sustento para ambos.

Durante o dia, ele fazia bicos em uma oficina e, à noite, corria, voltando para casa para limpar, lavar e cuidar da melancólica Bia.

Era difícil? Sim. Mas ao observar Bia dormindo em seus braços durante a noite, sentindo o calor dela, Bernardo sentia uma satisfação distorcida que aplacava a amargura. Ele aceitara aquele preço pelo amor deles.

Um ano se passou silenciosamente.

O nome de Alice tornara-se uma lembrança enterrada nas profundezas da memória de Bernardo.

...

Nesse momento, Alice era uma designer de joias de renome internacional, trabalhando para um museu de arte de prestígio.

Ela retornara ao país para representar o museu no leilão de um anel antigo de imenso valor histórico: o "Lágrima de Diamante".

A peça seria o destaque da futura exposição "Luzes do Século".

Ao desembarcar em São Paulo, o ar familiar trouxe-lhe uma sensação de desapego.

Do aeroporto ao hotel, ela manteve o foco estritamente nos documentos do leilão.

Ela escolhera hospedar-se na Mansão do Luar, nos arredores da cidade.

Durante os anos no exterior, ela sofrera de insônia crônica.

Após tentar diversos tratamentos, encontrara online um óleo essencial chamado "Sonho de uma Noite de Verão", cuja fragrância única a ajudara a dormir.

Devido às compras frequentes, ela desenvolveu uma amizade virtual com o perfumista e vendedor, "K". Eles compartilhavam pensamentos sobre arte e vida, tornando-se confidentes anônimos.

Entretanto, há um mês, "K" desaparecera sem avisar: as mensagens não eram respondidas e as contas sociais silenciaram.

Com apenas meio frasco do óleo restante, Alice pretendia aproveitar a viagem para descobrir o que ocorrera com ele.

Seguindo pistas dos e-mails e do site da marca, ela localizou um endereço em uma mansão nos arredores de São Paulo — possivelmente o estúdio de "K".

Capítulo 11

A mansão era maior do que ela imaginara, e também mais movimentada.

Assim que desceu do carro, percebeu que a propriedade parecia estar sediando um lançamento privado de novos óleos essenciais.

Alice misturou-se discretamente à multidão, testando fragrâncias em fitas olfativas por todos os lados.

De repente, um aroma extremamente familiar, fresco e com um toque amadeirado suave, atingiu seu olfato. Lembrava muito o "Sonho de uma Noite de Verão", mas parecia fundido a notas mais complexas e luxuosas.

Ela seguiu a fragrância com o olhar.

Um homem vestindo um terno de linho cinza-claro sob medida estava de perfil para ela, conversando com alguém. Ele era alto, de postura elegante e serena, com traços faciais limpos e decididos.

Aquele perfume único emanava justamente dele.

O coração de Alice saltou uma batida.

Seria ele o "K"?

Ela conteve a respiração, recordando cuidadosamente cada fragmento compartilhado por "K" em seus e-mails sobre filosofias de perfumaria e a preferência por certas flores raras... O temperamento e a fala daquele homem à sua frente coincidiam maravilhosamente com a imagem de "K" em sua memória.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia